The Lair Of Hell

5 O passado de uma flor aprisionada.


Notas iniciais
Olá a todos!
Desculpe a demora, estava estudando para o Enem!
Este capitulo contarei um pouco do passado de Lin, espero que goste!
OBS: Na história original Lin tem 23 anos. Obviamente, seu passado se mostrará quando ela tiver com 13 anos.
Lupus não aparecerá muito neste capitulo, porem terá um foco maior no próximo.
E, por uma visão plana dos fatos, o Flash Back foi escrito em 3ª pessoa.
Espero que gostem e boa leitura.

...

A pressão atmosférica ficava cada vez mais forte conforme o dragão de ferro colidia de rochas em rochas. E neste momento o medo preencheu minha existência, não conseguia ao menos mover meus olhos para observar por onde ia, por um momento pensei ser o fim.

E quando menos esperei, senti o chão debaixo de meus pés.

Berkas rodeava como se quisesse me analisar por completo. Foi quando observei atentamente o local onde estava. As paredes avermelhadas emitiam um calor fervente, e a cada passo na qual dava o perigo de cair no rio de lavas que corria debaixo de meus pés era maior.

Meus olhos marejavam com o brilho de suas asas, e um sabor amargo se reuniu em meus lábios, se assemelhava ao gosto do medo.

Tracei com minhas mãos um caminho até a espada, e ao ergue-la á frente do meu corpo, trêmula, ameacei atacar. Golpes inúteis. Berkas deu passos pesados e trincou os dentes por ironia.

“- Isso, vamos!”

Sua voz firme surgiu em minha mente, dei passos hesitantes para trás, mas ele voltou à contra atacar com palavras.

“– Derrote-me.”

Medo. Foi o que senti ao encarar seus ardentes olhos cor de fogo que me desafiavam. E, trêmula, ergui a espada até o alto da cabeça, foi quando uma explosão fez lavas voarem até o topo do vulcão e abaixei a espada assustada.

“- Fraca”

Ele tinha se aquietado, e por minutos apenas se divertia com o que via.

Berkas arranhava as rochas com suas garras curvadas, aquilo me angustiava. Sim, ele sabia como torturar minha alma.

“– Mais... Você tem algo interessante, bem no fundo da sua existência inútil.”

Levei minhas mãos até os ouvidos, massageados no intuito de aliviar a dor que sentia.
— Cale-se. _ Levei meus olhos ao seu encontro.

“– Já ouvi falar de você. Lin, a sacerdotisa de Gaon. Encarnação da Deusa Agnecia, mas tem algo, além disso, não é? Você cheia a caos.”

- Ah! Vá para o inferno, demônio! _ E naquele momento, quis desligar meus cérebros e cancelar qualquer insinuação que aquela criatura jogava contra mim. – Morra... Morra!

Fechei meus olhos o mais forte que pude, logo deslizei minhas mãos pelas rochas ao lado tentando inutilmente me apegar á algum método de sair daqui. Em vão. Talvez aquela criatura estivesse certa, não, ela estava certa e por medo quis negar suas palavras, minhas próprias palavras. Não importa o quanto lutasse por mim mesma, nunca serei forte. Só sabia ferir as pessoas, os sentimentos delas.

Este era meu destino, minha realidade.

...Dez anos atrás...

- Hei mãe, me diga por quê! _A pequena garota se debatia nos braços na mulher na qual á segurava trêmula. –Por que não posso ir lá fora, como todos?

A maior apenas fitava em silêncio, observando sua filha em prantos, perguntando-a incisivamente, mas ela não podia responder aquilo. Não podia ver sua filha chorar mais.

- Mas Lin, você tem o Sen, não é? Ele vem aqui todos os dias se divertir com você, não basta? _ Sua voz rouca ecoava por toda sala em um tom alto.

- Não, isso não basta! _ A pequena apertava seus punhos com mais força. – Sen-kun me deixa todos os dias ao anoitecer, e vai para seu mundo “afora”... Ele me disse que é divertido! Hei mãe, por que? Por que não posso brincar lá fora? Por quê!?

- Lin!...

- Não! Eu não quero mais... _ A pequena pôs-sea correr desesperadamente pela casa, tentando inutilmente encontrar um modo de sair daquele lugar, mas ela sabia que isso não era possível. Não existia um mundo afora para ela, dês de que nasceu até seus seis anos de idade viveu isolada em sua casa. Aquele era seu mundo, somente.

As lagrimas de sua mãe escorriam pelo seu rosto moreno, e pigarreava pelo carpete vermelho escarlate. Ela sabia como sua filha sofria, e sabia também que chegaria um momento em que se questionaria o porquê de não poder viver livre, como todas as crianças de sua idade, mas acima de tudo ela estava ciente da realidade avassaladora que rodeava a pequena sacerdotisa.

E ela corria. Traçava seus passos desajeitados até o seu vasto quintal coberto por turquesas e rosas azuis, passava sobre a ponte que ligava o jardim ao lago cristalino, ela gostava de passar seu tempo sentado na beira do lago com seus pés balançando sobre a água, observando os peixes dourados e os alimentando. Mas não aquele dia.

