The Key

13 Capítulo 13


-Como?! – ele só poderia estar ficando maluco! Eu estava certa! Ele era um maluco! Eu tinha que ir procurar por Matthew e Peter.

Infelizmente Cristoff notou que eu já estava pegando minha mochila novamente e pronta para correr, então ele segurou em minha barriga e me pos a sentar.

Eu era mais forte que ele em poder e dom, e ele mais forte em força física, não tinha chance contra ele, apesar de eu não parar de bater em suas costas e conjurar minha serpente, que já estava quase esganando ele e quebrando seu pescoço, mas mesmo assim ele continuou a me segurar.

-Não vou deixar que se machuque! – sussurrou ele, expelindo sangue pela boca.

-Eu não quero te machucar Cristoff! – falei olhando o rosto dele ficar quase roxo. Minha serpente não o deixava respirar, então fiz um movimento com as mãos para que ela saísse de seu pescoço.

-E eu não quero que se machuque. – falou ele arfando quando minha serpente já estava de volta em meu braço.

-Então, me deixe ir. – falei, pegando minha mochila e rapidamente ele já se encontrava na minha frente, impedindo a minha passagem, como se nada estivesse acontecido.

-Não posso. Eles vão te matar Melany. – ele falava sério e com um brilho nos olhos. Parecia estar pronto para não me deixar passar de modo algum.

-Por que diz isso?! – falei, com a voz meio rasgada.

-Eu os ouvi na noite anterior que sumiram. – falou ele, ainda sério e não parecia relaxar nenhum músculo forte daquele corpo perfeito.

-Bem, temos a prova que eles se perderam. – falei, cruzando os braços e pronta para escapar dele a qualquer momento.

-Não, não se perderam! – falou ele, quase gritando. – Eles foram falar com Charlie. – eu fiquei em silêncio.

Impossível! – pensei instantaneamente.

Eu não acreditava em uma só palavra de Cristoff, apesar de parecer a mais pura verdade, eu não acreditava nele.

-Isso é ridículo! – meus ouvidos se recusavam a acreditar nele.

-Eu mostro. – ele se aproximou de mim e pos as mãos em sua cabeça.

Imediatamente ele deu um gemido de dor intensa, seu rosto se contraiu e suas mãos foram saindo de sua cabeça com dificuldade, junto a uma gosma branca e brilhante que ele tacou no chão. Arfando, ele se sentou e me olhou com sofrimento.

-Veja! – disse ele apontando para a gosma com os dedos trêmulos.

-O que... – eu não conseguia falar direito, vendo o sofrimento naqueles olhos vermelhos lindos. – O que é isso?! – era engraçada a mistura de sentimentos dentro de mim. Uma parte de mim acreditava nele e a outra não.

-Minhas lembranças recentes estão aí. – ele me olhou e viu que eu ainda estava com um ponto de interrogação flutuando pela cabeça. – Coisa de vampiro. – falou ele com um sorriso sedutor.

-Ah! – eu queria sorrir, mas o sorriso não me vinha aos lábios.

Agachei e olhei para a gosma brilhante e um tanto nojenta.

Imediatamente surgiu uma luz que vinha do centro da gosma.

-O que é isso Cristoff?! – falei aflita e me afastando um pouco.

-Logo verá. – disse ele com mais um daqueles sorrisos matreiros estampado no rosto.

Arrastei-me para um pouco mais perto da gosma e cuidadosamente coloquei minha cabeça mais perto de algo que se formava no centro. Era uma imagem.

Uma mão pareceu aparecer e eu me desesperei, queria correr, mas meu corpo cismava em não me obedecer, então essa “mão” agarrou em minha blusa e me puxou para dentro da gosma. Eu não sabia se gritava, chorava ou me contorcia para que aquela mão me soltasse.

-Me solta! – gritei sendo puxada cada vez mais para dentro daquela coisa.

A “mão” pareceu me soltar e eu caí de cara no chão. Estava novamente em Ilha Dos Desconhecidos e ouvia a gargalhada fervorosa de Matthew.

Eles estavam passando pelo lado de fora do celeiro, onde eu estava.

As galinhas estavam dormindo, então fiquei em silêncio, vendo os dois andando por toda a extensão do lugar que era enorme.

-Ela é muito ridícula cara! – ouvi a voz de Matthew falar com Peter.

-Eu sei... Até parece que você realmente a ama?! – gargalhou ele.

-Safado... – sussurrei agarrando as grades de ferro do celeiro e quase as amassando de tanta raiva. Eu sentia uma gota de lágrima escorrer pelo meu rosto, mas não era de tristeza, era de ódio.

-Viu a cara dela quando falou aquilo sobre os pais dela?! – riu Peter, parecendo se divertir muito.

-Pena que nem deu tempo de eu me divertir um pouco com aquele corpo lindo que ela tem. – disse Matthew, fazendo cara de coitadinho e rindo.

-Enfim! Amanhã temos que ir falar com Charlie, estamos levando a lesada para o lugar certo! – riu Peter andando e eu os seguia, até que não deu mais para vê-los.

-Sim. – ouvi a voz de Matthew à distância.

-Que filhos da... – antes que eu terminasse a frase algo me puxou de volta e em menos de cinco segundos eu já estava jogada no chão de terra, observando Cristoff colocar sua lembrança em sua cabeça novamente. Ele fez o mesmo que quando a tirou da mente.

