The Lady of the Night
3 First Impression
Notas iniciais

First Date – First Impression
That's just who he/she could be
But that's just a first impression
I could be totally wrong
It's only a first impression
And though the impression is strong
It never can hurt to question
Though I doubt this will lead to romance
LOUISE ESTAVA SENTADA NO SEU SOFÁ. Sua televisão estava ligada no canal de notícias onde assistia o que acontecia no mundo. As informações passadas pelo jornalista eram as mesmas que via e ouvia todos os dias.
Seus dedos passavam distraidamente no pingente do seu colar; uma pedra amarela em volta de um tipo de cristal para protegê-la. Aquela joia era a única coisa que havia restado do seu passado, algo que a fazia lembrar o motivo de estar naquela situação.
Seus olhos foram para seu relógio de pulso, onde marcava seis horas. Desligou a televisão e se levantou, passou mão no seu uniforme, principalmente na barra do vestido que tinha amassado. Pegou o pingente do colar e guardou no decote da roupa, assim as pessoas não iriam ver e a questionar o motivo de uma simples garçonete usar uma joia tão cara.
Quando pegou o casaco, escutou o barulho de batida de porta. Terminou de vestir a peça e se aproximou da porta com cuidado, preparada para qualquer coisa que poderia acontecer. Ao olhar no olho mágico da porta, relaxou ao ver quem era a pessoa, abriu e deu um breve sorriso a pessoa.
— Olá, Rose.
— Olá, Louise — cumprimentou a moça sorrindo. — Como não pode participar da festinha que teve, lhe trouxe um pouco do bolo que sobrou.
— Obrigada.
Rose era sua vizinha de corredor, enquanto a garçonete morava perto da escada, a outra moça morava no fim do corredor. Era uma jovem nas casas dos trinta anos, cabelos pretos e olhos azuis, de origem latina. Louise sabia que trabalhava como caixa em um supermercado e que vivia sozinha, não eram amigas, mas tinham um bom relacionamento de vizinhas.
Depois de guardar o doce na geladeira, saiu do apartamento e sua vizinha ainda estava na porta, sorrindo. A garçonete já estava acostumada com sua alegria.
— Espero que na próxima possa participar.
— Tentarei.
Ela deveria dar uma passada para que seus vizinhos não desconfiassem dela, por isso tentava ter uma relação boa com todos. A moça se despediu e desceu as escadas do seu prédio, um exercício para aquecer suas pernas pelo tempo que ficaria em pé por conta do trabalho.
Levou poucos minutos para avistar o local do seu trabalho, já estava aberto e notou que tinham algumas pessoas entrando no estabelecimento, algo normal para aquele horário. Ao passar pela porta, sorriu em cumprimento aos colegas que já se encontravam e avistou a dona no balcão conversando com uma cliente. Acenou com a mão para ela antes de entrar na cozinha e se dirigir para uma sala no fundo onde guardava suas coisas nos armários disponíveis para os funcionários.
— Louise?
A garçonete fechou a porta do armário e sorriu para a dona do café.
— Sim, Senhora Angela?
Angela era uma senhora na faixa dos sessenta anos, baixa e tinha um semblante gentil, no entanto, seus olhos revelavam uma pessoa que viu muitas coisas e nem todas foram boas. Era simpática e bem atenciosa, sempre estava pronta para ouvir os outros, seja um cliente ou funcionário.
— Preciso que trabalhe no período tarde e noite a partir de sábado — informou a senhora colocando as mãos na cintura. — Mary pediu uma semana de folga por problema de saúde e eu não posso ficar no período da noite. — Deu um leve sorriso par a funcionária. — Sei que posso contar com você para cuidar dos outros enquanto estou ausente.
— Tudo bem — confirmou checando se tudo estava no avental. — Espero que não seja nada grave.
— Também espero.
As duas voltaram para a parte da frente do Café e cada uma foi para seu respectivo canto; Louise para as mesas e Sra. Angela para o balcão. Por alguns segundos, a garçonete teve a impressão de ter visto pela janela uma pessoa suspeita, no outro lado da rua, porém, quando tentou ver novamente, com mais atenção, não havia ninguém.
JÁ ERAM QUASE DUAS HORAS DA TARDE QUANDO LOUISE RETORNOU AO BALCÃO DEPOIS DA SUA PAUSA, e observou o café cheio. Ela pegou seu bloquinho no avental e se dirigiu para uma das mesas onde tinham pratos, talheres e xicaras usadas, colocou os objetos na bandeja e se afastou. Escutou o sininho avisando que alguém entrou no estabelecimento, mas não se virou para ver. Foi até a janela que ligava a cozinha e colocou a bandeja.
