Notas iniciais
https://youtu.be/DEzgBIvY5us-Marius é altruísta.

P.O.V. Rosalice.

A matilha de Portland me convidou para uma festa na fogueira e é claro que Cassius foi convidado. Ele é... o primeiro lobisomem do mundo.

Me ajudou a me distrair de tudo o que estava acontecendo.

O povo bebendo cerveja, tocando violão. Cassius estava sentado ao meu lado, estávamos rindo, cantando, festejando.

Então, senti uma coisa.

—O que foi?

—Ela se moveu.

—Sério?

—Sério. Quer sentir?

P.O.V. Cassius.

Coloquei a mão na barriga dela e senti a criança se mover.

—Sentiu?

—Sim. Eu senti.

P.O.V. Marius.

Segui-os até a floresta e haviam muitos lobos sentados em roda, um deles tocava um violão. É claro que estavam em sua forma... humana. Bebendo cerveja, cantando. Eu ouvi a risada dela.

E uma delas me viu, veio até mim.

—Você não precisa ficar vindo aqui. Eu te diria se acontecesse alguma coisa, se algo estivesse errado.

A loba era médica, ela cuidava da saúde de Rosalice quando ela estava aqui neste acampamento.

—Ela está indo bem, apesar de tudo. Ela é uma líder nata. Surpreendeu todo mundo.

—Não todo mundo. Eu sempre soube que ela era uma Rainha.

Então, eu vi meu irmão colocar a mão na barriga dela. Senti ciúmes? Sim. Mas, pela primeira vez eu percebi porque ela não gostava de mim. Percebi que a mãe dela estava certa. Sobre tudo.

—Você quer... se juntar a nós?

Perguntou a loba com certo receio. Com medo que eu aceitasse. E minha resposta surpreendeu-a, surpreendeu até a mim mesmo.

—O que eu quero... é que aquela garota... seja feliz. Por favor, não diga a ela que eu estive aqui.

—Claro.

P.O.V. Cassius.

Não sei se ela ouviu, mas eu ouvi. Pela primeira vez, desde que éramos humanos... meu irmão foi altruísta.

Nós só não podíamos imaginar o que aconteceria no dia seguinte.

P.O.V. Rosalice.

Fui traída. Francisca me traiu, me deu de bandeja para as bruxas que agora me arrastam para dentro duma igreja.

—Não! Não!

—Coloca ela no chão!

—Devíamos levá-la para a cidade dos mortos.

É o jeito dela dizer cemitério.

—Não vamos conseguir. O bebê está vindo, teremos que nos adaptar.

—Não, é muito cedo.

Mas, eu estava sentindo as contrações.

—Ai!

Elas me colocaram no chão, nos degraus que davam para o altar.

—Aparentemente não.

—O plano já era difícil quando o sacrifício estava pronto.

Sacrifício? Meu bebê!

—Tive que dominá-la e o trauma causou o decolamento prematuro da placenta! Então, de novo... o bebê está vindo só temos que nos adaptar.

—Não! Me larga!

—Você precisa se acalmar, Rosalice.

Perguntei chorando e olhando nos olhos da bruxa ruiva:

—Porque está fazendo isso comigo?

E a outra respondeu:

—Para renascer, devemos sacrificar.

—E o que diabos isso deveria significar?! Sua vadiazinha psicótica!

Finalmente a ruiva falou:

—Os ancestrais exigem uma oferenda em troca de poder.

—E o seu filho será uma bela duma oferenda.

—O que?! Não! Não! Vocês não vão levar o meu bebê eu vou matar todas vocês!

—Não. Você não vai e nem o Marius ou o Cassius. Quando o seu bebê nascer nós o ofereceremos á aqueles que vieram antes de nós.

Lancei alguns feitiços ofensivos, mas não conseguia me concentrar o suficiente para matá-las. A dor era demais.

—Eu sinto muito Rosalice, mas é o jeito que tem que ser.

—Não! Não!

Eu chutei e gritei e chutei e gritei. Felizmente Marius veio me salvar, mas ele foi subjugado. E eu tive que parir.

—Eu vou me banhar no seu sangue!

—Posso ver o bebê!

—Não! Não!

—Empurra!

Senti meu corpo abrindo duma maneira que não pensei que fosse possível.

