The Key

12 Capítulo 12


Passamos quase que o dia inteiro em silêncio. De vez em quando eu o pegava me olhando, com os olhos avermelhados e sedutores.

Eu sabia que ele estava sentindo algo por mim e eu por ele, mas eu o odiava! Eu não gostava dele! E ele era um vampiro! Mas, eu tinha que admitir para mim mesma que foi boa a sensação de esperar que ele me beijasse, eu secretamente queria que ele me beijasse.

Cristoff não era mais aquele menininho assustado e abobalhado, ele parecia um homem agora, como eu parecia uma mulher e ele era forte e lindo e sexy e desejável e delicioso – falo do sangue. – e super maravilhoso.

Eu pensava em Matthew às vezes, mas sempre meu pensamento era puxado como imã para Cristoff que estava tão másculo quanto Matthew. Alguma coisa me dizia que ele era bem melhor que Matthew.

Já começava a escurecer e mais uma vez eu teria de escutar Cristoff cantando aquelas canções chatas de vampiros quase que a noite toda, afinal ele nunca dormia de verdade.

-Vamos parar. – disse Cristoff colocando sua mochila no chão.

-Mas, ainda temos tempo. – falei, olhando-o ir até uma árvore e com um simples chute, fazendo-a cair com um grande estrondo.

-Logo irá anoitecer e não quero ficar preocupado com você, perdida por aí. – falou ele grosseiramente.

Ele não falava assim comigo, então logo estranhei.

-Por que está falando assim comigo?! – gritei, com as mãos na cintura e deixando minha mochila cair, escorregando pelo meu ombro e braço.

-Você sempre falou, eu tenho o mesmo direito! – falou ele, tranquilamente pegando alguns pedaços da árvore que ele derrubara e fazendo uma fogueira.

Sentei no chão e cruzei os braços.

Eu estava agindo que nem uma criança novamente, mas quem liga? Eu era bipolar mesmo!

Cristoff fez tudo sozinho. Arrumou nossas camas com colchões infláveis que ele tinha trazido na mochila, acendeu a fogueira e assou alguns esquilos para que eu comesse, afinal, ele raramente comia.

-Coma. – falou ele jogando um esquilo assado em cima de mim.

Eu não queria comer. Primeiramente por que era um esquilo, segundo por que eu queria mais do sangue doce dele e terceiro que era um esquilo!

Joguei o esquilo novamente na fogueira e cruzei os braços novamente.

-Não se faça de infantil Melany. Coma logo. – disse ele jogando novamente para mim e eu novamente o joguei no fogo.

-Eu não vou comer isto. – eu estava com um pouco de fome, nada que eu não segurasse até chegar em Vapirialândia, como eu gostava de chamar.

-Então, o que quer comer?! – falou ele impaciente, fitando-me com aqueles enormes olhos vermelhos.

-Quero seu sangue. – disse como um cuspido.

Eu não queria dizer aquilo! Simplesmente saiu, então tampei a boca com as mãos e fechei os olhos, como se isso adiantasse em alguma coisa.

-Só se me deixar sugar um pouco mais de sua alma. – falou ele, entre risos e sorrisos.

-Feito! – falei sorridente, enquanto ele se aproximava de minha mochila e pegava o bule de sangue.

Ele o pegou e se aproximou lentamente de mim. Arfei em silêncio. Meu coração disparava só de vê-lo se aproximar de mim.

Enquanto ele se aproximava, minha mente passou vagarosamente pela imagem de Matthew e concluí que eu não o amava, nunca cheguei a amar. Eu estava apaixonada e como tudo era muito novo e ele foi irresistivelmente doce comigo, pensei que era amor, mas ali, diante de Cristoff, pude concluir que eu nunca o amara.

Meu coração não disparava da mesma maneira que disparava quando eu estava com Cristoff. Acho que no fundo o que eu sentia por ele não era raiva e nem ódio e sim, talvez um pouco de admiração e certa atração.

Quando ele se mostrava ser um menininho eu achava até graça do jeito como ele falava, mas agora, que parecia um homem forte e pomposo, eu sabia que eu me atraia por ele de uma forma diferente.

Eu queria ser tocada, queria ser beijada, queria ser acariciada pelas mãos fortes e quentes de Cristoff, por mais que ele fosse um vampiro que sugava almas e estava prestes a sugar um pouco mais da minha, eu não me incomodava com a idéia, afinal, eu bebia sangue.

Ele espetou o bule de sangue em si e depois de alguns segundos o sangue já estava no recipiente. Ele me deu, peguei de sua mão, sem tocá-la e bebi o sangue, devagar, para que eu conseguisse sentir o gosto doce e amargo, frio e quente, excitante e esguio, estranho e perfeito. Era uma explosão de sabores e gostos que me deixaram animada, querendo cada vez mais.

-Não beba tudo de uma só vez. – disse ele rindo de mim, enquanto eu limpava as gostas de sangue que pingavam de minha boca.

-É que é tão... – quase me deixei levar, mas preferi ficar calada e com uma expressão que ele não pudesse ler.

-Delicioso? Quente? Sedutor? Irresistível? – disse ele com um sorriso sexy, se posicionando na minha frente, para sugar mais um pouco de minha alma, como o combinado.

-Você se acha não é? — Falei estreitando os olhos.

