The Key

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Para: Moniquerodrigues =D

Cristoff havia começado a cantarolar uma de suas músicas vampirescas favoritas, novamente e eu não agüentava mais aquele som triste que quase me fazia chorar.

Eu aprendera a ser mais controlada e menos criança e histérica. Eu estava com dezoito anos e com a cabeça de uma garota de dezoito, pois antes eu tinha dezessete com a cabeça de uma menina de quatorze. Eu me irritava só de me lembrar o jeito que eu batia pé com algumas coisas, mas em uma coisa eu não mudei e nunca iria mudar, que era minha determinação. E eu estava pronta para enfrentar e matar Charlie a qualquer momento.

Antes de Hélio morrer, ele havia me dito que eu já sabia de tudo que havia de saber e que eu só precisava treinar mais e mais, para que tudo ficasse perfeito e era o que eu estava fazendo até chegar à parte sul de Alídea, onde os vampiros estavam.

Só de pensar na idéia de aparecer em um lugar onde só havia vampiros, já me deixava de cabelos arrepiados. Não que eu tivesse medo, não, de jeito algum, eu não conhecia mais essa palavra, mas eu apenas ficava curiosa em saber o que me aguardava, mas uma coisa eu sentia. Eu ficava um pouco assustada só de pensar em o que os vampiros fariam com Cristoff que os abandonou para me ajudar. Eu não sabia se ele havia feito aquilo para me ajudar, mas se foi, a sua intenção foi louvável.

-Cristoff... – falei, já decorando suas músicas melancólicas e sofridas.

-Diga... – sua voz saiu na mesma freqüência que a melodia que ele cantarolava, tão tristemente.

-Como é... Ser um vampiro? – perguntei, tentando parecer a mais séria possível.

-Bem, nós temos que sugar almas para nos mantermos fortes e... – ele começou, mas eu o interrompi.

-Você não parece sugar almas. – disse, olhando a paisagem por onde estávamos andando.

Uma floresta densa e fechada, com o caminho já trilhado. Com árvores voluptuosas, flores com ar inocente, pássaros a cantarolar e feixes de luz saindo por entre os galhos secos prestes a cair.

-Mas, eu sugo. – Riu ele.

-E qual é a sensação? – perguntei, super curiosa.

-A mesma que você tem em beber sangue. – disse ele, ainda com um sorriso ridículo estampado na cara.

-Então, é deliciosa... – eu não bebia sangue fazia muito tempo e só de lembrar, minhas pernas ficavam bambas.

-Sim, é sim... – ele também parecia estar tendo a mesma sensação de vazio que eu estava tendo.

Ficamos os dois em silêncio por um longo tempo, caminhando por entre as raízes enormes de árvores ainda maiores no chão.

-Não falta muito. – falou ele sorrindo e me vendo sentada em uma pedra.

Sim, eu estava cansada pela primeira vez em dias!

Eu não havia treinado, estava com fome, com sede e com sono. Não conseguiria ficar em pé, nem se Deus me mandasse levantar, eu estava acabada.

-O que foi? – disse ele se aproximando de mim e se sentando em uma raiz ao meu lado.

-Eu estou com fome. – falei.

Lembrei-me que havia colocado comida em minha mochila, mas logo depois lembrei que já havia comido tudo no dia anterior.

-Você está tão pálida... – disse ele examinando meu rosto.

Eu me sentia fraca, como se o vento pudesse me arrastar e a brisa me fazer de chicote, me mandando para lá e para cá.

-O que eu posso fazer para te ajudar? – falou ele com os olhos pregados em meu rosto.

Meus olhos estavam cansados e minha respiração devagar e eu sentia minha Nirhak gritar por comida, eu não sabia o que fazer.

Até que eu olhei para Cristoff e senti seu coração pulsar rápido, pude ouvir suas veias cheias de sangue e sentia o cheiro doce que vinha dele.

-Já sei do que precisa. – falou ele puxando uma lâmina de sua mochila. Uma lâmina de barbear.

-Não... – arfei. – Faça isso. – disse por fim, levantando a mão com dificuldade, colocando-a em cima da sua e o fazendo guardar o barbeador.

-Não consigo te ver assim, podendo te ajudar Melany. – sua voz saiu preocupada e valente, então me lembrei do que Lara havia me dado antes que eu partisse, um bule de sangue.

Eu sabia que estava a beira de desmaiar se eu não o deixasse se servir de alimento para mim. Eu podia achar nojento e esquisito, mas eu não tinha outra escolha, eu estava literalmente, morrendo de fome.

Apontei para minha mochila, de vagar, e prontamente ele entendeu o que eu quis dizer.

-É claro! – disse ele revirando minha mochila, tirando tudo que havia a li e jogando para o lado de fora.

Ele achou o bule de sangue em baixo de todas as roupas e espetou em seu próprio braço, soltando um gemido rouco.

-Que merda! Esse troço não vai mais rápido?! – sorri ao ver o desespero dele para me ajudar. Talvez Hélio estivesse certo, talvez ele fosse realmente um bom rapaz.

O recipiente já estava quase cheio, quando ele tirou a agulha do braço, desenroscou a tampa que era ligada ao franco e a agulha e me deu.

Minhas mãos estavam fracas e trêmulas e eu ansiosa para provar aquele sangue fresquinho e quente.

Coloquei o frasco na boca e com cuidado entornei o sangue em meus lábios e o bebi.