Ela apenas seguiu em frente, e ao encontrar com a cerca viva parou ao lado de uma enorme rocha coberta de musgos e contou seus passos em direção ao norte. Um, dois, três, quatro e cinco. Então pulou em direção á cerca viva caindo sobre uma grama alta, se arranhou no ato, mas nada que fez a pequena garota parar. Percorreu suas mãos por uma cerca de aço à frente e a entortou. Havia encontrado aquela falha enquanto procurava sua pequena bola vermelha que teria perdido.

Então ela puxou a cerca para baixo e a quebrou.

- Ah, Lili?_ A voz surpresa do garoto chamando-a por seu apelido assustou a pequena fugitiva. – Mas o que você está fazendo?

- S-Sen-kun!? Ah, não me assuste assim, poxa. _ A pequena suspirou aliviada ao reconhecer seu amigo, que por coincidência passava por aquela região.

- Desculpe. _ O garoto sorriu a se abaixou até Lin e acariciou seus cabelos esbranquiçados. – Então finalmente você veio para fora, Lili. Mesmo tendo de fugir para isso. _ Ele deu uma gargalhada divertida.

- M-masé claro... I-idiota. _ Ela inflou suas bochechas e virou seu rosto corado. – Eu prometi que viria...

- Bem na hora. _ Ele ergueu sua pequena mão em direção da garota que o agarrou sem pensar.

Os raios solares da primavera vieram ao seu encontro, estendeu a pequena silhueta do garoto ao chão, e seus cabelos alaranjados pareciam arder em chamas, Lin apenas admirou aquela cena.

- Está tendo um festival no templo! _ Ele disse tirando a pequena de seus pensamentos avulsos. – Vamos!

...

E nos vastos campos iluminavam os últimos raios do sol, que se escondia lentamente atrás das grandes montanhas esverdeadas, mas que naquele momento esbanjava da coloração ao iluminar por fim as flores. Gaon sempre fora lindo, mas Lin nunca pode desfrutar daquela visão ao entardecer dos dias.

Ela caminhava livremente entre pulinhos pela estrada de terra, e ao seu lado o garoto que sempre admirou estava segurando sua mão fortemente e despojando um sorriso despreocupado em seu rosto. Lin o invejava, ele era livre. Mas ela nunca pode imaginar seus seis e dezanos sem ele seriam revestidos de solidão.

- Olhe lá! _Ele ergueu sua mão e apontou ao topo de um morro coberto por pinheiros. Um antigo templo se iluminava no topo, e Lin sentiu uma breve dor em seu peito.

As mãos da pequena se estremeceram, então Sen a olhou preocupado. – Hei, Lili, você está bem?

- S-sim, é só um mal-estar. _ Ela forçou um sorriso em seu rosto. – Vamos? Estou ansiosa! Quero conhecer todos os lugares de Gaon!

Sen retribuiu o sorriso, ele nunca foi bom em reparar nas expressões das pessoas, por isso não pode ver Lin apertar seus olhos enquanto subia pela escadaria daquele lugar.

Os olhos da pequena sacerdotisa brilharam intensamente ao avistar a construção revestida de rochas brancas, o pequeno poço feito de tijolos alaranjados e as árvores robustas que pareciam crescer simetricamente até o céu.

- É... Simplesmente lindo! _ Lin rodou de braços abertos pelo chão de mármore, enquanto olhava fixamente para uma única estrela que teimou em aparecer no céu daquela tarde.

- Sabia que iria gostar. _ O garoto apenas fitou Lin com seus olhos esverdeados e um sorriso divertido nos lábios. – Mas eu ainda não te mostrei tudo, o melhor está por vim, então se prepare. _ Ele correu para trás da garota e tampou seus olhos enquanto a empurrava para frente.

- O que está fazendo? _ Lin segurava as mãos de Sen por cima de seus olhos, e então deu passos resistentes para trás.

- Calma! Confie em mim! _ Ele sorriu e voltou a empurrar a garota.

E após alguns passos que pareciam eternos, Sen parou de empurra-la, porem não tirou suas mãos de seus olhos.

- Lin... Tem algo que eu queria dizer. _ Disse em palavras falhas. Sen nunca á chamou a não ser pelo seu apelido casual. Com isso fez a sacerdotisa estremecer e morder seus lábios. – Eu sempre quis que você viesse para ‘fora’, que conhecesse meu mundo, principalmente este lugar, que é aonde tenho maior parte de minha memória de infância. O lugar aonde posso expressar o que sinto.

Ele escorreu suas mãos pelo rosto avermelhado da garota, e quando ela ameaçou abrir seus olhos ele a parou. – Não abra ainda. _ Sussurrou por seu ouvido e retirou suas mãos dela.

Deu passos até sua frente, tão próximo que pode sentir a respiração ofegante de Lin, e quase ouvir seu coração palpitar com força contra seu peito.

