The Hybrid Diaries
2 Verdades dolorosas
Notas iniciais
P.O.V. Jane.
Você não tem nenhum amigo, ninguém te ama, todos te odeiam, todos te querem morta. Elas palavras rondavam a minha mente e a pior parte é que, elas eram todas verdadeiras.
—Podemos hospedá-los caso precisem.
Disse Carlisle.
—Não, não podemos.
Disse a híbrida enquanto descia as escadas carregando as malas.
—Não vou conseguir me livrar dessas pragas tão facilmente. Então, vamos mostrar para o seu dono o que eu posso fazer e se ele tentar alguma coisa... eu queimo aquele bastardo de dentro pra fora.
Felix quis ajudá-la a carregar as malas.
—Não precisa. Mas, obrigado.
Apesar de estar com raiva, estava mais calma. Mais controlada. Porém estava claro que ela não estava confortável com aquela situação.
—Deixa de ser turrona Cullen, eu tenho três vezes o seu tamanho e três vezes a sua força.
—Tá.
Finalmente ela permitiu que Félix carregasse as malas.
—Cuidado, eu tenho vidros ai dentro.
Depois de embarcarmos no jato, ela respirou fundo.
—Isso tem que parar.
—Se o avião parar vamos cair, Cullen.
—Eu não estava falando do avião. É um ciclo vicioso que nunca termina.
Então ela soltou aquela frase naquele tom calmo e sério.
—Eu perdoo vocês. Por tudo. Eu não quero ter ódio no meu coração. Então, eu perdoo vocês.
E então soltou um suspiro de alívio.
—Isso é realmente libertador. Todos esses anos, primeiro eu temi vocês, então odiei vocês, mas agora? Todo o peso que eu carregava, todas as coisas ruins? Se foram. Agora sou velha o suficiente para entender. Especialmente vocês dois. Vocês eram apenas uma família tentando sobreviver numa época onde provavelmente era muito difícil fazer isso. Sofreram um trauma horrível, não tinham ninguém para cuidar de vocês, estavam sozinhos, confusos, assustados e então... Aro os salvou e para melhor ou para pior... é o que é. Imagino que tenha sido o mesmo para todos vocês.
Puta que pariu, como é que ela faz isso?
—Anos e anos de terapia Jane. É uma questão de perspectiva.
Quando chegamos ao Castelo ela ficou impressionada.
—Uau! O infame Castelo de São Marcus. Lar dos legendários Volturi, o Clã de vampiros mais sanguinários do mundo. Assassinos de homens mulheres e criancinhas.
P.O.V. Dimitri.
Ficou á meu cargo levar a híbrida para o Mestre, mas ela vai ver só uma coisa.
—Fique aqui. Eu já volto.
—Tudo bem.
P.O.V. Renesmee.
O tempo ia passando e ele não voltava, não voltava. Miserável ele armou pra mim. Me deixou esperando, mas agora eu vou dar um perdido nele.
Vocês devem estar pensando... como vai dar um perdido no melhor vampiro rastreador do mundo? Simples. Acônito. Mascara o cheiro.
Abri a minha mala, peguei o acônito. Enchi a banheira e mergulhei lá dentro. Me arrumei, esfreguei acônito na roupa e sai meu filho. Me mandei.
Vaguei por aquele Castelo enorme, cheio de capas pretas se é que me entendem. Guardas para todos os lados. Corredores labirínticos, algumas passagens secretas e uma delas deu numa... sei lá que raio de lugar é esse. Só sei que dei de cara com uma vampira de toalha.
—Oh, Meu Bom Deus!
—Olá para você também.
—Como... quem é você?
—Eu sou Renesmee e quem é você?
—Athenodora, esposa de Caius.
—Certo. Eu me lembro do seu rosto, a sua face horrorizada quando me viu. Não sabia que eu era tão apavorante daquele jeito.
—Nos conhecemos?
—O seu Clã tentou matar o meu sob falsas acusações de gerar uma criança imortal. Ai o seu marido assassinou a minha tia.
—Irina? Irina é sua tia?
—Ahm, tia do coração.
