The Killers II- Interativa
4 03- The Hope of World- Three
Notas iniciais
A Esperança do Mundo- Parte III
“Vidas vazias não enchem vidas vazias”
Já havia conhecido a maioria dos estudantes, de certa forma, cada um deles poderia contribuir em algo para nos tirar daquela cidade estranha. Mas caso nós não conseguíssemos nos unir, não iríamos chegar a lugar algum e isso me preocupa. Será que diferentes personalidades podem trabalhar normalmente em conjunto? Balancei a cabeça, não era algo para eu me preocupar agora, poderia deixar isso para depois. Virei a rua e me assombrei com o que vi. Vi que toda a cidade estava rodeada por um muro avermelhado.
Era bastante grosso e talvez não fosse tão difícil de pular por ele- se tivéssemos uma escada ou um suporte- mas em seu topo havia uma cerca elétrica bastante potente, pois soltava algumas faíscas de vez em quando, aquele lugar era como uma verdadeira prisão. Suspirei e continuei andando, mas então eu percebi outra coisa que me chocou. Era um portão bastante grande, provavelmente de madeira, devia ser bastante pesado e estava lacrado com correntes e cadeados. Acima do portão, o número “03”. O que aquilo estaria significando? Será que existiam outros portões como aquele? Pra onde eles levariam.
Me aproximei do portão cuidadosamente, peguei nas correntes e puxei-as com força, mas elas eram muito pesadas, era algo inútil. E quando virei-me havia ali um garoto me observando. Corei da cabeça aos pés, será que ele vira eu tentar remover as correntes vergonhosamente? Eu espero que não. Apenas limpei as mãos e fiquei esperando que ele falasse alguma coisa. Era um garoto alto e forte, tinha cabelos pretos e uma pele bronzeada, usava uma camiseta preta e trazia um jaleco branco em mãos, uma calça jeans e tênis brancos, ficava me observando com uma expressão séria até que eu disse:
– Vai apenas ficar aí me encarando sem dizer nada? – falei cruzando os braços- é constrangedor.
– Eu tentei abrir também, mas elas nem se moveram. Acho que são de algum tipo de aço reforçado- ele falou calmamente enquanto ajeitava os cabelos- a propósito, você viu mais alguém por aqui?
– Sim, já encontrei diversas pessoas. Parece que somos dezesseis ao todo. A propósito sou Yuuka Misaki- ergui a mão direita para ele, ele a apertou de leve e depois cruzou os braços- você é conhecido, espere, o seu nome...
– Sou Percy Schneider.
Percy Schneider- Super Highschool Level Geneticist
Era por isso que eu o conhecia, Peter era filho de um famoso casal de cientistas que mexiam com genética, e ele desde muito novo se aventurava nesse novo mundo. Ele fez algumas descobertas pequenas, mas que foram de grande valor para continuarem as pesquisas com engenharia genética e células tronco. Ele conseguiu até mesmo um modo de preservar os embriões usados em pesquisas sem que estes fossem descartados. Ele era realmente uma celebridade mundial, apesar de ser alemão viera para o Japão a algum tempo e o falava fluentemente, eu sabia isso tudo sobre ele pelas revistas de ciência que eu lia de vez em quando.
– Você também me parece familiar, espere, não é aquela garota da televisão? – ele deu um pequeno sorriso que esculpiu uma imagem melhor do que aquela cala séria.
– É sou eu mesma- os olhos azuis dele faiscaram, eram de uma cor realmente muito bonita- você não encontrou mais ninguém não foi?
– Não, assim que saí do meu quarto fui perambular por aí, vi o muro e resolvi seguir o trajeto dele para saber até onde ia.
– Descobriu alguma coisa com isso?
– Bom, esse local é provavelmente retangular, e existem mais quatro portões além deste, ou seja, cinco no total. Eles devem dar em algum lugar, mas não entendo porque estão trancados. Será que isso é de alguma importância?
– Acho que sim. Deve ser coisa daquele urso.
– Aquele ursinho de desenho animado?
– Não, ele é real, sério, apareceu para mim duas vezes- ele agarrou os olhos em surpresa- e o nome dele é Monokuma.
