The Lady of the Night
2 Bring Me to Life
Notas iniciais

Evanescence – Bring Me to Life
How can you see into my eyes like open doors?
Leading you down into my core
Where I've become so numb?
Without a soul, my spirit's sleeping somewhete cold
Until you find there and lead it backhome
ERA UMA TÍPICA QUARTA-FEIRA EM NOVA YORK. O café que ficava na esquina de uma das maiores avenidas da cidade estava tranquilo para aquele horário da tarde, poucos clientes ocupavam as mesas e o balcão e a televisão ocupava o som ambiente do lugar. As garçonetes trabalhavam, seja servindo ou recolhendo os pratos, ora arrumando o balcão ou preparando as encomendas.
Um casal havia terminado de comer um lanche e colocou o dinheiro, junto com a gorjeta, em cima da mesa e saiu do estabelecimento. A garçonete se aproximou e separou o dinheiro, guardando sua parte, depois pegou os utensílios e colocou na bandeja. Quando se aproximou do balcão, viu sua companheira de trabalho assistindo televisão ao invés de terminar de arrumar o balcão.
— Bea, assiste televisão no intervalo.
— Louise, estão falando sobre a última missão dos heróis.
A moça revirou os olhos e entrou na cozinha, onde deixou os pratos e as xícaras na pia, para que fossem lavadas. Ao sair, encontrou a menina ainda apoiada no balcão e assistindo a matéria. A garçonete colocou as mãos na cintura para brigar, mas ela não conseguiria, pois, a jovem, mais nova que ela, era muito educada e inocente, uma versão do que ela poderia ter sido.
— O que eles fizeram para você ficar tão vidrada?
— Um louco de uma nação com nome estranho resolveu enfrentar o grupo, mas se deu mal.
Louise resolveu prestar atenção na notícia, onde os heróis lutaram contra o líder do país e ganharam na disputa. A mais velha voltou-se para a jovem e cruzou os braços.
— Beatrice, vamos terminar o serviço, antes que a Sra. Angela volte e encontre você assim.
— Sim, Capitã Havilland.
Louise riu com o apelido que seus colegas de trabalho lhe deram, ela não gostava de enrolação e, depois que a dona a colocou como seu braço direito, a garçonete acabava dando ordens, mas os outros funcionários não se incomodavam, pois sabiam que ela sempre os ajudavam e ela fazia bem seu trabalho.
Ela se dirigiu até a cafeteira e começou a preparar a bebida, escutou o barulho da porta abrindo e, no mesmo instante, o eletrodoméstico apitou, a impedindo de ver quem havia chegado. Pegou a jarra e foi servir uma mesa, onde um senhor já pedia para encher novamente a xícara. Enquanto enchia a mesma, notou Beatrice se aproximando de onde estava e se preocupou.
— O que foi?
— Tem como atender aquela mesa? — Apontou para a última mesa, onde estavam dois homens. — Aquela onde está aquele bonitão.
— Não é aquele cara que vem a alguns meses? — questionou o olhando mais atentamente. — Que vive desenhando num caderno?
— Sim, ele mesmo.
— Normalmente, fica na mesa lá fora.
— Sim, mas acho que é por estar acompanhado.
— Você sempre o atende, por que não hoje? Sei que está afim dele.
— Tenho minhas razões, só peço que vá você e não uma das outras meninas, principalmente, Lily. Ela ia adorar dar em cima dele.
— Tudo bem — concordou entregando a jarra a ela. — Me deve uma.
— O cara que está com ele é bonito também, mesmo com essa cara de mal.
— E...?
— É meu modo de te pagar, vai que acontece algo entre vocês.
— Bea, você está assistindo romances demais — Colocou alguns fios pretos que soltou do seu cabelo preso. — Ele não faz meu tipo.
