Notas iniciais
Segundo capítulo de apresentações pessoal, a propósito, no capítulo passado, no início dele, quando a Yuuka falava sobre um assassinato era sobre a irmã fo Fuyuhiko, só pra constar okay? Boa leitura.

A Esperança do Mundo- Parte II

“Assim como as flores murcham e secam, a vida humana também tem um fim”.

Hero Chiryouyaku- Soraru

Depois de atravessar o arco de ferro que dava até os dormitórios, me vi em meio a uma verdadeira cidade, ruas asfaltadas cintilando a luz do sol, árvores de ambos os lados das ruas, além de postes de iluminação, lixeiros e bancos em diversos pontos. Para onde eu deveria ir agora? Peguei o meu cartão analisando cuidadosamente cada local, tinha um hospital ali, talvez fosse para lá que eu devesse ir, e era bem próximo do local onde eu me encontrava no momento. Comecei a andar lentamente para os lados, tentando avistar outro estudante que eu ainda não tivesse visto.

Avistei indo em direção ao hospital, longos cabelos de fogo que cintilavam ao sol, ainda não tinha visto nenhum ruivo, então com certeza seria um dos estudantes que eu ainda não conhecia. Gritei alto para que a pessoa- que eu vi ser uma garota- se vira-se para mim, corri até ela o mais rápido que pude e quando finalmente me aproximei estava bastante ofegante. Ela era ruiva de olhos azuis, alta e alva, usava uma camisa branca de mangas longas e um colete preto, calças bastante pretas bastante coladas a seu corpo e botas também pretas, um símbolo de caveira brilhante decorava seu cinto.

– Sinto muito te fazer esperar- disse ofegante- é que eu ainda não tinha te visto.

– Eu também não- disse a garota cruzando os braços- a propósito, eu já lhe vi em algum lugar? Ah, sim, é aquela repórter xereta.

– Xereta? – disse assustada- eu não sou xereta!

– Pra mim tanto faz, o que você queria me dizer mesmo? Já que veio correndo até aqui só para falar comigo.

– Bom, eu ainda não tinha te visto, então eu só queria saber quem você é.

Annie di Waterloo– a simples menção de seu nome fez lembrar quem ela era em questão de segundos.

Annie di Waterloo- Super Highschool Level Pirate

Annie era a prova de que mesmo diante de tantas coisas atuais o passado pode ainda existir. Acreditem ou não, ela era uma pirata nata, capitã do navio “Final Boss” e navegava pelos oceanos em busca de especiarias e raridades fazendo tudo o que lhe desse na telha, com certeza a Academia percebeu sua existência e por ser a única adolescente no mundo que era uma pirata de verdade, não poderia deixar de ser convidada a participar do corpo estudantil da escola, realmente eu me impressionei em não ter reconhecido ela logo de cara.

– Então, já que sabe meu nome Yuuka- ela falou lentamente, com certeza ela lembrava de mim- poderia ir embora, eu tenho que achar a saída daqui.

– Mas eu vim falar exatamente sobre isso, sobre achar a saída desse lugar- falei desconcertada, ela não era uma pessoa muito sociável.

– Você já encontrou a saída? Porque se sim, é melhor me poupar tempo e ir falando.

– Ah, os outros estudantes vão se reunir numa estátua aqui perto, vamos arrumar uma maneira de sair daqui, todos juntos.

– Uhm... Tudo bem então, não que eu ache que dezesseis pessoas não possam conseguir isso, devem estar se borrando de medo por causa daquele ursinho de desenho animado. Eu já enfrentei inimigos piores do que ele e nem por isso fiquei acanhada.

O modo natural como ela falava aquilo era algo realmente assustador, ela era uma pessoa determinada e de temperamento forte, mas eu me lembro bem da notícia que vazou quando todos souberam que ela matara o capitão do navio e tomou-o para si adotando o nome de Miss Fortune. Apenas estar perto dela, era o suficiente para fazer tremer as pessoas mais medrosas ou mais sensíveis e como eu já estava acostumada a isso, não me surpreendo muito, apenas falei:

– Ah- eu disse sem jeito- ele é real, ele apareceu para mim na cozinha do hotel.