— Atende aqueles dois que entraram, por favor. — pediu Angela parando ao lado da garçonete para pegar o pedido que ficou pronto. — Eles estão na última mesa.
— Claro, senhora.
Louise olhou para a mesa e observou que eram os mesmos homens do dia anterior. Enquanto andava em direção ao local, olhou em volta procurando a Bea para que ela assumisse o atendimento, porém, não a encontrou.
— Bem Vindos! — cumprimentou a moça ao chegar na mesa. — O que vão querer? — indagou pegando seu bloco de anotações.
— Vou querer um café e um pedaço da torta de morango.
— Só café, por favor.
— Já trago em um minuto — avisou antes de se afastar.
A moça se afastou e entrou na cozinha, encontrando Beatrice guardando alguns bolos em uma caixa, estava tão focada na tarefa que colocou a mão no ombro da mais nova para desviar o olhar da tarefa que realizava para encará-la.
— Seu bonitinho chegou.
— Steve? Quem o atendeu? Não me diga que foi a Lily!
— Não, fui eu — Ela puxou o papel onde estava o pedido e entregou para a Bea. — Pode ir lá que eu termino aqui.
A jovem abraça a amiga e sai da cozinha, deixando Louise com o cozinheiro e o assistente. A moça volta a terminar de guardar os doces.
— Virou cupido, Loui? — questionou Max, o cozinheiro
— Quer contratar meus serviços?
Os dois riram, Max estava na casa dos quarenta anos e, pelo que a garçonete sabia, já estava comprometido.
— Quem sabe me passar algumas dicas?
— Alguém está tendo problema em casa?
— Não é bem isso...
A porta da cozinha se abriu, interrompendo a fala e os dois olharam para a pessoa, Bea entrou e foi direto em direção a Louise, com um sorriso falso, que não passou despercebido pela moça.
— O que houve?
— Ele me chamou para sair.
— Ótimo — Louise desfez o sorriso pela notícia ao ver a reação da amiga. — Por que não está pulando de alegria como normalmente faz?
— Então... — Passou a mão pelos cabelos nervosamente — Sai correndo, sem responder.
— Isso é uma piada? — perguntou descrente. — Posso te bater?
— Eu fiquei nervosa! — disse triste. — Eu não sabia o que responder... Eu não tenho culpa.
Ao notar algumas lágrimas nos olhos da amiga, Louise colocou as mãos no ombro da jovem e tentou confortá-la de um modo um pouco desajeitado.
— Não irei te bater, mesmo que mereça — Essas palavras fizeram a outra garçonete fungar. — Agora, seca essas lágrimas e volta lá para responder 'sim'.
— Eu não consigo — Bea respondeu pegando as mãos da amiga. — Eu vou sair correndo de novo.
— Isso se ele não foi embora — comentou Max cozinhando.
As duas se olharam e correram até a porta, onde pela janela da mesma, puderam ver ele e o amigo, que ainda estavam no mesmo lugar. Louise não podia ver o rosto da paixonite da amiga, mas pela face melancólica do amigo, as coisas podiam não ser boas. Sua mente trabalhava num plano para ajudar.
— Você quer sair com ele? — questionou querendo ter certeza.
— Claro que sim! — respondeu animada, porém, logo mudou sua expressão — Eu o magoei, não sei se ainda vai querer sair comigo.
— Não começa a chorar que não gosto — disse tentando não soar brava. — Vamos resolver isso... Digo, eu vou resolver isso.
— O que você vai fazer?
— Salvar o dia — falou Louise seriamente antes de abrir a porta e sair.
QUANDO CLINT SAIU DO PRÉDIO JUNTO COM STEVE PARA IR ATÉ O CAFÉ PALACI, ele tinha confiança de que tudo daria certo com o planejamento que o vingador mais velho tinha feito. A garçonete tinha mostrado que tinha interesse no amigo e o arqueiro não conseguia entender a atitude que a moça teve.
Ele encarou o amigo que estava triste, parecia que seu coração tinha sido partido com a atitude. O vingador repassou a cena na mente, tentando compreender onde houve o erro por parte de Steve, mas não encontrou nada.
— Eu falei algo errado? — Indagou o Capitão — As coisas mudaram tanto nesse século e isso é um sim?