—Oh, entendo! Você é a híbrida. A criança.
—Sim. E eu te assustei pra cacete naquele dia. Ainda não consigo acreditar que pessoas tinham coragem de transformar crianças em vampiros. Se a transformação já é dolorosa quando se é adulto... que tipo de mente depravada faria uma coisa dessas á uma criança?
—Você ficaria surpresa.
—Sei. Papai falou que teve meio que uma infestação disso á muito tempo. Pergunta, como você consegue ser casada com o Caius? É tipo, Síndrome de Estocolmo?
—O que? Eu amo meu marido.
—Você é doida moça. Ele já te bateu? Te violentou?
—Não! Ele é um marido amável, apesar das aparências.
—Então tá, né. Desculpe por invadir sem querer.
—Como você chegou aqui, menina?
—Aqui no seu quarto?
—Sim.
—Eu dei um perdido no Dimitri.
—O que?
Quando expliquei o que a expressão significava ela falou:
—Impossível!
—Na verdade é possível. Acho melhor eu ir. Me desculpe por... invadir. Juro que foi sem querer.
—Sem problemas. Eu raramente recebo visitas.
—Porque você não foge? Vive enclausurada aqui neste lugar.
—Não. Posso sair quando quero, faço compras, passeio pela cidade.
—Ainda bem né. Bom, foi um prazer te conhecer, apesar das circunstâncias.
—Igualmente.
Eu sai e aqueles pensamentos que ela teve com o Caius ficaram gravados á ferro no meu cérebro.
—Que nojo!
P.O.V. Dimitri.
Meu Deus! Estou desesperado. Eu procuro, procuro e não tem rastro! Então, fiz o que era o último recurso. Retornei á sala dos Tronos e disse alto e desesperadamente:
—Ela sumiu!
—O que? Do que está falando Dimitri?
—A híbrida. Ela sumiu Jane. Estou tentando rastrear, mas não funciona!
—Como assim não funciona?
—Não funciona Mestre. Não consigo rastreá-la. Não há rastro para seguir.
—Impossível.
—Não, Mestre. Parece-me que é bem possível.
—E como foi que a perdeu?
Estava prestes á responder quando alguém bate á porta e pelo ritmo das batidas, podia adivinhar quem era.
Quando abri a porta... ela sorriu e disse como quem diz para um bebê enquanto brincando de cuca:
—Achou!
E aquele sorriso de deboche na cara.
—Você fez de propósito?!
—Foi você que disse que ia voltar e me deixou plantada! Você armou pra mim primeiro.
—Armei?
—Uai. Fala que vai voltar e fica, uma hora, duas horas, três horas... depois de seis horas eu decidi sair pra dar uma volta.
—E eu voltei!
—Admite que armou. Admite que me deixou plantada.
—Tudo bem. Eu te deixei como você disse, plantada.
—E eu perdoo você. Á propósito, conheci a sua esposa Caius ela era um amor. A garota de toalha.
—De toalha?
—Esse Castelo é muito grande e como o meu Guia me largou e esses corredores são todos iguais, acidentalmente fui parar no quarto dela. E eu achei uma passagem secreta!
Ela falava como uma criança que estava vivendo a aventura de sua vida.
—Para um lugar que é um dos triângulos de expressão mais poderosos provavelmente do mundo... o Castelo até que não é ruim.
—O que?
—Certo. Expressão existe também e é diferente de necromancia. Só pra constar.
—Isso é magia?
—Não exatamente. Este tipo de magia é... terrível.
—Magia negra então?
—Pior. Canalizar o poder de sacrifício humano ou sobrenatural chama uma escuridão tão profunda que não pode existir neste ou em qualquer plano sem engoli-lo por inteiro.
P.O.V. Aro.
Ela impediu Dimitri de rastreá-la. Realmente impressionante.
—Obrigado.
—O que?
—Eu estava falando com o Aro. Ele pensou que ficou impressionado com o fato de eu ter dado um perdido no Dimitri.
—Como você o bloqueou?
—Ah, mas isso eu não conto. Nem por um milhão de dólares. Basta dizer que eu tenho alguns truques na manga.