Peter balançou a cabeça enquanto colocava o jaleco de novo. Ele me parecia ser uma pessoa bastante culta e inteligente, talvez sua inteligência pudesse nos ajudar a arrumar um meio de sair daqui, e voltarmos para casa.
– Você gosta mesmo disso não? – perguntei- De genética?
– Acho ela bastante interessante sabe, desvendar os segredos dos seres vivos é para mim uma missão difícil e eu gosto de coisas difíceis, muitos achavam que eu tinha seguido essa carreira por causa dos meus pais, mas não, eu decidi por conta própria- ele falou em um tom bastante confiante, uma confiança gigantesca- e você gosta de ser repórter? Seu pai é um também não é?
– Sim, eu gosto. Entendo como é acharem que você vive nas sombras do pai, mas isso é algo que eu realmente queria fazer.
– Entendo.
– A propósito, os estudantes vão se reunir numa estátua próxima daqui, vamos discutir o assunto.
– Sim, eu irei!
Eu acenei em adeus enquanto corria pela rua. Precisava encontrar os outros estudantes. Ainda haviam locais para eu visitar. Se eu não encontrasse mais ninguém iria para a estátua, vamos resolver esse assunto de uma vez por todas. Assim que virei a rua, dei de cara com uma construção gigantesca. Me parecia com um ginásio, possuía as paredes negras cheias de panfletos de palestras que nunca ocorreram. Duas estátuas daquele urso foram colocadas na entrada, onde algumas escadas de mármore levavam a um portão de vidro. O nome Auditório cintilava num letreiro azulado, assim que me aproximei as portas se abriram.
Lá dentro era realmente grande, era um local inclinado, para que de todas as fileiras o palco pudesse ser visto- como em um cinema- e na frente de cada cadeira havia um laptop desligado, provavelmente usado para anotações e pesquisas. No palco havia apenas um palanque e uma mesa com um Datashow, comecei a apertar nos botões de alguns dos laptops, mas nenhum deles parecia estar funcionando, suspirei desanimada enquanto olhava em volta.
Minhas pernas doíam, ter corrido tanto em busca dos estudantes havia me cansado, sentei em uma das cadeiras, apoiando meus cotovelos na mesa. Até hoje fico me perguntando quem havia armado tudo aquilo. Devia ser alguém bastante rico e poderoso. Alguém com influência o suficiente para construir um lugar como aquele sem que ninguém percebesse, seria armada do governo? Se bem que a última coisa que me lembro é de estar diante da escola, seria a Academia Topo da Esperança a responsável? Eram muitas perguntas.
– Vai ficar aí parada? Ou vai me ajudar a olhar os computadores? – uma voz masculina me tirou dos meus pensamentos, levantei-me rapidamente, dando de cara um rapaz me encarava sério- foi mal, não queria te assustar.
O garoto sorriu, ele era alto e um tanto forte, devia ter uns dezoito anos. Tinha cabelos castanho escuro e olhos da mesma cor, usava uma farda policial azul e por baixo desta uma camisa amarela. Suas calças eram azuis assim como a farda e ele usava um sapato preto. Fico me perguntando se aquele garoto era algum lunático, mas creio que tenha a ver com o título dele:
– Eu acho que conheço você- ele sibilou- não é aquela repórter? Que vai a guerras de gangues e locais inóspitos?
– Sim, muito prazer sou Yuuka Misaki. Eu também achei você familiar, devo ter visto você em alguma reportagem.
– Não, acho que não, mas eu já apareci algumas vezes na televisão. Me chamo Onihiru Mikamaru.
– Espere, você não é o perito? Daquele caso com o filho do governador?
– Sim, eu fui o perito do caso, e de outros também.
Onihiru Mikamaru- Super Highschool Level Coroner
Mikamaru era um dos adolescentes mais famosos do Japão por assim se dizer, com apenas quatorze anos ele começou a resolver casos em conjunto com a polícia de uma forma tão inovadora que até mesmo os mais experientes ficam impressionados quando o veem em ação. Ao que parece, o primeiro caso que ele resolveu fora o da morte do seu próprio pai, um famoso juiz, ao que parece, ele conseguiu achar pistas no corpo do seu pai que o levaram até o assassino, fico impressionada de ele não ter sido convidado para esta escola antes. Mas o último caso que ele resolveu foi o que o tornou mais famoso, o filho do governado foi assassinado de forma suspeita, ao que parece ninguém conseguiu entender o caso, mas uma pista oculta que apenas ele percebeu o levou ao assassino que era a namorada do garoto, o motivo parece ter sido um acesso de ciúmes.