—Vocês morrerão gritando!

E finalmente acabou, ela nasceu. A bruxa cortou o cordão com uma faca. E eu ouvi o chorinho da minha filha.

—Vocês tem uma linda filhinha.

P.O.V. Marius.

Quando vi aquela criança, aquela pequena criaturinha ainda coberta de sangue, enrolada numa manta senti esse amor incondicional.

—Devemos começar o sacrifício assim que a lua se alinhar ao céu da manhã.

—Por favor, por favor... posso segurá-la?

Ouvi Rosalice pedir e a bruxa colocou a criança no colo dela, mas outra veio e degolou-a.

—Não!

Elas estavam levando a criança e eu senti meu pescoço ser quebrado.

Não sei quanto tempo fiquei morto antes de acordar e eu abracei o cadáver dela.

P.O.V. Cassius.

Depois de uma bela briga, entrei na igreja chamando por ela.

—Rosalice!

E a cena diante de mim era... horrível. O cadáver, o pescoço degolado, todo aquele sangue. E meu irmão abraçando-a.

—Não. Não.

O veneno de vampiro no meu sistema estava me fazendo ver coisas.

Consegui me focar, cheguei perto do altar e ela estava realmente... morta.

Caí de joelhos.

—Não. Não.

Toquei o seu rosto, mas ela não reagiu.

O seu belo rosto, seus lindos olhos verdes estavam fechados.

—Ela se foi. Você foi mordido.

Marius mordeu o próprio pulso e alimentou-me com seu sangue. Meu sangue é a cura para um vampiro que foi mordido por um lobo e o sangue de Marius faz o contrário. É a cura para um lobo mordido por um vampiro.

Posicionei o corpo sem vida de Rosalice sob o altar. A igreja estava praticamente destruída. O que quer que tenha acontecido aqui, não aconteceu sem uma briga.

—Como?

—Eu fui superado.

—Você foi superado? Você... foi superado! Meu irmão invencível.

—Elas levaram o bebê. Planejam sacrificá-la. Mas, ainda há tempo. Nós, podemos salvá-la.

Fomos até o cemitério onde vagamos sem rumo, marcando todos os locais por onde passávamos. Estávamos ficando sem tempo e eu estava de luto e com raiva.

—É engenhoso, posso vê-las, posso senti-las e ainda assim elas não estão lá. Não são reais.

—Tem que haver uma maneira Marius. Mesmo se pudermos apenas atravessar o encantamento.

—O que precisamos fazer é nos focar.

—Meu único foco agora é aquela criança e sua segurança, você compreende?! Isto, tudo isto. É o resultado de todas as suas ações, todos os seus esquemas, seus planos. Este é o mundo que você criou!

—Irmão...

—O que achou que aconteceria?! Que resultado esperava?! Que sua filha nasceria numa vida feliz?! Que a mãe estaria viva para conhecer e criar a filha?! Que poderíamos viver, nos adaptar, recomeçar e ser felizes nesta nova era?!

—Este era o seu sonho! Não o meu!

—Não! Irmão. Esta era nossa esperança! Esta era a única esperança da nossa família! E agora... ela se foi. Você compreende? Eu deixei esta pessoa entrar. Eu a deixei entrar. Eu não deixo as pessoas entrarem. E você sabia disto, tirou-a de mim. Eu precisava dela e você me quebrou, me destruiu.

P.O.V. Marius.

Esta foi a primeira vez em eras que vi meu irmão chorar. Que ele expôs seus sentimentos para mim ou para qualquer um. Foi a primeira conversa emocional, de irmão para irmão que tivemos desde que éramos crianças, humanos.

Ele se sentou e lamentou-se. Sentei-me ao seu lado, segurei seu braço e disse:

—Você pode dizer a sua sobrinha, o quanto se importava com a mãe dela, o quanto sua mãe era especial. Quando a salvarmos.

P.O.V. Rosalice.

Respirar. Foi o que eu fiz. Respirar. O ar entrando pelos meus pulmões era doloroso, o que significa que fiquei morta por algum tempo.

Olhei em volta, a costumeira desorientação. Então percebi que estava na igreja e me lembrei o que aconteceu. Eu dei a luz, as bruxas levaram o meu bebê e me assassinaram.

Elas me pagam.

