The Key

14 Capítulo 14


Seus lábios eram extremamente macios, seu hálito era uma mistura de doce com salgado e nossas línguas bailavam dentro de nossas bocas, se encostando e se afastando.

Sentia suas mãos subindo e descendo em minhas costas, até uma das mãos estacionar em meu pescoço e a outra em minha cintura. Ele me apertava com paixão e malícia e eu correspondia a cada toque suave, cada respiração. Nossos corações estavam em sintonia, nosso beijo e respiração também. Mal conseguíamos nos olhar nos olhos, tudo era intenso e ao mesmo tempo leve e calmo.

Até que ele se afastou, arfando e olhou profundamente em meus olhos.

-Não posso fazer isso... – pareceu mais um comentário para ele mesmo, mas já que falou, talvez, o seu inconsciente estivesse querendo que eu escutasse.

-O que não pode? – minha voz saiu rouca, eu ainda estava um pouco ofegante de nosso beijo.

-Não posso te beijar. – disse ele, olhando para baixo e se distanciando de mim.

Como não?! Ele queria aquilo mais que eu mesma! Ele está sendo completamente ridículo! – pensei instantaneamente.

-E por que não? – tentei respirar fundo, me afastando dele e me sentando no chão, apoiando-me na árvore que ele havia tombado.

-Apenas, não posso. – seu rosto era de sofrimento, por mais que ele estivesse abaixado, eu podia ver sua testa contraída e seus olhos mais rubros que o normal.

Se ele não podia explicar, eu também não queria saber! Então, deitei-me no chão e fechei os olhos, mal dando boa noite a ele.

Eu estava zangada, feliz, surpresa, estremecida e chocada. Nada melhor que dormir com essa confusão de sentimentos! Fechei os olhos e tentei não pensar em nada e depois de uns quinze minutos, contando carneirinhos já, consegui adormecer.

*

-Mel! Acorde! – ouvi no fundo de minha mente uma voz masculina chamar meu nome, então abri os olhos e vi Cristoff.

-O que é? – eu estava um pouco chateada por ele não ter me contado o porquê de não poder encostar seus lábios aos meus, então falei rispidamente.

-Acorde. Chegamos. – disse ele com um sorriso radiante, como se nada estivesse acontecido.

-Não chegamos não. – falei sonolenta e me virando para poder voltar a dormir, mas percebi que o chão de terra fora trocado por algo macio e quente, logo percebi que era uma cama.

Levantei-me abruptamente e me vi em um quarto, com Cristoff apoiado na quina da cama, olhando-me e com um sorriso ridículo no rosto.

-Enquanto dormia, uns amigos nos buscaram e nos trouxeram para cá. Era perigoso ficar na floresta. – disse ele, se aproximando de mim com uma taça nas mãos. – Beba. – disse ele a esticando.

Olhei ao redor e o quarto não se parecia nada com as histórias de vampiros que sempre ouvi falar.

O quarto era arejado com duas enormes janelas, cortinas brancas, tapete de um urso polar no chão, que me apavorou por um segundo, um grande armário de uma madeira branca, um criado mudo da mesma madeira e com um abajur em cima, uma cama de casal enorme onde eu estava deitada e um lustre de cristal no teto. Paredes cor de creme e piso de porcelana branca.

-Onde estou? – falei segurando a taça e levando-a até os lábios.

Era suco de uva e estava maravilhoso! Foi feito da fruta fresca, eu sabia por que papai adorava vinho e havia me ensinado quase tudo sobre as uvas.

-Está em um dos quartos da Mansão De La Kuart. – falou ele, indo novamente até onde estava, quando acordei.

-E por que estou aqui? – falei, bebendo outro gole do suco.

-Já disse... Porque a floresta é perigosa. – disse ele sorrindo. Provavelmente zombando de minha lerdice.

-Mas, já estávamos na parte sul. – falei, colocando as mãos na cintura e notando que eu não estava mais com as roupas de Lara e sim com um vestido que ia até a cintura, de gola “V”, rendado e um pouco justo no corpo. – Quem me vestiu?!

-Parece que seus amiguinhos não estavam sozinhos e... – ele falou pensativo e me olhando levantar, quase me comendo com os olhos. – Quem a vestiu foram Ketlyn e Jessie.

-Jessie é uma menina, certo? – perguntei aflita.

-Sim. – riu ele, indo até a porta, que só naquele momento percebi que estava perto de um espelho de corpo todo, cravejado com cristais. – Te espero no salão. – riu ele batendo a porta e me deixando sozinha naquele quarto.

Respirei fundo.

Coloquei a taça em cima do criado mudo com cuidado e fui até o espelho.

Por incrível que parecesse, eu estava mais nova do que quando fiz dez anos. Estava sem machucados que eu havia ganho enquanto corria de Matthew e Peter, minha pele estava mais clara e eu estava limpa. O vestido me coube super bem, meus cabelos penteados em uma trança, olhos delineados e lábios com cor mais rosada.

Deve ter sido um trabalhão me pintar enquanto eu dormia... – pensei, dando um sorriso ridículo.

Olhei para porta, caminhei até ela e a abri.

O corredor tinha muitos quadros de mulheres e homens lindos segurando bolas de energia, provavelmente almas. Havia carpete branco no chão. Tudo era muito claro e limpo.

Vi uma escada no fim do corredor, então fui em direção a ela, afinal, naquele corredor só havia portas.

Ouvi um bate papo no fim da escada, com muitas risadas, então segui o som das vozes.

Desci a escadaria tranquilamente e de vagar, até que consegui ver Cristoff sentado em um longo e caro sofá de couro preto, com um copo de um líquido preto dentro e rindo com outro homem e mais duas mulheres.

-Ah! – Cristoff me olhou. – Está é Melany. A menina que comentei. – sorriu ele, se levantando e me acompanhando até o sofá, onde me sentei.

Havia uma garota, da minha idade, mais ou menos, com cabelos cor escarlate e ondulado, olhos verdes e pequenos, lábios grandes e pintados de preto, nariz pequeno e delicado, usava um vestido preto que ia até os joelhos e um salto enorme, enquanto eu estava descalça.

A outra garota tinha cabelos negros azulados, pele morena, olhos avermelhados, lábios finos, seios enormes, com um vestido verde claro até os pés, com um corte em
“V”, sapatinhas delicadas nos pés e um sorriso simpático.

E por fim, um homem. Cabelos caramelo e encaracolados, olhos extremamente vermelhos, boca igual à de Cristoff, era fortíssimo, com calça jeans preta, camisa de manga branca e um tênis cinza. Ele era lindo e parecidíssimo com Cristoff.

-Então! – disse Cristoff, se sentando ao meu lado. – Está é Ketlyn. – apontou ele para a ruiva que sorria, com um tom superior.

-Oi... – falei sem graça, vendo o quanto ela era linda.

-Olá. – a voz dela era grossa e sínica, mas não parecia ser arrogante.

-Está é Jessie. – apontou Cristoff para a morena.

-Oi. – falei, com um sorriso.

-Oie! – sorriu ela, animada.

-E este é meu irmão. – falou ele apontando para o homem. Ele não parecia tão contente em apresentá-lo.

-Como vai? – falei.

-Bem, obrigado. – a voz dele era doce, grossa e penetrante. – Sou Zack. – disse ele.

Arregalei os olhos.

Como este homem lindo pode ser Zack?! O mais poderoso dos vampiros?! E como Cristoff era irmão dele?! – pensei, respirando fundo para não perguntar nada a ninguém.