The Hybrid Diaries — Diários de Um Híbrido
1 Capítulo 1 — De Volta À Mystic Falls
AO ENTRAR NOS CORREDORES DAQUELA ESCOLA PACA, EU CONSEGUI esbarrar em várias pessoas — na verdade, elas que esbarraram em mim. Eu podia, simplesmente, aniquilar todas elas, mas eu não... podia.
O.K., volte a fita... eu sou Jason Donovan Lockwood. Pois é, meu pai é o antigo prefeito de Mystic Falls e minha mãe é a mesma mãe de Matt Donovan, sendo assim sou irmão mais novo, e de sangue, de Matt Donovan e Tyler Lockwood. Tenho 16 anos e sou um híbrido. É... além de eu ser um lobisomem, eu sou um vampiro. Klaus, meu mestre, me deu essa bênção de não precisar me transformar em cada lua cheia. E eu serei eternamente grato a ele.
Enfim, eu estava feliz por voltar à Mystic Falls, já que eu havia sido proibido de pisar nessa cidade durante dois anos e meio por Klaus — ele havia posto uma ordem e eu iria honrá-lo.
Ainda nos corredores da escola, encontrei meu armário com facilidade e deixei alguns livros que eu precisaria usá-los em meus três primeiros tempos — geografia, biologia e matemática. Ótimo. Meu primeiro dia em Mystic Falls e tenho as aulas que eu mais odeio?, pensei. Ótimo!
Até que foi rápido.
Numa hora, eu estava tendo uma terrível aula de geografia com o sr. Thomas, falando sobre a importância da preservação das árvores, rios e mais outras coisas que não prestei atenção. Por favor, eu não faço mal nem a um animal, que dirá plantas! Era impossível de acreditar que eu faria alguma coisa daquelas; na hora seguinte, eu estava em uma tremenda aula sobre o sistema nervoso dos animais e seres humanos na aula de biologia — essa parte me deu sede — com a sra. Walker. Quase eu mato o meu parceiro de laboratório, Tom Chase, de tanta sede que fiquei. Mas consegui me controlar e não o drenei na frente de toda a sala; e no terceiro horário, eu não aguentava mais ver cálculos algébricos. Não aguentei e hipnotizei o sr. Grey para me deixar sair de sua aula. Isso foi fácil de se fazer.
Contudo, saí. Zanzei pelos corredores, em busca de algum lugar que eu podia ficar sozinho e pensar no que Klaus havia dito para eu fazer — apesar de eu ter 16 anos, muito novo, Klaus confia inteiramente em mim e eu confio nele não, em hipótese alguma, o trairia. Tanto que ele deixou que eu tomasse conta de sua casa e ficasse no comando dos híbridos que vieram para Mystic Falls comigo.
Depois de ter ficado dois longos minutos zanzando na escola, indo de corredor a corredor, bebendo água três vezes, ir ao banheiro duas, e até sair da escola, fui me deparar com a quadra da escola. Fui até a arquibancada e me sentei.
Não era exatamente um lugar óbvio, mas não tinha ninguém ali e eu precisava urgentemente pensar. Eu ainda conseguia ouvir a voz de Klaus em minha cabeça, sua ordem martelando meus pensamentos...
Assim que me sentei, abaixei a cabeça e comecei a massagear minhas têmporas para organizar os pensamentos.
Eu tinha que vigiá-los. Klaus só havia me dado nomes, nada de imagens. Eu tinha que fazer isso por conta própria. Sem ajuda dele, somente de seus híbridos. Nomes... havia um tal de Damon Salvatore, seu irmão Stefan Salvatore, a bruxa Bonnie Bennett, Jeremy Gilbert, Caroline Forbes a vampira de quem Klaus ama — segundo ele —, Matt Donovan — meu próprio irmão e eu não gostei dessa parte mas tinha de fazê-lo —, Elena Gilbert — a irmã mais velha de Jeremy Gilbert, Elena Gilbert, a doppelgänger (ou apenas duplicata, se você preferir) de Katherine e eu também tinha que ficar de olho nela que, segundo Klaus, ela ainda estava em Mystic Falls — e Tyler Lockwood — meu outro irmão e eu também não gostei disso, mesmo Klaus me decretando uma ordem.
