The Killers II- Interativa
2 01- The Hope of World- One
Notas iniciais
A Esperança do Mundo- Parte I
“Inimigos são ruins, mas os amigos que se tornam inimigos são piores ainda”
This is War- 30 Seconds to Mars
O editor fez um sinal com os dedos para a jovem repórter, a garota assentiu ajeitando os óculos, e levando o microfone aos lábios enquanto apertava-se em seu casaco, fazia um estranho frio naquele dia, um frio quase que sobrenatural, mas que para a jovem e animada repórter era apenas um problema qualquer que poderia ser vencido:
– Olá Japão, sou Yukka Misaki, e estou aqui diante da Academia Topo da Esperança, onde um estranho assassinato aconteceu, ao que parece uma garota de quinze anos foi acertada na cabeça na sala de música, o culpado ainda permanece em segredo. A polícia acredita que foi um roubo seguido de morte e eles seguirão com as investigações, traremos mais notícias depois.
O editor fez outro sinal para que cortassem a gravação, Yukka apertou-se mais ainda em seu casaco, e olhou para a escola onde estudava. “Um assassinato”, temas assim eram tesouros para a mídia, que amava enfatizar desastres e mortes e quanto mais pessoas importantes morressem melhor seria a repercussão da notícia, Yukka olhou em volta, centenas de outros canais deviam estar ali, mostrando o recente assassinato.
– Você a conhecia? — o editor perguntou erguendo para ela um copo de café quente- estudam na mesma escola não é?
– Não, eu a conhecia apenas de vista, ela era da classe dos mais jovens- sibilou a garota- tadinha, deve ter sido horrível passar por tudo isso.
– E você não tem medo que isso aconteça com você?
– O que de tão ruim poderia acontecer comigo?
° ° °
Abri os olhos lentamente tentando discernir o que estava a minha volta, quando finalmente minha mente começou a funcionar direito, percebi estar em cima de uma cama bastante macia, espere, como eu vim parar aqui? Eu estava na frente da escola a poucos segundos atrás. Minha cabeça ainda doía e eu estava mais do que confusa. Olhei em volta assustada, estava em um quarto de paredes avermelhadas, o símbolo da escola desenhado em preto sobre elas, levantei-me da cama e vi que havia ainda um criado-mudo ao lado da minha cama, uma cômoda ficava do outro lado acima da qual havia um quadro meu com os dizeres: “Misaki Yukka- Super Highschool Level Journalist”. Abri a cômoda e vi que haviam algumas trocas de roupa, todas parecias com as que eu usava no momento.
Uma blusa branca, uma saia marrom que ia até a metade das coxas e tinha as bordas pretas, um casaco da mesma cor da saia, uma gravata avermelhada e sapatos e meias pretas, a mesma roupa que eu usava quando ia fazer a matrícula. Fechei a gaveta e continuei olhando em volta, havia ainda um pequeno lixeiro e um banheiro. Sentei na cama de novo e só então notei, uma câmera verde olhava para mim. Então eu estava sendo vista esse tempo todo? E abaixo da câmera uma espécie de TV de vidro moderna. Que espécie de lugar era aquele? Uma prisão?
A televisão chiou centenas de vezes antes de mostrar a imagem de um urso monométrico. Seu lado esquerdo era totalmente branco, e um tanto quanto fofo, o lado direito era negro e possuía um riso maligno, fora é claro o olho vermelho em forma de raio que era realmente estranho, o urso segurava uma taça de vinho em uma das mãos, a qual ele mexia algumas vezes, o urso pigarreou antes de dizer:
– Olá meus queridos estudantes, ora, eu vejo que já estão todos acordados, então eu gostaria de dar boas-vindas a vocês, bem-vindos a Cidade da Esperança, eu sou o diretor de vocês. O Monokuma! E como diretor vou dar um aviso importante, vocês vão viver toda a sua vida colegial aqui, e como sua vida colegial não tem fim, vão ficar aqui para sempre! — o que ele estava dizendo, só pode estar brincando- é claro, tem uma regra especial para quem quer sair, você tem que matar outro estudante, mas não pode ser descoberto. Incrível não! Upupu, se quiserem olhar as regras, olhem o seu Cartão de Estudante, está na primeira gaveta do criado-mudo, vamos brincar meus queridos.