– Você não pode estar falando sério- ela me encarou como se eu estivesse enlouquecendo.

Eu acenei negativamente com a cabeça, a ruiva apenas ficou encarando o chão por alguns segundos antes de balançar a cabeça e dizer que já ia para a tal estátua, voltei meus olhos ao prédio do hospital e fui até lá, talvez outro estudante estivesse lá dentro. O Hospital era um prédio de um único andar, mas bastante longo, tinha as paredes brancas, e uma cruz vermelha gigantesca cintilava acima do portão, as portas de vidro se abriram assim que eu aproximei. Assim que entrei senti o cheiro de alvejante invadir minhas narinas, eu odiava hospitais, sempre tentei manter distância deles, desde que minha mãe faleceu a dois anos atrás, vítima de leucemia, a simples lembrança dela me trouxe lágrimas nos olhos, eu tinha que sair dali, meu pai precisava de mim, eu era a única coisa que ele tinha.

Enxuguei as lágrimas olhando em volta, as paredes, o teto, o piso era tudo de um branco imaculado, no balcão do recepcionista estava um computador sem funcionar e diversos papéis em branco, com certeza as coisas importantes foram retiradas daqui. Haviam sofás de couro azul e cadeiras de espera no saguão, entrei pelo corredor, haviam apenas mais quatro salas, uma enfermaria, o consultório do possível médico, e dois quartos para cuidados especiais. Na enfermaria havia um armário com todo o tipo de remédios e utensílios como seringas e bisturis, no frigorífico haviam bolsas de soro e cerca de oitenta bolsas de sangue, dez de cada tipo, aparelhos para medir pressão e glicose, além de macas e suportes de soros, e tudo o que uma enfermaria precisa.

Quando ia até o consultório do médico, senti alguém tocar meus ombros, vire-me assustada, dando de cara com uma garota de lindos cabelos prateados que iam até o chão, não era muito alta e tinha a pele rosada, os cabelos presos por uma tiara dourada cintilante, usava um kimono azul cheio de flores desenhadas, presos por um obi vermelho, os braços entrelaçados e os pés calçados com uma sandália branca simples, ela sorria meigamente para mim, eu apenas retribuía, até que ela quebrou o silêncio:

– Desculpe te assustar, é que eu estava no consultório olhando e vi você aqui, então eu vim falar com você- sua voz tinha um tom doce hipnotizante, ela com certeza era a encarnação das coisas fofas em pessoa.

– Tudo bem, estou acostumada a sustos ultimamente- disse rindo- a propósito, eu sinto que já lhe conheço de algum lugar, eu não entrevistei você não foi?

– Não, acho que não, você deve ter me visto em alguns dos festivais do templo, algumas vezes eles são televisionados.

– Isso, o festival, como eu podia ter esquecido. Você era a sacerdotisa não era?

– Sim- ela falou meigamente- eu me tornei a sacerdotisa do templo, desde que os meus pais morreram, e venho administrando ele sozinha desde então. É um pouco cansativo, mais, é legal- seus olhos cinzentos cintilavam- e eu nem me apresentei, me chamo Aya Haryiama.

Aya Haryiama- Super Highschool Level Priestess

Aya era uma das sacerdotisas mais jovens e mais conhecidas no Japão, ela não era a única sacerdotisa de quinze anos, mas ela administrava o templo desde que tinha apenas doze anos de idade, quando os pais morreram em um estranho acidente de carro, ao que parece ela fazia os festivais e festas religiosas quase que sozinha, haviam pessoas que ajudavam a cuidar do templo, mas ela era a mais ativa dentre todos, ao que me pareceu ela deve morar sozinha e o fato de cuidar sozinha de um lugar tão grande, deve ter chamado a atenção da escola, que quer sempre os melhores consigo.

– Eu vejo você de vez em quando nos jornais- ela falou- quando tenho tempo de assistir. Você é mais bonita pessoalmente!