CLINT BARTON TENTOU SEGURAR UM NOVO BOCEJO, porém, falhou miseravelmente, enquanto caminhava. Estava cansado, sua vida estava agitada como agente e vingador, não tinha conseguido ter horas de sono o suficiente e tinha planejado colocar em dia hoje, no entanto, teve de mudar os planos quando Steve Rogers o chamou para tomar café. Ele pensou seriamente em recusar, contudo, o agente tinha reparado que seu amigo gostava muito de sair nos períodos da tarde e ir nesse café, curioso para saber o motivo, aceitou acompanhá-lo.
O estabelecimento não ficava tão longe do prédio dos heróis e por isso logo chegaram ao destino. Ao entrar, observou que o lugar era calmo e aconchegante, o que o fez sentir-se em paz. Steve escolheu uma mesa de fundo, dando privacidade para conversarem. Pegou o cardápio e ficou lendo as opções para escolher.
— Então é aqui que vem a tarde — disse Barton sem tirar os olhos do menu.
— Nem sempre – Apoiou as mãos na mesa. — Mas aqui me lembra um pouco a época que eu vivia, o sentimento de conforto, acho que é pelo fato da dona ser filha de um dos homens que lutou ao meu lado na guerra.
— Eu sabia que tinha uma mulher envolvida.
— Você sabe que ela é idosa.
— E daí? — Apoiou o cardápio na mesa. — Achei que amor não tinha idade. — Riu com a expressão do amigo. — Agora é sério, você devia sair com alguém.
— Você com isso também? Natasha disse a mesma coisa.
— Estamos certos — Steve balançou a cabeça. — Tem muitas mulheres legais por ai, até mesmo na SHIELD — Bateu levemente a mão na mesa. — A Kristen da Estatística aceitaria, ela é muito legal e tem interesse em você.
— Você fala de mim, mas também deveria ter encontros.
— Meu caso é diferente.
— Ah, é? — Capitão franziu as sobrancelhas. — Achei que a senhorita Beatrice ia nos atender, mas ela pediu para outra moça.
— E você dizendo que era pelo lugar, sabe até o nome da garota.
— Exagerado.
— Me mostra quem é.
Ao se virar, ele viu uma moça se aproximando, o que chamou sua atenção. Clint não podia negar que a moça era bonita, seus cabelos pretos firmemente presos, mas alguns fios estavam soltos, e por isso ela tentava colocá-los atrás da orelha. Quando parou na mesa dele, pode notar que seus olhos castanhos tinham um brilho misterioso.
— Bem-vindos ao Café Palaci — A garçonete cumprimentou os dois e notou que estava sendo observada. — Já decidiram o que vão querer?
Naqueles poucos segundos, houve uma troca de olhar entre os dois que não podia ser explicada, a moça foi a primeira a desviar o olhar e pegou seu bloco de anotações e a caneta que estavam no seu avental.
— Eu vou querer um café e um pedaço de torta de limão. — pediu Steve.
— Vou querer o mesmo.
Louise anotava o pedido e ignorava o olhar que recebia, não era algo que estava acostumada a receber. Ela pensou em falar algo, no entanto, preferiu ficar em silêncio para evitar problemas.
— Trarei em alguns minutos os seus pedidos, senhores. — Saiu ignorando o sorriso de Clint.
— Obrigado — agradeceu Capitão América e deu um sorriso brincalhão para o amigo. — O que foi aquilo?
— Aquilo o quê?
— A troca de olhares! — O arqueiro deu de ombros. — Eu nunca vi você daquele jeito.
— Ela é uma mulher bonita e eu só olhei, acontece.
— Sei, sei...
— Olha, ela olhou para mim e eu olhei para ela, pronto — Articulou a mão para enfatizar o que dizia. — Steve, o que aconteceu contigo e a moça do seu passado não acontece com todo mundo, principalmente, comigo.
LOUISE CHEGOU NO BALCÃO E FOI ATÉ A PARTE ONDE ESTAVAM OS BOLOS E TORTAS. Enquanto se agachava para retirar a torta de limão, escutou passos e não ficou surpresa ao ver Beatrice ao seu lado, com uma expressão curiosa, já deixando claro o que queria falar.
— Precisa de ajuda, Bea? — questionou se levantando com o prato.
