Notas iniciais
https://youtu.be/f9UCYF77Vs4-Marius, Rosie e Cassius no funeral.

P.O.V. Cassius.

Haviam muitas pessoas. Uma parada com certeza. Os padres, as bruxas, os vampiros, humanos e até mesmo alguns lobisomens. Uma banda de Jazz tocava e enquanto caminhávamos pela rua vestidos de preto naquele sol escaldante, ela começou a tossir.

—Você está bem? Você parece...

—Grávida de mil meses e puta com o mundo?

—Iria dizer que está adorável, mas parece um tanto pálida.

—Eu sou parte vampira. Ser pálida está implícito. Mas, obrigado pela consideração. Houve outro ataque, vampiros desta vez. Eles explodiram um condomínio, o condomínio onde eu morava. A casa onde eu morava. Vocês acham que eu era o alvo daquelas bombas?

—É claro que você era o alvo, se eu quisesse me vingar dos vampiros, você seria minha primeira vítima. E eu te penduraria na frente da casa para todos os seus adoradores te verem morta.

Ela sorriu sem humor e disse irônica:

—Que reconfortante.

—Creio que esta seja a forma do meu irmão dizer que gostaríamos que viesse viver conosco. Talvez, devesse tentar uma aproximação alternativa, Marius. Com menos referências á assassinato e massacres.

—Por mais que eu vá odiar te jogar sob o ombro e te arrastar chutando e gritando, algo que nós dois sabemos que eu faria pelo bem do meu filho.

—Uma mordidinha, alguns pesadelos e do nada você quer ser um papai responsável?!

Marius colocou o braço ao redor do pescoço de Rosalice.

—Me permita esclarecer. Meu pai viveu para atormentar-me, para caçar-me, oh, perdão irmão. Para atormentar-nos e caçar-nos e eventualmente com a ajuda de algumas bruxas, ele conseguiu nos prender cada um numa tumba e nos deixou para passar fome por séculos. Não é minha intenção me tornar ele.

Vi a pena passar pelos olhos dela antes que pudesse disfarçar.

—Este ciclo de miséria, acaba com o meu filho.

—É. Mas, só tem um problema. Ela não é sua filha. Ela é nossa filha.

Disse Rosalice frisando bem o nossa e pouco antes de se afastar de nós.

—Foi uma boa tentativa, Marius. Está melhorando.

—Eu odeio funerais.

P.O.V. Rosie.

Vim falar com a Katherine.

—Ei, Katherine... eu sei que... tivemos nossas desavenças, mas... eu quero pedir desculpas pelo o que eu fiz na festa de Halloween. Eu fui horrível com você.

—Nós não vamos ser amigas, você é a razão que Jared e Emily ficaram órfãos e você é a razão pela qual ele está morto. Você pode enganar a Emily, mas não eu.

—Ok. Pelo menos eu tentei.

Continuava tossindo, era como se houvesse algo entalado na minha garganta. Comecei a tossir com mais força, olhei em volta e não consegui encontrar os irmãos Originais no meio da multidão. Me apoiei num poste, pensei que fosse vomitar. E vomitei. Sangue. Senti o pânico me dominar. E então, a escuridão me levou.

P.O.V. Genevieve.

Eu vi a minha irmã passando mal.

—Ei! Marius!

Ele a viu também, bem a tempo dela caiu no chão desmaiada.

—Rosalice!

Todos corremos para acudi-la. O outro irmão a carregou de volta para a mansão onde eles moravam.

—Eu posso ajudar.

—Não toque nela!

—Ela é minha irmã, seu lesado!

—Deixe-a. Ela é enfermeira.

Pois é, troquei de curso. Ser atriz não era pra mim.

—Vai buscar camomila na horta, Marius.

—Eu não aceitarei...

—Cara, ela tá morrendo! Vai logo!

Felizmente ele obedeceu.

—Ela tá tremendo. Me dá seu casaco.

Enrolei a Rosie no casaco.

—Vamos lá Rosie, aguenta.

—Sua irmã não está respirando. Posso ouvir os batimentos da criança, mas não os dela.

—E você acha que eu não sei?

P.O.V. Rosie.

Eu acordei e... eu estava num sonho. Estou na mansão, deitada na mesa, posso sentir o gosto do sangue. Me lembrei do que aconteceu.

E então, apareceu um homem.

—Quem é você?

—Suponho que seja da família.

P.O.V. Genevieve.

O feitiço não tá funcionando. O vampiro se mordeu e tentou enfiar o sangue pela garganta da Rosie.

—Vamos lá.

—De que isso ajuda?

—Se ela se alimentar, talvez cure.

—Não. Isso é coisa de bruxa. É um feitiço, sangue não vai ajudar.

O outro estava começando a entrar em pânico.

—Ela ainda não está respirando! Não está funcionando!

Ele quebrou uma cadeira na parede e começou a se transformar.

—Ai! Ai! Respira fundo, cara. Mantenha o controle. Acha que eu não to preocupada, também? É a minha irmã e a minha sobrinha que estão deitadas nesta mesa morrendo!

P.O.V. Rosie.

Quem diabos é esse cara?

—Eu presumo que minha reputação me preceda.

—Isso é um pesadelo, estou sonhando.

Ele me atacou.

—Ao contrário minha cara, isto é muito real.

—Não!

—Bem vinda ao meu inferno pessoal, preso numa eternidade assistindo aquelas duas criaturas odiosas que um dia foram meus filhos!

—Mas, você tá morto. Como posso estar aqui?

—Como você acha?

Ai é que eu fiquei em pânico mesmo.

—Não! Não! O bebê. O meu bebê.