– Muito obrigado! – me segurei para não apertar as bochechas dela, é o tipo de pessoa com a qual todos se dão bem- desculpe a pergunta, mas você sempre usa kimono?

– Não- ela falou em meia a uma risada, afastando os braços- só uso em ocasiões formais, eu usava enquanto ia me matricular, mas eu olhei as gavetas do meu quarto, tem roupas normais lá, ficar de kimono o dia inteiro é terrível, faz muito calor.

– Tudo bem, foi o que eu pensei. A propósito, os estudantes vão se reunir numa estátua aqui perto, pode olhar no seu cartão, e vai chegar lá.

– Obrigado pela notícia Yuuka-san, ah, eu posso de chamar assim não é?

– Pode sim!

Ela acenou com a mão direita enquanto saía pelo corredor, eu olhei o consultório do médico enquanto isso. Nada além de receitas, atestados não preenchidos, canetas e coisas que médicos usam ao examinar uma pessoa. As salas de internação tinham no total, quatro macas, as mesmas da enfermaria, além de um baú para se colocar roupas e coisas assim, e como em todos os locais, câmeras e Televisores.

Saí do hospital apressada, ficar ali era realmente terrível, quando deixei o hospital suspirei aliviada. O cheiro de alvejante era realmente algo amedrontador, andei alguns metros até chegar ao prédio que ficava do lado do hospital. Era um prédio de paredes esverdeadas e com letreiro azul que dizia “Academia”, assim como nos outros a porta automática abriu-se, lá dentro era uma verdadeira academia, com o todo o material que uma poderia ter. Pesos, esteiras, bicicletas ergométricas, e aparelhos de última geração que eu nunca tinha ouvido falar na minha vida. Além de um freezer com energéticos e garrafas de água mineral.

Fico me perguntando porque uma escola manteria uma academia assim, mas logo me lembro que existiam estudantes como Sakura Oogami, Owari Akane, Nidai Nekomaru e outros que faziam parte do mundo dos esportes e que precisariam ter uma academia para manter seus treinos em dia. No fim da sala, havia um armário com roupas de ginástica- camisas, casacos, tênis, entre outros- de todas as cores e um garoto de cabelos negros e pele morena, que observava eles enquanto anotava algo em um bloco de notas, usava uma calça jeans escura, uma camisa roxa e um casaco preto de capuz.

– Com licença- falei, o garoto virou-se para mim, me encarando com um sorriso escancarado, seus olhos eram negros como a noite- desculpe te incomodar... Espere, você é...

– Eu mesmo- ele falou se aproximando a passos largos, eu era fã desse garoto- e você é aquela repórter, Yuuka Misaki não é?

– Sim, nossa não acredito que estou te conhecendo pessoalmente, eu amo os seus poemas- eu falei eufórica, nem parecia a garota séria de antes- desculpe toda essa euforia é que...

– Tudo bem, eu também sou seu fã, só assisto o noticiário por sua causa. Deixe-me apresentar formalmente, sou Albert McFinnigan! – ele curvou-se diante de mim, beijando minha mão esquerda.

Albert McFinnigan- Super Highshcool Level Poet

Albert era estrangeiro, ela era da Inglaterra, mas fala japonês fluentemente, assim como também conseguia falar espanhol, mandarim e até mesmo português. Ele era um poeta famoso e conceituado em todo o mundo, escrevia poemas desde os cinco anos de idade e estes eram capazes de encantar até mesmo o coração mais duro que existia, seus temas variavam desde paixões, desilusões, até a alegria e a felicidade plena. Perdi a conta de quantos livros ele já lançou e tenho certeza que a academia estava apenas esperando ele ir para o ensino médio para poderem convidá-lo, se existia um verdadeiro talento no mundo juvenil para a poesia, estava diante de mim.

– Nossa eu nem acredito que estou te conhecendo pessoalmente, quer dizer, apesar das circunstâncias.

– É mesmo muito estranho, mas já que estamos aqui- ele pegou na minha mão puxando-me pela academia- venha, vou fazer um poema inspirado em você!