Eu nunca provara um sangue tão delicioso em toda minha vida! Eu estava ficando frenética e aquele pequeno frasco não seria o suficiente para mim, eu queria mais, mas não mais do sangue de qualquer um, eu queria o sangue dele. Era quente, proibido, o gosto do pecado e também tinha algo de amargo que me encantava.

Acabei com o sangue em alguns segundos que já era o suficiente para me deixar forte o bastante, mas eu me sentia viciada, eu queria mais!

-Eu... – falei sorrindo e me levantando e ele se levantou também. – Eu... – eu não conseguia parar de sorrir. Podia sentir o sangue descendo pela minha boca e pingar no chão. – Eu não sei explicar, mas é muito bom. – disse rindo e ele me olhava com um sorriso nos lábios, que agora estavam roxos.

-Fico feliz que meu sangue seja tão delicioso para você Melany. – disse ele sorrindo, puxando o frasco e espetando a agulha em sua pele novamente. Ele parecia fraco e molengo, enquanto eu estava forte e cheia de gás.

-O que foi? – perguntei me aproximando dele.

-Preciso de sua alma. – disse ele estendendo o frasco de sangue até mim.

-Não vou te dar minha alma! – eu estava tirando um pouco do sangue que ele tinha, ele tiraria minha alma por completo. Não poderia deixá-lo fazer aquilo.

-Não vou tirá-la toda. Juro! Por favor. – eu peguei o frasco e o levei até os lábios, onde bebi em menos de um segundo.

Fiquei olhando-o, pegar o frasco de minha mão e me dar mais e mais sangue. Aquilo seria uma troca. Eu beberia o seu sangue e ele sugaria parte de minha alma. Nenhum dos dois ficaria satisfeito, mas era o que tínhamos de fazer para permanecermos fortes.

-Tudo bem. – falei, bebendo mais um gole e colocando o frasco dentro de minha mochila.

Quando voltei os olhos para ele, os seus olhos estavam brancos e com um sorriso maquiavélico nos lábios. Ele estava... Sexy? Sim, achei que sim.

-O que eu tenho que fazer? – disse.

Bem, eu tinha que beber seu sangue, o mordendo ou ele se espetando e colocando em um frasco e me dando, eu não sabia o que ele faria para pegar parte de minha alma.

-Ficar quietinha e me deixar agir. – disse ele com uma voz sedutora e amedrontadora.

Fiquei calada e me sentei na pedra.

Ele respirou fundo e se agachou na minha frente. Não parecia o mesmo menino que havia conversado comigo e queria ser meu amigo, agora parecia uma fera de filmes de terror, amedrontando a menininha frágil, mas nessa parte ele estava enganado, eu não era frágil e ele sabia disso, ou pelo menos, achei que sabia.

Ele pos as mãos que estavam pelando em minhas bochechas e deixou a boca entre aberta pertíssima da minha. Eu não queria beijá-lo e provavelmente era o que ele iria fazer, então fechei os olhos e apertei meus lábios com força, mas a sucção foi mais forte, me fazendo abri-la. Olhei para seus olhos que estavam abertos e olhando nos meus.

-Calminha! – falou ele sugando minha alma aos poucos.

Por mais que aquilo fosse sádico, eu estava gostando do novo Cristoff. Era mais forte, mais poderoso e até me lembrava um pouco Matthew.

Eu pude sentir algo saindo de mim e indo em direção a ele. Uma pequena bolinha,do tamanho de uma azeitona, que era brilhante em um tom de branco fluorescente.

Ele pareceu engolir a bolinha. Cristoff fechou os olhos e deu um sorriso, largando meu rosto levemente e se levantando sorridente.

-E então? Como se sente? – falei, chegando perto dele. Seus olhos ainda estavam fechados e sua expressão feliz.

Ele abriu os olhos e pude ver aquele tom costumeiro de vermelho, mas ele estava mais forte, ele parecia mais forte.

-Estou ótimo. – falou ele sorrindo e catando minhas coisas no chão e as colocando de volta em minha mochila.

-Não parece... Você. – falei, pegando a mochila do chão e andando em frente.

Ele veio logo em seguida.

-É que eu passei muito tempo sem sugar almas e isso me deixa um pouco... Diferente do que realmente sou. – ele falava com um tom poderoso, o que me deixou meio atraída por ele.

-E o que realmente é? Esse homem estranho aí... – fiz uma pausa apontando para seu braço forte e musculoso que eu não tinha visto antes. – Ou aquele menino legal? – eu havia dito... Legal?! Eu estava ficando maluca! Só podia!

-Naturalmente, eu sou esse homem estranho aqui. – falou ele rindo da minha cara.

Mesmo eu sendo a mais poderosa dos Nirhaquianos, agora ao lado dele, eu me sentia uma formiguinha.

-Então, o que acontece com você quando não suga almas? – perguntei, vendo-o andar bem mais rápido do que eu.

-Eu fico igual a como eu era antes de virar vampiro. Ingênuo e um pobre coitado. Por isso não gosto de passar muito tempo sem sugar algumas almas. – não parecia a mesma pessoa falando comigo. Ele tinha o mesmo tom de sarcasmo na voz que eu tinha e aquilo me deixava um tanto... Contente.

-Você é estranho... – falei baixando a cabeça e vendo que a floresta ainda estava densa e que talvez teríamos que dormir ali, de novo.

Ele havia me dito no dia anterior que o lado sul de Alídea era cortando aquela floresta, ou seja, teríamos que passar por ela toda.

-Não, sou apenas diferente. — sorriu ele olhando para baixo.