The Lair Of Hell

4 A cachoeira do norte.


Notas iniciais
Olá a todos!
Vim postar mais um capitulo fresquinho para vocês.
Desculpe o atraso... Mas é por motivos pessoas e não muito felizes.
Espero que entendam.
Beijos e ~Enjoy!

...

Um sorriso brotou em meus lábios, tentando desesperadamente ocultar o nervosismo que sentia naquele momento. Um raio de sol brilhou por uma abertura entre as árvores acima, fazendo com que sua silhueta se estendesse pelas águas cristalinas da cachoeira. Ele olhava para o céu com uma expressão entristecida, naquele momento senti uma súbita vontade de explorar seu coração. Ele mergulhou livremente, não devia ter notado minha presença por trás das árvores, e logo reapareceu na superfície com seus cabelos acastanhados molhados, as gotas escorriam pelo seu corpo definido e naquele momento dei passos à frente por vontade espontânea.

– O que faz aqui? _ Ele nem ao menos me olhou, caminhou até a borda pegando uma pequena toalha e se secou.

– Ah... _ E neste momento notei que o encarava o tempo todo, levei minhas mãos até meu rosto e suspirei. – Desculpe, é que você simplesmente sumiu. Fiquei preocupada.

– Fui somente me refrescar. _ Ele enrolou a toalha em sua cintura e caminhou até mim. E por segundos parou em minha frente, senti meu estomago se revirar e meu rosto arder. Ele afastou uma mecha do meu cabelo que escondia meu rosto e sorriu. –Sentiu minha falta? _ Sussurrou em meus ouvidos, sua voz rouca fez-me estremecer por completo, dei passos para trás evitando aquele ser em minha frente, não sabia por que, naquele momento não pude ficar mais nervosa. – Estou brincando.

– Ham? _ Ergui meu rosto avermelhado procurando por seus olhos, aquela expressão solitária preencheu seu rosto.

Ele apressou seus passos me deixando para trás.

– Ei espere! _ Ele parou e virou seu rosto ao meu encontro. – Quem é você?

– Isso fará diferença para você? Não?

– De onde veio? Por que está aqui?

Abaixou seu olhar e logo voltou a caminhar, ignorando minhas perguntas. – Vou embora.

– Mais você está ferido...

Ele ergueu seu antebraço e logo pude ver chamas azuis brotando de seu ferimento, um calar frio passou por todo meu corpo ao senti uma presença não humana. – Você... O que você é? _ Meu tom de voz soou baixo naquele momento, e por tempos apenas o observei se afastar.

Senti gotas frias caírem sobre meu rosto, e logo a chuva tornou-se uma tempestade avassaladora, do mesmo modo em que meu coração palpitava cada vez mais violentamente. Olhei para a grama esverdeada que aos poucos se encharcava, suspirei fundo; naquele momento lembrei-me de meu pai, e de seu sorriso forçado e frio.

Tomei coragem e corri de encontro ao garoto que aos poucos se distanciava. Enxergava nele a presença de alguém querido, não entendia exatamente o que sentia naquele momento, só que ele lembrava meu falecido pai. O garoto adentrava-se com facilidade entre arbustos espinhosos, e minha falta de habilidade fez meus braços se cortarem com seus espinhos. Cheguei ao seu lado com dificuldade, mas ele diminuiu seus passos.

– Meu nome é Lin. _ Prossegui com uma conversa sem sentido, ao menos ele me olhou por alguns segundos. – Sou uma sacerdotisa. Vivia em um pequeno vilarejo chamado Gaon com minha família e amigos. _ Dei uma pausa entre as palavras, uma dor avassaladora preencheu meu coração, mas não me dei ao luxo de parar. – Eles estão mortos. Todos... mortos.

Ele parou. E logo o sol voltou a aparecer por entre as árvores, mas a chuva não cessou. Virou-se de frente para mim, e se aproximou. Pude o sentir analisando minha alma com seus olhos vermelhos, e surpreendentemente seus dedos entrelaçou os meus. – Vamos. _ E voltou a caminhar rapidamente, porem sentia que estava mais perto de mim, o calor de sua mão confirmou isto. Ele era como eu.

...

E novamentenos víamos naquela estreita caverna. Guardava meus equipamentos em minha bolça enquanto o misterioso garoto escorava-se pelas paredes da caverna e degustava as maças que havia trago mais cedo.

Ele não havia pronunciado uma palavra ao menos. E percebi que este seria nossa despedida, não que isto mudou algo em sua vida, já que ele não demonstrava o mínimo interesse no que acontecia ao seu redor.

E alguns segundos a montanha vermelha se estremeceu. O olhar atento do mesmo rodeava o local, e eu via naquele momento a despedida.