Eu explodi numa gargalhada, e ele parou me encarando com uma curiosidade infantil. Eu parei de rir, o encarando sem jeito, não era do meu feitio ficar rindo daquele modo. O garoto apenas sorriu meigamente, e ficamos em silêncio por alguns minutos antes de eu finalmente dizer:

– Desculpe, é que eu sempre achei que você fosse mais... Frio.

– E porque achou isso?

– Sei lá, a maioria dos poetas são assim! Frios, calados e antissociais- eu falei em tom risonho, Alfred me lançou um olhar de reprovação.

– Então é isso que você pensa de mim? Então pode ir embora! – ele falou dando as costas para mim, engoli em seco, será que eu o irritei?

– Desculpe, não foi minha intenção.

– Eu sei- ele falou em meio a uma risada alta- estava apenas brincando, talvez eu seja a exceção do mundo da poesia.

Soquei de leve o seu braço, ele era realmente alguém legal. Eu o imaginava como sendo uma pessoa fria e que detestasse a sociedade, que se isolasse de tudo e de todos para que nunca se machucasse com a humanidade, mas ao contrário disso, ele é alegre e enérgico, realmente um ídolo perfeito para mim. Sei que é estranho o fato de eu mal o conhecer e já agir como se fôssemos amigos de infância, mas foi algo completamente natural e que nem mesmo eu esperava.

– Os estudantes vão se reunir aqui perto- falei- eu tenho que ir e achar os outros.

– Tudo bem, foi um prazer conhecê-la!

Sorri em retribuição e saí da academia, olhei em volta tentando identificar outro estudante no meio da rua, mas eu não vi ninguém, suspirei e fui andando lentamente até o outro prédio. Que ao contrário dos que eu já tinha visto era realmente grande, era uma construção gigantesca, o teto em forma circular, duas colunas se erguiam na entrada enfeitadas por videiras que iam do chão ao teto, palmeiras decoravam o local de ambos os lados, o prédio inteiro era cinza, lembrando os teatros gregos antigos. E o nome com letras douradas dizia “Anfiteatro”. Devia ser algum local para apresentação. Os grandes portões de madeira decorados com veludo vermelho estavam abertos, um tapete vermelho felpudo se erguia por todo o corredor, lá dentro era realmente incrível. Centenas de cadeiras acolchoadas se dividiam em andares como num cinema, desenhos de deuses, heróis, monstros, fadas e flores decoravam as paredes do lugar, no teto um desenho de um sol amarelo em meio a anjos e outros seres celestiais, um lustre gigantesco iluminava o local, olhei em volta e vi que haviam holofotes nas paredes, aparelhos de fumaça e outros utensílios.

No palco havia um piano reluzente, mas não era só isso. Havia ali também, um garoto de cabelos esverdeados e olhar tranquilo, ele usava um suéter também verde por cima de uma camisa que devia ser azulada, uma calça jeans escura e tênis em vermelho sangue, ele segurava uma flor murcha com uma concentração estranha, eu me aproximava lentamente enquanto que o garoto que parecia não ter me percebido apenas olhava a flor sem se importar com nada, de súbito, ele lançou a flor para o alto que diante dos meus olhos tornou-se um buquê gigantesco cheio de flores exóticas, o garoto segurou o buquê com facilidade e me olhou com um sorriso no canto dos lábios, ele jogou o buquê para mim e eu ergui as mãos para pegá-lo, mas um buquê explodiu tornando-se em dezenas de borboletas amarelas que voaram em minha volta antes de finalmente desaparecerem.

– Nossa, isso foi realmente incrível- exclamei enquanto o garoto descia do palco- como você fez isso.

– Não posso contar- ele sibilou com uma voz calma e tranquila, eu o conheci no mesmo momento- você é aquela garota da televisão não é mesmo?

Assenti em afirmativo, enquanto ele desviava o olhar. Aquele jeito tímido dele, os olhos de aura tranquila, o truque das borboletas, não havia dúvida nenhuma de quem ele era:

– Você é Kon Kurotsuchi? Quer dizer, é claro que é você, não tem como errar.