– Você encontrou algo nesses computadores? – perguntei enquanto ajeitava meus óculos- devem ter muitos aqui.
– Nenhum deles funciona, os que funcionam não tem nada de interessante, apenas programas bem básicos, acho que todas as informações que haviam aqui foram apagadas.
– Quem quer que tenha feito isso deve ter escondido tudo o que poderia revelar alguma coisa, só me pergunto o porquê disso estar acontecendo.
– Vamos descobrir em breve- o garoto disse em meio a um sorriso- você encontrou mais alguém aqui além de mim? Ou somos os únicos?
– Não, tem mais gente, vamos nos reunir numa estátua aqui perto é só olhar no seu cartão de estudante.
– Sim, estarei lá.
Eu sorri enquanto saía do local. Ele me parecia ser esperto, o que era bom, poderia nos ajudar a sair dali o mais rápido possível. Peguei o meu cartão e olhei no mapa, haviam ainda dois lugares que eu não havia visitado. E um estava bem ao lado do auditório. Quando cheguei na rua olhei para o lado, havia uma pequena construção de paredes verde-limão e desenhos de flores na frente, um letreiro onde uma réplica do Monokuma colocava sabão numa máquina e o nome “Lavanderia”. Quando entrei lá vi que o ambiente cheirava bem. Diversas máquinas de lavar se estendiam em fileiras, o piso azulado era bastante limpo. Em um canto ficavam secadoras e no outro, haviam prateleiras com sabão, amaciante, e outros produtos usados para lavar roupas.
Andei um pouco pela lavanderia, até notar que havia um garoto lendo o que estava escrito na embalagem de sabão líquido. Ele tinha cabelos brancos um tanto quanto longos que chegavam a cobrir uma parte de seus olhos, seus cabelos apesar de brancos possuíam uma raiz preta, o que significava que foram tingidos. Ele era magro, mas não tão alto. Usava um suéter avermelhado e uma calça cáqui junto com sapatos pretos. Eu pigarreei para chamar a atenção do menino e este me olhou um tanto curioso. A cor dos seus olhos oscilava por detrás dos fios brancos sem que eu pudesse saber qual era a real cor deles.
– Sinto que você me quer perguntar algo- ele soltou de repente.
– Ah, bem, eu só queria saber o seu nome. Eu sou Yuuka Misaki- falei um tanto surpresa, aquele menino me era familiar.
– Sou Kazuo Takao, mas me chame de Kocho.
– Ah, o menino da internet, você tem virado febre ultimamente.
– Eu sinto que você deve me conhecer, talvez pelo meu trabalho de médium.
Kazuo Takao- Super Highschool Level Medium
Ele havia virado uma febre na internet ultimamente, haviam centenas de vídeos mostrando o menino- que morava na rua- conversando com o suposto fantasma de sua irmã, desde então ele tem se tornado uma atração para a mídia, enquanto que algumas pessoas apenas riam do modo como ele agia em público. Mas outros tinham pena por ver um menino tão novo em uma situação tão difícil, mas ao que me parece ele está tendo uma vida nova agora, só me pergunto se ele é mesmo um médium de verdade.
– Você fala mesmo com espíritos? – perguntei calmamente, tentando não ser rude.
– Sim, falo com minha nee-san e com outros também, eles se comunicam comigo e eu com eles de diversas formas.
– Eu sinto muito pelo que aconteceu a sua irmã.
Ele deu um pequeno sorriso enquanto ajeitava os cabelos, ele apenas limitou-se a dizer:
– Ela ainda está comigo.
