The Hybrid Diaries
38 Homicídio
Notas iniciais
P.O.V. Hope.
Fui levada para a delegacia para tomarem meu depoimento.
—Eu sou o Detetive Griffin e este é o detetive Gallow.
Assenti com a cabeça para aqueles dois homens que traziam pistolas em coldres na cintura e distintivos.
—Alguma ideia de quem iria querer ferir o seu amigo?
Os humanos são muito burros.
—Henry não era o alvo. Eu era. Ele só... se meteu na frente. Aquilo foi planejado, organizado, não foi um ataque aleatório. Sabiam que eu seria a convidada no programa da Oprah. Minha mãe conseguiu parar uma Guerra Civil no submundo e unificar as facções e para que? Para um bando de humanos ignorantes abrirem fogo contra mim?
P.O.V. Detetive Griffin.
A fúria era perceptível na voz dela. Mas, então mudou de entonação... foi o vazio completo e absoluto.
—Meu pai uma vez me disse, como as coisas funcionam com a sua espécie. Ele me disse, o que eles não entendem... eles temem e o que eles temem... eles tentam destruir. Vocês devastam tudo como gafanhotos famintos, acabam com o equilíbrio da natureza contaminando a nossa magia, expulsam lobisomens de seus territórios para cortarem árvores assim suas casas serão maiores que as outras casas, devastam as florestas, milhares de espécies extintas, menos presas para os vampiros. Mas, estão certos... nós é que somos os monstros. E agora? Meu amigo, o meu melhor amigo que pulou de um lar adotivo para o outro, que foi exorcizado, forçado a viver nas ruas, a roubar e nunca conseguiu realmente entender o que era até ser brutalmente assassinado na televisão para todos verem. E nós somos os monstros. Muito bem então. Que seja.
Ela levantou e com um movimento de suas mãos e duas palavras:
—Vessera Portus.
A porta da sala de interrogatório que estava trancada simplesmente abriu. E ela saiu.
—O que quer que esteja pensando em fazer... não faça.
—E você acha que pode me impedir? Porque eu duvido.
Ela sumiu num borrão, um silvo de vento e ouvimos o grito da Carter. E corremos para o necrotério. Apontamos as armas pra ela, mas ela nem ligou.
Viu o corpo do garoto.
—Remova as balas. Todas elas e tenha certeza de que não vai ficar nenhum estilhaço. Por favor.
—Eu tenho que fazer a autópsia.
Ela puxou uma arma.
—Eu disse por favor. E não vou dizer de novo.
Afirmou ainda mais irritada, as lágrimas de fúria escorrendo pelo rosto dela.
—Você não imagina, não pode nem começar a imaginar a dor e fúria que estou sentindo agora. Então se não quiser que eu as desconte nestes humanos fracos, corruptos e inúteis que chama de colegas... se não quiser ter que fazer a autópsia deles todos... eu sugiro que comece a remover as balas do corpo do Henry.
A garota engatilhou a arma.
—Agora.
—Tudo bem. Tudo bem.
Carter removeu todas as vinte e cinco balas de dentro do corpo do garoto.
—Pronto.
—Nada de estilhaços?
—Não.
—Ótimo.
Ela descartou a arma, fechou os olhos e começou a fazer alguma coisa no cadáver. Os ferimentos cicatrizaram e... o garoto respirou, seus olhos se abriram num súbito.
—Henry. Calma Henry, fica deitado.
—Ela acaba de levantar um morto.
—Necromancia. Quer tentar se sentar?
P.O.V. Henry.
Ela me trouxe de volta, como sabia que faria. Ela é a maior e mais poderosa bruxa que o mundo já conheceu. Necromancia, vidência, telepatia, pirocinese, telecinese molecular, empatia, sifar, canalizar e isso estou nomeando apenas suas habilidades de bruxa.
—Pode ser meio desorientador. Você sabe onde está?
—Acho que é um necrotério.
Disse vendo todas as coisas, instrumentos cirúrgicos, as caixas frias onde colocam os cadáveres e sentindo o cheiro de formol.
—Consegue se sentar?
—Consigo.
Me sentei, respirei fundo, me levantei.
—Contemplem! Até mesmo suas armas, sua fé, suas crenças, são nada. Comparado á Hope Corvinos.
Então eu o vi.
—Me lembro de você. Mas, aposto que não se lembra de mim. E porque lembraria? Eu era só mais um garoto de rua diagnosticado pelos médicos e cientistas como esquizofrênico. Fui preso por roubar a carteira de alguém, nem me lembro quem. Te avisei que algo terrível iria acontecer com a sua esposa. Disse pra ir pra casa mais cedo, não disse? Mas, você não foi. E no dia seguinte... primeira página. Esposa de Detetive da polícia é estuprada e espancada até a morte. Tenho que admitir, aquilo me deu uma perversa e profunda alegria.
—Henry! Não fala uma coisa dessas. Eu sei que o seu histórico com os humanos é uma droga, mas era uma mulher inocente.