Além de ter sete pessoas para vigiar e espiar secretamente, eu tinha que fazer o mesmo com meus irmãos, segundo Klaus, especialmente Tyler por ser “um híbrido perigoso” demais para viver a solta e perto de híbridos, principalmente quando Tyler não estava mais sobre...
— Quem é vivo sempre aparece — disse uma voz.
Levantei a cabeça, tirando minhas mãos de minhas têmporas e olhei na direção da voz, completamente grogue de tanto pensar — se aquilo realmente fosse possível — e o avistei.
— Ei, Ty! — disse eu sorrindo e já livre das palavras de Klaus em minha cabeça. Pelo menos por um tempo até organizá-las dentro de minha cabeça.
— Ei, você... — ele veio em minha direção, dizendo tais palavras.
Levantei-me e fui até ele e nos abraçamos. Ele me abraçou forte demais, mas fingi que estava me machucando e ele riu, dando tapinhas em minhas costas em meio ao abraço. Ao menos eu tinha que fingir. Eu não podia simplesmente demonstrar que aquele abraço não me machucava mais como antigamente. Aquilo poderia estragar o disfarce. Mas eu fiz a mesma coisa, porém apertando-o fracamente e lhe dando tampinhas nas costas.
Ele continuava o mesmo. Mais alto do que eu, olhos castanhos, cabelos pretos espetados, musculoso e pele amarelada. Bastante musculoso. Ele realmente não mudou nada — apesar de ser um híbrido agora e ele não saber que eu sei disso, mas isso não vem ao caso.
Ele me analisou por um tempo. Provavelmente reparando o quanto eu cresci quinze centímetros nos últimos dois anos e meio, ganhei músculos corpo — eu havia amado essa parta da transformação em meu corpo —, e o que não havia mudado: meus olhos azuis iguais ao de Matt — Matt amava isso e Tyler odiava —, meus cabelos pretos iguais aos dele — Tyler amava isso e Matt odiava — e, é claro, eu mesmo. Eles me amavam. Mesmo os nossos pais tendo um caso no passado, eles me amavam, não me culpavam. Isso me fazia amá-los ainda mais.
— Quanto tempo, Ty... — disse eu, ainda sorrindo para ele.
— Verdade — afirmou ele. — Quanto tempo faz? — ele coçou a cabeça ao fazer a pergunta.
— Dois anos e meio — falei ainda rindo.
— Nossa! — ele arregalou os olhos. — Parece que foi ontem que você saiu da cidade com sua mãe... cadê aquele baixinho magricela que eu vivia implicando? — ele riu.
Ri com ele, mas me lembrei de uma coisa...
— Ai! — disse ele, massageando o ombro direito quando lhe dei um soco.
— Você me deve isso há três anos — disse eu.
Ele riu.
— E você ainda bate igual a uma menina.
— Pode acreditar, meu irmão, meu soco é bem mais forte do que isso — falei em tom ameaçador e ele fingiu ter medo e logo riu.
O sinal bateu indicando o início do intervalo e Tyler e eu nos sentamos na arquibancada, e me contou tudo o que havia acontecido em Mystic Falls durante o período em que estive fora.
Ele me contou de seu sumiço de Mystic Falls durante longos meses — tudo o que ele me disse era que não aguentava mais ficar no mesmo local em que nada mudava —, a drástica morte de sua mãe — esse foi um dos motivos, também de sua saída, segundo ele, de Mystic Falls — e outras coisas bobas que ele inventou. Eu sabia qual era o motivo real dele ter saído. Klaus me disse e era por causa dele. Tyler o traíra — eu não gostei de Klaus ter falado naquele tom sombrio quando falara de Tyler, mas eu entendia o porquê falar assim com ele, Tyler mereceu. Eu não trairia Klaus. Preferia a morte a traí-lo.
Eu tive que mentir. Mentir sobre tudo. Falei que nesses dois anos e meio eu vivi em Detroit e tive uma vida feliz com uma família, minha mãe, que eu havia dito ter — mentira —, tive um trabalho de barman e, algum bar de lá, estudava no High School — essa parte era verdade — de lá e que estava completamente feliz.