A TV chiou e desligou-se sozinha, estava me sentindo realmente estranha, o que era aquilo? Alguma piada? Espere, ele falou algo sobre Cartão de Estudante, abri a primeira gaveta do criado-mudo e lá havia uma espécie de smartphone, peguei-o com cuidado e apertei o botão na sua lateral, ele acendeu-se numa luz azulada, havia ali a minha foto e alguma descrição sobre mim. Então era esse o meu cartão de identificação? Guardei-o no bolso do casaco e me dirigi até a porta, devia haver mais alguém ali além de mim.
Quando abri a porta, a luz do sol invadiu meu quarto, fechei a porta atrás de mim, e vi que estava em uma espécie de rua asfaltada, haviam outras casas na rua, dezesseis ao todo. A frente de cada uma havia uma caixa de correio com uma imagem pixelada- aquelas de jogos antigos- parecida com cada um. Haviam também alguns arbustos dos lados das casas. As paredes eram brancas e os tetos pintados de negro, assim como aquele urso. Olhei para os lados, no fim da rua havia um prédio de cerca de dois andares e no outro um arco de ferro com o nome “Despair Hotel”.
Acho melhor ir até aquele prédio primeiro. Comecei a andar pela rua calmamente, quando ouvi passos atrás de mim, vire-me quase que automaticamente, dando de cara com uma garota de cabelos azulados, usava uma camisa regata preta e um short jeans azuis escuros, usava mais azuladas e um tênis que eu desconheci- era realmente um modelo novo- um casaco branco com listras azuis jogados nos ombros, ela me encarou um pouco desconcertada com seus olhos de cor exótica.
– Olá, desculpe te assustar- disse lentamente- mas é realmente bom ter outra pessoa aqui além de mim.
– Tudo bem, você também acordou em um daqueles quartos não foi? – sua voz era suave e bastante tímida, talvez ela não fosse das que falassem muito, eu acenei afirmativamente- é realmente muito estranho. Ah, espere, eu conheço você, é aquela repórter não é? Você em entrevistou uma vez num concurso de cosplayers.
– É mesmo, você venceu por unanimidade com aquele cosplay da Hinata. Desculpe, eu não reconheci você sem a fantasia.
– Quase ninguém me reconhece, a propósito, sou Kazuyo Sakey.
– E eu sou Yuuka Misaki.
Kazuyo Sakey- Super Highschool Level Cosplayer
Ela era a melhor cosplayer do Japão, suas fantasias eram realmente fascinantes, parecendo que o personagem havia pulado da ficção para a realidade e estava bem ali diante deles. Ela havia vencido centenas de concursos nacionais e até mesmo alguns internacionais, ao que parece ela fazia as próprias fantasias o que a tornava ainda mais incrível.
– Você faz alguma ideia de onde estamos? — perguntei- ou sobre o que aquele urso disse?
– Não, mas, é realmente assustador, seria melhor nos reunirmos em algum lugar não? — ela sugeriu- eu vi no meu Cartão de Estudante que tem uma espécie de entrada aqui perto, que tal ali?
– Sim, todo mundo que encontrarmos, mandamos para lá. Foi um prazer te conhecer.
– O prazer foi meu.
Nos viramos e começamos a andar em direções diferentes, eu ia na direção do prédio, deveria haver alguém lá. Depois de cruzar toda a rua vi que o prédio se parecia com um daqueles hotéis antigos, tinha as paredes avermelhadas e um letreiro dourado que dizia “Bem-vindo”, na entrada, duas samambaias gigantescas pareciam me recepcionar, a porta de vidro abriu-se quase que automaticamente, andei alguns passos adiante. Parecia a recepção de um hotel, no chão um tapete branco felpudo se erguia por todo o trajeto, havia um balcão de recepcionista no qual haviam dois computadores, alguns sofás de couro avermelhados dispostos em círculo no centro do qual havia um jarro com margaridas.
Me aproximei dos computadores, apertei centenas de botões, mas nenhum deles funcionava. Suspirei, se pelo menos eles funcionassem poderiam me dar alguma informação. Atravessei um arco de mármore com desenhos floridos me dei de cara com um Hall fantástico, era amplo e espaçoso, haviam cadeiras e sofás acolchoados dispostos em pequenos grupos, algumas mesas de mogno com jarros decorativos, e uma espécie de estátua no centro do Hall, a qual mostrava a imagem daquele urso da televisão, segurando uma espécie de cetro.
