The Hybrid Diaries — Diários de Um Híbrido

2 Capítulo 2 — Uma Ligação de Klaus


QUANDO EU FINALMENTE ENCONTREI AQUELA MALDITA CASA, UMA RAIVA tomou conta de mim que eu quase não acreditei. Era o meu primeiro dia de volta à Mystic Falls e os lacaios de Klaus já estavam causando problemas? Será que tinha que acabar com todos eles e fazer o que Klaus tinha me mandado fazer, sozinho? Tudo bem, eu irei ser honesto, era tudo praticamente para mim. Mas Klaus tinha ordenado seus híbridos a me servir e um problema entre eles não estava no pacote.

Cheguei à porta daquela maldita e feia casa abandonada e, girando a maçaneta, abri dentro daquela espelunca.

Lá dentro não tinha nada a não serem as divisórias dos quatros, sala, cozinha, banheiro, escada e mais nada. Não tinha sofá, não tinha mesa, não tinha cadeira, não tinha tevê... não tinha quase nada lá dentro. As únicas coisas que tinham ali eram os vinte híbridos que Klaus tinha mandado ficarem sobre o meu controle.

Alguns deles era o dobro do meu tamanho, mais altos do que eu. Outros eram baixos, alguns magricelas... mas a maioria deles pareciam ter uns vinte e poucos anos. Eu e mais uns seis éramos os únicos que pareciam ser os mais novos ali. Mas aquilo não me intimidava. Eles temiam a mim e era bom continuar daquela maneira, caso contrário, segundo Klaus, eu tinha permissão para matá-los.

Adentrei a mais na casa horrenda e todos eles abaixaram a cabeça. Fui até o centro daquela espelunca e comecei a olhá-los, mas não eram eles quem eu procurava. Olhei para todos eles e comecei a procurar por Lucas...

Nos fundos, bem escondido, lá estava ele. Cabelos pretos, olhos azuis e pele tão branca quanto a minha. Ele era mais baixo do que eu e parecia ser um pouco gordinho, mas aquilo não o impedia de fazer nada.

— O que está havendo aqui, Lucas? — perguntei com certa raiva.

— J-Jason... e-eu... — gaguejou ele.

— Pare de gaguejar — falei sério.

Ele tomou fôlego.

— Alguns de nós... — ele olhou paras os outros lacaios. — Queremos saber quando podemos ir para a casa que Klaus nos disse que poderíamos ir.

Semicerrei os olhos.

— É só isso? — perguntei.

Ele assentiu.

— Vocês... — falei andando e olhando para cada um deles — arrumando confusão, briga, só por conta de uma casa? — falei já completamente irritado. Eles não disseram nada, continuaram com as cabeças baixas.

Senti minhas mãos tremerem, meus olhos arderem e minhas presas saírem. Eu não poderia perder o controle agora, eu tinha que ter minha cabeça no lugar. Se eu perdesse o controle, eu poderia matar todos eles ali.

Você deve se imaginar como... irei dizer.

Eu tive um excelente e extremo treinamento com meu mestre. Klaus me fez a arma que eu sou, ele me ensinou tudo o que precisava para acabar com um híbrido, vampiro ou lobisomem que se metesse em meu caminho e, segundo a ordem dele, e eu poderia acabar com qualquer híbrido que tinha vindo comigo para Mystic Falls.

— D-desculpe-nos, J-Jason — disse um dos lacaios.

Olhei para quem tinha dito e, no segundo depois, eu já estava diante dele.

Olhei para aquela figura maior do que eu, negra, alta e careca. Eu sabia quem ele era, era o Marcus. Mais um dos recém-criados de Klaus.

Pus minha mão em seu pescoço e comecei a apertar. Ele segurou minhas mãos, tentando tirar minhas mãos de sua garganta, mas era inútil. Vi os lacaios ao lado se espantarem, mas eles não ousaram em sair do lugar.

— Desculpar vocês, Marcus? — olhei em seus olhos pretos. — Claro que eu os desculpo — falei com raiva em minha voz e o soltei, jogando-o no chão.

Eu tinha que manter a calma...

Fui até ele e ele fechou os olhos, mas estendi a mão para ele. Assim que ele me olhou, pegou minha mão e o pus de pé, e o empurrei para o lugar de onde ele tinha saído.