Eu estava com Klaus o tempo todo. Eu estava, em todas as noites possíveis, na casa dele e eu não trabalhava. Minha mãe estava mais preocupada em arrumar um namorado do que por comida em casa. Essa era a verdade. Mas é claro que eu não podia contar nenhuma parcela disso para ele.
Andamos pelos corredores, indo em direção ao pátio e, assim que chegamos a uma mesa e sentando nela, uma voz masculina disse:
— Lockwood? — Tyler e eu olhamos em direção da voz.
Assim que olhamos, avistamos um menino alto e musculoso de pele clara e de cabelos pretos vindo em nossa direção. Ele vestia blusa azul-marinho, mas era ofuscado por seu casaco, ele vestia jeans escuros e tênis.
Ele veio até onde nós estávamos sentados — sentados na mesa e os pés na cadeira —, me analisou por um instante e voltou-se para Tyler.
— É bom ver você também, Gilbert — Tyler fizera um comprimento com ele com os punhos e disse: — O que foi, Gilbert?
Aquele garoto havia aberto a boca, mas não disse nada. Ao invés disso, ficara me encarando pelo canto do olho. Aquilo me deu certa raiva. Eu o matarei mais tarde, pensei comigo mesmo.
Tyler olhou para ele e depois para mim e, como se estivesse lembrado de alguma coisa e disse:
— Como eu pude esquecer?! — ele pôs a mão na testa. Depois de tirá-la, disse: — Gilbert, este é meu irmão Jason. Jason, este é meu amigo, Jeremy Gilbert.
Então aquele era o famoso Jeremy Gilbert? Então eu já tinha que riscar um nome de minha lista. Eu havia encontrado Jeremy Gilbert. Depois dele, eu deveria encontrar o restante. Seria fácil, agora que eu poderia encontrar a dopplegangër Elena Gilbert. Eles eram irmãos, então seria fácil encontrá-la.
— Prazer em conhecê-lo — disse Jeremy Gilbert estendendo a mão para mim e a olhei, mas logo em seguida segurei na mesma e balancei.
— Igualmente — disse eu.
Assim que soltei, Jeremy disse rindo para Tyler:
— Você não me disse que tinha um irmão.
Tyler riu e eu apenas contraí os lábios em um sorriso.
— Isso foi antes de te conhecer... quero dizer... ele havia saído da cidade... Ah, é uma longa história! Enfim, o que você queria, Gilbert? — perguntou Tyler franzindo o cenho para Jeremy.
Jeremy riu ao processar toda a informação e disse:
— Vai ter uma festa no lago mais tarde. Você deveria ir. Todos os nossos amigos estarão lá. Fique tranquilo que eu não direi a eles que você voltou, a não ser que você seja visto zanzando pela escola. — Jeremy riu e continuou: — Vai ser a sua primeira festa de volta à Mystic Falls. Não falte, hein?
Assim que ele disse isso, Jeremy saiu de onde estava dando uma piscadela para Tyler e um breve aceno com a cabeça para mim.
— Nós iremos? — perguntei indiferente..
Eu não queria ir, mas, por mais que eu não curtisse festas, os amigos de Tyler estariam lá e isso indicava que os que estão na lista que Klaus havia me dado também estariam lá.
— Iremos — disse Tyler e esbocei um sorriso falso, mas convincente.
Eu tinha que ir, de qualquer maneira. Não porque Tyler e, provavelmente falando, Matt me levariam, mas porque eu iria dar início ao que Klaus havia me mandado fazer e assim eu o deixaria orgulhoso. E essa era a minha meta. E eu tenho de tirar o nome de Jeremy Gilbert da lista de morte, pensei me lembrando de que queria matá-lo. Ri comigo mesmo e Tyler e eu fomos para o outro lado do campo gramado da escola e continuamos a conversar em uma das arquibancadas, onde não havia ninguém.
Tyler e eu não voltamos para as salas quando o sinal bateu. Ficamos conversamos o tempo todo — eu sei que é tempo demais para conversa, mas realmente tínhamos que nos atualizar. Eu fiquei por dentro de tudo, mas não ousei em perguntar como ele havia conhecido Jeremy Gilbert. Eu não poderia perguntar, iria ficar muito na cara. E eu não queria isso. Klaus me mataria se Tyler descobrisse e eu não queria a morte pelas mãos de Klaus.