– Tenho que olhar mais uma vez as redondezas, não posso simplesmente chegar à vila dos paladinos sem informações concretas. _ Pegava minha bolça e lancei-a em minhas costas, olhei ultimamente, e mesmo que meu coração dizia o contrario, teria de partir. – Então, adeus.

Meus passos seguiram lentamente até a saída, ele ainda continuava com a mesma expressão séria, e sem ao menos prosseguir palavras de gratidão por ter salvado sua vida, nem pior despediu-se. Aquilo me irritou. Bati meus pés contra a terra avermelhada e corri até a saída, foi quando uma atmosfera me pressionava para baixo e não pude desviar da enorme pedra que caia em minha direção, fechei meus olhos o mais forte que pude, e por incrível que pareça me senti inteira.

– Você está bem? _ Ele estava por cima de mim, e seus olhos demonstrava preocupação. Simplesmente não entendi nada.

– Sim, estou. _ Esfreguei meus olhos e ele me levantou do chão. Pude ver uma enorme pedra bloqueando a entrada da caverna, e o barulho de pedregulhos desmoronando pelo lado de fora me fez entender o que teria ocorrido naquele curto tempo, mas antes de perguntar, ele ergueu sua voz pela primeira vez.

– Senti um terremoto. Não acho que seja bem isso. _ Ele caminhou até a grande pedra que cobria a entrada da caverna e escorreu sua mão pela rocha. – Só pode ser ele. _Sussurrou, e por pouco não pude ouvi-lo.

– Estamos presos? _ Caminhei até ele. Não podia acreditar no obvio. Ele levou seu olhar até o meu e confirmou com a cabeça, suspirei e sentei-me novamente ao chão.

– Isso só pode ser uma piada. _ Suspirei fundo e olhei para o fundo da caverna, mas sem duvidas aquele local não possuía uma saída.

Voltei meu olhar até o garoto e pude ver que ele tirava algo do seu bolso, e antes que pudesse perguntar o que era ele prosseguiu em uma ordem. – Tampe seus ouvidos. _ E ergueu o objeto até a borda da rocha disparando tiros sem parar.

– Não acho que irá funcionar. _ Após alguns minutos de tentativas falhas, só confirmei o que ela já tinha certeza. Então guardou sua arma novamente e caminhou em meu encontro.

– Estamos presos. _ Pude ouvir em palavras o que ele havia confirmado sem a certeza, então sentou ao meu lado ofegante. O ofereci um pouco de água que nos restava e ele aceitou. Foi quando um calar frio percorreu pelo meu corpo ao notar que estaríamos sozinhos durante... Tempos indeterminados.

Ficamos sentados num silêncio pacífico por alguns minutos, as poucas luzes que restavam no ambiente foram se retirando. Mas, então, olhei pela pequena frecha entre as rochas quando um trovão ressoou pelos céus.

– Me chamo Lupus.

Levei meu olhar até o garoto, surpresa. Então, um sorriso brotou em meu rosto por vontade própria, apenas permaneci em silêncio esperando por suas palavras.

– Sou um caçador de recompensas.

– Um... Caçador de recompensas? _ Olhei para o teto por alguns segundos. – Por isso que está aqui?

– Não por isso. _ Lupus parou seu olhar em uma direção sem proposito, apenas seu semblante sério permaneceu, mas podia ver, além disso. Uma tristeza indescritível. – Eu não sou um humano qualquer.

– Pude notar. Dês da primeira vez que o vi. _ Dei uma pausa entre as palavras.

– Vim derrotar Berkas.

Não pude deixar de me surpreender com suas palavras. – Berkas? Você só pode estar louco...

Foi quando olhei para seu antebraço amputado, e uma dor dilacerou meu coração.

– Você... Perdeu?

Ele rangeu os dentes e uma raiva preencheu seu rosto. Lupus evitou as palavras por alguns segundos, pensando em desistir de falar. Mas não o fez. – Há tempos, uma criatura ambiciosa escapou de Hades. Ele buscava mais poder, não se satisfazia apenas com o que tinha, não aceitava sua posição em meio à hierarquia. Seu nome era Berkas, o dragão de ferro. _ Lupus respirou fundo e depois de alguns segundos voltou a falar. – Naquela época eu era apenas uma criança inútil, mas a história de Berkas era famosa entre os Haros. Boatos de que ele havia ido para uma dimensão chamada Vermécia, e se tornado o mais forte, percorria pela população até que chegou aos ouvidos de um caçador de recompensas famoso...

Seu olhar se tornava mais distante a cada palavra, e sentia que aquilo abria feridas do passado. Pensei em cessar sua dor, mas simplesmente queria ouvir mais, e este ato egoísta fez odiar-me.

