The Journey: Into the Darkside

31 Cap. XXXI - "Um Significado"


Midtown, Nova York. 2 de outubro, 7h da manhã. Um coro de vozes, artificiais ou não, compunha quase como se fosse uma sintonia que podia ser escutada como um interminável som de fundo dentro de um enorme saguão, na sede da agência de segurança mundial conhecida como Twelve. Pessoas de diferentes nacionalidades eram trazidas para lá em plataformas devidamente instaladas, lado a lado, em diferentes setores. Todas produzindo uma ofuscante luz ciano esverdeada, anunciando o código de acesso aceito, e permitindo que seus atarefados agentes secretos sejam teletransportados para começarem ou darem seguimento a mais um dia de trabalho. Um ambiente monitorado, tecnológico, até mesmo futurista. Com tudo do melhor que o mundo podia oferecer.

Neste instante, comendo um bagel, com uma expressão tranquila e relaxada, surge Isabelle Reebirck. Acostumada com aquele lugar, indo quase que no automático para o caminho que sempre faz a sua sala para bater o ponto e se instruir sobre os próximos serviços que foi designada a cumprir pela sua organização. Antes que pudesse passar pelo portão, um homem bem vestido e não muito velho, escocês de expressão bem típica, se aproxima dela e pede sua atenção. Se apresenta como Ewan Ferguson, um dos responsáveis pela divisão de Recursos Humanos da unidade, que havia assumido a responsabilidade de a redirecionar para as suas acomodações para que tenham uma conversa. Isa faz uma expressão que mistura curiosidade, surpresa, medo de poder ter sido descoberta em alguma coisa, e tensão pelo o que viria a seguir. Como protocolo, Ewan não poderia falar nada até que os dois estivessem a sós.

Assim que chegam em seu modesto local de trabalho, o burocrata se posiciona de um lado de uma mesa preta, cheia de papéis, e pede para a jovem puxar uma cadeira e sentar do outro. Ewan discursa que pede maturidade da garota para ouvir o que tinha que falar, pois sabia que a notícia que ia dar era difícil e poderia surtir muitas reações. Isa, com uma expressão mais assertiva, pede para ele ser direto. Basicamente, a equipe da qual ela fazia parte na organização foi desativada. As razões que os levaram a essa decisão haviam sido explicadas em um e-mail enviado a ela e seus colegas, no formato de um relatório, e assim sendo, eles não seriam realocados e portanto demitidos. Ao ouvir isso, Isa se exalta e exige que Ewan lhe conte o porquê disso pessoalmente. O agente aponta não ter sido responsável por essa escolha, mas que foi decidida pelos seus superiores. Autoridade máxima.

Neste instante, Isa entende tudo. Connor, aquele quem estava liderando atualmente a agência, finalmente tomou coragem para os tirar de lá. As férias que até então estavam cumprindo era apenas um meio de os afastar até terem a certeza de que fariam isso. Ela pede para falar com ele, mas Ewan aponta que é impossível. A agenda de Connor era muito cheia e só tinham um acesso mais facilitado a ele porque estavam sob supervisão direta dele. Imediatamente, a jovem se retrai de forma preocupada, como quem não sabe mais o que fazer da vida. Após, ela se revolta e diz que isso era injusto, que estavam desmerecendo tudo o que já fizeram pela organização. Terem dedicado suas vidas a ela. Ewan aponta que, segundo o relatório que enviou, a equipe estava sem um líder responsável por ela definido, dois membros que se desligaram repentinamente, rendimento abaixo do esperado e com missões que poderiam ser requeridas a qualquer outra divisão, que não uma específica de agentes mutantes. Resumidamente, inútil aos interesses do Twelve.

Isa sabia que os recentes acontecimentos envolvendo Arthur Luczien e Haruka Takahashi também pesaram nisso, mas queria discutir isso com Connor, não com um medo funcionário. Ewan pede para que ela deixe sua armadura com o pessoal encarregado e se retire das instalações, com uma espécie de seguro assegurado por doze meses. Agora mais irritada, ela afirma que a NIA era criação sua e não iria a ceder aos Twelve. Ewan aponta que foi projetada usando recursos da agência, portanto, pertencia a ela. Tecnicamente, a armadura estava destruída, mas Isabelle não queria revelar isso. Ela apenas se levanta e diz que não fará. Ewan diz que algumas penalizações poderiam ser aplicadas neste caso, e ela se retira os mandando replicar sua criação através do já conhecido projeto Neo-Hefesto (que tinha por objetivo isso mesmo). O agente fica descontente com o comentário, demonstrando saber do que se trata, mas tolera apenas a deixar ir. Avisando que suas credenciais seriam removidas para o acesso ao teletransporte.

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Birdstown, Califórnia. 11 de outubro, 10h da manhã. Alguém batia em uma porta de uma casa de madeira localizada no subúrbio, um bairro pacato e arborizado longe da conhecida praia da cidade. Jhonatan Felps, então, a atende aparecendo com roupas bem folgadas e brancas, olhando para Alecsandra Petrovich com o seu conhecido olhar bem diferenciado. É inquestionável que os olhos deste jovem de já 29 anos são bem peculiares. Abertos, grandes, vívidos, atentos e profundos. Uma íris castanha clara quase dourada, uma expressão cigana com as pontas puxadas para cima. Incomum de se ver, sempre surpreendente. Ele diz que esperava por ela e pede para ela entrar. Alex retira seus sapatos e percebe o ambiente muito bem perfumado com incensos que ela nem sequer conhecia, muitos livros e velas por todo o canto.