O tempo correu que nem percebemos e Tyler disse que iria para a casa dele — digo, nossa casa e que por um acaso tinha virado a casa de Matt —, para se arrumar e ir para a tal festa. Mesmo eu o alertando que me levar para for da escola ainda em período escolar era errado. Eu o alertei que isso era ruim, que ele estava me influenciando a não estudar — nós dois rimos nessa parte. Tyler sabia que eu odiava estudar. Sempre odiei, mas isso não significava que minhas notas eram baixas. Mas eu tinha dito que queria ver Matt primeiro. Por mais que eu havia gostado de passar um tempo com Tyler, eu também queria passar algum tempo com Matt. Afinal, ele também era o meu irmão mais velho.
Tyler suspirou, mas nós dois saímos da escola — se Richard, nosso pai, ainda estivesse vivo, com certeza ele teria brigado conosco, ou simplesmente batido em nós dois, pois ele acharia que matar aula envergonharia o nome da família dele. Esse era o preço por carregar o nome Lockwood.
Por mais que isso possa ser errado, eu gostava de meu pai não estar mais presente entre os vivos. Ele nunca foi uma pessoa boa para mim ou para o Tyler. Ele sempre era rígido, sério e um tanto violento demais. Tudo para ele tinha que ser certinho e nada podia estragar o nome Lockwood em Mystic Falls. Para ele, era como se o nome fosse mais importante do que os filhos ou até mesmo do que a esposa — até Carol cuidava mais de mim do que Richard. E Carol não tinha o meu sangue, mas ela me tratava como um filho. Diferente de minha mãe biológica que só se importava em arrumar um namorado.
Quando finalmente chegamos, após alguns minutos de caminhada — e eu desejando ter corrido até lá como um borrão —, chegamos ao Grill, local onde Matt trabalhava. Eu estava ansioso. Eu não via Matt também há dois anos e meio e eu tinha saudades dele, assim como tinha de Tyler. Mas aquela maldita festa podia esperar. Meu irmão era prioridade. Eu tinha que ver Matt.
Chegando à porta do Grill, Tyler disse para mim:
— Te encontro em casa. Ficarei esperando você por lá, está bem?
Olhei para ele e assenti.
— Tá bem — disse eu e levantei o polegar para ele. — Leva minha mochila para mim? — perdi.
— Beleza — ele bagunçou o meu cabelo após pegar minha mochila e logo o empurrei.
Ele riu e se foi.
Encarei a porta do Grill novamente, respirei fundo e abri a porta, adentrando no local.
Assim que adentrei no Grill, percebi que ele estava bem movimentado. Tinha pessoas jogando sinuca, algumas conversando perto da mesa de sinuca. A maioria das mesas estava lotada de gente. Tinha uma pequena fila para ir ao banheiro feminino, mas eu ignorei aquilo fácil — detalhes bobos não são bem vindos —, mas cacei alguém de importância para mim ali dentro e avistei logo em seguida que pus meus olhos no balcão do bar.
Lá estava ele. Cabelos louros, porte atlético forte, camisa azul com uma toalhinha pendurada no ombro e pele igual a minha. Aquele era Matt, meu outro irmão mais velho. Sorri por um momento e logo em seguida, caminhei até o bar, sentando-me na cadeira do balcão do bar do Grill.
Ele estava lavando alguma coisa e parecia bastante concentrado no que fazia. Aquilo era completamente engraçado de se ver, pois eu nunca tinha visto Matt tão concentrado em um serviço — talvez porque da última vez que o vi ele não tinha emprego, mas... bem, de qualquer forma, para mim, era engraçado.
Ele não fez menção em se virar e aquilo estava começando a me irritar um pouco. Ele não tinha aquela sensação que todos tinham quando se eram observados? Matt sempre teve esse tipo de percepção... ao menos era o que ele dizia que tinha. Afinal, todos tinham, na verdade. Ah, que seja!
— Uma cerveja, por favor — disse eu.
