P.O.V. Marius.

Ela teve a chance de se lavar, trocar de roupa e recuperamos a criança sã e salva.

—Devíamos ter sentido a mão de nossa mãe nisto. Deveríamos saber que ela não seria impedida por algo tão óbvio quanto a morte.

Rosalice estava sentada numa cadeira de balanço com a menininha no colo.

—E agora ela tem o controle das bruxas desta cidade. Elas jamais pararão.

—Não.

—Eu não esperaria que os lobos Guerreira recuem, Rosalice e a criança são realeza lobisomem. Elas tem a marca e o sangue do primeiro lobisomem, você. E portanto, são uma ameaça real á reivindicação de Francisca á liderança. Elas jamais estarão seguras. O que foi que me disse mais cedo? Que eu fiz inimigos á cada dia de minha miserável vida. A mãe de Rosalice também disse que isto aconteceria. Minha filha herdou todos os nossos inimigos e nenhuma de nossas defesas. Trouxe para este mundo uma arma que podem usar contra mim.

—Então nos armamos. Irmão, enfrentamos adversários piores, enfrentamos todos os adversários nesta cidade e vencemos. E lutaremos novamente, não importando quem seja. Transformaremos esta casa numa fortaleza.

—Não permitirei que minha filha viva sua vida como uma prisioneira.

—Então, fugimos. Todos nós, juntos.

—Cassius para onde quer que formos, nossos inimigos nos caçarão, a caçarão.

—Então, se ficarmos ou fugirmos... as condenamos.

P.O.V. Rosalice.

Homens. Sempre pensam pequeno.

—Ou talvez haja uma terceira opção.

Baseado na reação deles, acho que esquecerem que eu estava lá.

—Como minha filha, eu cresci numa zona de guerra. Meus pais fizeram tudo o que puderam para me proteger, proteger minha irmã. Mas, no fim... houve uma guerra e minha irmã foi assassinada. Eu prometi para o meu bebê e para mim mesma que ela não cresceria como eu. Que ela estaria á salvo e seria amada. E ainda assim aqui está ela no seu primeiro dia neste mundo com uma avó maluca que planeja sacrificá-la e uma mãe que tem que beber o sangue do seu próprio bebê para sobreviver a não ser envenenada por... prata. E eu sou aquela que mais a ama.

Podia sentir as lágrimas escorrendo, minha fala saiu engasgada. Respirei fundo e consegui falar com firmeza.

—Acho que a única coisa a se fazer é, mandá-la embora enquanto ficamos para trás e limpamos a bagunça que fizemos.

—Mas, você ouviu a bruxa, enquanto a menina viver... ela será caçada.

—Vocês pensaram bem, mas pensaram pequeno. E se... ninguém, souber que ela está viva?

P.O.V. Marius.

Eu a subestimei. De novo.

Rosalice fez uma bolsa com coisas de bebê e iria escrever uma carta, mas parou.

—O que?

—Ela precisa de um nome Marius.

—Sim, precisa.

—Zoe? Katherine? Caitelin?

—Não. Muito ordinários.

—Nunca pensei que pudesse amar algo tanto. E honestamente é... horrível. Como se pudesse me matar.

—E matou. Lamento que o início da vida dela tenha sido tão violento.

—Não foi sua culpa Marius.

—Foi. Foi sim.

—Eu sei que lutou por nós. Você estava lá. E eu sou grata.

—Sabe, quando Cassius pensou que você estava morta ele disse que havíamos perdido a única esperança de nossa família.

—Hope. Hope Corvinos.

—Hope Genevieve Corvinos.

Ela me olhou agradecida. Pela homenagem á sua gêmea falecida.

—Meus parabéns irmão, você acaba de dar a ela um nome.

Rosie bebeu uma gota do sangue de Hope e escreveu uma carta que colocou na bolsa junto ás outras coisas. E eu quis entregá-la pessoalmente á Rebekah. A melhor amiga de Rosalice.

Fizemos um funeral falso, um memorial e tudo isso.

—Olá Rebekah.

—Olá Original. Devo chamá-lo de pai?

—Por favor não.

Ela viu o bebê.

—Ela parece com a mãe dela, sortuda.

Disse a última parte em tom de piada.

—Talvez haja um Deus, afinal.

—Ela tem algo diabólico no olhar. Isso ela pegou de mim.

A vampira riu.

—Arrume uma bruxa que confie para fazer um feitiço de ocultação. Assim ninguém a encontrará.

—Deixa comigo.

—Ninguém, jamais pode encontrá-la.

—Eu sei o que fazer, Marius. Rosie é minha melhor amiga como uma irmã. O Doutor e sua família me acolheram quando eu não tinha ninguém, logo depois do confronto. Eu nem sabia direito o que eu era. Estava sozinha, assustada e eles me salvaram. Devo isso a eles. Talvez, consiga uma casa no campo. Vou comprar para ela roupinhas lindas. Ela vai ficar adorável.