— Eu queria dizer que isso significa que é um "sim", mas estaria mentindo — Coçou o queixo. — Pelo que vi ontem, ela estava louca por você. Estava retribuindo o interesse.
— Acho que estávamos enganados.
— Deve ter algum motivo para ela ter feito isso — Se expressou Clint, tentando animá-lo. — Temos que descobrir.
— Vamos embora — falou Steve se levantando, sem ter tocado na comida.
Ele levou a mão no bolso para tirar a carteira para pagar, porém, o arqueiro foi mais rápido e colocou o dinheiro em cima da mesa. O mais novo queria ficar e resolver a questão, no entanto, respeitava a decisão do amigo de querer ir embora.
— Vejo que já estão indo e não tocaram nos seus pedidos — comentou uma voz feminina atrás dos dois e os fizeram se virar para ver quem era. — Tinha algo errado?
— Não, senhorita — respondeu Steve não querendo que as duas garçonetes tivessem problemas.
Os dois voltaram a se afastar.
— Senhor Steve? — Os dois pararam novamente e a olharam surpresos por saber o nome de um deles. — A resposta é sim.
No primeiro instante, Capitão América não compreendeu as palavras, mas segundos depois um sorriso surgiu em seu rosto ao entender o significado, e a moça se segurou para não retribuir. Clint observou a cena, ainda não tinha compreendido o que estava acontecendo e o modo que os dois se olharam, causaram nele um leve sentimento de ciúme, no entanto, ao perceber do que se tratava, o sentimento desapareceu.
— Sério? — questionou o líder dos vingadores, incerto.
— Sim — respondeu indiferente antes de pegar o bloco de anotações e escrever. — Vou passar o número do celular dela para poderem conversar — Notou que ele olhava em volta procurando Beatrice. — Ela está na cozinha, terminando uma encomenda — Puxou a pequena folha de papel e esticou a mão para que ele pegasse, porém, quando ele segurou, ela não soltou imediatamente, o que deixou os dois vingadores confusos com a atitude da moça. — Quero que saiba que, se magoar a Bea, eu simplesmente vou te dar uma surra que fará você se arrepender de ter colocado os pés no Café, fui clara?
A expressão em sua face e o tom utilizado fizeram ambos sentirem um frio na espinha, aquele aviso era sério.
— Sim, senhora — respondeu Steve como se ela fosse seu comandante.
Essa atitude do líder dos heróis fez Barton rir.
— Ótimo — Sua face mudou totalmente para algo mais alegre e um sorriso cínico surgiu. Virou-se para o outro que parou de rir. — Por acaso contei alguma piada, senhor?
— De jeito nenhum, Senhorita Marrentinha.
— Marrentinha? — Franziu o cenho ao repetir o apelido em desaprovação. — Você se acha muito engraçado, não?
— O suficiente para me fazer rir de vez em quando.
— Saiba que não é — Guardou seu bloquinho para desviar o olhar que recebia, o qual era muito intenso.
— Você deveria tentar ser para aliviar o estresse.
A garçonete respirou fundo, estava realmente ficando irritada com aquele cara.
— Se for para ser igual a você, prefiro não ter essa infelicidade — Soltou a última palavra com seu melhor sorriso cínico. — Com licença — se afastou dos dois.
— Até amanhã, Marrentinha — provocou Clint, sorrindo.
Ela virou a cabeça para dar um olhar feio e continuou seu caminho para a cozinha. O arqueiro percebeu que era divertido provocá-la e que ficava mais bonita quando acontecia. Steve teve de cutucar seu ombro para que saíssem do café, já que estava concentrado em olhar para a garçonete.
Assim que a porta se fechou, Louise se aproximou da mesa e apoiou as mãos. Desde que começou a trabalhar naquele lugar, nenhum cliente tinha mexido com ela como ele, de deixá-la irritada e ao mesmo sentir algo que não soube identificar. Seu pensamento não pode ir muito longe ao sentir a mão da amiga em seu braço.
— Como foi?
— Passei seu número para ele — respondeu batendo um dos seus dedos na mesa. — Deve entrar em contato para acertar as coisas do encontro.
Um grito de alegria assustou a garçonete mais velha e mais ainda ao sentir a amiga abraçá-la de emoção. Só pode dar leves tapinhas nas costas, já que não sabia qual atitude tomar. Ao se afastar, Bea colocou as mãos no ombro de Louise e sorriu.