— Opa! — ele parou de lavar a louça, secou as mãos no pano e foi direto para a geladeira, tirando uma cerveja que parecia estar bem gelada, e pôs a minha frente. — Tá na mão — disse ele e me olhou.
Ele arregalou os olhos e depois franziu a testa.
Ri dele.
— Olá, Matt — disse eu.
— J-Jason? — perguntou ele, incrédulo. — É você?
Segurei o riso para não gargalhar.
— Não reconhece mais o seu irmão caçula? — perguntei rindo.
Ele sorriu e, por cima do balcão, me abraçou — foi meio difícil daquilo acontecer, mas aconteceu, acredite.
— Quando foi que chegou? — perguntou ele franzindo a testa e depois riu.
— Hoje — respondi logo em seguida. — Encontrei Tyler na escola e ele me deixou aqui. Ele vai para uma festa — dei de ombros.
— A que Jeremy disse? — perguntou ele. — Bem, Jeremy é um...
— Acho que sei de que Jeremy você está falando — o interrompi. — Gilbert, certo? — perguntei.
— É — ele franziu a testa, desconfiado. — Como sabe?
Estalei os dedos.
— Ele apareceu na escola também... — dei de ombros. — Longa história.
Após dizer aquilo, peguei a cerveja e levei à boca...
— Ah, nada disso, moleque — disse ele pegando a cerveja de minha mão.
O olhei incrédulo.
— Ei! — reclamei.
Ele riu.
— É proibido servir cerveja para menores de dezoito anos — disse-me ele.
— Quem disse um absurdo desses? — perguntei franzindo a testa.
Ele ficou com uma expressão séria.
— O cara que está falando com você nesse momento — disse ele sério. — Você andou bebendo?
— Lógico que não, Matt — revirei os olhos para parecer bem convincente. Eu não bebia, mas eu sabia que teria que parecer convincente para convencer ele. — Sabe que eu não gosto de cervejas.
— Tá certo... — ele me estudou por um momento. — Bem, eu vou nessa festa também.
— Eu também — falei sem emoção. — Eu disse ao Tyler que iria, mas realmente não estou afim.
— Ah... Tyler — ele disse suspirando e voltando a limpar um copo que já estava limpo.
Balancei a cabeça em negativa.
— Pare com esse ciúme bobo — falei suspirando e revirando os olhos.
— Hummm... tá — foi só o que ele disse.
Balancei a cabeça em negativa e revirei os olhos.
— Por que não quer ir à festa?
— Nunca fui de gostar de festas — disse eu. — Você lembra aquela minha festa de aniversário de sete anos que a mãe de Tyler fez questão de fazer para mim? — perguntei arqueando uma sobrancelha ironicamente.
Ele pareceu pensar.
Foi um desastre. Carol tinha inventado de me fazer uma festa surpresa e quando eu cheguei depois da escola, eu tinha começado a chorar, e comecei a estragar tudo. Rasguei as decorações, estourei os balões a gás, derrubei o bolo da mesa e tinha xingado e expulsado os convidados da casa do meu pai, Richard; inclusive Matt, nossa mãe e Vicky. Eu expulsei até o tio Mason de lá — mesmo ele sendo irmão do meu pai. Richard me bateu feio depois daquilo por tê-lo envergonhado em frente de pessoas importantes de Mystic Falls — como se eu tivesse realmente ligado para aquilo no passado.
Aquela lembrança pareceu ter se passado apenas alguns segundos na cabeça de Matt quando ele disse:
— Pois é... quase tinha esquecido dessa.
— Foi ééééépica! — disse eu ironicamente.
Ele riu.
Eu não pude conversar muito com Matt e ficar a par de tudo que estava rolando por Mystic Falls — mesmo eu tendo uma boa concepção através de Tyler, mas eu queria ouvir por parte de Matt também —, porque ele tinha que atender outras pessoas no balcão do bar, em algumas mesas e servir mais cervejas. Eu sentia pena dele. Ele não precisava ficar naquele emprego, ele podia conseguiu um melhor.
De qualquer forma, quando Matt realmente pôde sair do serviço para ir embora, fui com ele e conversamos um pouco. Ele tinha me dito que estava bem morando sozinho, mas que com a minha e a chegada de Tyler, sozinho não seria mais a palavra certa para a ocasião.