Eu sorri para ele meigamente, ele com certeza era alguém que devia ter sofrido muito com a perda da irmã, mas que sentia a mesma ao seu lado, eu sentia isso. Afinal minha mãe tinha morrido também, e mesmo sabendo que ela está morta eu posso sentir a presença materna dela ao meu lado como que me protegendo de tudo que possa ser perigoso. E a simples menção de que ele pode falar ela um dia, chega a me dar uma ponta de esperança, embora não acredite muito nessas coisas.
– Eu sinto que você vai me dizer mais alguma coisa.
– Sim, os outros estudantes vão se reunir aqui perto, pode olhar no seu cartão, procure por uma estátua qualquer.
– Tudo bem- ele falou colocando o sabão líquido de volta ao lugar, minha curiosidade era muito grande eu tinha que perguntar.
– Você, seria capaz de conversar com minha mãe? Ela morreu a um tempo...
– Eu não sei, os espíritos é que vem até mim, não eu até eles. Mas se for possível eu o farei, conversarei com ela.
Eu sorri em agradecimento, enquanto me despedia. Seria mesmo possível isso? Será que ele teria mesmo essa capacidade? Era melhor não pensar naquilo agora, ainda havia um lugar para onde eu queria ir. E provavelmente mais dois estudantes, para conhecer. Andei por uns metros pela rua, olhando em volta a procura do sinal de alguém que se aproximasse. Foi quando ouvi o barulho de alguém gritando para me afastar, andei para o lado bem a tempo, pois um garoto de skate passou a poucos centímetros de mim, antes de parar a minha frente no meio de uma manobra.
Ele era loiro e aparentemente era estrangeiro, tinha os olhos azuis claros e feições infantis. Usava uma camisa azul com o símbolo do Super-homem, uma jaqueta colorida, calça jeans escuro e tênis vermelhos. Ele me olhava alegre, o que dava a impressão de que ele era realmente alguém bem enérgico. Mas só pelo fato de ele ter quase me atropelado com seu skate vermelho, eu tinha comprovado isso:
– Desculpa, é que as vezes eu não consigo desviar- ele falou animadamente- mas eu estava procurando por outros estudantes.
– Você já encontrou alguém além de mim não é?
– Sim, muitos deles, mas eu vim procurar mais sabe, para saber quantos somos. Ei, você não é aquela repórter.
– Sim, eu sou Yuuka Misaki. Muito prazer.
– Você é igualzinha como nos noticiários, admiro muito a sua coragem. Eu sou Cody Hermann.
Cody Hermann- Super Highschool Level Skatist
Ele era um dos melhores skatistas do mundo, provavelmente o melhor entre os adolescentes. Ele vencia todos os concursos em que participava por suas manobras arriscadas e quase sempre inéditas, poderia dizer que ele nasceu com um skate na mão, pois o mesmo era como se fosse uma extensão de seu corpo. Não sabia muito de sua origem, mas o que sabia sobre ele era que ele tinha o total direito de estar entre os alunos da Academia.
– Muito prazer Cody, ouvi dizer que você é um excelente skatista. A propósito, eu já lhe vi em uma reportagem acompanhado de um outro garoto, e eu vi ele aqui.
– Sim, deve ser o Percy, eu já conversei com ele.
– Vocês se conhecem a muito tempo?
– Bem- ele falou levando o indicador ao queixo- pode-se dizer que sim, nos conhecemos muito bem. A propósito, está sabendo da reunião não é? Com os estudantes?
– Sim, estou sim, por isso estava procurando mais estudantes.
– Que bom que já sabe- ele suspirou- parece que ainda falta um, você se importaria?
– Não.
– Então eu vou indo- ele falou colocando o pé por cima do skate e acelerando com o outro- te vejo depois Misaki-san.
E rapidamente ele virou a rua como um raio, ele era mesmo rápido. Continuei a andar pela rua até chegar a uma espécie de estufa, era bem grande e havia a estátua de um Monokuma vestido de jardineiro na frente, entrei nela e me vislumbrei com algo inusitado. Era um jardim lindo, um pequeno lago de águas cristalinas estava em seu meio, diversas plantas se espalhavam pelo local em meio ao colorido de centenas de flores, havia ainda algumas árvores e pássaros e borboletas voavam por entre as plantas. Havia um caminho de pedras desde a entrada até percorrer todo o jardim.