– Sim, sou eu, e você deve ser Yuuka Misaki- eu acenei afirmativamente.

Kon Kurotuschi- Super Highschool Level Illusionist

Kon era o maior ilusionista que já existiu, até hoje ninguém nunca conseguiu revelar como ele faz os seus truques, e é claro que não são truques de um amador, são coisas que nem mesmo os mágicos e ilusionistas profissionais conseguiram fazer em toda a sua vida. Muitas pessoas diziam que ele era inumano, outros que usava drogas na plateia, mas tudo isso foi desmentido em pouco tempo. A mídia o amava, pois além de ser um jovem ilusionista prodígio, ele era bissexual assumido e quase todas as teorias de conspiração o colocavam no meio. Mas só o fato de pensar que um ilusionista internacional começou com shows em festas de crianças e aniversários era realmente espantoso.

– Esse é o lado ruim da fama- ele sibilou- todos te conhecem, você não pode sair na rua sem ser assediado por centenas de pessoas.

– Tem razão, mas depois de um tempo você acaba se acostumando a tudo isso, principalmente quando isso é desde criança.

– Você gosta do que faz? – ele me encarava com seus olhos enevoados, aquela pergunta ficou no ar por alguns segundos antes que eu finalmente conseguisse soltar uma única palavra.

– Sim, eu gosto, desde pequena. E você? Gosta de ser um ilusionista.

– Creio que sim- ele falou estalando os dedos e magicamente uma rosa vermelha surgiu entre seus dedos- a mágica ás vezes surpreende as pessoas, mas sempre haverá aqueles que dirão que tudo é apenas truque e que a ciência reina e aquele papo furado.

– Sim, como repórter eu já vi todos os tipos de opiniões e culturas, a mídia sempre acaba distorcendo os fatos, mas eu sempre tento mostrar a verdade- falei com um pequeno sorriso, aquela conversa estava mesmo muito estranha- sempre existirão os que duvidam de tudo, e aqueles que tiram as dúvidas dos que duvidam.

– Eu gostei de você, não é como eu pensava, uma menininha da televisão sem graça alguma, mas você é legal. Tome- ele ergueu a rosa para mim e eu aceitei com um sorriso- quer olhar o camarim? Tem uma pequena sala com roupas, adereços, aparelhos de som...

– Não, tenho que achar os outros estudantes, vamos nos reunir aqui perto, espero que você vá.

– Eu irei!

Acenei em adeus com a rosa ainda entre os dedos. A conversa que acabei de ter foi um tanto quanto inesperada, de todos os estudantes que conheci até agora cada um deles tem personalidades bastante distintas umas das outras, e isso é bom, tenho uma turma bastante diversificada, só espero que isso não atrapalhe quanto a nossa união para tentar sair dessa situação, pois vamos precisar de toda a ajuda possível. Peguei meu cartão de estudante. Naquela rua havia ainda um prédio que ficava ao lado do anfiteatro, andei até lá. Era um prédio pequeno comparado aos outros, tinha as paredes alaranjadas decoradas com gerânios e orquídeas. E o nome Mercado pintado em vermelho no letreiro acima, entrei no local. Era bastante espaçoso, haviam roupas, comida, doces, sacolas, itens de limpeza, tintas, congeladores com sucos, iogurtes e todo o tipo de coisas que um mercado tem, as paredes de dentro também eram alaranjadas, não havia nenhum caixa ali, apenas um balcão com um pequeno visor do mesmo tamanho que o cartão de estudante e uma pequena impressora de notas fiscais.

Fiquei olhando as prateleiras, em busca de algo interessante e quando dei por mim havia uma garota ali. Pequena, pele bronzeada, cabelos roxos e curtos que chegava na altura do pescoço e com duas pequenas tranças do lado de cada orelha presas por lações pretos, usava um vestido negro curto e rodado com um avental branco por cima, luvas pretas e finas e sapatilhas pretas com meias brancas, ela olhava a seção dos sucos com curiosidade, pegando um suco de uva qualquer e olhando-o com os seus olhos castanhos e quando me viu, recuou um pouco surpresa antes de dar um sorriso sem jeito:

– Há quanto tempo está aí? – ela perguntou.