Na sala de estar, almofadas espalhadas no chão em volta de uma mesa de cedro. Os dois se sentam, apenas olhando um ao outro. Alecsandra, então, resolve comentar que seu amigo estava bastante sumido ultimamente. O vendo tão somente no enterro de Arthur, quase nem o notando lá. Ela pergunta se está acontecendo algo com ele para esse isolamento. Jhon se levanta, vai a cozinha não muito longe e pega uma xícara de chá de erva-cidreira, oferecendo para ela. Aconselhando a tomar, pois poderia ser útil para o assunto delicado que iam conversar. Alex agradece e toma, mas afirma que isso não respondia sua pergunta. Jhonatan a corrige, pontuando que falar sobre a morte de Arthur Luczien era um assunto muito mais sensível para ela do que para ele.

Imediatamente, ela expressão uma reação de estranhamento. “Como assim? Vocês dois foram melhores amigos de infância, é impossível você me dizer que não chorou quando soube que ele estava morto”. Jhon responde de forma enigmática: “eu sabia que Arthur estava morto há dois anos atrás”. O semblante da jovem fica apreensivo e ela pede para ele se explicar. Jhonatan diz que depois que Arthur destruiu a foice de Satanás em Nova York, sentia algo diferente na aura dele. Uma impureza que estava o contaminando. Desde então, ele procurou ajudar Arthur a se livrar dela de todas as formas. Mas, isso não acontecia. A fama, o reconhecimento, sua vida decolava. Porém, essa mácula não desaparecia. Quando ele se perdeu no mundo, ele tentou evitar que isso acontecesse. A morte. Só que Arthur já estava direcionado demais para ela para poder fazer alguma coisa.

Ouvir isso assombra Alecsandra, que além de não entender isso, ainda se assusta com os temas abordados. Jhon, então, lamenta o destino. “O destino, Alecsandra, é uma linha cruel que nascemos sem poder o ver para não sofrermos por antecipação. O livre arbítrio funciona enquanto você sente a liberdade fluir sobre sua vida, é necessário para vivê-la. Mas, enxergar o destino, enxergar a morte, é um tormento. Nada adianta frente a morte, tudo leva a morte. O destino é insuperável”. Já era nítido que Alex havia ficado perdida nesta conversa, mas aponta que o amigo estava sendo fatalista demais em suas suposições. Jhon diz que não, mas não ia adiantar explicar. Ele somente desistiu. Alecsandra o pergunta do quê, e ele responde: “de lutar contra ele”.

É aqui que ela entende que Jhonatan sentia muito por ter perdido o Arthur para a morte, e tenta lhe oferecer acolhimento. Friamente, Jhon aponta que havia uma aura pesada sobre Alecsandra. Não estava maculando o seu destino como o de Arthur, ainda assim a prendia em um dilema que estava a afligindo. Ele aponta que a amiga sentia culpa por estar viva, por ser ela quem sobreviveu diante de tantas perdas. Que isso poderia “retirar a vida do seu viver”. A descrição incomoda a Alecsandra, mas ela concorda. Admitindo que se sentia muito só, sem pessoas para verdadeiramente se importar. Sendo que, agora que foi desligada dos Twelve, estava nem sequer ter certeza de que caminho seguir em seu futuro. Estava confusa, e a única coisa que queria naquele momento era ficar perto do Karslie. Abraçada com ele, o dia todo, com medo de o perder. Sabendo que isso não era saudável nem para ela, nem para ele.

Jhonatan diz que seu destino não era ficar presa neste “mundo negro”, mas precisaria cometer erros para conseguir prosseguir em sua história. Alex pede para ele ser um pouco mais claro, pois era confuso entender o que ele estava dizendo. Jhon pergunta o que ela sente por Arthur, sobre sua morte e o que desperta nela. Ela diz que é a sensação de que todas as pessoas vão embora, mesmo as mãos queridas. Ele insiste que ela fale mais dessa morte em específico. Alex diz que sentia que ele morreu injustamente, querendo passar uma mensagem que não soube ser ouvida, e sofrendo sozinho quando o mundo lhe cobrou o preço por fazer o que era certo. “Que mensagem seria essa, Alecsandra?”, diz ele. “Que o mundo podia ser um lugar melhor”, ela conclui.

Jhon diz que não quer interferir no destino da Alecsandra, que tudo pioraria se ele sequer contar o que há por vir. Mas, ele a aconselha a seguir a verdade que ela sente ser a certa se quiser dar um sentido a sua vida além de se prender ao fim da vida dos que já se foram. Afinal, sabiam que sua vida era marcada por muitos lutos. “Você quer que eu dê um sentido a eles”, ela entende. Jhon, já sendo um pouco cínico, apenas ri. “Só seja a Alecsandra de sempre”, ele diz. Pegando a xícara de chá que deu para a amiga tomar, Jhon conjura um feitiço que gera coordenadas sobre um globo terrestre projetado por magia. Alex pergunta o que era isso, e ele apenas responde: “única coisa que eu posso fazer sem piorar tudo”. Ainda debochando que, no final, era ele quem ia limpar a bagunça mesmo. Alecsandra não entende, mas anota as coordenadas e se levanta.

