The Last Angel
3 No Sound but the Wind
Notas iniciais
O barulho de um carro parando no lado de fora fez com que Robert acordasse. Estava com centenas de papéis e livros sobre a mesa na sua frente. Ouviu passos se aproximando do lado de fora. Pegou o copo de wisky vazio, precurando a garrafa com a bebida. Estava do outro lado da sala.
- Oi Bobby! – Um homem de cabelos negros entrou pela porta da cozinha, seguindo por outro homem, de cabelos mais claros.
- Olá Rapazes. – Bobby cumprimentou indo pegar a garrafa e enchendo o copo com a bebida.
- Muito trabalho pejo jeito. – Dean Winchester, o loiro, falou olhando o copo cheio na mão do outro. – Achou algo?
- O que você acha? Nada. Horas procurando qualquer coisa que fizesse sentindo, e nada.
- Bom, nós tivemos mais sorte – Sam falou.
- Falem.
- Dean encurralou um demônio e conseguiu arrancar algumas informações dele.
- Pelo que nosso camarada disse, quinta-feira Crowley vai fazer uma reuniãozinha com algum colega numa igreja interditada em Alliance, às 10 da noite. – Dean relatou, pegando um copo para ele e servindo-se da bebida.
- Quinta-feira? Isso é depois de amanhã.
- Aham... E?
- Bem, vocês vão avisar ao...?
- Não. – Dean respondeu bruscamente, tomando de um gole só todo o conteúdo do copo.
Sam e Bobby se entreolharam, sem questionar o outro.
Fazia mais de dois meses que não tinham notícias de Castiel. O anjo estava envolvido numa guerra civil. Depois que Lúcifer e Miguel foram trancados novamente na jaula, não havia ninguém para comandar os céus a não ser o arcanjo Raphael. Porém muitos discordavam da doutrina imposta por ele, o que desencadeou a batalha. Para piorar, Castiel enfrentava as consequências de ter apoiado um grupo de humanos junto com um nefilim.
Os três caçadores desconfiavam que Castiel estivesse envolvido em algo maior, algum tipo de conspiração, por isso não procuravam informar qualquer relato de suas jornadas à ele.
Sam ligou a tela do laptop; várias páginas estavam abertas.
- Segundo minhas pesquisas, Alliance não é uma cidade pequena, e não há nada que envolva a igreja em relatos sobrenaturais. Foi fechada para restauração. O governo não quis se responsabilizar pela reforma, então continua interditada para possíveis obras.
- Ótimo lugar para resolver negócios. – Bobby retrucou, voltando para a sala. – Vão descansar um pouco, amanhã terão de ficar duas horas na estrada.
Dean concordou contra sua vontade. A viagem seria longa. Deitou no sofá da sala e fechou os olhos, dormindo de imediato.
~+~
Amelia foi até a janela, abriu as pesadas cortinhas e contemplou a escuridão. Eram oito horas da noite, mas como era inverno, o tempo fazia com que tudo escuresse mais rápido, dando a impressão de ser mais de meia-noite. Do quinto andar, podia ver claramente a igreja interditada.
Dominada por uma sensação de urgência, ela saiu do apartamento, usando as escadas, saiu na rua, andando pela caçada. Na rua principal, as calçadas estavam vazias, como se o frio tivesse empurrado todo mundo para dentro de casa. Amelia andava rapidamente. Usava um sobretudo preto, tentando não chamar atenção de ninguém. Em contraste com a roupa preta, o rosto de Amelia era extremamente branco.
Após alguns quarteirões, Amelia diminuiu o passo. Começara a never e parecia estar mais frio ainda. Ao se aproximar da rua da igreja, ela fez uma pausa, olhou de um lado para o outro e abriu as asas.
Estendendo-as, Amelia se preojetou além do mundo sólido. O vento a ergueu acima das construções, pousando no alto da torre da igreja. Olhando para baixo, viu que as pistas estavam recobertas por uma imaculada camada de neve. Sentia-se estranhamente imune ao ar congelante, como se estivesse anestesiada. Olhou o relógio no pulso. Faltava alguns minutos para dez horas, porém ela ouviu um movimento no grande salão da igreja. Com um farfalhar das asas, ela se embrenhou através das vidraças, escondendo-se atrás de uma pilastra.
~+~
- Porcaria de cidade – Dean resmungou, empunhando a arma, enquanto andavam pela rua coberta de neve.
- Nem me fale, era só o que precisávamos. Neve. – Sam concordou.
- Vamos, acho que deve ter uma entrada pelos lados.