– Tudo bem, eu cheguei agora, estava procurando por outras pessoas- sibilei- sou Yuuka Misaki!

Falei erguendo a mão direita, ela aproximou-se lentamente, achei que ela fosse fazer alguma menção sobre repórter e jornal, mas ainda em silêncio ela pegou minha mão e apertou com certa recusa. Depois afastou-se de novo, colocando o suco de uva onde tinha encontrado antes e me encarando em silêncio, como sempre eu que tinha que falar algo:

– Você não me conhece mesmo não é? — falei curiosa, ao que pareceu todos ali viam o noticiário.

– Não, eu não conheço. Se já nos encontramos em algum lugar eu não lembro. Mas para todos os efeitos eu sou Mikazuki Onimaru.

– Mikazuki... Você é estrangeira ou algo assim? Eu nunca ouvi falar no seu nome.

– Ah não, não – ela falou sorrindo- é que digamos que meu título não seja algo muito chamativo, eu posso dizer que estive em oculto da sociedade esse tempo todo sabe, eu nunca fui a nenhuma festa nem nada e nem sei como a escola me descobriu. Eu sou a Super Highschool Level Maid.

Mikazuki Onimaru- Super Highschool Level Maid

– Empregada? – falei surpresa.

– Sim, digamos que eu sou a melhor empregada doméstica do ensino médio, talvez a única, digamos que eu passei minha vida trabalhando em mansões, casas de família, como empregada e foi assim que chamei a atenção da escola, sei que não parece algo muito interessante, mas se eu estou aqui, então deve ser um talento não é mesmo?

– Sim, se está aqui é por é merecedora- disse sorrindo- posso te chamar de Mikazuki-san?

– Por favor, me chame de Mika.

– Tudo, eu sou a Super Highschool Level Journalist.

– Jornalista? Ah, então por isso eu não reconheci, eu nunca assisti programas de televisão nem nada disso, o máximo que sei era o que via na escola ou em jornais impressos.

– Nunca? – falei bastante surpresa, era a primeira que dizia isso.

– Mas que importa não é mesmo? Quer um suco?

– Não obrigado, os estudantes vão se reunir aqui perto, se quiser ir, eu adoraria te ver lá.

– Eu irei sim, eu só queria saber, temos que comprar essas coisas, isso é um mercado não é? Será que é só pegar e levar?

– Upupu! Mas é claro que não! – Monokuma saltou mais uma vez diante de nós, Mika gritou de susto, mas eu apenas me mantive séria- podem ver em seu cartão de estudante que existe um pequeno scanner, passem no código dos alimentos e depois só é mostrar o cartão naquele aparelhozinho ali e pegar sua nota fiscal e sair feliz da vida!

– Você de novo? – gritei- já não basta no que está nos metendo, será que poderia dar uma explicação?

– Não é hora de explicações senhorita Misaki, é hora de conhecer seus coleguinhas de classe, agora eu vou tomar meu banho de sol.

– Isso é de verdade? – a outra menina sibilou.

– Mas é claro que eu sou de verdade, totalmente de verdade, se não eu não estaria aqui, não é? Achei que empregadas fossem mais astutas, mas agora terei que ir. Adeus, minhas criancinhas.

E dizendo isso desapareceu, eu e Mika nos encaramos em um suspiro, eu saí do mercado rapidamente enquanto ela voltava a pegar um suco qualquer. Olhei meu cartão de estudante, haviam outros lugares a visitar e tinham estudantes que eu ainda não conhecia, e quanto mais cedo nos juntássemos, mais cedo sairíamos dali.

Notas finais
Até o próximo desesperante capítulo meus amados leitores, espero que gostem!! Qualquer erro, desculpem gente, beijos desesperados!