Ela agradece ao seu amigo pela sua orientação. Jhon, sem expressão alguma, apenas exclama que esse era o mínimo que ele podia fazer. Alex, com um ar um tanto perplexo, apenas olha para ele e depois sorri. É neste momento que ela se retira.

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Tiraspol, Prednestróvia. 12 de outubro, 23h28min. Bem longe da conhecida e influente América do Norte, aquelas coordenadas que muitos olhariam com descrença por serem provenientes da magia, talvez meros números aleatórios, foram suficientes para mobilizar uma já inquieta Alecsandra a se aventurar por um dos lugares mais reservados e isolados do leste europeu. Um país cuja autonomia nem sequer era reconhecida pela comunidade internacional, que muitos apenas viam como parte do leste da Moldávia, verdadeiros aspirantes da glória da Rússia em seu tempo como a grande União Soviética. Longe de todo, ou de quase todo, capitalismo que configura o que é encarado como normal na maior parte das sociedades ocidentais. Muitos prédios antigos e cinzas, todos seguindo um mesmo modelo arquitetônico, com pouquíssimas empresas, a maior parte delas recebendo grande apoio do Estado. Uma paisagem, mesmo que agradável e até tranquila, fazia parecer que o tempo não passou desde os anos 90.

Este era o fundo, distante e iluminado, da instalação sobre a qual a jovem estava. Um edifício de três andares consideravelmente grande construído na afastada e desabitada zona rural da metrópole, muito bem protegido para se chamar de abandonado. A segurança não era exatamente das mais audazes. Se resumia a uma boa quantidade de câmaras de segurança espalhadas por todo o local, uma equipe de patrulhamento e dois pontos de monitoramento. Com um adendo: nunca haviam invasores. Por isso, eles trabalhavam mais desleixados, mais com tédio do que com sagacidade. Alex, cujo poder lhe permitia voar sendo apoiada por um sutil fluxo de ventos sob seu corpo, pousa no telhado e já se esguia para uma caixa que guardava vários fios encapados. Ela usa seu computador portátil, que usava como um bracelete no antebraço direito, e conectando corretamente os cabos acessa os dados do sistema de segurança. Também congela as imagens nos computadores e faz uma varredura rápida da posição estimada dos vigilantes através de uma IA embutida. Compartilhando tudo com seu suporte.

Do outro lado, em sua casa em Trenton, Leonard Charlott recebia as informações e vasculha as imagens das câmaras em busca de algo interessante. Sua namorada, Isabelle, já havia investigado aquele lugar horas antes e presumiu que servia a interesses secretos dos russos. Mas, não entendeu porquê Jhonatan sugeriu a sua amiga para ir lá. Usando seu headphone, com sua característica voz alta e clara, Leonard conclui para Alex que ali era um laboratório onde estava sendo desenvolvida uma pesquisa encoberta pelo governo envolvendo químicos, notando um depósito no subsolo cheio de produtos que geralmente são encontrados em universidades e empresas farmacêuticas. No segundo andar, ela poderia obter respostas mais claras sobre o que estava procurando. Alex lhe agradece pela direção, mesmo assim, pergunta com curiosidade porquê a própria Isa não pôde lhe fornecer essa ajuda. Leonard revela que ela andava muito frustrada nos últimos dias, graças a demissão, e viajou para a casa de seus pais, em Jersey City, para tentar espairecer a cabeça e “colocar as coisas no lugar”.

Alecsandra, uma mulher esguia e alta, com 1,73m de altura, entra discretamente pela janela e apronta dos cantos sem iluminação para ir passando pelos guardas que estavam próximos. Ela entra em um escritório, aproveita e acessa um dos computadores onde o pluga ao seu baixando qualquer informação que possa ser interessante. Vozes másculas a chamam atenção, em russo, e ela usa seu rádio nas orelhas para traduzir a conversa. Era, basicamente, comentários machistas sobre atrizes de televisão. Eles logo saem dali, a garota se apressa para ir ao corredor e entrar no elevador. Chegando no segundo andar, ela vê uma enorme porta indo para um cômodo de grandes proporções, mas para entrar ela precisava de um código. Notando uma mesa com um vaso atrás de onde estava, bem empoeirada, ela se aproveita de seus poderes que envolvem o controle do ar para levar aquela sujeira sobre o painel do dispositivo de reconhecimento do código. Assim, as digitais já usadas ficam mais claras e, as analisando com o seu equipamento, desvenda a senha e entra.

Uma enorme bancada cheia de béqueres com diferentes produtos, uma intrigante maca com amarras para pés e braços, equipamento para verificar frequência cardíaca e outros sinais vitais. Bancos de sangue. Não era somente uma pesquisa sobre produtos químicos, ela envolvia humanos. Sobre as mesas, vários relatórios que ela lê vagamente envolvendo “sujeitos” de A a G. Um caderno mais bem preservado é encontrado sobre alguns documentos e restos de comida, parecia ser um diário. Nele, várias anotações escritas em uma letra que parecia familiar. Só então, vendo o nome do responsável pela pesquisa, é que Alex entende quem Jhonatan lhe encaminhou para ver: dr. Henrich Petrovich, seu pai. Um misto de ódio, indignação e repulsa toma conta de suas emoções que a faz perder foco instantaneamente. Logo, ela entende que aquela era a continuação de sua pesquisa sobre o metágene, o gene especial na estrutura do DNA dos mutantes que os permitiam ter poderes. Sua principal motivação da vida.