Olhei para Jane.
—Dor.
A garota permaneceu inabalada. E olhou para Jane, com total tédio:
—Sério? Tá, faz de novo.
—O que?
—Faz de novo.
—Dor.
Algo aconteceu e foi Jane quem começou a berrar. E a garota começou a cantar.
—I am, I am a little wicked...
Então ela estalou os dedos e Jane voltou ao normal.
—É bom, né?
—E quanto ao perdão?
—Você está perdoada, mas o aprendizado é sempre um processo doloroso. Sempre parece abstrato, não é? As outras pessoas sentindo a dor, mas agora... você sentiu. E ai, como foi ter uma provinha do seu próprio remédio?
—Você... Você virou meu dom contra mim?!
—Basicamente. Eu chamo de virada de maré. Esse feitiço eu mesma escrevi.
—Isso pode ser usado contra qualquer um?
—Mais ou menos. O feitiço funciona contra habilidades psíquicas e feitiços. Jane recebeu exatamente o que me mandou. Mesma intensidade, mesma força... eu a fiz se atacar. É virar o feitiço contra o feiticeiro.
Explicou a híbrida como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
—Consegue fazer qualquer feitiço?
—Contanto que alguém me ensine. A amiga da minha vó Reneé me explicou que existem três tipos de magia. Magia defensiva, ofensiva e protetiva. Esse feitiço ai foi defensivo.
—Defensivo?!
—Você me atacou, eu me defendi. Defensivo.
—E quanto á feitiços ofensivos?
—Eu prefiro não usar. Sou uma pessoa pacífica.
—Uma demonstração não fará mal.
Ela desviou o olhar e falou entre dentes.
—Você ficaria surpreso.
—Então, causa estragos, ein?
—Sim.
—Ela botou fogo na cortina.
Disse Alec e ela retrucou:
—Aquilo foi um acidente!
—Botou fogo na cortina? Como?
—Quando pessoas como eu perdem as estribeiras, vilarejos inteiros podem queimar. Ou cidades, já que pelo o que me consta não tem mais vilarejos.
—Bom, ainda assim gostaria de ver uma demonstração.
—Se insiste.
—Eu insisto.
Eu nem podia imaginar o que ela ia fazer. Se eu soubesse o que ela faria a seguir...
Ela jogou um pó negro para cima e quando o pó caiu formou um círculo ao redor de Caius.
—É só isso?
Um sorriso maldoso brotou em seus lábios, o olhar era de puro ódio. E ela avançou.
Caius tentou sair, mas estava preso.
—Je ca se sendia rendovan candier!
Ela agarrou no braço de Caius e continuava recitando aquilo. Meu irmão começou a sangrar pelos olhos, pelo nariz, a berrar. As velas da sala do Trono se acenderam e as chamas foram nas alturas.
Um talho se abriu na testa de Caius.
Depois de deixá-lo á beira da morte, ela se agachou, olhou bem no fundo dos olhos dele e disse:
—Isso foi pelo assassinato da minha tia. Irina. Machuque alguém que eu amo outra vez e não vai sobrar nada de você para trazerem de volta, não vão sobrar suas cinzas e nem a sua alma. Machuque a minha família outra vez e ser desmembrado e queimado vivo, será a menor das suas preocupações. Será uma morte misericordiosa comparado ao que eu vou fazer com você.
Ela acenou com a mão e ouvi o estalo. Era o barulho de um osso quebrando.
—Ele vai viver, vai curar.
Então, ela se voltou para mim, olhou bem no fundo dos meus olhos e disse com um sorriso:
—O seu irmão só viveu mais um dia, porque eu permiti. Porque EU fui misericordiosa. Sempre se lembre disso, meu querido.
Estava tão chocado que só senti a híbrida dar dois tapinhas no meu rosto. Ela havia acabado de usar minhas próprias palavras e truques contra mim.
Quando ela já havia saído me recuperei do choque.
—Caius, irmão. Caius! Caius!
Ele não reagia. Simplesmente não reagia.
—Por Deus, acho que ele está morto!

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