— Então...
— Então...? — indagou colocando o doce em cima do balcão.
— Eu vi aquilo.
— O quê? — Continuou prestando atenção no seu trabalho. — Eu fiz algo errado?
— É sobre o modo que ele te olhou — Bateu as mãos levemente. — E rolou um clima, sei que rolou!
— Bea, a mesa três está acenando, vai lá.
— Você venceu essa, mas hoje você não escapa, iremos resolver isso.
— Sabe, você que precisa se resolver com aquele cara que nem sabe o nome.
— Então resolvemos juntas — Ela soltou uma risadinha. — Você é legal e bonita demais para estar tanto tempo sozinha.
A jovem saiu e Louise balançou a cabeça com as palavras que escutou. Aproveitou para pegar as xícaras e colocá-las junto aos pratos, na bandeja. Depois de guardar o restante do doce, pegou a jarra de café e a bandeja com os pedidos.
Ao chegar na mesa, colocou os pedidos em frente a cada um e encheu as xícaras. Se sentia observada a cada movimento que fazia, sentia um frio na barriga e não conseguia identificar se isso era algo bom ou ruim.
Ao finalizar encarou o arqueiro que só a olhava intensamente, o que a fez fechar a cara para ele.
— Fiz algo que te incomodou? — indagou a garçonete tentando não soar grossa, mas fracassou na tentativa.
— Nada — respondeu o arqueiro, que deu seu melhor sorriso a ela. — Obrigada, senhorita...?
— É senhorita, para você.
Clint ficou surpreso pela resposta, o que o fez ficar ainda mais interessado nela. Ele iria voltar naquele lugar mais vezes.
Ele escutou seu amigo tentando segurar a risada.
— Eu não esperava por essa — comentou Steve. — E foi engraçado.
— Porque não foi com você — Pegou o garfo e cortou um pedaço da torta.
— Se não a olhasse tanto...
— Ela me intrigou — Levou o doce até a boca, onde mastigou por alguns segundos antes de engolir. — Do mesmo modo que a loira te intrigou.
— O que?
— A Beatrice, a loira que você olhou e sorriu antes da garçonete voltar.
— Ela acenou para mim, eu só respondi sorrindo — Pegou a xícara e tomou um gole do café. — Nada demais.
— Ah, tá — Pegou outro pedaço do doce. — Pelo menos eu admiti que estou intrigado por aquela mulher...
— Que não sabe o nome — Provou um pedaço da sua torta. — Quer que eu descubra?
— E você faria como? Vai perguntar para sua amiga?
— Eu a chamo até aqui e você ler o crachá que está no seu uniforme — Soltou uma leve risada com a expressão séria do amigo. — Tão fácil, Clint.
— Não, deixa — Coçou o queixo e virou o rosto, onde pode vê-la atendendo um cliente no balcão. — Por enquanto, prefiro não saber. — Um sorriso surgiu em sua face.
Continuaram conversando e comendo, depois de um tempo e terem terminado, se levantaram para irem embora. Steve pegou sua carteira e deixou algumas notas como pagamento, além da gorjeta. Capitão América viu Beatrice e Louise atendendo no balcão e acenou com a mão em despedida antes de sair do estabelecimento. Barton preferiu só dar um leve balanço na cabeça e sorriu misteriosamente para a Havilland que somente fechou a cara, ignorando o sentimento que surgiu dentro de si.
CLINT E STEVE CAMINHARAM POUCOS METROS, antes do celular do arqueiro tocar. Ao pegar o aparelho fez uma careta, não estava muito afim de brincadeiras de Stark naquele momento, mas precisava atender, já que também podia ser algum problema que surgiu e precisava de toda equipe.
— Alô?
— Você e o picolé se divertiram muito?
— Stark está com ciúme porque sai com seu homem?
Steve fez sinal de que não gostou muito da brincadeira e o agente fez sinal pedindo desculpas, porém, não resistiu fazer uma piada com o playboy.
— Muito engraçado — Clint pode escutar uma risada sem graça. — A Bela Adormecida não faz meu tipo.