Alecsandra começa a se preocupar se haviam pessoas sequestradas naquela instalação que pudessem estar sendo usadas de cobaias para seu pai, mandando Leonard confirmar isso. Timidamente, o próprio aparece de uma sala ao lado e diz que não. A última havia sido transportada de lá há duas semanas. O olhar da garota cerra sobre ele de uma forma sombria, como se detestasse a ideia de ter de olhar para ele. Henrich percebe e demonstra estar chateado com isso. Nenhuma palavra dos dois lados ecoa, apenas se encaram. Ele toma coragem e se desculpa pelo o que ela estava vendo, mas a garota não queria conversar com ele, mandando ele se calar friamente. “Então apenas vá, Alecsandra. Não contarei que você esteve aqui. É o mínimo que eu posso fazer”, diz Henrich. Usando a função de teletransporte de seu bracelete, ela assim o faz. Não deixando menos claro o quanto o despreza. Sem ela perceber, porém, era nítido como ele se sentia mal por isso.

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Trenton, Nova Jersey. 15 de outubro, 19h40min. No subúrbio da cidade em uma edícula modesta e aconchegante detrás do restaurante de comida japonesa Hitoshimo’s Dinner, com uma entrada limpa e minimalista, apenas dois vasos com pequenas árvores podadas embaixo de uma marquise feita com telhas de acrílico... Leonard recebia em sua casa, que vivia há poucos meses com sua estimada namorada, um dos seus parentes mais importantes, que mesmo morando do outro lado do estado, fez questão de lhe fazer uma visita para cumprir um favor prometido. Theodore Charlott é um homem maduro e experiente com 53 anos de idade, cabelos pretos e olhos verdes, sempre muito bem vestido com uma jaqueta de couro preta. Alto e consideravelmente forte, ele ajudava o sobrinho a empilhar algumas caixas que ele mesmo trouxe dentro do closet do quarto do casal.

Impossível de não notar, ele comenta se foi a Isabelle que conseguiu reproduzir uma plataforma de teletransporte do mesmo modelo usada pelos agentes da Twelve. Porquê, sim. Ele trabalhava para a agência, na divisão que atua na ilha do Kayman. Leonard confirma, dizendo que ela era uma garota muito empenhada que quando quer uma coisa não consegue tirar ela da cabeça. Theodore ri, dizendo que percebe. Ele então olha para o rapaz e diz estar muito orgulhoso do homem que ele se tornou, que é muito bom ver o salto que ele deu em sua vida já estando praticamente casado. Sua mãe com certeza se sente muito feliz por isso, ele acrescenta. O rapaz agradece pelas palavras, mas Theo pergunta se ele estava feliz. Se Isabelle não era muito mandona para ele, com Leonard brincando que talvez justamente por ele ser mais tranquilo eles dão certo. “E quanto a demissão dos Twelve? A decisão do Connor?”, o tio pergunta.

Leonard responde que Isabelle ficou muito abalada com a notícia porque desde que entrou para a agência sempre deu tudo de si. Theodore, porém, sabia que para ele isso era diferente. O rapaz concorda, alegando que nunca fez parte desse mundo e seu tio era uma testemunha viva de como nunca deu realmente certo dentro daquela instituição. Em suma, ele era um mutante. Tinha poderes que poderiam até mesmo serem dignos de atenção e aproveitamento para todos aquelas pessoas tão voltadas em ações de espionagem e jogos geopolíticos. Mas, ele já era diferente. Uma pessoa que não tinha inclinação atlética alguma, não se saía bem nas missões, e que sempre vislumbrou bem mais as ambições acadêmicas. Theo o lembra que agora ele conseguiu entrar em um mestrado sobre Física Nuclear na Universidade de Princeton e Leonard, orgulhoso, confirma. Que finalmente pôde aceitar o convite de seu professor Edward Kühn para se unir a ele em seu projeto, e que esse era seu futuro. Por isso estava feliz por ter se desligado finalmente dos Twelve, porque já ia o fazer de qualquer maneira.

Theodore pergunta como Isabelle lidava com essa posição dele. Afinal, vocês acabavam seguindo caminhos opostos. Leonard diz que eles não precisavam estar juntos em tudo para se apoiarem mutualmente. Neste momento, a própria garota chega, sendo possível ver o clarão resultante do teletransporte que ela usará para o deslocamento. Efusivamente, ela cumprimenta os dois e corre para abraçar e beijar seu namorado, lhe dando uma torta de maçã que sua mãe comprou para dar a ele porque não visão dela ele ainda continuava muito magro. Logo então ela cumprimenta Theodore e pergunta se ele conseguiu. Ele afirma que a maior parte das coisas que ela pediu foram possíveis de ser contrabandeados do Twelve, sim. Mas, se ela precisasse disso com frequência poderiam desconfiar já que não são peças e ligas muito baratas. Tendo a sorte de seu chefe, Antônio Gutierrez, no fundo ser bem colaborativo com eles. Leonard pergunta se ela vai mesmo reconstruir sua armadura, e ela diz que sim.