– Essa coisa é realmente estranha- uma voz soou atrás de mim, virei-me assustada- desculpe te assustar, mas você é a primeira pessoa que vejo aqui.
– Sem problemas, com uma situação dessas eu me assusto muito fácil- o garoto sorriu para mim de forma meiga.
Ele tinha os cabelos brancos e brilhantes, seus olhos rosados eram realmente curiosos, sua pele era bastante alva e contrastava com seus olhos rosados. Ele usava uma camisa cinza, uma camisa de botão azul-claro colocada por cima, uma calça jeans clara e sapatos pretos. Por algum motivo eu sentia que já tinha visto ele alguma vez, nessa vida de repórter eu acabo conhecendo muitas pessoas:
– Eu tenho a impressão de que já te vi em algum lugar- sibilei para ele- sou Yuuka Misaki.
– Sim, você me viu quando foi fazer a reportagem sobre a produção de um filme, você me entrevistou lembra? Sou Akise Aru, eu era o maquiador.
Akise Aru- Super Highschool Level Makeup Artist
Foi só então que eu me lembrei, ele era um maquiador muito famoso em todo o mundo, conhecido por realizar maquiagens super realistas algumas delas para filmes de terror. Pelo que me lembro ele era disputado por diversos estúdios de filmagens para maquiar atrizes e atores, e quando eu o entrevistei a um tempo atrás, lembro que ele estava trabalhando na maquiagem de um filme de ficção científica e que ele chegou a me assustar com a face do alienígena, ele era realmente muito bom no que fazia.
– Eu sempre assisto o seu noticiário, e se me permite dizer, você nasceu para ser uma jornalista- ele falou em tom meigo.
– Obrigado, suas maquiagens também são excelentes- retribuí- a propósito, você viu mais alguém por aqui? Sabe eu só encontrei duas pessoas até agora, contando com você.
– Ah! Tem mais três pessoas no andar de cima- ele se aproximou um pouco colocando- e se me permite dizer, não são pessoas muito legais.
– Bom- falei dando uma pequena risada- vamos nos reunir numa entrada aqui perto, pode olhar no seu Cartão, quem encontrar, por favor mande para lá.
– Mas é claro, foi um prazer lhe conhecer! – ele disse fazendo um sinal com os dedos, e piscando um dos olhos.
– Muito obrigado!
Ele saiu a passos duros enquanto eu me dirigia a escada. Até ali estava indo tudo bem, apesar da situação, hão havia aquela atmosfera obscura que eu esperava que estivesse entre os estudantes, pelo menos não até o momento. Peguei o meu cartão e liguei, toquei na pequena opção de mapas que mostrou-me um mapa de um local desconhecido, e havia um pequeno ponto vermelho indicando onde eu estava, toquei no local revelando que era uma espécie de “hotel”, e no andar de cima ficava o restaurante.
Guardei o cartão no bolso e subi lentamente, o segundo andar era realmente grande, o piso de mármore dourado era iluminado por um lustre de cristal que cintilava acima de mim, centenas de mesas redondas espalhadas pelo local cobertas por toalhas esverdeadas e com vasos de flores em cima, ao invés de paredes normais eram paredes de vidro que foram colocadas ali, em uma mesa retangular centenas de pratos fumegantes foram colocados. Depois de analisar o local percebi que duas pessoas me encaravam.
A primeira era uma garota de cabelos loiros e olhos azuis como o mar, ela usava um vestido florido cor de rosa que ia até a metade das coxas, os cabelos longos iam até a metade das costas, ela usava um par de saltos cor de rosa bastante altos, a garota olhou-me numa expressão indecifrável enquanto enrolava o cabelo no dedo indicador. Eu engoli em seco desviando o olhar enquanto via a segunda pessoa no local, um garoto baixo e de ar infantil, seus cabelos eram brancos e espetados, usava uma camisa roxa escondida por um casaco preto com a o símbolo do pac-man, parecia ter de doze a treze anos, mas com certeza era mais velho, o que mais me chamou a atenção foram seus olhos, um deles era azul-celeste e o outro vermelho como o sangue, fiquei encarando os dois até que a loira quebrou o silêncio:
– Vai ficar aí sem falar nada? — ela disse em tom risonho- eu vejo você sempre na televisão, francamente, você é mais bonita pessoalmente.
– Obrigado... Espere, você é aquela atriz não é? Aquela que estreou a pouco tempo, eu lembro de ter passado uma notícia sobre você.