— Stark, eu não vou contar para a Pepper.
— Penudo, vamos falar de algo sério: já estão voltando? Precisamos fazer uma reunião com urgência.
— Estamos chegando.
— Ótimo.
O bilionário não se despediu antes de finalizar a ligação. Barton guardou o aparelho e o xingou pela má educação.
— O que houve?
— Reunião de Emergência.
Os dois aceleraram seus passos até chegar ao prédio, que ficava a poucas quadras do Café. Ao entrarem no prédio, o elevador já os esperava e não demorou a chegar na sala.
— Finalmente chegaram! — Exclamou Tony se servindo de uma xicara de café.
— Pronto! Steve está aqui. E inteiro. — Apontou com a mão enquanto Capitão América se sentava ao lado do Homem de Ferro.
— Agora que todos estamos reunidos, podemos discutir sobre a minha conversa com o governo. — Avisou ignorando o comentário do arqueiro.
O bilionário contava sobre os tópicos levantados pelo secretário de estado. Clint não tinha muita paciência para esse tipo de reunião, sendo um cara mais de ação, mas forçava sua concentração nessas situações. No entanto, a imagem da garçonete vinha a sua mente. Sentiu atraído pela moça, de algum modo o intrigou e queria entender, logo planejou voltar, só precisava convencer Steve a ir junto, assim teria uma desculpa para voltar.
Sentiu uma cutucada no ombro e isso o fez acordar dos seus pensamentos, todos o encaravam esperando alguma resposta dele.
— Desculpa, me distrai...
— Pensando na morte da bezerra? — Stark brincou com a expressão do amigo.
Gavião Arqueiro revirou os olhos com as palavras de Tony.
— Você tem uma bezerra? — indagou Thor sem entender.
— É uma expressão — explicou Banner com paciência.
— Vocês usam expressões estranhas.
— Está aqui a tanto tempo, praticamente dois anos, e ainda não se acostumou? — questionou Stark incrédulo. — Ok, precisamos te treinar mais nos costumes da terra.
Enquanto discutiam sobre Thor, Steve observava Clint, que não passou despercebido pelo agente, claro que o líder dos heróis iria querer saber o que o distraiu. O arqueiro deu de ombros para o amigo antes de voltar a se concentrar na conversa.
— Ainda temos mais um assunto que também é urgente como os outros — começou Tony — Vou deixar Thor explicar.
— Loki fugiu.
— O quê?! — Todos se expressam, sem rodeios.
O Deus Nórdico contou o que aconteceu, como Loki fugiu durante o sono de Odin e que teve ajuda de outras pessoas, no entanto, essas já estavam presas e cumprindo suas penas. Todos estavam bravos, principalmente Barton, que tinha um ódio especial pelo Deus da Mentira, depois de ter mexido na sua mente quando chegou a terra a dois anos atrás.
— Algum desses traidores deu alguma informação? — perguntou Bruce.
— Sim, um deles me contou onde Loki está escondido — Todos assentiram para que ele continuasse. — Está aqui na Terra.
— Ele está com seus poderes? — interrogou Natasha.
— Ele conseguiu recuperar alguns, não sei como, já que meu pai os tirou.
— Vamos ficar atentos, logo ele deve se revelar, atacando algum lugar ou mesmo nós. — disse Steve pensativo. — Sei que temos nossos próprios lugares, mas seria bom todos ficarem no prédio até conseguirmos pegar Loki.
Todos concordaram com as palavras de Capitão América.
— Era só isso — Tony se ajeitou na cadeira. — Agora podem ir embora, caiam fora. — Fez sinal com a mão em direção ao elevador.
— Delicado, como sempre. — expressou a ruiva antes de se levantar.
Todos foram até o elevador, cada um escolheu o andar que iria. Bruce e Thor foram os primeiros a sair, parando no andar do laboratório, deixando Clint, Natasha e Steve. O arqueiro estava mudo desde que soube da notícia do irmão do Deus do Trovão e não passou despercebido para o líder do grupo que isso significava que Barton estava muito irritado.
