- Certo… O que isso quer dizer?

Questionou de maneira cética, optando por ser um pouco cínico, assim como ela tinha sido, enquanto empurrava a porta de vidro da loja de decorações, suspirando satisfeita ao ver a quantidade de opções dentre as quais poderia escolher, tendo em vista que o ambiente era muito maior do que o armazém anterior, com dois andares de mercadorias.

Era, também, mais excêntrico que o outro, no que dizia respeito aos objetos culturais, uma vez que se encontrava na interseção de diversos países da Europa Central e, por isso, abrigava várias crenças e culturas peculiares de Tanier.

Seus olhos, no entanto, estavam presos em Wanda e na forma como ela tentava parecer indiferente à própria sugestão, algo muito distante do que havia feito naquela manhã quando, ao encarar a ligação de Sam, imediatamente ergueu uma barreira fria e instantânea entre eles. Não sabia se fazia intencionalmente ou se se tratava de uma forma de se proteger, mas, àquele ponto, considerava irritante.

- Bem… É um feriado americano. — Ela examinou distraidamente alguns guardanapos enquanto elaborava em seu sotaque mais pesado, algo que fazia sempre que estava tensa. Bucky a conhecia. — E eu não estou me sentindo, exatamente, grata no momento para me preocupar com um dia como esse.

Bucky examinou com convicção o perfil parcialmente coberto pelo boné e pelos cabelos soltos. Minutos antes, usava assim para não chamar a atenção imediata de ninguém, agora, era uma forma de se distanciar do próprio Bucky. Por isso, não resistiu em afastá-los do rosto, acomodando os fios com cuidado atrás dos ombros, enquanto ela mantinha os olhos na descrição da etiqueta de um vaso de cristal bastante comum.

- No entanto, está aqui… Fazendo a mesa para um perfeito Dia de Ação de Graças.

Murmurou a observando prender a respiração e endurecer os ombros, se virando para seguir por aquela prateleira. Diferente dela, não estava nada preocupado em procurar por itens de decoração, por isso apenas se manteve em silêncio, mas Wanda voltou a dizer, em voz baixa.

- Sam e a família dele… — Ela respirou fundo. — Eles são sua família agora. Por isso ele está tão insistente sobre sua presença. Além disso, eu sei que eles também te fazem bem. Trazem paz à sua mente.

Por algum motivo, não apreciou que o fato tivesse sido constatado por Wanda, embora fosse assim que, pessoalmente, enxergasse a família de Sam. Inevitavelmente, a data o fazia se recordar de sua família, numerosa e barulhenta, pois sempre se juntavam aos Rogers.

Em razão da lavagem cerebral já não conseguia recordar de um jantar ou situação específicos, mas sabia que suas irmãs eram marcantes e expressivas, de forma que estavam sempre correndo, brincando, pregando peças e sendo alvo dos olhares rígidos e discursos pomposos da mãe deles. E conseguia, também, se lembrar de sensações; do conforto, dos aromas que se instalavam pelo apartamento pequeno, das risadas e das conversas embaralhadas.

A família de Sam fazia com que parte desse clima familiar retornasse, especialmente por conta de seus sobrinhos e da forma maternal com que Sarah tratava a todos. Ela era uma ótima anfitriã e, apesar de ter todos os motivos para não desejá-lo lá, convivendo com seus filhos, o aceitava e o fazia ser grato.

Por isso, havia combinado com Sam a sua data de partida, embora soubesse, lá no fundo, que nada faria com que se aproximasse daquelas sensações vívidas de antes de tudo, quando era apenas Bucky e nenhuma do Soldado Invernal o habitava. Era grato pelo pouco de normalidade que alcançava lá, com eles, pelo conforto em que estaria longe de tudo o que Wanda passara a despertar nele. Contudo, o que já não soava correto antes, pois ela havia pedido que ficasse, agora, que definitivamente a apreciava, parecia dez vezes pior.

- Você poderia vir conosco. — A mão dela, que buscava uma taça de um conjunto bonito, congelou no ar. — Quando Sam pousar em Praga, você não precisa ficar. Sarah e ele não se importariam… Você é boa com crianças, eu sei que seria muito bem vinda lá.

No instante seguinte, quando respirou fundo e resolveu se voltar a ele para, provavelmente, elaborar um discurso completo sobre seu ponto de vista, esbarrou em uma das prateleiras mais sensíveis do lugar. Pelo menos, ainda podia desestabilizá-la como ela fazia com ele.

Repleta até o teto de taças de vidro de todas as cores, formatos e tamanhos, tudo aquilo estaria no chão se ela não tivesse sido rápida o bastante para levantar ambas as palmas e fazer com que tudo retornasse ao seu devido lugar, engolindo um xingamento baixo.

Bucky não percebeu que estava prendendo a respiração até que a soltou, observando todos os objetos dispostos na prateleira, como se a energia escarlate não tivesse interferido neles através dos dedos sempre místicos da ruiva.