Theodore pede a Isabelle responsabilidade, porque agora suas ações não estão salvaguardas pela agência e qualquer ato mal planejado pode facilmente os enquadrar como terroristas. Isa diz que é um risco que tem de tomar se seguir cumprir sua missão para o mundo. Leonard a questiona do porquê tinha de ser ela. Isa diz que se não fosse ela, não seria mais ninguém. O mundo estava se tornando um lugar mais hostil e perigoso para os mutantes, cada vez mais explorados pelo tráfico e outras ações de organizações criminosas, articuladas na Aliança. Os Twelve “dão de ombros para eles” e, mesmo sem recursos, são os únicos que podem fazer a diferença. Leonard a lembra que ainda é uma escolha dela e podiam levar uma vida civil juntos, mas ela a diz que arriscar sua vida pelo bem maior é a única coisa que ela sentiu que faz ela realmente valer a pena. Só final, Leonard respeita. Isa diz que iria tomar um banho, já que seus amigos viriam a sua casa mais tarde. Ela convida Theodore para a janta, mas ele diz que não pode ficar porque ainda naquela noite teria um encontro.

Leonard pergunta se era alguém do trabalho. Ele, em um tom mais descontraído, brinca com ele de que ele não era o único que podia ser feliz no amor.

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Algumas horas mais tarde... Já sendo 21h, para ser exato... Leonard e Isabelle já estavam prontos para receberem seus amigos em sua residência para aquela planejada reunião. Afim de terem mais espaço, afastaram o sofá e estante para mais perto da parede na sala de estar, e a Isa aproveitou a TV para servir de monitor recebendo o sinal da tela de seu notebook via WI-FI. Os primeiros a chegar foi o outro casal do grupo: a Alecsandra Petrovich e o seu namorado, Karslie Imota. Ambos chamando naturalmente atenção por serem, os dois, altos. Além disso, ainda, pela cômica discrepância entre a maquiagem impecável da moça, com um delineador bem forte ressaltando seus olhos castanhos claros, com uma roupa elegante, mesmo que simples. Destoando do estilo relapso do rapaz com cabelos bagunçados, uma camiseta estilo militar camuflada que ele simplesmente usa em todas as situações, e jeans mais surrados. Impossível de não se notar.

Karslie, ciente de terem chegado mais cedo do horário proposto, pergunta se deveriam esperar pelo Rodney Accotach. Eles se olham esperando quem iria responder primeiro, enquanto o mesmo finalmente aparece indicando estar pronto para o que tinham a dizer. Isa agradece por todos terem vindo, apontando que tecnicamente não teriam mais nenhuma razão real para fazerem isso já que não trabalham mais juntos. Alex pontua que é um assunto de interesse comum para todos, e que nunca dependeram dos Twelve para terem esse interesse. Concordando, Isa então fala sobre a infiltração que a amiga fez em uma instalação na Prednestróvia e, mais precisamente, sobre algo que ela trouxe consigo de lá: o diário de pesquisa do dr. Henrich Petrovich. Basicamente, enquanto eles estavam tentando refrear a crise de segurança pública no Japão envolvendo o clã Nihan no Keisho-sha (NIKEI), a associação de organizações criminosas conhecida como Aliança continuou desenvolvendo pesquisas sobre o controle e a síntese do metágene. Algo que se tornou uma exploração antiética dos mutantes do mundo, uma luta que travaram o ano todo com forte apoio estratégico da Haruka Takahashi, mas que parece que perderam. Ou estão perdendo.

Isa pede desculpas a Alecsandra, mas é obrigada a elogiar que o desenvolvimento teórico de seu pai sobre esse assunto era simplesmente brilhante. Suas anotações, compiladas em 113 páginas, ensinavam vários aspectos do comportamento do metágene. Que a meta da Aliança é introduzi-lo em humanos comuns para obterem sucesso aos poderes mutantes, algo que é descrito em teoria como “força Alpha”, e que obtiveram o primeiro sucesso real através do soro Evergreen. Que já conhecem através dos NIKEI. Basicamente, um composto desenvolvido por pesquisadores da África do Sul, Roberto Healey Sallow e David E. Fisher, que descobriram que um vírus criado em laboratório baseado em cepas locais conseguia transcrever o DNA humano em mutante com poucos efeitos colaterais. Em 24h, o paciente se tornava outra pessoa com força, agilidade, resistência e velocidade aumentadas. Um avanço comparado ao Veneno de tarántula, que induzia um metágene sintético na hélice do DNA e, bem, tinha sérios efeitos sobre o córtex pré-frontal. Transformando o soro em uma arma potente e destrutiva, mas difícil de serem composto e limitado em termos dos poderes a serem desenvolvidos.

Muitos centros de pesquisa ao redor do mundo estão focados em aprimorar o soro em algo melhor, mais vendável, e se eles querem uma chance de acabar com o esquema da Aliança envolvendo o metágene é usar as referências que o diário do Henrich faz para localizar outras bases e as neutralizar. Um projeto bem ambicioso que ela estava disposta a tentar, mas queria saber se podia contar com a ajuda de todos. Rodney diz que seria arriscado agora que estão por conta, sem nenhum dos recursos dos Twelve. Com uma expressão e até timbre de voz que denunciava o quanto Isabelle já pensava nisso há um bom tempo, ela diz que sabe. Mas, o seguro e até algum dinheiro guardado em poupança que tinha podia ser o suficiente para os manter operantes nos primeiros meses. Se não fizerem nada, as chances deles conseguirem controlar o metágene e dar início a uma Terceira Guerra Mundial é quase certa. Alecsandra diz que aceita colaborar com esse projeto, mas que também tinha uma proposta que estava pensando muito a respeito há algum tempo.

