P.O.V. Jane.

Pela primeira vez em novecentos anos, estou com medo. O Mestre Caius levou duas horas para acordar, porém levou quase um mês para se recuperar do ataque.

E eu não dei nada por ela.

Aquele cabelo lisinho chapinado, aqueles olhinhos castanhos que parecem cheios de amor. Aquelas roupinhas fofinhas, cheias de renda.

—O que foi Jane, parece que viu um fantasma?

—Eu vi uma Cullen.

—Mm. Tenho que admitir que sempre debochei do pai dela por ter se apaixonado por uma humana e no fim, o aquele comedor de coelhos passou a maior rasteira na gente. Criou um predador alfa.

—E aqueles comedores de coelhos me repeliram. Odeio isso. É chocante não é? Eu não dei nada por ela. Uma mestiça,quando entramos na residência dos Cullen eu vi aquela garotinha sentada no sofá assistindo TV com aquela roupinha. Ela parece uma flor inocente, mas é uma serpente por dentro.

—Você devia ficar quieta Jane. Não sabe do que está falando. Tá, eu desci o sarrafo no seu Mestre e você mais do que qualquer um deveria se identificar com o que eu fiz.

—Porque motivo?

—Ora, você é uma membro da Alta Guarda Volturi. É o seu dever manter a lei e fazer justiça! Defender a raça vampira.

Disse em tom de deboche, como se não acreditasse em nada daquilo.

—É porque eu não acredito. Com o tempo, virou cada vez menos sobre justiça e mais sobre Poder.

Ela riu sem humor.

—Seu Mestre Aro, ele me lembra de uma personagem do Universo de Diários de um Vampiro. O que começou como um uma tentativa de paz, um ato de amor, virou uma coisa terrível.

—E que personagem ele te lembra?

—The Hollow.

—Que nome.

—Se quer mesmo saber o porque ela me lembra tanto o seu adorado Mestre, precisa saber a história. Era uma vez, na Louisiana no lugar onde hoje está a cidade de Nova Orleans mil anos antes da cidade ser fundada haviam tribos indígenas lá. E duas tribos rivais decidiram combinar o seu Poder, então... arranjaram um casamento. Dois bruxos extremamente poderosos se unindo para criar um Coven unificado. Eles pensaram que se unindo em paz entrariam numa nova era de harmonia. Como eu disse, um ato de paz e amor.

—Aposto que algo deu errado.

—Deu. Deu sim. Muito errado. Este casamento gerou uma criança! E por nove meses os anciões da tribo, os bruxos mais poderosos visitaram a mãe usando sua magia para conceder á criança grande Poder como as fadas fizeram com a Bela Adormecida. Na esperança de que aquele recém nascido se tornasse símbolo de paz e prosperidade.

Ela falava em tom de deboche, mas de repente houve uma mudança no tom de sua voz. Ficou séria e um pouco amedrontadora.

—Mas, eles não faziam a menor ideia do que estavam trazendo para este mundo. Chamaram a menininha de Inadu e logo ficou claro que ela era mais forte do que qualquer um poderia ter se quer imaginado e ela tinha uma terrível fome por mais Poder ainda assim.

—E como isso tem a ver com o Mestre Aro?

—Você é tão iludida assim? Fale o que quiser de mim, sou viciosa quando se trata de defender aqueles que eu amo, mas não sou eu que coleciono troféus ou melhor... prêmios, jóias. Não é assim que ele chama vocês? Ainda me lembro da última frase que o seu Mestre falou antes de fugir correndo aquele dia. "Isso é que é um prêmio." Foi o que ele disse. Bom, voltando á história, com o tempo Inadu cresceu e ansiava por mais poder á qualquer custo. Inadu costumava canalizar a vida em todas as suas formas. Traduzindo, expressão. Ela matava e canalizava. Ela amava o medo que inspirava nos outros, massacrou o próprio povo. E não porque eles a feriram ou não foram gentis. Ela fez por diversão.

—Essa coisa não existe, existe?

—Existe. E o nome dele é Aro Volturi. Sabe como Inadu virou The Hollow?

—Como?

—Como já disse, ela amava o medo que inspirava nos outros, seu povo a conhecia como viciosa, brutal, impiedosa, vazia. Até que esse se tornou seu traço dominante. E começaram a se referir a ela como The Hollow. Pensem á respeito Twiches. Brutal, vicioso, impiedoso, vazio, sede insaciável por Poder.

Duma certa forma, definia o Mestre Aro. Mas, ele é um homem bom.

—Maldita Síndrome de Estocolmo.

Disse pouco antes de sair.

Ela ficava falando isso, mas o que seria isso? Então procurei no Google.

O que? Acham mesmo que eu não tenho acesso á internet? Mas, eu tenho.

E o que saiu de resultado foi...

—Síndrome de Estocolmo é o nome dado á um estado psicológico em particular onde uma vitima submetida á um período prolongado de intimidação, abuso e ou agressão passa a sentir simpatia, amizade e até mesmo amor pelo seu agressor. Minha Nossa!

P.O.V. Alec.

Eu a encontrei nos seus aposentos mexendo no armário. Pendurando as roupas.

—Porque pendurar as calças?

—Estou pendurando os looks!

—O que?

Ela olhou para mim, bateu na testa e negou com a cabeça. Como se eu fosse um ignorante.

—E você é. Neste quesito é. Eu tenho no meu armário todas as peças de roupa da protagonista da série de TV Diários de um vampiro. Conheço todos os looks de cada episódio, de cada temporada e são oito temporadas ao todo.

—O que diabos é um look?

—É o conjunto da obra meu filho! A maioria das pessoas, faz looks. Não cata a primeira roupa que vê no armário e vive de uniforme. Combinar o sapato com a calça, a calça com a blusa, sobreposições, cores frias, tons pastéis. Os acessórios. Isso é fazer um look. Sacou?

—Tudo bem, mas porque pendurar as calças?

Ela olhou pra mim e respirou fundo.

—Vamos tentar uma explicação visual.

A híbrida tirou o laptop da bolsa e digitou lá Elena Gilbert season 1 looks e saiu coisa. Eram as peças de roupa.

Então pegou um dos cabides e tirou as peças de roupa de lá. E eram exatamente iguais. Não havia uma diferença. A diferença é claro é que a protagonista da série de TV era loira de olhos azuis. E ela tinha olhos e cabelos castanhos.

—Meu Deus!

—Levei anos para fazer essa coleção. Sempre que saia um episódio novo de TVD eu ia na loja pra comprar a roupa. Ia caçando, as peças.

Então notei que haviam peças de roupa no armário que não se encaixavam com os... como ela chamou looks da personagem.

—E esses aqui?

—Oh, esses são meus looks Katherine. Ás vezes eu misturo. Meio Elena, meio Katherine.

Disse enquanto continuava pendurando as roupas. Ela deixava os conjuntos, os looks todos preparados. E olhando em volta, na estante haviam séries de livros cujo título era... se chutou diários de um vampiro? Acertou. Então, haviam os Diários do Stefan.

—Minha Nossa! Cullen você é obcecada.

—Errou! Sou uma super fã. Esse que estou usando hoje é da primeira temporada, episódio seis.

Disse dando uma voltinha.

Então, Jane entrou na sala.

—Mestre Aro quer falar com você.

—Eu ou ele?

—Você. Cullen.

—Ok.