A loira apenas piscou um dos olhos em afirmativo, levantou-se da cadeira onde estava e veio até mim, seu batom vermelho cintilava, ela ergueu a mão direita para mim e eu a apertei em sinal de consideração:
– Sou Miya Watanabe, muito prazer em conhece-la.
Miya Watanabe- Super Highschool Level Actress
Ela era a musa das artes no momento, uma atriz nata que chocou a todos por sua capacidade de interpretação em qualquer papel que a dessem, ela havia ganhado o papel principal em todas as peças teatrais do momento e surgiram até convites para novelas e filmes, os quais ela aceitou e conseguiu dar conta de tudo, ela é o que se pode dizer, menina prodígio, além de ser o mais novo ícone feminino do Japão, creio que no momento centenas de meninas pelo mundo afora desejam ser como ela.
– Você é realmente muito talentosa- eu falei positivamente- eu fiquei encantada com a sua dramatização.
– Obrigada, posso dizer que desde pequena eu amo tudo isso, amo interpretar, e você também é uma boa repórter, confesso que eu chorei quando você foi fazer aquela reportagem numa guerra de gangues, admiro sua coragem.
– Aquilo não foi nada, estava apenas divulgando a verdade.
– Você é muito modesta- ela disse explodindo em uma gargalhada, com o canto dos olhos eu observava o pequeno garoto.
– Ele é mudo? – sibilei.
– Não, mas fala muito pouco, pode tentar conversar se quiser.
Me aproximei do garoto de cabelos brancos que corou quando eu cheguei perto, mas eu já era acostumada a lidar com todo o tipo de pessoas, inclusive as tímidas, afinal tinha entrevistado pessoas de todos os modos e de todas as formas possíveis, então não seria problema algum.
– Olá, eu sou Yukka Misaki, e você deve ser?
– S-sou Nathan Hopers– ele falou lentamente.
– Você não é japonês é?
– Não, eu nasci na Inglaterra, mas vim para o Japão.
– Entendo, eu sinto que já lhe vi...
– Hiper Game Contest- ele sibilou.
– Você disse algo?
– Você me entrevistou no Hiper Game Contest... Um campeonato de vídeo-games.
– É mesmo- eu falei em tom surpreso, como eu podia ter esquecido disso, parece até que eu já entreviste todos os que estão aqui presentes- sinto muito por ter esquecido.
Nathan Hopers- Super Highschool Level Gamer
Nathan era um verdadeiro talento para os jogos, ele havia ganhado cerca de cem ou mais concursos nacionais de video-games, ao que parece ele se dá bem com todos os gêneros de jogos e chega a parecer que ele nasceu de um vídeo-game, em jogos online o seu nome está quase sempre entre os primeiros do ranking, e pensar que eu mal conseguia jogar Resident Evil na minha infância e adolescência, eu sempre fui péssima em jogos, mas neste momento estou diante do provável melhor gamer do mundo.
– Ele falou, você é o que além de repórter? Psicóloga? – Miya disse em meio a risos- Misaki-san você tem mesmo muitos talentos.
– Ah! Nada, e pode me chamar de Yuuka, sem formalidades.
– Tudo bem então.
– Ah, o Aru disse que aqui em cima haviam três pessoas, onde está a outra?
– Aru? Então esse é o nome daquele maquiador? Pouco importa, está na cozinha, pode ir lá se quiser.
Sorri em agradecimento enquanto andava na direção que Miya apontava, uma pequena porta marrom no canto do restaurante, andei até lá calmamente, já havia visto muitas figuras em tão pouco tempo e pensar que ainda haviam mais estudantes para conhecer. Abri a porta lentamente, lá dentro era realmente incrível. Havia uma cozinha realmente bem equipada com freezers, fornos elétricos, panelas, facas, frigideiras e tudo o que um cozinheiro dos mais sofisticados precisaria para preparar um digno jantar, fechei a porta atrás de mim e olhei em volta, não havia ninguém, no entanto no lado direito havia uma porta aberta, andei até ela.
Lá dentro haviam centenas de prateleiras, nas quais haviam todo tipo de comidas, empacotadas ou enlatadas, e uma garota loira que olhava as coisas com curiosidade. Seus cabelos eram realmente longos, usava uma saia curta e negra, camisa cinzenta e jaqueta também preta, além de sapatilhas negras e meias brancas que iam até a metade das canelas, ela segurava um coelho de pelúcia branco e em suas costas uma bolsa de espadas de kendo estava presa.