No instante seguinte, ambos olharam ao redor para verificar se ninguém havia presenciado o acontecido e, em um conversar silencioso, decidiram voltar a andar com mais cautela, sem mencionar o ocorrido.

- Isso é… — Ela abaixou o rosto para a cesta, pensativamente. Gostaria que estivesse sem boné para que conseguisse olhar seu rosto da forma correta, sem empecilhos, como costumava fazer sempre que o silêncio imperava. — Doce, da sua parte. Mas… Eu tenho certeza que Sam e a irmã dele não iriam me querer perto das crianças depois de tudo e… De qualquer forma, não posso pisar nos Estados Unidos novamente. Este é o meu acordo com Rambeau.

- Desde quando é tão boa em seguir regras? — Ela meneou a cabeça, resignada.

- Desde que ela me deixou fugir depois do que fiz em Westview.

Contou baixo, voltando a olhar ao redor, como se estivesse falando do tempo. Bem, todos eles tinham feito coisas condenáveis no passado e este era um motivo legítimo, mas não para mandá-lo embora, quando sabia, sentia, que tudo parecia diferente entre eles.

- Pode me dizer qual o real problema?

Wanda estacou um degrau acima da escada para o segundo andar e se virou, abrindo a boca para falar, mas parou quando seu celular voltou a vibrar. No mesmo instante, os olhos dela recaíram sobre o aparelho em sua mão, ciente de que era Sam, tanto quanto ele, provavelmente para avisar que estava se aproximando de Praga. Bucky não estava nem próximo da capital, mas havia tempo para chegar e, por isso, ela parecia tão reticente.

Notou, então, quando uma sobrancelha se levantou de maneira discreta sob o boné baixo e Wanda deu às costas a ele, voltando a consultar a lista que tinha em mãos, a tensão de volta aos ombros e os lábios ainda mais apertados. Estacado onde estava, apenas a observou se afastar, estreitando os olhos ao chegar à conclusão de que a ruiva poderia não ser como nenhuma outra mulher que conhecera em toda a sua vida, mas, ainda assim, era uma mulher, o que o fez apenas revirar os olhos e se dirigir à saída, também sem dizer nada.

Isso, provavelmente, a deixaria estressada, mas não tinha a mínima paciência para continuar aquele diálogo — ou, mormente, alimentar a falta dele, enquanto se encontravam dentro da loja. Além disso, seu celular, de fato, continuava a tocar insistentemente e, dessa vez, enquanto se dirigia para o carro, atendeu no segundo toque.

- Sim.

- Er… Olá, Sam, há quanto tempo! — Sam ironizou e Bucky decidiu se manter em silêncio. — Como é generoso da sua parte poder me dar uma carona de jatinho com todas as despesas pagas pelo governo americano.

- Olá, Sam, o que você precisa? — Seguiu pela calçada da avenida principal da cidade, atento aos movimentos ao redor, mas rápido o suficiente para chegar ao carro sem demora.

- Uau, estamos monossilábicos hoje. — Se acomodou no banco do motorista e, com um suspiro enfadado, simplesmente esperou. — O que aconteceu?

- Porquê está tão de bom humor?

Percebeu o próprio tom mal humorado com uma careta e tirou o boné para conseguir enfiar os dedos nos próprios cabelos, para tentar extravasar a própria tensão. Desde a noite anterior, suas emoções estavam inteiramente fora do lugar e aquele dia estava sendo como um teste de autocontrole.

- A missão terminou antes do previsto e estamos indo para a casa mais cedo. — Contou, animado. — Não é ótimo?

- Estamos?

- Sharon e eu. — Abriu os olhos de maneira abrupta, franzindo o cenho para o nada enquanto absorvia o tom do Capitão e a informação em si.

- E Sharon também vai passar o Dia de Ação de Graças na Louisiana, imagino. — Tateou.

- É claro, porque não? — Levantou uma sobrancelha irônica para si mesmo, ponderando a resposta evasiva. — Bem… É por isso que estou tentando te ligar, estamos chegando em Praga e iremos sair amanhã na primeira hora, então… É bom que esteja no hangar às cinco da manhã.

Suspirou pesadamente, dessa vez. Sabia que a realidade sobre aquela questão chegaria em algum momento — seu compromisso com Sam e a relutância em deixar Wanda ali, sozinha -, especialmente depois de… Tudo. Havia prometido que ficaria, sim, mas as coisas tinham se tornado diferentes rápido demais.

Não sabia se havia sido por causa do beijo ou por causa do sexo, pois, às vezes, tinha a impressão de que a conexão entre eles começara muito antes. Romance, como Sprite bem gostava de assinalar, soava apenas como uma consequência após todas aquelas semanas inevitavelmente compreendendo um ao outro. As coisas avançaram para uma direção completamente diferente e, agora, era como se sentisse tudo se encaixar ao mesmo tempo em que ruíam ao seu redor. E isso tudo por conta de Wanda Maximoff.