— Parece que tem alguém enfeitiçado, não? — provocou Capitão América.
— Sim, você deveria deixar menos na cara sua paixonite pela Beatrice.
— Não estava referindo a mim.
— Então você concorda o interesse? — Cruzou os braços e estufou o peito, mostrando estar orgulhoso de estar certo. — Achei que ia precisar te convencer para admitir.
— Clint, não adianta fugir do assunto.
— Clint sempre foge de assuntos mais pessoais
— Nat!
— Menti?
— Eu não estou fugindo — A porta do elevador abriu no andar que eles escolheram — Você que está.
Os dois se dirigiram até a porta dos seus respectivos quartos.
— Treinamento em vinte minutos?
— Sim e dessa vez eu vou te derrotar, Capitão.
Steve soltou uma risada antes de entrar no quarto e o arqueiro fez o mesmo. Stark tinha mudado alguns andares do prédio para acolher melhor os heróis. Os quartos de cada integrante pareciam apartamentos, pois além do quarto e banheiro, havia uma pequena sala, escritório e um espaço para seus equipamentos de herói.
Barton tirou a jaqueta preta que usava e jogou no sofá, depois foi até seu quarto, onde estava localizado o banheiro. Tomou um banho rápido e saiu somente de toalha enrolada na cintura e se dirigiu até a outra sala, onde estavam os equipamentos, mas parou no meio do caminho ao ver uma sombra na sala. Ficou surpreso ao ver Natasha sentada no sofá e com uma expressão de tédio.
— O que faz aqui, Tasha?
— Eu vim conversar com você.
— Aconteceu algo? — questionou preocupado se sentando na poltrona ao lado do sofá.
— Você está diferente.
— Estou cansado — confessou passando a mão nos cabelos úmidos. — Sei que hoje entrei de férias da SHIELD, mas ser agente e vingador ocupa muito meu tempo.
— Entendo, mas você não treina mais comigo. — Colocou algumas mechas ruivas atrás da orelha — Eu sei que tivermos algo e não deu certo, porém, espero...
— Continuamos amigos? — A interrompeu. — Somos amigos, só não treinamos pelo fato dos nossos horários não baterem.
Na verdade, Barton estava a evitando um pouco, já que ela terminou algo que eles tinham – que não tinha nome – e no último treinamento quase aconteceu algo de que ele iria se arrepender. Mesmo que não tivesse sentimento envolvido, não mais da parte dele, ainda tinha uma pequena atração, a qual ele queria finalizar.
— Então marcaremos um horário — avisou, se levantando. — Você é o melhor parceiro de treino que tenho.
— Marcaremos sim.
— E mais uma coisa — Clint balançou a cabeça para mostrar que estava ouvindo. — Você estava distraído na reunião e eu sei que não foi cansaço.
— Era sono, tanto que cheguei aqui e dormi feito pedra.
— Por que Steve parecia saber de algo? Do modo que ele falou com você no elevador.
— Eu vou saber? Ele é louco.
— Tudo bem — Olhou para o relógio no pulso. — Preciso ir, tenho que ir na SHIELD.
— Boa sorte.
Para sua surpresa, ela se aproximou e beijou a bochecha de Barton, um gesto que mexeu um pouco com ele, mas soube esconder da espiã. Ao escutar a porta se fechando, se dirigiu até o cômodo onde estavam suas coisas de herói, vestiu-se com o uniforme de treinamento e pegou um dos arcos e flecha, além da aljava onde estavam as flechas simples.
O arqueiro chegou no andar de treinamento e entrou na sala, encontrando o líder do grupo já se aquecendo no saco de pancadas. Usava também seu uniforme, e seu escudo estava apoiado no banco.
— Achei que tinha desistido com medo da derrota.
— Derrota? Aquilo não foi derrota — Colocou o arco e a aljava no lado do escudo. — Hoje você conhecerá essa palavra.
— Claro — Clint segurou o saco para que Steve terminasse sua série.
— Vai amanhã no Café, Capitão?