Ambos entraram no jardim lateal da construçõa, ao fundo havia uma pequena porta.
- Aberta, aberta, aberta... – Dean pediu, girando a maçaneta, que prontamente abriu a porta, revelando os fundos da capela.
Empunhando as armas, eles entraram; aquele aposento estava vazio, então, com cuidado, eles ficaram atrás de duas pilastras, de onde eles tinham uma boa visão da igreja.
No centro do altar, Crowley esperava, impaciente. Estava visivelmente ancioso. Minutos depois a prota da frente abriu. Um homem adentrou através dela. Eles o observaram atravessar o pátio, com um uma distinta elegancia. A pele dele era extremamente pálida, quase transparente. Tinha cabelos escuros e olhos de um azul claro e translúcido.
- Acredito que o tempo não seja algo importante para você, não é mesmo?
O homem olhou para o seu relógio de outro.
- Ao contrário Crowley, eu faço o tempo a minha maneira. Nunca estou atrasado.- A voz gélida e seca do homem alormou os irmãos.
- Você tem algo para mim, Peterson? – Crowley perguntou, tentando manter o ar arrogante.
- Como prometi. – disse Peterson, puxando o envelope que trazia sob o braço, e o apresentando com um floreio. – Os pergaminhos.
Crowley hesitou, e sentiu o peso do envelope na palma da mão.
- Interessante, mas não consigo ver o que teria atraído a sua atenção para isto.
- Isso porque demônios insignificantes como você não conseguem ver nada além de si prórprios. – O homem falou, irritado. – Está tudo ai, o que você precisa saber. Agora se me der licença.
Peterson deu meia-volta, saindo pela entrada principal.
- Ora, ora, ora... O que temos aqui? – Antes que os irmãos pudesse sair, uma voz feminina surgiu do canto extremo do santuário. Das sombras surgiu uma mulher vestida de preto. O rosto estava encoberto pelas sombras do capuz que ela usava. – Vejo que anda tramando algo Crowley querido.
- Minha deusa, é feio bisbilhotar os outros, sabia? – O demônio não se intimidou com a presença da mulher, colocando o maço de papéis embaixo do braço e caminhando em direção da desconhecida. – Mas porque tanta curiosidade?
- Ah você sabe como eu sou. Coisas de família... – Ela se aproximou mais dele. – Toda informação é pouco.
- Sabe, acho que você puxou algo da família de seu tio... Afinal como ele está?
- Bem. Mas me diga Crowley, o que está escondendo nesses papéis?
- Você quer saber? – O homem aproximou o rosto do capuz, onde a face da mulher estava oculta. – Quem sabe você acabe fazendo parte disto.
- Nunca.
- Continua teimosa, mas ainda assim a sua ambição fala mais alto. – Ele se afastou dela.
- Você sempre deu trabalho, mas sabe de uma coisa? – A mulher abriu as asas, revelando as penas acizentadas. – Assim é mais prazeroso.
Antes que pudesse partir ao ataque, Crowley sumira. Fechando as asas, ela saiu pela porta da frente.
- O que foi isso? – Sam perguntou.
- Vamos descobrir. – Dean saiu correndo para a rua, seguido por Sam.
Em meio a neve, ele conseguiu distinguir o perfil da mulher.
- Ei! Você, pare! – Ele berrou, mas a mulher pareceu não ouvir.
Ao dobrarem a rua, viram ela entrar no prédio. Seguiram-na, vendo que o elevador parara no último andar. Subiram as escadas. Havia apenas um apartamento naquele andar.
- Abre a porta Sam.
Sam se agachou próximo da fechadura, preparando-se para destrancar a fechadura, mas a porta se abriu antes disto e ambos foram puxados para dentro.
Dean e Sam olharam a sala, que parecia algo normal. Uma mesa no centro, com sofás e uma lareira. A mulher na frente deles, a mesma da igreja, ainda usava o sobretudo com o capuz sobre o rosto.
- Quem é você? – Sam perguntou.
- Vocês não deviam ter me seguido. – Ela falou, andando de um lado ao outro da sala. – Mas eu devia saber que Crowley estava metido nos seus assuntos. Isso não é bom. Foi estúpido de minha parte. Isso não é nada bom.
- Quem é você? – Dean perguntou, segurando a mulher pelo braço.
Ela suspirou, desvencilhando-se de Dean, e baixando o capuz. Seus cabelos louros caíram sobre o ombro. A pele tão clara quanto a neve que caia do lado de fora e os olhos verdes foram revelados.
- Olá Rapazes!
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