Independente do interesse científico da Aliança pelo metágene, muitos mutantes estavam sendo efetivamente sequestrados em uma rede de tráfico humano que é real. Descobrir seus poderes se tornou motivo de medo, de insegurança, porque cedo ou tarde seriam descobertos e caçados até serem usados como cobaias para testes, ou armas controladas. Lembrando dos chips de controle que eles já encontraram fabricados pela StillwellTech que ela tem certeza que ainda estão sendo fabricados. Pela imprevisibilidade dos poderes, os mutantes são olhados por uma parcela da sociedade com medo, receio, desconfiança. Ela pergunta quem ali revelou a algum amigo de fora de seu círculo sobre seus poderes. Entre todos, Rodney é quem se mostrou mais incomodado com esse fato. Alex diz que os mutantes precisam de uma representação na mídia, no mundo, como pessoas que vieram ajudar e se apoiam mutuamente. Arthur Luczien, seu irmão adotivo, era quem assumia essa função. Até... Pausando, como quem tem dificuldade em falar sobre isso... Ser ameaçado, ter sua namorada assassinada e depois ele mesmo ser morto. O mundo precisava dessa esperança.

Isabelle, com um olhar cético, pergunta se ela não está querendo ser uma nova Arthur no mundo. Alex, decidida, revela que estava querendo sim. Todos olham espantados com a ideia. Karslie, afim de defender a argumentação da namorada, pontua que reconhece que existe uma incoerência entre as propostas da Alex e da Isa. Com exposição, como poderiam prosseguir com a espionagem necessária para derrubar os projetos da Aliança. Na verdade, ele mesmo fez essa crítica quando ouviu essa ideia pela primeira vez. Mas, como alguém que cresceu em um ambiente cercado de bandidos, ele sabe que assim que forem percebidos pela Aliança sem o apoio dos Twelve seriam perseguidos e mortos. Porém, se forem heróis públicos que decidiram já assumir essa luta, as chances diminuem. Sendo que, se sim, outros viriam para terminar o trabalho. Não morreriam em segredo. Leonard aponta que foi o sucesso que derrubou o Arthur, a fama só serve para os tornar alvos.

Alecsandra diz que poderiam receber apoio de lugares que nem imaginam, próprios mutantes aderirem a causa e, ao mesmo tempo, ainda agir em segredo. Poderiam convergir o trabalho, lutando ao máximo como eles poderiam. Isa ainda parecia cética e seu namorado aponta com determinação que não queria fazer parte disso. Alex pede para que sejam unidos neste momento, amolecendo a própria Isabelle que diz que ia pensar na ideia. Rodney parecia reticente, e a Alecsandra aponta que essa pode ser a melhor maneira dele finalmente ser aceito por completo, incluindo o seu “lado monstro” que ele tanto esconde dos outros. O silêncio, enfim, rompe sobre todos. Pensativos, um tanto quanto temerosos. “Pode dar certo”, diz Isa. Mas ainda precisariam lapidar os detalhes. Leonard aponta que não era certo que conseguiram chamar mais atenção das pessoas que um bando de influencias dançando no TikTok. Alex diz que tinha um plano para fazer isso dar certo.

Nascia, naquele exato momento, o começo de algo que tinha tudo para mudar suas vidas até então.

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Instagram. 0 seguidores. 0 seguindo. Um único post disponível, um reel. Alecsandra, com a câmara de seu celular, apresenta a si mesma e a Karslie, Isabelle e Rodney, este último escondendo até um pouco o seu rosto. Ela afirma que se juntaram para combater a exploração e o tráfico dos mutantes, serem mutantes que agem ativamente no mundo fazendo o possível para torná-lo um lugar melhor. Na legenda, ela explica sobre todos os problemas relacionados a causa e como nascer com o metágene não os torna tão diferentes. Uma mensagem prol aceitação e compromisso em, voluntariamente, fazerem o possível para propagar o bem no mundo. Quase como uma propaganda de que pretendiam se tornar verdadeiros heróis. O nome do grupo é oficialmente anunciado: Hope Squad.

24 de outubro. Manila, capital de Filipinas. Um ciclone se forma no Oceano Pacífico que eleva os mares, fazendo-os subir contra a baía de Manila e inundar não somente o porto e os bairros industriais adjacentes, como também algumas zonas residências a leste e norte da cidade. Imediatamente, usando o teletransportador desenvolvido pela Isabelle e os trajes táticos mantidos de seu tempo na Twelve, Rodney e Alecsandra se deslocam até lá no momento do incidente. Debaixo das ruas alagadas, o jovem em sua forma monstruosa, similar a um peixe com pele muito reforçada, explora todos os cantos em busca de vítima desse desastre e os resgata, colocando-os em lugares altos para serem resgatados pelas autoridades locais. Alex, usando seu voo, ajuda os helicópteros nas buscas e pessoalmente desloca sobreviventes. Um trabalho que dura, na verdade, dois dias, mas apresenta resultados. No final, eles são entrevistados por jornalistas locais, momento em que divulgam o grupo nas redes sociais.

27 de outubro, dia do aniversário da própria Alecsandra. A usina R.E.Ginna no estado de Nova York, perto de Rochester, nos Estados Unidos, apresenta um pane elétrico que gera um incêndio. Os trabalhadores e bombeiros tenta conter o fogo até que uma explosão em um dos tratores acontece, com risco de vazamento radioativo. De repente, vindo do mar, Rodney levanta uma parede de água que vai como uma chuva na usina apagando parte do fogo. Alex usa seus poderes para gerar um vendaval que encaminha a água ao restante, e cria pressão sobre o trator para segurar a radioatividade até que os peritos possam resolver o problema. Mesmo em papel secundário, Karslie tenta socorrer os feridos os levando até as ambulâncias com os paramédicos. No final, a mesma divulgação é feita.