– Com licença- a garota virou-se assustada, mas acalmou-se ao ver quem era- desculpe, eu não queria te assustar.
– Sem problemas, eu achei que fosse aquela atriz chata mais uma vez. Ei, eu já te vi na televisão, você não é aquela repórter.
– Sim, sou eu. Eu também acho que já vi você em algum lugar? – por favor, espero não ter entrevistado ela também.
– Deve ter sido no Campeonato Nacional, ele foi transmitido para todo o Japão.
– Ah, é mesmo, o campeonato de kendo, eu devia ter visto pela sua espada, sinto muito. Eu sou Yuuka Misaki.
– Muito prazer, eu me chamo Utsutsuki Watashima.
Utsutsuki Watashima- Super Highschool Level Kendo Fighter
Ela era a campeã nacional de “kendo”, uma luta marcial japonesa muito antiga, ao que parece ela era realmente muito boa, pois conseguiu chegar as finais sem perder uma única luta sequer, ela era bastante ágil e com certeza a mais habilidosa lutadora de kendo do Japão e quem sabe até mesmo do mundo, com toda certeza ela não escapou dos olhos atentos da Hope’s Peak e foi trazida para cá como todos os outros.
– Tem mesmo muita comida aqui não é mesmo? – falei- mas quanto tempo será que vai durar?
– Não sei, acho que vamos ter que racionar.
– Upupu, não será necessário.
Nos assustamos ao ouvir aquela voz em tom infantil, nos viramos automaticamente dando de cara com um urso de pelúcia, o mesmo que tínhamos visto na televisão, estava ali diante de nós com a expressão risonha e nos encarava com curiosidade, eu sentia que todo o meu corpo tremia com o susto, aquilo seria realmente possível:
– V-você fala? — sussurrei.
– Mas é claro que eu falo! Esperava perguntas mais espertas vindas de uma repórter como você.
Engoli em seco enquanto ele se aproximava a passos curtos, vi que Watashima havia levado uma das mãos a espada de kendo e se afastava como se quisesse atacar o urso:
– Pode ficar tranquila aí valentona, eu não vou machucar ninguém. Só vim dizer que a comida será reposta todos os dias, você não vão se preocupar com isso, e que bebidas e outros estão nos freezers da cozinha.
– Isso só pode ser sonho...
– Sonhos? Upupu, não minha fofa, isso não é sonho nenhum, é nada mais do que a realidade! Ai, até sinto os calores só de pensar nessa tão desesperante realidade. Mas agora eu terei que ir, adeus!
– Espere...
Antes que disséssemos algo ele saltou para detrás de uma prateleira e sumiu, diante dos nossos olhos, eu e a loira nos olhamos surpresas, aquilo seria realmente possível? Um urso andando e falando desse jeito? Era tudo muito confuso para que eu pudesse discernir. Voltei a encarar Watashima que apenas suspirou antes de dizer:
– Você encontrou mais alguém além de nós? – ela perguntou em tom curioso, seus olhos escuros brilhavam.
– Poucas pessoas, mas nós vamos nos reunir numa estátua próxima a entrada, pode ver ela no seu cartão de estudante.
– Sim, estarei lá daqui a pouco, assim que eu achar algo para comer.
Eu ri e saí dali animada, já havia conhecido alguns dos meus colegas. Quando atravessei o restaurante, lembrei que não havia avisado da reunião para Watanabe nem Nathan, olhei para o lado e vi que a atriz deliciava-se com um brigadeiro e oferecia-o ao albino que apenas acenava em negativo:
– Ah! Eu esqueci de dizer, vamos nos reunir numa estátua aqui perto, todos os dezesseis estudantes, se forem.
– Estaremos lá- a atriz sibilou com a boca cheia de chocolate- boa sorte ao encontrar os outros.
Eu acenei agradecendo enquanto descia as escadas. Ursos, estudantes, desespero... Era tudo realmente muito estranho, irreal demais para que minha mente pudesse se acostumar, eu estava acostumada a todo o tipo de coisas estranhas, mais aquilo era completamente fora do que se podia dizer possível. Peguei o meu cartão de estudante e olhei próximo local para onde eu iria, eu tinha que achar os outros, tínhamos de pôr um jeito nisso.
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