Andei lentamente, maravilhada por haver um pedaço de natureza no meio daquela cidade esquisita. Continuei andando até que notei uma garota sentada perto de uma árvore. Ela tinha os cabelos azulados e olhos lilases, usava uma camiseta rosa e um short branco, ela tinha um passarinho pousado em seus dedos e fazia carinho em sua cabeça com o indicador. Ela olhou para mim e sorriu meigamente. Eu apenas acenei em resposta.
A garota moveu a mão e o pássaro alçou voo, ela levantou-se e veio até mim com um sorriso no rosto. Esbanjava uma aura de meiguice e simpatia, a mesma aura que Aya, a sacerdotisa tinha, de uma pessoa a qual todos iriam gostar independentemente da situação:
– Olá, desculpe ter te interrompido.
– Não se preocupe, é legal saber que tem mais alguém aqui além de mim. É que quando eu vi esse lugar fiquei muito feliz, tem até peixes no lago.
– É mesmo um lugar muito bonito, a propósito, eu me chamo Yuuka Misaki.
– Eu sei- ela falou em meio a um riso- você é a garota da televisão, na minha opinião, a mais simpática das jornalistas.
– Obrigado, mas eu nem sei o seu nome.
– Sou Mayu Yamamoto.
Mayu Yamamoto- Super Highschool Level Veterinary
Eu logo lembrei dela, era uma veterinária conceituada, até mesmo as grandes celebridades se espremiam em ir a sua clínica no interior para que ela tratasse dos seus animais, ela havia começado apenas como assistente, mas agora ela tinha inventado centenas de tratamentos inovadores que além de melhorarem a saúde dos animais, são bem mais baratos e acessíveis a todos. E ela não cuida apenas de animais domésticos, mas também de animais de fazenda como vacas e cabras e até mesmo animais selvagens, ela é uma das maiores amantes dos animais do mundo.
– Você é bem famosa entre as celebridades- comentei- quase todos levam os seus animais até você. Você deve gostar mesmo de animais.
– Você nem imagina o quanto, sabe, tem gente que despreza os animais, os acha inferiores. Mas eu não, se os animais estão aqui então eles têm o direito de serem amados e cuidados sabe, eu sou contra qualquer tipo de tortura contra animais, matadouros, zoológicos, isso me enoja, eu sou até vegetariana.
– Entendo, também odeio pessoas que maltratam os animais por diversão- comentei com um meneio- você viu algum outro estudante?
– Não, só você até agora.
– Tem outros, vamos nos reunir aqui perto, eu posso ir com você se quiser.
– Claro- ela falou se agarrando ao meu braço como se fossemos amigas de infância- vamos logo conhecer o resto do pessoal.
E juntas saímos do jardim.
° ° °
Era uma estátua realmente grande, feita de mármore e folheada a ouro. Ela mostrava cinco criaturas entrelaçadas, um dragão de cara feroz, uma quimera, um grifo, um Pégaso e uma ave que me pareceu ser a fênix. E no meio deles a figura do Monokuma vestido de guerreiro apontando a lança para um grande portão de madeira que assim como os outros estava lacrado e tinha os dizeres: Bem-vindo a Cidade da Esperança, e no portão estava desenhado o brasão da escola.
– Yuuka-san, finalmente chegou- Albert veio até mim com um largo sorriso, todos os outros estavam ali- podemos começar agora.
Mayu soltou-se de mim e foi conhecer os outros. Vi que eles estavam dispersos no local, conversando uns com os outros sobre o que tinham encontrado. Kazuyo acenou para mim quando me viu, ela parecia tentar conversar com Nathan que apenas acenava ou discordava. Annie estava afastada de todos, olhando para algum ponto qualquer, ela com certeza não queria estar ali. O resto conversavam uns com os outros sobre coisas desinteressantes, mas Mikamaru pigarreou chamando a atenção de todos:
– Já que estamos aqui, não seria melhor discutirmos sobre a situação? Sabemos que não é natural dezesseis pessoas acordarem num lugar como esse.
– Talvez seja um teste da escola- comentou Watashima- uma preparação.