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Austin, Texas. 30 de outubro, 18h30min. O plano da Alecsandra de promover, dar maior visibilidade, ao seu projeto Hope Squad atrás de uma participação mais ativa em emergências ao redor do mundo estava tendo repercussões. As notícias sobre essa iniciativa de heroísmo chamava a atenção das pessoas, em parte, devido a mexer com o imaginário popular que há mais de um século se acostumou em ver personagens com superpoderes em quadrinhos, seriados, filmes... Que existiam pessoas pelo mundo capazes de feitos inimagináveis, que desafiam a compreensão da Física através de meios até então não compreendidos pela Medicina, bem, todos já sabiam. Não era novidade. A batalha contra Satanás em Nova York dois anos antes revelou isso. Todavia, Arthur havia sido basicamente o único até o momento que havia se assumido publicamente como um mutante e, paralelamente, não se apresentava como um problema de segurança pública para as autoridades locais.

Uma ideia tão simples e, se refletir, tão esperável como essa estava verdadeiramente atraindo olhares de todo mundo. Mas, nem todos com a romantização de que “super-heróis apareceram no mundo real para os salvar”. Alguns mantinham o ceticismo de encarar isso como jovens com poderes estavam mais dispostos a interferir nos assuntos do mundo. Algo que pode ser tanto um alívio como uma preocupação. Todo caso, isso se transformou em uma trend e o Hope Squad em um assunto do momento. Demora pouco para o The American Thinker, um programa de televisão no modelo de entrevistas voltados a abordar temas em pauta na atualidade, mandar um convite para o grupo participar de um de seus episódios para falarem sobre suas intenções. Exposição em rede nacional, resumidamente. Rodney, naturalmente tímido, se assusta com essa ideia. Isabelle queria preservar sua imagem para missões que envolviam mais espionagem do que voluntarismo, então sobra para Alecsandra e Karslie representarem o grupo neste momento.

Muito bem arrumados, com a Alecsandra fazendo questão de usar um vestido preto com decote e abertura nas pernas que comprou só para a ocasião... Nem disfarçando o quanto estava animada, num ponto até além de estar acreditando no que estava acontecendo. Com o Karslie ainda com uma roupa social básica, mas agora sua barba feita e cabelos pretos mais bem arrumados. Eles vão até o estúdio em Austin e recebem um camarim para se prepararem para a entrevista. Karslie admite estar impressionado com isso, e também desconfortável. Já que queria mesmo agir contra os interesses da Aliança, não se tornar uma celebridade. Alex pede para ele manter o otimismo pois tudo estava dando certo, fazendo com que ele logo lhe dê um beijo. De repente, alguém bate na porta. O olhar de ambos ficam incrédulos quando reconhecem Arnold Spencer, CEO da empresa do ramo de segurança Spencer & Brockmann, surgindo para falar com eles.

O olhar, antes de empolgação, se transforma em asco quando Alecsandra vê seu sorriso confiante e uma expressiva barba ruiva de alguém que parecia ter ascendência irlandesa. Arnold justifica que estava ali para parabenizar os dois pelo sucesso que estavam fazendo e que, como especialista convidado, ia ser uma honra discutir com eles ao vivo os rumos da Hope Squad. Alex pede a ele abandonar sua falsidade, pois se lembra que há dois anos, a pedido dos Twelve, fizeram policiamento em sua residência e rotina de trabalho quando ele estava sob ameaça terrorista. Apenas um plano para serem sequestrados em serviço. Arnold afirma que são águas passadas, revelando o que já era sabido: ele havia tido participação nesse plano. Karslie pergunta o quê ele queria. O empresário diz que queria apenas os saudar aonde estão, que não deveriam estar tão na defensiva com ele porque ele não faz parte do grupo de poderosos que poderiam facilmente destruir qualquer vigilantismo que tentasse impedir o fluir de seus negócios. Como ocorreu com Arthur Luczien, meses antes. Neste instante, eles entenderam a ameaça clara e Alecsandra se desilude na hora. Arnold se retira, já tendo dado o seu recado. Karslie olha para Alex e diz que, agora, vão encarar isso de cabeça erguida.

Poucos minutos depois, o programa começa com o apresentador latino Adam Benítez, com seu estilo descontraído e arrojado, introduzindo o tema dos mutantes com mistério e perplexidade. Após isso, ele convida Alex e Karslie para conversarem com ele em duas poltronas próximas. Diante das câmaras, era nítido o quanto Alecsandra estava tímida e até envergonhada, com Karslie parecendo incrivelmente mais solto. Adam pergunta aos dois se eles estavam em um relacionamento, pois pareciam estar, e Karslie confirma. Então, ele traz imagens dos incidentes em Manila e na usina R.E.Ginna e pergunta “o quê os fez simplesmente acordarem e decidirem que iriam ser os heróis. Muitos acreditavam ser desejo pela fama, mas... Quais eram as reais intenções da Hope Squad?”. Alecsandra afirma que esse desejo de contribuir com o mundo através de seus poderes não era recente, mas havia algo mais profundo que a guiava a estar ali. A experiência de descobrir ser um mutante não é algo fácil. Sempre envolve algum trauma ou dor, e aí ser diferente em um mundo tão preconceituoso como esse já é em si motivo de preocupação. De maneira geral.