Mas Matt me disse que Mystic Falls havia mudado bastante desde a minha saída e quando perguntei o porquê, Matt faz questão de contornar a história falando sobre outra coisa. Na verdade, eu sabia o que ele estava querendo dizer. Klaus estava aqui, seus híbridos junto a ele. Katherine Pierce estava à solta em Mystic Falls e, também, uma rebelião de híbridos contra Klaus também estava por lá — isso incluía Tyler. A irmã e irmão de meu mestre, Rebekah e Elijah Mikaelson, estavam por ali também — eu nunca os tinha visto para início de conversa, não sabia nem como eles eram — e, para acrescentar, Elena Gilbert era quase a chave de todos os problemas. Menina azarenta.
Quando Matt e eu chegamos perto da enorme mansão dos Lockwood, eu travei. Não consegui atravessar a porta da frente — não que alguma força oculta me impedisse, mas por causa das lembranças de Richard.
— O que foi? — perguntou Matt franzindo a testa, vindo até a mim.
Franzi a testa ao fitar a entrada da casa.
— Nada... — falei. — Só que... bem, essa casa me faz lembrar o Richard e suas péssimas recordações.
— Ah... — disse ele.
Chacoalhei a cabeça.
— Mas é besteira — disse eu, por fim.
— Então entre — disse ele, já dentro da casa e fazendo um gesto com a mão para que eu entrasse.
Quando dei o primeiro passo para entrar, algo em meu bolso vibrou. Meu celular estava chamando. Tirei-o do bolso e fechei a cara para ele quando vi quem era que estava ligando.
— Quem é? — ouvi Matt dizer.
— Hummm... é só uma coisa que tenho que resolver — disse eu a ele, já olhando-o.
Ele franziu a testa.
— Referente à Tyler? — perguntou ele de má vontade.
— Sério, Matt? — perguntei suspirando e revirei os olhos logo em seguida.
Ele ficou em silêncio. Revirei os olhos, ele realmente estava achando que era o Tyler.
Eu não entendia como um podia ter ciúme do outro. Eles eram amigos, se davam bem, mas não entendia o porquê daquele ciúme quando era a respeito de eu falar com um e com o outro. Aquilo já estava me deixando louco e tinha que me lembrar de falar com eles mais tarde.
— Não, não é referente ao Tyler — falei. — E quer parar com esse ciúme bobo? Está me dando nos nervos, já.
— Foi mal — disse ele um tanto envergonhado. Ele coçou a cabeça. — Enfim, aonde vai?
— Resolver uns assuntos — disse eu, torcendo para que ele engolisse aquilo.
— Não vai mesmo me contar?
— Não é nada demais.
— Então me conte.
— Para quê você quer saber?
— Ahn... porque eu sou seu irmão mais velho? — ele levantou as sobrancelhas para mim.
— Olha, eu tenho que resolver isso, mas prometo que quando eu voltar, eu vou para essa tal festa — prometi, já virando às costas para a mansão Lockwood e me afastando dela...
— Mas você nem sabe onde é a festa! — gritou Matt para mim.
— Eu me viro! — gritei de volta e acenei para ele.
Ele franziu o cenho para mim, acenou com a mão e entrou na casa.
Assim que não o vi mais, corri em direção a floresta de Mystic Falls como um borrão — ninguém iria me ver, de qualquer maneira — e olhei para o celular que ainda chamava em minha mão.
— Não é uma boa hora para você ligar, Lucas — falei com raiva ao telefone.
— Desculpe — disse a voz de Lucas com certo medo. — Jason, temos um problema.
Parei perto de uma árvore na floresta e pus uma mão na testa.
— Primeiro dia em Mystic Falls e vocês já me arrumam um problema? — suspirei de raiva.
— Desculpe — disse ele novamente.
— Tá — respondi de má vontade. — Onde vocês estão?
Ele fez uma pequena pausa.
— Estamos em uma casa abandonada a duzentos metros floresta à dentro — disse ele.
— Estou a caminho — disse eu de má vontade e desliguei o telefone.
Olhei para dentro da floresta e corri, como um borrão, para encontrar a casa onde tinha híbridos criados por Klaus à minhas espera.
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