— Eu só vou dar um aviso para vocês — disse eu suspirando. — Não chamem atenção. Tenho que resolver uns assuntos e não quero saber, em hipótese alguma, que vocês estão chamando atenção por Mystic Falls, entenderam? — perguntei.

Eles me olhavam com medo, mas assentiram com a cabeça.

— A casa estará pronta para vocês assim que eu decidir que está pronta — olhei para cada lacaio ali dentro.

Eles assentiram novamente.

— Por hora... — falei suspirando e coçando a cabeça. — Misturem-se. Haverá uma festa em Mystic Falls... na verdade, ela já está ocorrendo — me corrigi. — Misturem-se com os humanos, mas nada de mortes. Sejam discretos. Ao anoitecer, voltem para cá. E se eu ouvir algum murmurosinho que seja sobre híbridos, ataque de animais, ou pessoas drenadas até a morte, eu irei atrás e farei ser pior morte que já presenciaram na vida. Fui claro? — perguntei.

Eles pareceram espantados, mas assentiram do mesmo jeito.

— Ótimo, agora vão — falei e soltei um risinho.

Eles riram e, em questão de segundos, esvaziaram a casa.

— Lucas — disse eu.

A figura baixinha e meio gordinha que ia saindo da casa tremeu e voltou a me olhar.

— S-sim? — perguntou ele e chegou perto de mim.

O estudei por um tempo. Vi suas pernas tremerem.

— Fique atento. Quero que me mantenha informado de tudo o que eles fizerem, combinado? — o olhei em seus olhos azuis quase iguais aos meus. Os meus eram mais bonitos, é claro.

— S-sim... f-foi... — gaguejou ele.

— E pare de gaguejar quando for falar comigo — falei sorrindo para ele.

Ele sorriu de lado timidamente e, assim que o empurrei de leve para a porta, ele disparou, sumindo logo em seguida e me deixando naquela espelunca que eles chamavam de casa.

Quando eu voltei para a civilização de Mystic Falls, eu não fui direto para casa. Fiquei vagando pelas ruas da cidade e me lembrado do tempo em que morei ali. Uma parte boa de minhas lembranças de infância estava naquela cidade, mas as péssimas lembranças também estavam ali, como Richard.

Eu sabia que meu pai sempre me culpou por ter nascido, eu sempre desconfiei que ele me odiasse por ter permitido meu nascimento, um bastardo, filho de uma qualquer em Mystic Falls. Ele fazia questão de me lembrar daquelas palavras horrendas. Mas, de alguma forma, eu não conseguia sentir ódio de Richard. Raiva, sim. Ódio, não. Ele... apesar de tudo, era o meu pai e eu não podia negar isso. Eu tinha seu sangue e aquilo se prolongaria por toda a eternidade.

Mas ser filho de Richard tinha suas vantagens... eu podia ter qualquer coisa em meu aniversário, tinha dois irmãos mais velhos incríveis e até tinha uma irmã — falecida, mas tinha. Eu tinha um tio incrível, o Mason, e ele era super bacana comigo. Ele parecia não me julgar pelo adultério de Richard, ele me tratava da mesma forma que tratava Tyler, e isso era bom.

Uma das péssimas lembranças, também, era a minha mãe. Assim, eu gostava dela, mas eu não queria tê-la por perto. Ela não me dava atenção e estava mais preocupada em arrumar um namorado do que se manter em um emprego ou ficar sóbria. Ela não era um bom exemplo de mãe para mim, por isso eu tinha adotado Carol como mãe, mas ela chegou a falecer e eu não tive tempo de me despedir. Eu sabia que quem a tinha matado era Klaus, mas eu não podia fazer... nada a respeito. Eu só podia ficar triste.

Mas tudo isso mudou quando meu mestre disse que eu poderia voltar para Mystic Falls e vir ver meus irmãos — eu não reclamava de ter Klaus como companhia, mas... ele não era o meu sangue. Não era a mesma coisa. Mesmo que eu seja eternamente grato à ele, eu não podia negar que estava feliz por estar de volta.

De qualquer forma, eu estava andando em uma das ruas principais para o centro de Mystic Falls quando meu celular tocou.

Tateei meus bolsos a procura de meu celular e, quando o encontrei, olhei quem ligava e minha respiração começou a ficar mais rápida. Klaus estava me ligando e eu não sabia o porquê da sua ligação. Eu sabia que se eu demorasse a ligar, ele poderia aparecer ali. Mas eu tinha que mostrar a ele que tudo estava indo bem.