– Acho que não- foi a vez de Miya falar- apesar de ter visto o símbolo da escola, eu soube que não haviam testes, nem preparações nessa escola.
– Pode ser mentira- falei- talvez haja um teste surpresa, ou seja só uma pegadinha.
– Upupu, pegadinha? Não, eu não sou urso de brincadeiras- todos nós nos viramos na direção da voz, Monokuma estava lá, no meio de todos acenando- Isso aqui é tudo de verdade.
– Um bicho de pelúcia? Mas que porra é essa? – Aru gritou assustado, ele provavelmente não o tinha visto ainda.
– Vocês jovens tem essas cabeças cheias de vento, não sou bicho de pelúcia sou o Monokuma, e vim reforçar o que disse anteriormente pelos televisores, olhem as regras nos seus Cartões de estudante, ou ID’s, chamem do que quiser.
Peguei meu ID e toquei no pequeno botão de regras, o aparelho fez um pequeno barulho. Antes de nos mostrar uma lista com os dizeres:
Hope’s Peak Academy:
Regra N°1- É proibido deixar a área escola por toda vida, exceto pela graduação (Ver item 6)
Regra N°2- Violência contra o diretor Monokuma é estritamente proibido.
Regra N°3- Proibido a destruição ou roubo das câmeras de vigilância e dos televisores.
Regra N°4- O período entre as 22h00min e 07h00min é o Horário noturno, nesse período é permitido o acesso somente ao Hotel e ao Hospital, dormir fora de um quarto é proibido, proibido emprestar o seu ID a alguém.
Regra N°5- Nenhuma restrição quanto a investigar o local, sintam-se livre para explorar.
Regra N°6- A Graduação, ocorre quando um estudante consegue matar outro sem ser descoberto por ninguém.
– O anúncio de cadáver só é mostrado quando três pessoas além do assassino o encontram.
– Após a morte de um estudante, haverá um Julgamento para decidir a identidade do culpado, se acertarem o culpado é executado, se errarem, o mesmo deixa o local e os outros são executados.
Regra N°7- Qualquer quebra de regras será duramente punida, novas regras podem ser adicionadas durante o período escolar.
– Matar? – exclamou Aya surpresa- você quer mesmo que matemos alguém.
– Finalmente alguém com um pouco de inteligência por aqui! Mas é claro. A partir de agora, esse lugar é o seu novo mundo, se não quiserem matar, então aceitem viver aqui para sempre. Bem-vindos meus queridos alunos.
Ele estaria realmente querendo dizer aquilo? Se eu quiser sair daqui terei que matar alguém? Todos os outros estudantes esboçam as mesmas reações de medo e surpresa, olhando para aquele urso como se olhassem para o mal em pessoa. Aquilo nada tinha a ver com testes escolares ou coisas do tipo, era apenas um jogo macabro e cheio de desespero.
– Você só pode estar brincando- Miya protestou- eu não vou fazer nada disso, eu não quero fazer parte deste joguinho de psicopatas.
– Upupu... Como se você tivesse escolha!
– Ora seu maldito- ela andou até ele furiosa, pisoteando-o com o salto- o que você está pensando, que somos seus brinquedinhos de merda?
– Sua determinação é muito desesperante- o urso tentava falar em meio aos chutes da garota- pena que não durará muito, não sei se leu as regras, mas violência contra o diretor é proibida.
Eu ouvi um barulho ensurdecedor seguido de gemidos de dor, quando olhei, Miya estava caída no chão, Onihiru estava por cima dela, e no local onde a atriz deveria estar, havia um monte de lanças metálicas, ou seja, Monokuma pretendia matar Miya, por ela ter descumprido uma guerra, quando ela se levantou estava pálida como cera, na verdade, todos nós estávamos.
– Espero que entendam agora, dessa vez deixarei apenas como aviso. Mas pelo menos vocês entenderam, eu não estou brincando. Agora aproveitem meus queridos, podem soltar os seus animais interiores, façam o que quiserem. Até mais.
E dizendo isto ele sumiu magicamente, levando consigo toda a esperança de nossos corações, e deixando apenas um rio de puro desespero.
Alunos Sobreviventes 16/16
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