E quanto Lin ergueu seus braços até a frente de seu corpo foi parada pelos lábios quentes de Sen, que tocavam suavemente aos seus por breves segundos. Ela o segurou por sua camisa de seda esverdeada como seus olhos, e quando Sen achou que fosse ser lançado para trás pelos braços da garota, foi surpreendido com os dedos nervosos da mesma, que o puxava cada vez mais para si.

Ambos se afastaram envergonhados, Lin ainda mantinha seus olhos fechado, desta vez apertando-os mais forte.

- L-Lin!

- O-o que...?

Ele mordeu seus lábios e desviou o olhar. – E-eu... Eu amo você...

A garota dos olhos azuis segurou suas lagrimas, então caminhou até Sen e o abraçou forte. – Sim... Eu também.

O sorriso tomou conta de sua face, então Sen deslizou suas mãos até as costas da garota e retribuiu aquele abraço carinhosamente.
Lin se virou de frente e pode ver entre seus cílios um raio forte de luz, então ele a permitiu olhar.

Um fogo se formou dentro de si. E em sua mente uma bola negra se formou ao ver a robusta estatua que parecia observa-la.

- Está é Agnecia. A Deusa dos ventos.

Seus punhos se fecharam forte e só pode sentir uma força estranha tomando conta de seu corpo.

- Ela sempre foi minha protetora...

Lin não se aguentou mais. Caiu de joelhos no áspero chão de mármore e apertou com força a pele em direção ao seu pequeno coração, arranhando-a, cortando-se. Sen não sabia o que acontecia, e preocupado se abaixou até a garota tentando tirar seus dedos encravados em sua pele. – Lin! O que ouve?

E novamente um clarão foi tomado naquele local.

Sen retirou seus braços da sacerdotisa e os levou lentamente até seu peito, que jorrava sangue como uma cascata por todo o chão. Lin abriu novamente seus olhos e sentiu algo húmido, quente e pegajoso entre seus dedos, e ao percorrer seus olhos pelo seu braço arregalou seus olhos ao ver o que fazia.

Seus dedos perfuravam a pele de Sen como se fossem navalhas, e podia sentir o palpitar de seu coração percorrer pelos seus nervos. Lin gritava de horror ao ver os batimentos sendo parados a cada segundo, até não conseguir sentir mais o corpo vivo de Sen.

E naquele momento, ela descobriu da forma mais dolorosa a história por trás de seu ‘ser’. De que não era uma sacerdotisa comum, muito menos uma garota comum. Ela soube da existência de mais uma alma dentro de si, de que era a própria reencarnação de Agnecia, de que era o mal vivo. Ela soube que era um monstro.

O monstro que tirou a vida da pessoa que mais á amou.

... ~x~....

E por trás daquele sentimento de medo, raiva e desprezo, eu senti novamente aquele fogo queimando dentro de mim. Percorri meus dedos trêmulos até meu peito, sentindo por cima da camisa de seda a cicatriz de um passado.

“- Então, desistiu? Apenas deite-se ai e espere ser devorada.”

Uma pulsação percorreu pelos nervos do meu corpo, e senti meus dedos se atrofiarem como navalha. Agarrei o mais firme que pude a espada, e saltei de encontro à criatura colossal.

A lamina afiada dilacerou sua pele escamosa e Berkas rugiu de dor. Um sentido fez-me percorrer até meu bolso esquerdo e agarrar o leque de marfim. Ergui-o de frente ao meu corpo e lancei minhas mãos até o topo da cabeça. Rajadas fortes se formaram em enormes tufões que cortaram as rochas etrilhou um caminho até o dragão, seu sangue arrochado percorreu pelo ar colorindo o pequeno tornado enquanto pedaços de sua pele se soltavam como se fosse simples escama.

Berkas se ajoelhou ao chão, e quando abriu sua mandíbula para lançar chamas em minha direção, um som familiar formou-se por trás das rochas avermelhadas do covil.

O grande dragão despencou-se em direção a lava ardente debaixo de meus pés, e uma silhueta se formou diante aos raios que traçavam o céu lá fora.

Ele correu em minha direção e guardou sua arma no bolço de seu caçado avermelhado.

- Você é estupida? _ Ele ergueu as sobrancelhas ao ver meus braços esfolados e o sangue percorrendo pela carne exposta.

- Talvez seja... _ Minha voz falhava, e pude me dar ao luxo de me ajoelhar ao chão, porem Lupus não permitiu.

Sua expressão preocupada transpareceu por um momento, agarrei em sua blusa com meus dedos ensanguentados. – Idiota... Você está perdendo sua postura... Pare de me olhar assim.

Ele revirou os olhos entediados e deu um sorriso discreto, mas pude vê-lo bem. Quem se importa se ele não for um humano? Ele tinha seu charme agressivo e selvagem.

...

Continua...

Notas finais
Espero que tenha gostado, se sim, deixe um Review e faça uma escritora feliz =3