-Não, é o que eu sinto quando sugo parte de sua alma. – falou ele, olhando-me, fitando-me.

Senti minhas bochechas ficarem vermelhas, então resolvi falar, antes que algo acontecesse, ou não.

-Vamos logo com isso... – falei e quando ele ia por as mãos em minhas bochechas, eu levantei as mãos para que ele parasse. – Espere! – ele parou e me olhou com olhos curiosos. – Vamos ficar quanto tempo com “forças” o suficiente? – perguntei fazendo aspas com as mãos.

-O tempo suficiente. – disse ele sorrindo.

Ele estava quase colocando as mãos em minhas bochechas, mas invés disso, ele as colocou em meu pescoço.

-O que...? – comecei a falar, mas eu parei no instante que vi seus olhos brancos.

-Calma... – sussurrou ele.

Ele se aproximou e fez o mesmo que da outra vez. Entre abriu seus lábios e sugou um pedaço mínimo de minha alma e eu o concedi espaço livre, desta vez. Vi uma bolinha de luz flutuar para dentro de sua boca e ele a engoliu. Seus olhos já estavam normais de novo, mas ele ainda não havia largado meu pescoço, suas mãos estavam ficando cada vez mais quentes, começavam a me incomodar.

-Cristoff! – falei olhando para suas mãos e as tirando de meu pescoço.

-Desculpe, é que eu... – ele tirou as mãos e virou o rosto, um pouco envergonhado, talvez. – Fada-se! – soltou, vindo em direção a mim com tudo.

Ele pos as mãos novamente em meu pescoço e selou um beijo entre nós.

Seus lábios eram extremamente macios e quentes e deliciosos, eu não pude evitar dar uma pequena e leve mordida em seu lábio inferior, o que o fez arfar e dar um leve gemido. Ele me beijava com força e afinco. Às vezes dava uma aliviada na pressão de nossos lábios, mas logo retornava ao mesmo beijo voraz, afetuoso, cheio de paixão e pecado.

Ele parou subitamente e eu sabia a razão. Escutamos a voz de Peter e Matthew dentro da floresta.

-Ouviu isso? – sussurrou ele, me deixando estonteada com seu beijo maravilhoso e bem melhor até do que o de Matthew.

-Sim. – sussurrei em resposta.

-Temos que sair daqui! Agora! – falou ele apagando o fogo com uma rajada de vento que eu não sabia de onde tinha vindo, pegando sua mochila e a minha colocando em suas costas e me pegando em seu colo.

-Não! Temos que ir falar com eles! – disse, agora não mais sussurrando, quando ele tampou minha boca e a voz de Peter e Matthew se calaram.

-Cala a boca Melany! – falou Cristoff e correu.

Ele correu comigo em seu colo. Ele corria muito rapidamente. Os boatos estavam certos, vampiros são muito rápidos.

-Temos que voltar. – disse ao sentir vento nos meus cabelos.

-Não temos Melany. Fique quieta! – falou ele em tom de raiva.

-Melany?! – ouvi a voz distante de Matthew chamando o meu nome.

Respirei para responder, mas Cristoff foi mais rápido tampando minha boca com uma de suas mãos.

-Não fale nada! – disse ele olhando em meus olhos. – Estamos quase chegando à parte sul. Eles não podem entrar lá se não estiverem com um vampiro. – disse ele, ainda correndo.

Eu via as árvores, arbustos, pássaros, corujas, pedras, terra... Tudo que havia ali virando um borrão de tão rápido que Cristoff estava correndo. Ele ainda estava com a mão em minha boca.

Cristoff deu um pulo, e me levou junto com ele. Sua mão afrouxou um pouco de minha boca e eu dei um grito rouco. A adrenalina em meu corpo não me deixou gritar alto, mas somente o gritinho que dei já havia ecoado por toda floresta.

-Merda Melany! – falou ele olhando para mim, furioso.

-Ela foi por ali! Vamos! – ouvi a voz de Peter.

-O que está acontecendo?! – disse segurando no pescoço de Cristoff para não cair de cara na terra.

-Te explico em cinco minutos, quando chegarmos à parte sul. – falou ele ofegante.

Eu ouvia os passos da corrida de Peter e Matthew atrás de nós.

Eu não sabia o que estava acontecendo ali, mas sabia que Cristoff não queria que Peter e Matthew descobrissem onde estávamos.

-Melany! – ouvi os gritos de Matthew e Peter atrás de nós. Eu quase podia vê-los.

-Tampe os ouvidos Melany. – falou Cristoff, não me olhando. – Estamos quase chegando. – falou ele com um sorriso nos lábios.

Tampei meus ouvidos imediatamente e fechei os olhos com toda a minha força.

Senti-me como se eu passasse por uma camada gelatinosa e viscosa, então Cristoff foi parando de vagar, até estarmos inertes.

Senti as mãos de Cristoff passar sobre as minhas, me fazendo tirá-las dos ouvidos e abrir os olhos.

Ele me pos no chão e eu não ouvia mais a voz de Matthew e nem Peter.

-Onde estamos? O que houve lá atrás? – perguntei, olhando ao redor e só vendo mais e mais floresta.

-Estamos na parte sul de Alídea e Matthew e Peter estavam te procurando para te matar. – falou ele derrubando outra árvore e fazendo uma nova fogueira.

Notas finais
heheheheh Surpresos? =D