P.O.V. Cassius.

Sempre fui mais adaptável do que o meu irmão, Marius é sempre tão... antiquado. Mas, saber que ele engravidou uma loba? Ele despreza as minhas crias, a minha espécie com todo o seu coração frio e morto.

—Você meu querido irmão, pela primeira vez em milênios conseguiu me surpreender. Engravidar uma loba?

—Não planejei.

—Verdade. Seu amado irmão é meu ancestral e um notório psicopata, com quem eu dormi. Clássico eu. Sou Rosalice, á propósito.

Disse a garota me estendendo a mão. E a apertei.

—Cassius Corvinos, ao seu dispor.

—Uau! Isso não acontece todo dia. Três Originais, super poderosos reunidos numa mesma sala. Estamos fazendo história.

—Três? Pelo o que me consta, eu sou o primeiro lobisomem e meu irmão o primeiro vampiro.

—Verdade. Mas, sou a primeira Tribrida.

—Tribrida?

Ela explicou como ela e a irmã eram vampiras, bruxas e lobisomem tudo ao mesmo tempo.

—Sou a primeira porque sou a primogênita.

O celular dela tocou.

—Alô?

As noticias não pareciam boas.

—Não. Não! Não.

Ela caiu de joelhos e gritou:

—Jered!

Uma rajada de magia, saiu de dentro dela, como uma onda que jogou tudo longe. Inclusive a mim e ao meu irmão. Depois do choque, veio a raiva.

—Você. Isso é culpa sua! Seu maldito vampiro racista e sexista!

Ela atacou Marius, foi um ataque físico. Chutes, socos e até cabeçadas.

—Como pode a morte um humano ser minha culpa?! Humanos morrem!

—Você mandou os vampiros atacarem a matilha de lobisomens! E eles retaliaram! Jered não simplesmente morreu! Ele foi assassinado! Em retaliação ao ataque que você ordenou! Então, sim. A culpa é sua. Faz alguma ideia de quantos anos, minha irmã e eu trabalhamos por estes acordos de paz? Condições, negociações, tivemos que usar registros históricos. Sua história. E você... simplesmente aparece e... joga tudo fora! Se não fosse por você, Jered ainda estaria vivo!

A garota estava chorando. Desesperadamente.

—Você sabe, eu costumava pensar quando eu era criança... eu sou descendente do primeiro vampiro do mundo, que legal. Costumava me orgulhar disso, mas agora? Agora descubro que o primeiro vampiro do mundo é um Aro Volturi dois ponto zero. Um idiota, egoísta, egocêntrico e narcisista que faz o que quer lhe dá na telha sem pensar nas consequências!

—Você não falará comigo desta maneira, mulher!

Ai é que a mulher ficou louca da vida mesmo. Ela agarrou Marius pelos cabelos, seus olhos mudaram, olhos de lobo, as presas saíram. Dois pares uma de cada lado da boca.

—Dizem que você e o seu irmão sobrevivem á tudo. Não podem morrer. Vamos ver se você sobrevive á ser mordida por uma Tribrida!

Ela afundou os dentes no pescoço de Marius que berrou. E ela o largou no chão.

—Bem, eu nunca vou querer irritar esta mulher.

Marius sofreu por dias, mas eventualmente ele se recuperou.

—A pior dor que já senti. Quanto tempo durou?

—Três dias. E enquanto você estava aqui sofrendo, ela estava planejando um funeral.

—Uma festa para um cadáver.

—Olha quem está falando. Á três dias atrás você deu um baile para vinte cadáveres. E nenhum deles era metade do homem que o Jered era.

—Onde pensa que vai?

—Ao funeral é claro. Ele era meu namorado, eu o amava. E Emily precisa de mim. Ela é minha amiga.

—Certo. Sua amiga humana.

Ela moveu a mão e Marius caiu no chão e começou a apertar a cabeça.

—Você morde essa sua língua pra falar da Emily!

—Tudo bem. Apenas pare.

—Melhor.

—Então, podemos?

—Você não vai.

—Então, nem você vai.

—Eu ainda arrumo um jeito de te matar, seu vampiro descabeçado. Então, você dirige.

—Nem pensar. Ele não sabe dirigir, eu dirijo.

Eu dirigi, Marcus no banco do carona e Rosalice foi no banco de trás.

—Por favor, pare aqui. Vai haver uma parada com uma banda, se tentarmos ir mais pra frente vamos ficar presos no meio da rua.

Estacionei o carro, desci, Marius desceu, mas ele simplesmente a deixou para trás. Fui eu que abri a porta do veículo para que a senhorita saísse. E lhe estendi a mão.

—Obrigado.

Houve uma missa e depois que ela e a amiga lamentaram a morte do rapaz, fecharam o caixão e a parada começou.