— Mestre? — disse eu ao telefone.

— Ah, se não é o meu caro Jason — disse ele em seu sotaque britânico.

Ri ao telefone.

— O que deseja, meu senhor? — perguntei.

Ele riu.

— Gosto da maneira de como você me trata, meu pequeno servo — disse ele e eu sorri.

Uma das coisas que eu queria era tratar bem a Klaus. Ele tinha me libertado da maldição que me transformava em lobisomem na lua cheia e eu seria eternamente grato a ele. E se aquilo, em minha cabeça, dizia que eu deveria tratá-lo como um rei, assim eu faria.

— Sempre o tratarei da forma que for necessária, mestre — disse eu.

Ele riu novamente.

— Muito bem — disse ele —, quero saber como andam as coisas por Mystic Falls.

— Conheci Jeremy Gilbert ainda cedo — disse eu. — Haverá uma festa de Tyler e seus amigos e eu irei. Será uma boa oportunidade para conhecê-los, senhor.

— Muito bom, muito bom — disse ele em aprovação. — E quanto aos lacaios que deixei sobre seu comando?

Eu queria esconder aquilo dele, mas eu sabia que se ele descobrisse depois, poderia me matar. E eu não queria a morte pelas mãos de Klaus, nunca.

— Estão sobre controle — afirmei. — Eles tentaram arrumar uma confusão entre si...

— Por quê? — interrompeu ele.

— Escute, senhor... — disse eu. — Eles queriam ir direto para a casa em que o senhor nos designou...

— E porque não foram? — perguntou ele me interrompendo outra vez.

— Ficaria muito óbvio, senhor — disse eu. — Pense comigo. Se eles fossem direto para lá, chamaria muita atenção e o senhor disse que queria tudo discreto. Estou fazendo isso. Os pus na linha quando me encontrei com eles na floresta de Mystic Falls e os mandei se misturarem, se divertirem. Mas nada de mortes — assim que terminei de falar, ele não disse nada, então prossegui: — Eles não irão fazer nada de mais e, se fizerem, eles sabem que posso matá-los e eles temem a própria vida. Não querem morrer.

— Bem, você tem certa razão — disse Klaus. — Prossiga.

— Eles têm medo de mim, e sabem que se me desobedecerem irão morrer e não querem morrer — prossegui. — Estou indo me encontrar com Matt...

— Quem é Matt? — perguntou ele.

— Meu irmão, senhor... Donovan. Matt Donovan — falei.

— Ah, sim... o zagueiro e barman do Grill de Mystic Falls... — disse ele como se estivesse se lembrando de meu irmão. — Sim, prossiga.

— Então, eu irei me encontrar com Matt para ir até essa tal festa e me enturmar com seus amigos — disse eu. — Assim que conseguir alguma coisa importante, lhe ligarei e lhe manterei informado de tudo. Prometo ao senhor, mestre.

Klaus riu ao telefone novamente.

— Eu sei que vai — disse ele. — Tenha cuidado, meu híbrido... — alertou-me ele.

— Não se preocupe comigo, senhor — disse eu.

— Os irmãos Salvatore e a bruxa Bennett são os que você mais precisa se manter em alerta. Eles têm certa raiva de mim e de meus híbridos — disse ele com certo riso em sua voz.

— Eles não me conhecem, senhor — disse eu sombriamente ao telefone. — Eu sou esperto, sei me virar.

— Acho que é por isso que eu mais gosto de você, meu lacaio... sempre tentando se provar para mim... — disse ele ainda rindo. — Mas tome cuidado, meu caro. Eles são mais velhos que você.

— Mas eu sou mais treinado — o lembrei.

Ele riu.

— O.K., assim que tiver mais notícias para mim, ligue-me — disse ele.

— Certamente, senhor — afirmei.

E a ligação acabou.

Eu ficava mais feliz quando terminava de falar com Klaus. Saber que ele gostava de meus serviços me deixava feliz. Era bom saber que eu prestava para alguma coisa e não só para lembrar que eu era uma vergonha para o nome Lockwood como Richard fazia questão de jogar isso em minha cara quando era vivo.

Suspirando e chacoalhando a cabeça, olhei para o centro de Mystic Falls e vi algumas pessoas indo para a floresta novamente. Mas não era apenas pessoas comuns, alguns era os lacaios de Klaus e algumas pessoas com trajes de banho. Eu sabia o que aquilo significava e, mantendo uma boa distância deles, os segui para a tal festa que deveria ser a que Jeremy Gilbert tinha dito que teria.