Olhei para a minha filha e disse:

—Esta cidade quer você morta. Mas, vou fazer ela ser o seu lar. E cada alma que deseje lhe causar mal, será destruída eu prometo com certeza, com a mesma certeza de que o meu sangue corre em suas veias, eu sei que você retornará para mim.

Dei beijinhos nela. E a entreguei para a vampira.

—Apesar de nossas diferenças e desavenças Rebekah, eu sei que não há ninguém neste mundo a quem Rosalice confiaria a vida de nossa filha. Então, obrigado e seja feliz.

—Ela será feliz Marius, eu prometo. Como ela se chama?

—O nome dela é Hope.

E tive que assistir a minha garotinha ser levada embora.

P.O.V. Rebekah.

O tempo passou e o bebê cresceu. Logo seria hora de devolvê-la a sua mãe.

Foi bom enquanto durou. Talvez eu tome a cura, volte a ser humana e tenha um filho. Recebi uma mensagem, de Cassius dizendo para eu encontrá-lo num café.

O que significa que é chegada a hora.

Quando cheguei ele já estava me esperando.

—Olá lobão. Como vai?

Nós nos abraçamos, apesar do cheiro. Nós somos amigos.

—Bem.

Tirei a Hope da cadeirinha e deixei ele segurar.

—Olhe para você. Tão grande e tão perfeita. Nem consigo imaginar a alegria de passar todos os dias com ela.

—Trocando fraldas sujas, noites sem dormir e fazer mamadeiras com aquela gororoba de leite em pó. Ainda bem que não preciso respirar e nem dormir.

Nós rimos.

—É...

—Adorável. Me faz sentir tão... humana.

—Sim. Alguns dizem que é a mais humana das experiências.

—Eu sei que terei que devolvê-la para a Rosie quando a hora chegar, mas... eu nunca quis ser vampira. Fui recrutada, transformada contra minha vontade e aprendi a viver com isso, mas ela me fez perceber o quanto eu quero ter um filho só meu. O quanto a imortalidade não significa nada sem a possibilidade de ter uma família só minha.

—É um sonho adorável.

—Por isso vou pedir para a Rosie me fazer a cura.

—Cura?

—Você não sabe da cura. Olha, se ela não contou foi para não usarem como arma. E se quer saber, não sei se funcionaria em você. Porque você não é vampiro.

—O que esta cura faz, exatamente?

—Transforma vampiros de volta em humanos. É uma cura para a imortalidade. A fórmula existe á séculos, não é tão velha quanto você e a mãe da Rosie encontrou. No grimório de Genevieve, a mãe do Alec.

—Entendo.

—Soube sobre a sua mãe. E o que ela fez com você.

—Sim. Atena me torturou psicologicamente, fez alucinações em minha mente. Usando memórias que pensei ter enterrado á muito tempo.

—Sinto muito.

—Então ela me fez uma oferta. De me fazer mortal novamente.

—O que?! Atena tem a fórmula da cura?!

—Não. Não. Ela queria que eu vivesse no corpo de outra pessoa, roubasse sua vida.

—Uau! Mamãe monstro.

Então, ela pareceu perceber o que havia dito.

—Sinto muito.

—Está tudo bem. Você está certa. Minha mãe é um monstro, agora sou grato por jamais tê-la conhecido. Até agora. E por mais que seja cruel, tenho que confessar que teve algum... apelo.

A vampira me olhou e disse:

—Sua mãe é mestre em manipular pessoas, Cassius. Ela vai tentar ferrar com a sua cabeça. Não... acredite nela. Não seja burro.

P.O.V. Rebekah.

Eu senti cheiro de sangue assim que entrei. Humano e vi o sangue na manga da camisa dele.

—Não se preocupe, estamos seguros.

Felizmente Hope chorou e pelo cheiro eu sabia o que era.

—Bem, parece que alguém precisa trocar a fralda.

Ele me devolveu a menina.

—Vamos, meu amor.

Enquanto carregava a menina para os fundos, vi o sangue, espalhado. O que indicava que os cadáveres foram arrastados. E nos fundos atrás do balcão... atrás das portas... haviam cadáveres humanos estraçalhados. Demais para contar. Todos os funcionários do restaurante exceto uma atendente que ainda estava viva, a balconista.

Rapidamente, escondi o rosto da menininha para que ela não visse aquilo. Não que ela compreenda o significado.

—Nós temos que ir.

—Amanhã. Mandarei o endereço para o seu celular.

—Tudo bem.

Coloquei a menina no carro e fugi correndo daquela morte toda.

—Você tem uma bela duma linhagem, um belo dum legado. Pequena Original.