Muitas vezes, os poderes que eles herdam não são de fácil controle. Muitas vezes, os escondem com medo de julgamento. Sabendo, também, que existem organizações criminosas pelo menos desejando usá-los como ferramentas para seu próprio propósito. O Hope Squad, basicamente, é uma forma de representação. Ela quer que esses indivíduos, perdidos, não se sintam sozinhos. Seja para aprenderem a dominar seus poderes, seja para os proteger se estiverem sendo perseguidos. Podendo ajudar o mundo através daquilo que, sob outras formas, poderia ser destrutivo: seus dons. Adam pergunta se foi muito difícil para eles descobrir seus próprios poderes. Alex, tentando esconder seu passado como sujeito de teste das pesquisas de seu pai, se cala. Karslie, então, decide protagonizar aquele instante. Ele explica que seus poderes são, basicamente, o controle sobre o solo em toda a sua composição. Terra, rochas, até às próprias placas tectônicas. Ele foi criado na região de Brownsville, no Texas, onde não é tão corriqueiro haver terremotos.

Havia sido um dia difícil, sua irmã mais velha tinha um relacionamento péssimo com seu pai e ela decidiu passar uma noite na casa do namorado sem avisar a ninguém. Seus pais discutiram, calorosamente, porque sua mãe tentou a defender dizendo que ela estava segura, já o seu pai não... Foi uma briga tão intensa que ele, sem perceber, fez a terra tremer na vizinhança inteira e só parou quando eles pararam, impressionados com isso. Alex demonstra surpresa ao ouvir essa história do namorado, e Karslie admite que os poderes surgem em um momento onde a pessoa se sente acuada, sem alternativas, sem esperança. Algo desesperador quando ela sente que não pode fazer nada, sendo que esse poder é o último recurso. Por isso, sempre é um momento delicado se descobrir um mutante e mais ainda quando ser mutante significa algo ruim, um julgamento, o desconhecido. O Hope Squad é justamente poder trazer isso de uma forma mais madura.

Adam continua entrevistando a dupla e buscando conhecer mais sobre eles, até que, de forma súbita, Arnold é convidado a se juntar a conversa como alguém especialista no assunto de segurança. Já que sua empresa atua em diversos ramos, não só fornecendo equipamentos de segurança para outras empresas ou pessoal para fazer a vigilância, mas também consultoria para garantir que diversos empreendimentos sejam realmente seguros. “Um grande expoente de Austin no mercado norte-americano”, como descreve o apresentador. Apesar de Arnold o corrigir, dizendo que é natural de Knoxville, Tennessee. Adam pergunta se os mutantes, de fato, poderiam contribuir para um mundo mais seguro. Arnold diz que não. Ele reconhece as boas intenções do Hope Squad, mas poderes não são o bastante para garantir que um bom serviço seja feito. Ele reconhece que eles realmente ajudaram em Manila e Nova York, mas não foram só eles. Sem as autoridades locais, eles não eram nada.

Para algo realmente bem feito acontecer, deveria envolver um pessoal verdadeiramente capacitado e, para além de modismos sobre “ser mutante e salvar os planetas, X-Men não existem na vida real”. Ou você sabe o que está fazendo, ou você é só uma pessoa comum tentando fazer a diferença. A solução estaria nas empresas dispostas a dar um treinamento adequado a esses mutantes. Alex e Karslie ouvem isso com ressentimento, pois percebem que ele só está os provocando, pois não podem dizer da capacitação de anos que possuem trabalhando com os Twelve. Karslie responde que o primeiro passo é querer, que um bom policial não se torna bom só indo a academia e o ir a prática é tão importante quanto. Arnold concorda, mas para isso ainda é importante ter uma academia. Ele elogia a iniciativa do Hope Squad, mas critica a reação das pessoas sobre ela de que poderiam ser os salvadores da humanidade. “Isso não existe”.

A entrevista segue neste mesmo ritmo, com as opiniões de Arnold, enfim, diminuindo o próprio grupo em si.

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Austin, Texas. 31 de outubro, 7h20min da manhã. Em um luxuoso quarto no hotel Driskill, com vista para a famosa e badalada 6th Street, Alex e Karslie acordam calmamente após uma noite bem agitada... Sem roupas. Antes do rapaz despertar totalmente, a jovem o abraça e admite que sentiu muito sua falta enquanto ele estava em missão no Japão. Karslie ri, brincando que ela só estava sentindo falta de fazer sexo com ele. Ela diz que era dele por inteiro, embora não negava que adorava a química. O tempo vai passando e eles, de maneira preguiçosa, comentam sobre o que acharam ter sido um “fiasco” no The American Thinker. Karslie aponta que tinha certeza que Arnold foi designado por alguém associado a Aliança para os ofuscar, com Alex impressionada que eles existem até onde não acontece nada de criminoso. Tão logo se lembrando da ameaça sutil que o empresário fez a eles.

“Estamos acabados, eu sei”, diz a jovem enquanto Karslie pega seu celular. Ele abre suas redes sociais e pede para a namorada dar uma olhada. “Não brinca”, ela diz. O número de seguidores da página do Hope Squad já havia ultrapassado milhares.