-Entendeu agora? – disse Cristoff me olhando.

-Que filhos da puta cara! – gritei, enquanto eu chorava de raiva.

Conseguia sentir meus olhos ardendo.

-Pois é... – Cristoff se sentou no chão e com um graveto começou a cutucar as pedras que estavam envolta do fogo.

-Eu fui enganada todo esse tempo! Eu não acredito que fui tão burra! – eu me odiava! Eu não acreditava que eu pude ter sido tão ingênua! E o pior... Eu acreditei nos mentirosos, enquanto os verdadeiros tentavam me alertar! Eu era uma retardada!

-Não fique assim! – falou Cristoff, olhando para mim, enquanto eu me encolhia. – Pelo menos soube antes que eles te matassem. – disse ele com a voz rouca.

-Como se você se importasse! – gritei fula.

-Não sabe quanto... – disse ele largando o graveto o deitando-se. – Boa noite Black Soul. – falou ele.

-Tanto faz... – sussurrei, mas ele pareceu ouvir e deu um leve riso, que me fez estremecer.

*

Será que Cristoff estava gostando de mim? E pior! Será que eu estava gostando dele?! Ok! Ele era bonito, atraente, forte e parecia querer me proteger com sua própria vida e isso era o bastante para eu começar a gostar dele. Mas, eu não tinha tempo para aquela bobagem de filmes de romance em que tudo se volta para o casal romântico, eu tinha que me vingar de Charlie, mas revendo o estado atual das coisas, conclui que o melhor a fazer é fugir e depois ver o que eu teria de fazer para derrotá-lo. Eu sabia que teria uma hora que eu e ele iríamos nos encontrar e lutar até a morte, mas eu particularmente não queria que essa hora chegasse enquanto eu não estivesse cem por cento pronta. Eu estava sendo uma tola ao treinar dia a dia com fervor, porque eu não estava pronta, eu não me sentia pronta, mas queria estar o mais rápido possível.

Hélio estava certo, talvez o poder tenha me subido a cabeça um pouco. Ali, vendo as estrelas eu pude notar como eu estava sendo uma idiota completa! Apaixonei-me pelo garoto que estava me levando à morte, estava sendo estúpida com todos, o poder tinha subido à minha cabeça, não escutei quem mais queria me ajudar e para completar a cagada eu ainda queria vencer Charlie com pouca experiência. Uma idiota completíssima!

-Mel? – ouvi a voz rouca de Cristoff cortar a noite escura e estrelada de Alídea.

-Hm...? – falei, com a mínima vontade de sair de meus pensamentos para escutá-lo cantar músicas vampirescas.

-Está acordada? – disse ele com seu tom sexy e misterioso.

-Eu estou falando, quer dizer que estou acordada. – falei rispidamente. Aquela foi a pergunta mais estúpida da noite.

Ouvi folhas se mexendo e pude ter certeza que ele estava se levantando, então, me pus a olhá-lo, revirando os olhos.

-Por que está sendo tão grossa?! Vou começar a ser também! – disse ele se sentando e me encarando com as têmporas saltadas.

Respirei fundo e me sentei.

Eu não queria chateá-lo, era que eu estava com raiva de mim mesma e... E... Eu sempre descontava nos outros. Sempre fui assim...

-Desculpa, é que... – antes que eu terminasse a frase ele balançou a cabeça negativamente e olhou para o céu escuro.

-Deixa... – cuspiu ele.

-Cara! – gritei, colocando as mãos no chão e me levantando, ficando em sua frente. Eu nunca fui o tipo de garota que deixa para resolver mais tarde e ele estava me irritando profundamente com aquele jeito de “eu não ligo para nada”. – Qual é o seu problema?! Me diz! Por que eu estou cheia deles! – falei, com as mãos na cintura, com ar de poderosa, mas por dentro eu tinha um nó no estômago e até mesmo uma pontada de dor de cabeça.

-Quer saber mesmo meu o meu problema?! – gritou ele se levantando e me encarando com seus olhos rubros que agora pareciam duas bolas de fogo.

-Quero! – gritei.

Estávamos um na frente do outro, fulos de raiva e gritando iguais a dois loucos, quando vi os olhos de Cristoff amolecerem, o que me fez ficar um tanto pensativa em relação aquela expressão.

-O meu problema... – sua voz estava calma agora, e ele se aproximava de mim com passos lentos. Ele me olhava nos olhos, o que me fez estremecer, mas mesmo assim, me mantive forte e com os olhos ainda demonstrando raiva. A cada passo que ele dava, eu recuava. – É nunca ter podido ficar com você. – disse ele.

Eu não tinha mais para onde correr, eu estava encostada em uma enorme árvore e talvez, eu não quisesse escapar dele.

Seus olhos estavam afetuosos, sua voz calma e sedutora, seu corpo se movia com leveza, então ele se aproximou mais e mais de mim, até ter apenas um sopro de vento entre nós.

-Do que está falando? – consegui soltar, enquanto arfava. Meu coração estava disparado e minha circulação corria rápido. Parecia que eu ia ter um troço.

-Disso... – soltou ele, encostando as mãos na árvore e me prendendo em seu espaço.

Ele se aproximou de vagar, olhando em meus olhos. Eu não pude resistir, então o deixei me beijar.