— Não sei ainda — Mostrou um sorriso vitorioso. — Quer ir de novo?
— Se eu não tiver ocupado...
— Admita.
— O quê? — Notou o sorriso do amigo. — O que você está insinuando?
— Você se interessou pela moça.
— Não, eu gostei da torta e quero provar outras — Soltou o saco e colocou as mãos na cintura. — Tem ideia de como é difícil achar uma Café que sirva tortas boas?
— É tão ruim admitir? — Parou de socar e começou a soltar as fitas que prendia suas mãos e pulsos para não se machucar. Barton não respondeu. — Eu pretendo ir, quem sabe chamar Beatrice para sair.
— Ótimo, é bom ver você fazer algo que não seja treinar e sair em missões.
— E por que não aproveita para chamar a senhorita para sair também?
— Que senhorita? — indagou Banner ao entrar na sala de treinamento.
— É uma moça que...
— Não tem nenhuma moça — Bufou e cruzou os braços. — Já que está preferindo conversar do que me enfrentar, vou para a sala de simulação.
O agente se afastou de ambos, que só observaram Clint sumir de suas vistas.
— Continue, quem é a moça que o deixou de mau humor?
— Uma moça que ele se encantou no Café que frequento.
— Então ele e Natasha acabaram mesmo.
— Sim.
— Capitão Rogers, Agente Barton pediu para que comparecesse na sala de simulação — avisou Jarvis. — E faço uma observação: ele está irritado.
— O avise que já estou indo — Voltou para o cientista. — Vai nos acompanhar?
— Vou só assistir, tenho que ver esse projeto do Stark. — Mostrou a pasta que segurava.
— Tudo bem — Deu alguns passos e parou. — Banner?
— Sim?
— Não conte ao Clint que te falei da garota e não fale nada aos outros, principalmente ao Tony.
— Pode deixar.
LOUISE CORRIA PELAS CALÇADAS DO SEU BAIRRO, voltando à sua casa. A noite estava fria, mas a moça gostava de correr esse horário, tinham menos pessoas ao parque, o que a deixava mais sossegada para praticar a corrida e poder aproveitar a adrenalina que corria por seu corpo.
Praticar esporte era o único jeito de sentir isso novamente, já que a vida que levava atualmente não permitia grandes emoções. No começo, ela sentiu que não iria conseguir se adaptar: vir de outro país e com o ritmo de vida que tinha era praticamente impossível mudar para a vida de hoje. Só de pensar, Louise imaginava seu pai e seus antepassados se revirando no túmulo.
Sentiu o celular vibrar e pegou, sorriu ao ver que era uma mensagem da Beatrice. Ela preferiu guardar o aparelho e responder quando chegasse em casa. Já suspeitava que seria referente ao cara, que virou o assunto do lugar. Louise trabalhava a quase cinco anos no Café e ninguém tinha a visto demonstrando interesse em alguém, na verdade, ninguém sabia muito sobre a vida da garçonete que preferia a descrição sobre sua vida e passado. Isso despertava curiosidade nos seus colegas de trabalho e ela não entendia o porquê, não era a única que trabalhava no estabelecimento que tinha segredos.
De repente sentiu os pelos da nuca se arrepiarem, algo que não acontecia a muito tempo. Parou como tivesse que recuperar o fôlego, discretamente olhou em volta, procurando o olhar que sentia sobre si. As poucas pessoas que estavam na rua, não aparentavam serem suspeitas e não conseguia ver se tinha alguém nas janelas ou no alto dos prédios.
— Será que alguém me descobriu?
Balançou a cabeça para afastar esses pensamentos, se alguém tivesse a achado, já teria pego-a.
Voltou a correr para seu apartamento, que estava a duas quadras. A sensação acompanhou até parar em frente a porta do prédio. Pegou as chaves e antes de entrar, analisou a sua volta, procurando algo estranho.
Assim que a porta se fechou, uma figura saiu das sombras do outro lado da rua. Loki sorria maldosamente com a descoberta.
— Então essa é a garota.
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