– E um dia, este caçador de recompensas partiu, dizendo que iria banir Berkas de uma vez por todas e manda-lo de volta para aonde nunca deveria ter saído. E nunca mais voltou, deixando seu filho sozinho naquele mundo cruel que era Hades. _ Ele fechou seus punhos com força, seus dedos perfuravam sua pele, e gotas de sangue escorreram.

– E este caçador de recompensas... Era você?

– Era meu pai! _ Sua voz estremeceu ao dizer aquelas palavras. Socou a parede da caverna com força, machucando-se mais ainda, mas sabia que o lugar aonde doía era seu coração. Ele engolia suas lagrimas por seu orgulho.

– Lupus... _ Sentia-me culpada por aquilo, e não sabia como me redimir pelo meu erro. Engatinhei em direção de Lupus e abracei-o mais forte que pude, de uma forma, tentava entender a dor que sentia.

– E o tempo passou... _Ele ergueu seu rosto em direção a frecha entre as rochas, então um raio chocou nas pedras fazendo o chão estremecer novamente. Mas não perdeu o foco. – Aquela criança inútil cresceu sozinho, treinou sozinho, e ficou forte. Mas, aquela criança, esperava todos os dias por seu pai, ele não sabia que havia sido abandonado até o dia em que uma noticia chegou a seus ouvidos, e ele soube que seu pai estava vivendo com uma humana, e o maldito teria construído uma nova família.

Lupus ergueu sua mão ensanguentada até meu braço, o apertando de leve. Eu apenas pude olha-lo, e chorar por ele.

– Tenho que terminar o serviço do meu maldito pai. E não vou sair daqui até derrotar Berkas...

– Você não pode! _ Ergui minha voz, e tentando evitar mais dor repreendi-o. – Você não conseguirá sozinho... Lupus, se tentar novamente irá morrer!

– Eu não me importo.

– Eu me importo! _ Surpreendi-me com minhas palavras. “Eu me importo”, por que me importaria? Não compreendia meus atos, muito menos minhas palavras.

Ele apenas me olhou por segundos, seus olhos avermelhados me fitaram, estava tão surpreso quanto eu.

– Se... Importa. É? _ Lupus sorriu, e mesmo que aquele sorriso fosse sarcástico, me senti melhor. – Lin, eu não sou humano. Não sente medo? Por que não me olha com desprezo como todos fazem?

– E por que faria isso? Você pode não ser humano, mais não o odiaria por isto.

– Eu odeio os humanos. Apenas por serem humanos.

Desviei meu olhar. E aos poucos retirei meus braços detrás do mesmo, e voltei a olhar para frente. Não podia julga-lo, ele teria motivos para odiar os humanos,mas... Mas.

– Você me odeia? _ Disse em voz baixa, quase um sussurro. Mas ele ouviu, e me olhou sem expressão.

– Sim.

– Então por que me salvou?

– Te devia um favor. _ Ele desviou seu olhar do meu. – Você me salvou.

Uma súbita tristeza invadiu meu coração. Senti-me decepcionada. Mas por quê?

– Estamos quites. _ Levantei-me e caminhei até a rocha, procurando por alguma falha na qual poderia removê-la. Então retirei o leque do meu bolço e o ergui, senti um ar de ironia por minha parte, não que um simples leque removeria uma rocha enorme, mas teria de tentar. Não havia motivos para estar em um lugar com alguém que me odeia.

Afastei meus passos e levei meu braço de frente ao corpo. Lupus apenas me olhava, curioso; então mandei rachadas de vento em direção à pedra, e não havia sinal de sucesso, tentei mais uma vez porem com mais força. E pude sentir novamente o brilho da lua em meu rosto. E quando iria contar como vitória, senti garras gigantes me envolver pela cintura, e um vento forte foi jogado contra meu rosto quando o dragão gigante me retirou da caverna.

– Lin! _ Lupus correu até a borda da caverna, e o olhou para Berkas com o semblante enraivecido. – Solte-a!

O dragão apenas apertou-me com mais força, e pude sentir a falta de ar naquele momento, e por pouco perdi a consciência, se não fosse pelas fortes trovoadas e a chuva se chocando em meu rosto.

– Solte-a! _ Lupusmirou sua arma em direção ao dragão, e sem resposta atirou sem parar na criatura, o que foi em vão.

Berkas sorriu, sim. E começou a gargalhar com a atitude de Lupus. –Você não tem mais graça. Não passa de um brinquedo quebrado.

– O que? _ Lupus voltou a atirar.

O dragão de ferro deu saltos para trás e se agarrou em uma grande rocha na montanha á frente. – Esta humana, tem um cheiro bom. _ Lupus havia se irritado naquele momento, e quando foi pegar impulsos para saltar, o dragão abriu suas asas e voou até os céus, deixando Lupus para trás.

“- Este... É meu fim?”

...

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler ^^