—Seu bebê?! Esse garoto nunca teve chance! E como se a sua linhagem não fosse suja o suficiente você a envenena mais ainda misturando-a com a minha?!

Ele estava me estrangulando, me dando uma chave de braço. Ele ria feito um louco.

—O verme imortal, se achando um papai!

—Marius é seu filho. E o Cassius também.

—Nós somos abominações da natureza, excentricidades. A mãe deles morreu parindo Cassius.

—Não foi culpa dele, ele era bebê.

Então comecei a revidar. Pisei no pé dele, forçando-o a me soltar. Peguei um mancebo de metal e dei na cara dele.

—Ela não está morta. Eu não estou morta. Se eu estivesse, você não estaria tentando me matar!

P.O.V. Cassius.

Estou desesperado. No pouco tempo que passei com ela, já apaixonei-me por esta mulher forte, independente, altruísta e maravilhosa.

—Já basta! Vou levá-la um médico de verdade.

—Se movê-la o meu feitiço vai quebrar. Não haverá tempo para levá-la á um hospital. Para ao vó Carlisle.

—O bebê sobreviverá, se nascer agora? Eu mesmo arranco de dentro dela!

Tive que conter o meu irmão e a resposta da gêmea não ajudou:

—Sim, mas minha irmã vai sangrar até morrer.

—Eu não vou perder este bebê.

—E eu não vou perder nenhum deles.

De repente, a bruxa parou de recitar o feitiço.

—Eu sei o que fazer. Isso é vodu. Peguem a minha bolsa, o frasco com o pó branco. Agora!

P.O.V. Rosie.

Miserável.

—Você já tá morto, Alexandre. Seus filhos já te derrotaram!

—Eles não são... meus filhos! São um símbolo ambulante de vergonha! De fraqueza!

Vi uma estaca, era de prata.

—Não há teto onde esta atrocidade que está germinando no seu ventre ficará segura. Marius a destruirá de uma forma ou de outra. Melhor que morra agora e você com ela!

Estava subindo a escada de costas quando ele me atacou, mas consegui pular o corrimão e ir para o andar de baixo. Antes que ele me pegasse. Ele que estava no andar de cima, pulou pra baixo. Corri para trás dele e enfiei a estaca no peito dele, ela o atravessou.

—Minha filha terá uma vantagem que Marius e Cassius nunca tiveram. Ela nunca, nunca vai conhecer você!

De repente eu acordei.

—Você está bem, amor.

—Eu o vi. Eu o vi, ele tentou me matar. Eu vi o Alexandre.

Ainda não acredito que Cassius e Marius são filhos de Alexandre, O Grande. E para piorar, não acredito que ele é tão babaca.

—Bem, isto não pode ser bom.

—Mas, ele tá morto. Ele morreu.

—Sim, mas bruxas podem convocar espíritos.

—Ótimo. Agora as bruxas estão contra mim também. Sorte a minha.

—Não são as bruxas locais, são só algumas.

—É melhor que nos mudemos. A Inglaterra não é mais segura.

—E para onde nós vamos?

—Você é americana, não é?

—Sou.

—Então, ai está a sua resposta.

E no dia seguinte subimos num avião particular e fomos para os Estados Unidos. Fomos parar em Portland.

—Porque Portland?

—Porque nenhum vampiro que se preze vem á uma cidade chamada Portland.

—Vou fazer feitiços de proteção e ocultação na casa.

Depois do susto, manter o bebê á salvo é minha prioridade. Passei o dia fazendo feitiços para manter a casa segura de tudo e de todos. Até escondi a gema que sempre carrego comigo para onde quer que eu vá para proteger o local onde me hospedo.

Estava acabando de desfazer as malas quando ouço os passos se aproximando.

—Oi Cassius.

—Impressionante. Nem eu tenho reflexos assim.

—Isso não é reflexo, é audição-sobrenatural.

—O que achou dos seus aposentos?

—É um quarto com uma cama e no momento, para mim é o suficiente. Não tenho padrões tão altos quanto pensa. Não pra isso. É o preço a ser pago quando você cresce na estrada.

—O que quer dizer?

—Minha família é toda composta por vampiros, eles não envelhecem então... temos que ficar nos mudando. E quando eu era criança, todo mundo me queria morta. Por causa da maldita profecia. É claro que na época eu não sabia. Só sabíamos que vampiros malvados estavam atrás de nós e tínhamos que nos mudar antes deles chegarem.

P.O.V. Cassius.

Ter que fugir, ser caçado. Sei exatamente como é isso.

—Eu prometo que lhe protegerei. E seu filho.

—Obrigado. Ahm, se não se importa eu realmente gostaria de tomar banho e dormir. Foi um dia muito longo.

—Não, absolutamente. Bom descanso.

—Pra você também.

Eu sai deixando-a em paz.

P.O.V. Rosie.

Enquanto estava imersa na banheira me perguntava porque eu tinha que ter dormido com o Marius e não com o Cassius. Dormi com o irmão errado.

—Porcaria. O que não fazem umas doses de uísque?

Sai da banheira, a esvaziei e passei no chuveiro para tirar o sabão e lavar o cabelo direito. Enquanto estava debaixo do chuveiro pensava que não queria uma vida daquela pro meu bebê. Ela merecia algo melhor.

Meus pais fizeram o melhor que conseguiram por mim e pela Geni, mas... ainda assim, meu bebê merece melhor.

Desliguei o chuveiro, me sequei, me enrolei na toalha. Fui para o quarto, vesti meu pijama, sequei meu cabelo com o secador e me deitei dormindo quase que instantaneamente.