—Nenhum deles é inocente!
P.O.V. Detetive Griffin.
Eu me lembro agora. Henry Fitzpatrick. Preso por assalto, ele era só um menininho. Um garoto esquizofrênico.
Olhando para ele agora vejo as cicatrizes no corpo dele, nas costas. No abdome.
—Aposto que quando encontrou o que sobrou da sua mulher pensou em mim. Que até hoje remoí isso. Sonha com isso, com o que poderia ter feito, como poderia tê-la salvo se tivesse me ouvido. Se tivesse ouvido o que disseram os sussurros na minha cabeça. Agora você e o seu povo miserável começam a entender que não são nada. Nada, comparado ao Poder de verdade.
—Henry. Você tem que ficar calmo, tem que manter o controle. Não seja como ele, seja superior.
—Serei. Eu sou. E eu sei que até mesmo o Grande Detetive Arnold Griffin com todas as suas medalhas e condecorações é nada! Diante de você. Ele nem é digno de estar na sua presença. De respirar o mesmo ar que você.
O garoto falava como se a adorasse, como se ela fosse uma divindade.
—Vamos te arrumar roupas está bem?
Depois do garoto estar vestido, ela o abraçou e chorou.
—Sinto muito que morreu por minha causa.
—E eu morreria de novo.
—Não, não diga isso.
Ele a amava. Sim, a amava.
—Sente esse cheiro?
—Formol?
—Não. Queimado. Conheço esse cheiro.
—Saphira.
—Sim.
—Quem é Saphira?
Eles correram pra fora do necrotério. E os policiais apontavam uma arma para uma mulher que usava um vestido branco, de renda, antigo.
—O que ela é? Uma bruxa?
—Dragão. Ela é o meu dragão. No chão ela vai cuspir fogo!
Dito e feito, a garganta da mulher começou a brilhar e ela cuspiu fogo.
—Saphira!
Se a bruxa não tivesse puxado aquela faca e feito o fogo desviar, milhares de policiais estariam mortos. Queimados vivos.
—Sou eu. Tá tudo bem Saphira.
Ela se focou no fogo que se espalhava e...
—Aduatur.
O fogo apagou.
—Porque o seu dragão que é uma mulher estaria aqui?
—O ataque. Saphira é minha protetora. O que significa que tem algo pior vindo ai.
E logo estávamos cercados de pessoas armadas e enfurecidas.
—Vocês não são humanos. São vampiros. Vocês devem ser acólitos da Grace. Os vampiros que odeiam híbridos.
—Você massacrou nosso contingente, nossa líder. Não precisamos de nenhum predador alfa andando por ai.
—Estão com medo e eu entendo. Mudanças são difíceis. Ainda faz pouco tempo desde a unificação, a paz e as rixas... vampiro x lobisomem, vampiro x bruxa, lobisomem x bruxa, bruxa x vampiro são todas muito velhas.
—Tudo isso começou quando a vadia da sua mãe se engraçou com o seu pai e o seu tio.
Foi o que bastou.
—Não fale... da minha mãe!
Ela moveu a mão e eles começaram a sofrer, a sangrar.
—Ninguém fala da minha mãe e muito menos assim. Eu tenho uma família complicada, mas quem não tem? Festera contutiro mortem...
Começou a ventar dentro da delegacia como um vendaval e todo um contingente de vampiros caiu morto, os olhos vazados. Só ficou o comandante. Num silvo ela estava enfiando a faca no último homem que sobrou.
—Ninguém fala da minha mãe.
E ele caiu morto.
—Ninguém. Bom, vamos começar a recolher os cadáveres, a Saphira vai por fogo.
—Espera ai, espera ai você cometeu homicídio em massa!
—Homicídio? Eles não estão mortos. Isso é temporário, se a Saphira não queimá-los... eles vão curar e levantar e continuar me caçando. Eles são uma ameaça á frágil paz que ajudei a construir. Meu povo tá contando comigo. Correção, meus povos estão contando comigo. Para você isto é homicídio em massa, para nós é execução. Então você fica com a sua jurisdição e nós com a nossa. O submundo é chamado assim porque é um mundo dentro do mundo. Ao contrário do que vocês pensam temos organização social, hierarquia, cadeias de comando etc, etc. Agora se me permitem, vou cumprir meu dever.
Eles arrastaram os cadáveres pra fora e eles foram incinerados pela mulher/dragão.
—Bem, problemas resolvidos. Justiça feita. Melhor amigo salvo. Só mais um dia no trabalho.
—Por salvo você quer dizer ressuscitado?
—Sim. Pegamos os caras malvados, hora de ir pra casa. Obrigado por sua hospitalidade e sinto muito por ter apontado uma arma para a sua amiga, mas veja pelo lado bom... eu não atirei.
Eles simplesmente saíram e não haviam mais corpos.
—Bem... isso com certeza não foi um dia normal no trabalho.

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