Me levantei e fui até o cemitério.

Ouvi as vozes de Cassius e Marius.

—Nós já passamos por aqui duas vezes. Estamos ficando sem tempo!

Disse Cassius. E Marius disse:

—Então, nos movemos mais rápido.

Minha vez.

—Ou com mais esperteza.

P.O.V. Cassius.

Eu não acredito no que estou vendo.

—Rosalice.

Fui até ela, toquei-a, toquei o seu rosto e ela estava... viva.

—Rosalice.

O alívio na minha voz.

—Como está aqui?

—Eu sou uma Tribrida lembra? Sou imortal. Quando sou ferida por prata, eu curo. Eu morro mas, nunca dura muito.

—Mas, Genevieve...

—Ela foi mordida por muitos vampiros de uma vez. Foi demais. Eu acordei na igreja, sinto a fome. Sei o que preciso. Posso senti-la, ela está aqui. Posso sentir meu bebê.

—Você morreu com o sangue da criança ainda no seu sistema.

Disse meu irmão. E eu sabia o que significava.

—O que significa que ela tem que beber o sangue da criança para sobreviver.

A resposta de Rosalice foi bastante direta:

—Eu não ligo pra mim. Agora, parem com essa lenga-lenga e vamos salvar a nossa filha.

Disse olhando para Marius. Nós a seguimos e ela conseguiu rastrear a criança. Chegamos até as bruxas que recitavam um encantamento e estavam prontas para cravar um punhal no peito da menininha.

—Não!

Atirei uma urna nelas e acertei uma, elas largaram a faca, mas continuaram lutando. Nos lançaram longe.

—Seus tolos! De virem contra nós no nosso local de poder, na nossa hora mais forte! Vocês não enfrentam três. Enfrentam todos nós.

Eram espíritos. Mas, então... os espíritos começaram a sumir.

—O que é isto Sophia?

—Eu não sei.

A bruxa tentou chegar na faca, mas Rosalice a impediu. Bateu nela, chutou-a. As bruxas estavam enfraquecendo, foi relativamente fácil matá-las.

Atirei um pedaço de metal que arranquei duma cerca e este atravessou o peito de uma delas. Que sufocou no próprio sangue até a morte.

Mas, ainda assim elas pareciam determinadas a sacrificar a criança. Começaram um incêndio para impedir nossa aproximação. Mas, Rosalice resolveu.

—Phesmathos Modis Incendeamos.

O fogo se abriu para que Marius pudesse passar e estraçalhar o pescoço da bruxa.

Nós acorrentamos a última delas. A líder.

—Porque?

Perguntou Rosalice encolerizada.

—Os ancestrais não me deram escolha.

Respondeu a bruxa e isso deixou Rosalice ainda mais irritada.

—Sempre há uma escolha! Você estava disposta a sacrificar, um bebê inocente por mais poder.

—Não apenas por Poder. Foi o decreto dos ancestrais. Foi o decreto Dela!

Agarrei o pescoço da bruxa.

—O decreto de quem?!

E ela riu.

—Estou surpreso que tenha que perguntar, afinal foi você quem convenceu seu irmão á consagrar os restos dela no solo desta cidade para começar.

Soltei-a abruptamente. E Rosalice chegou á mesma conclusão que eu.

—Atena.

—Aparentemente nem mesmo a morte impedirá nossa mãe de buscar a aniquilação de sua própria carne e sangue. Eu disse que era uma má ideia.

Disse meu irmão.

—Isso não é o fim. Enquanto aquela criança viver, enquanto aquela criança respirar, as bruxas de Portland nunca vão parar de vir atrás dela. Atena, nunca vai parar de vir atrás dela. Foi decretado. Seu bebê será consagrado ao lado de seus ancestrais, ela não vai viver.

Os olhos da bruxa começaram a sangrar.

—Estão vindo por mim, posso sentir. Falhei com eles. Por favor, entenda eu só queria viver.

Disse Sophia olhando para Rosalice que segurava a adaga com a qual as bruxas planejavam matar sua filha.

—Rosalice, eu sinto muito.

Então, a mãe furiosa enterrou a lâmina na barriga da bruxa que já se afogava no próprio sangue e disse olhando bem no fundo de seus olhos:

—Eu não.

Rosalice torceu a faca e saiu.