Mas eu resolvi fazer outra coisa. Fui para o Grill — eu sabia que meu irmão não estava lá, mas eu tinha que fazer outra coisa. Segundo Klaus, aquele local era o ponto de todo jovem e adolescente de Mystic Falls — seja ele humano ou não. Com certeza os irmãos Salvatore poderiam estar ali, ou quem sabe outros da lista que o meu senhor tinha me dado? Não iria deixar passar essa oportunidade.

Assim que adentrei no Grill, contemplei o local do mesmo jeito que eu tinha saído, repleto de gente. Pessoas na mesa de sinuca, algumas conversando no canto direito do Grill, outras perto da porta e algumas perto do bar. Mas resolvi ficar às escondidas no canto esquerdo do estabelecimento. Lá seria melhor para esperar algum dos irmãos Salvatore entrar e espioná-los sem ser notado.

Sentei-me à mesa e uma garçonete apareceu na hora, mas eu a hipnotizei e mandei-lhe me trazer um copo de uísque. Essa era a parte legal de ser um híbrido: poder hipnotizar quem eu quisesse. Claro, se a pessoa não estivesse com verbena em seu corpo. Se eu fosse apenas um lobisomem, eu não seria capaz de fazer uma coisa dessas.

De qualquer forma, a garçonete apareceu com meu uísque e agradeci formalmente. Mas, passados cinco minutos, eu vi um movimento um tanto estranho. Dois rapazes adentraram no Grill e eles foram direto ao bar, acompanhados de uma loura belíssima. Algo estava estranho com eles. Eles adentraram no local sem olhar para quem estava no seu caminho e não esbarraram em ninguém — coisa que só um vampiro poderia fazer.

Aprimorei meus ouvidos, mas sem levantar suspeita.

— Estou dizendo, Stefan, ele pode estar por aqui — disse o rapaz de cabelos pretos.

O rapaz de cabelo cor de bronze, que se chamava Stefan (presumi), bufou.

— Claro que não, Damon — disse Stefan. — Ele saiu da cidade faz muito tempo. Pergunte a Caroline, se quiser.

— E é verdade, Damon — disse a loura, cujo nome era Caroline. — Ele disse que tinha assuntos inacabados em outro lugar, ou coisa do tipo.

Eu não acreditei que minha teoria poderia estar certa, mas, segundo ela — e agradecendo por ela existir —, eu tinha acabado de ver os irmãos Salvatore e Caroline Forbes. Mais três para acrescentar à lista de Klaus. Aquilo estava ficando até fácil demais.

Tomei mais um gole de minha bebida e continuei a ouvir.

— O.K., vocês quem sabe — disse Damon levantando as mãos como se rendesse. — Mas depois não diga que eu não avisei.

Dizendo aquilo, ele se virou e começou a sair do Grill.

— Aonde vai? — perguntou Stefan.

— Aonde pensa que eu vou? — perguntou Damon. — Dãã, eu irei para a festa. Sinal de sangue fresco — ele deu uma piscadela para Stefan.

— Eu também estou indo — disse Caroline. Ela voltou-se para Stefan. — Você devia ir. Vamos, vai ser divertido.

Stefan pensou por um tempo e riu.

— Tá bom, vamos — disse ele.

Caroline triunfou batendo palmas e os três saíram do Grill.

Impressionante, pensei. Caroline Forbes e Damon e Stefan Salvatore. Era mesmo uma jogada de sorte e parecia mesmo que a sorte estava à meu favor. Eu tinha que ir para aquela bendita festa de qualquer maneira.

Se Stefan e Damon Salvatore, Caroline Forbes, Matt Donovan (meu próprio irmão), Tyler Lockwood (meu próprio irmão também) e Jeremy Gilbert estavam a caminho daquela festa, porque eu não iria também? Assim, eu já tinha dito que iria àquela festa, mas saber realmente que as pessoas que estavam na lista que Klaus me deu estariam lá de verdade era tentador e eu não iria arriscar.

Terminei de beber o uísque e, deixando alguns trocados em cima da mesa onde eu estava, levantei-me de meu lugar e segui para fora do Grill.

Olhei para as ruas de Mystic Falls à procura de algum jovem indo para a floresta e, assim que achei, os segui como uma sombra em direção àquela maldita festa.