— Obrigada — Deu um aperto carinhoso nos ombros. — Agora preciso te ajudar com o amigo de Steve.
— O quê? — Se afastou da moça e balançou as mãos em negação. — Me tira dessa, você precisa parar de ler romance.
— Mas existe algo! — Virou para Max — Você viu que existiu um clima, uma tensão e...
— Não me põe no meio disso — pediu o cozinheiro ao notar o olhar da moça mais velha. — Mas realmente existe algo ali.
— Não é porque vocês dois estão apaixonados por pessoas, que significa que todo mundo vai estar também — Cruzou os braços. — E de todos, ele seria a última pessoa a quem eu me apaixonaria! Quem ele pensa que é para me chamar de Marrenta?
— Foi de um jeito carinhoso
— Fala isso porque não foi você — Se afastou dos dois. — Vou voltar a trabalhar que ganho mais.
Ela saiu batendo os pés, no final, não conseguiu se acalmar na cozinha, somente ficou mais irritada e tudo por culpa daquele cara. Louise não queria pensar no que faria se ele aparecesse novamente.
— AGORA NÃO TEM COMO NEGAR QUE ESTÁ INTERESSADO PELA MOÇA — comentou Capitão América numa certa distância do estabelecimento.
— Não estou interessado — respondeu antes de soltar um suspiro. — Poderia ser "intrigado".
Sua mente logo foi em direção a garçonete e sorriu ao imaginar como seriam os próximos encontros no Café Palaci, tendo certeza que teria momentos de provocação como teve naquela tarde.
— Clint, você não me engana — Riu quando viu que o arqueiro franziu o cenho. — O sorriso a poucos segundos te entregou.
— Não era sobre ela — Colocou as mãos no bolso da calça. — Eu só a vi dois dias, não tem como já estar pensando nela
— Era sim, sobre uma moça que nem sabe o nome.
— Na verdade eu sei — confessou sorrindo — O nome dela combina muito com ela.
— E qual é o nome?
— Não vou contar, só devia ter lido como eu no uniforme.
JÁ ERAM SEIS HORAS DA TARDE E SRA. ANGELA ESTAVA NO SEU ESCRITÓRIO, uma sala que antigamente era um depósito, mas que transformou em um canto onde ficaria toda a papelada do estabelecimento. Além disso, era um lugar para ficar sozinha para pensar. Estava olhando a documentação dos seus empregados, principalmente de uma das garçonetes, estava tão concentrada que não escutou a porta abrir até a pessoa chamar seu nome.
— Sim, Louise?
— Estou indo embora, precisa de algo mais?
— Não, só isso por hoje — Sorriu e voltou a mexer nos papéis à sua frente na mesa. — Bom descanso e até amanhã.
Assim que escutou a porta se fechar esperou alguns minutos antes de pegar o celular que ficava guardado na gaveta da mesa. Discou o número que a muito tempo não ligava.
— Livraria do Cavalheiro e Escudo, no que podemos ajudar?
— Estou à procura do livro Receita da Vovó — respondeu com uma voz calma e sem sotaque.
— Qual o escritor?
— Nicholas F.
— Um momento.
— Tudo bem.
— Aconteceu algo, Angel? — indagou uma voz masculina.
— Acho que é você que terá de me falar, Fury — respondeu batendo os dedos na mesa. — Hoje notei um dos seus homens no meu estabelecimento. Mandou um agente para vigiar alguém?
— Quem?
— Agente Clint Barton.
— Barton? — Ela notou a surpresa no tom de voz. — Eu não o designei nenhuma missão que envolva alguém do café — Ficou alguns segundos mudo. — Creio que ele acha que o Palaci é como qualquer café.
— Ele não veio sozinho — contou a senhora. — Tinha um outro homem junto; alto, loiro, parecia do exército, não consegui identificar — Passou a mão nos cabelos brancos e curtos. — Ambos interagiram com duas funcionárias, Beatrice e Louise.
— Acho que sei quem é o outro — Ela pode escutar um barulho do fundo de como ele tivesse levantado de uma cadeira. — Não se preocupe, eles foram como civis e pensam que todos os funcionários são civis comuns.
— Tudo bem.
— Eu vou avisar caso mande alguém em missão no seu café.
Fury finalizou a conversa, não esperando uma resposta. Ao apoiar o aparelho na mesa, a dona do Palaci soltou uma risada ao pensar que Clint Barton estaria interessado em Louise já que conhecia bem sua fama.
— É melhor ele ter cuidado com ela.
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