Se perguntou se ela apenas queria deliberadamente que tudo mudasse — entre eles, sobre eles — nas últimas semanas. Também, instintivamente, não confiava que ela estivesse ali quando voltasse e este também era grande motivo para pensar trinta vezes sobre acompanhar Sam, além do fato de que não queria, simplesmente, deixá-la sozinha para lidar com seus demônios. Sim, eram dela, assim como ele tinha os dele, mas ambos pareciam se entender no caos.

- Sam… — Sentiu a boca imediatamente seca demais. — Este é o problema. Não vou voltar com você para o Dia de Ação de Graças.

- O quê? — Segurando o celular um pouco mais forte contra o ouvido, observou quando Wanda saiu da loja carregando algumas sacolas e se direcionou para o carro, percorrendo o mesmo caminho que ele fizera, minutos antes. — Está acontecendo alguma coisa? Você parece um pouco tenso.

- Não, é apenas… — Pigarreou, tateando as palavras. — Wanda está com alguns problemas, como eu te falei. Não exatamente pessoais, mas, ainda assim… Sabe como são os problemas dela. Eu prometi ajudá-la com… Tudo isso. Como você ajudou Sharon.

Notou o silêncio do outro lado por um instante, seus olhos ainda presos na figura de cabelos castanhos sob o boné preto, andando de cabeça baixa entre as pessoas, provavelmente tentando não se concentrar nos pensamentos delas. Só então, porém, percebeu a referência a Sharon. Não havia sido explícito, nem muito claro, mas sabia que assim Sam compreenderia sua relutante decisão.

- Você passou a se importar, não é? — A voz dele ganhou um timbre mais sério e o sargento apenas encostou a cabeça contra o banco, embebido nas palavras do amigo. — Bucky, você… Tem sentimentos por ela?

Então, neste momento, foi como se tudo silenciasse ao seu redor, inclusive sua mente ansiosa. Não conseguia aquele tipo de paz muito facilmente, por isso, apenas acompanhou quando ela dera a volta no carro, parando do lado de fora, sustentando um olhar um tanto analisador, para sinalizar que ele abrisse a tampa traseira. Apertou o botão no painel automaticamente e voltou a se concentrar em Sam, que o chamava após a súbita mudez na chamada.

- Eu… Tenho que desligar, Sam, nós nos falamos. — Pigarreou novamente, a acompanhando pelo retrovisor ao guardar as compras com cuidado. — Mande um abraço para Sarah e os meninos.

Apertou o botão para desligar antes que ele pudesse responder e se obrigou a respirar fundo, focando em um ponto qualquer à frente — o que, calhou de ser uma mulher loira que descia as escadas da estação de trem de Tanier, carregando duas grandes malas, embora sua mente estivesse muito longe da figura.

Era, inteiramente, sobre aquilo e Sam não poderia ter colocado em melhores palavras, exceto que eram perturbadoras, pois nunca havia colocado aquela relação sob este ponto de vista. Ou, ao menos, não tão diretamente. Estava bastante consciente de seu fascínio por Wanda, pela forma como queria ajudá-la, se mostrar disponível e até como se decepcionava quando a percebia seguir por um caminho pouco ortodoxo, mas nunca havia pensado em algo tão… Acentuado. A porta do passageiro se abriu e Wanda se sentou sem cerimônias, o analisando.

- Podemos ir? — Notou o tom cuidadoso e Bucky apenas anuiu, dando partida e manobrando para sair do estacionamento. Se dirigiu à saída da pequena cidade e, posteriormente, adentrou a floresta e a estrada cascalhada que tradicionalmente levava à casa da Bruxa, mantendo o silêncio. A pergunta de Sam parecia ecoar em sua mente. — Olha… Eu só não quero que se sinta pressionado a ficar só porque pedi, isso é tudo.

Percebeu a maneira cuidadosa que ela começou, mantendo os braços bem cruzados contra o corpo e os olhos lá fora, na floresta que os rodeava, tornando o caminho um tanto mais escuro em relação à tarde nublada lá fora.

- Eu não sinto.

E essa era a maior verdade que poderia sustentar sobre aquilo, pois havia partido dele, muito antes que Wanda considerasse aquele pedido. Ele quisera cuidar dela e garantir que não iria se deixar levar pela vontade nada ortodoxa da busca por sua família, ainda que soubesse do potencial perdido de seu próprio desejo. Wanda era independente, nada do que dissesse faria com que mudasse de ideia. Ainda assim… Lá estava Bucky, novamente, aquiescendo para ela, por ela.

Ela o encarou sob o boné, os cabelos ainda castanhos tornando seu olhar mais carregado e suas feições mais sérias, ainda que o casaco e as roupas de inverno grandes demais a deixassem mais nova do que realmente era.

- Bucky, você pode não querer encarar isso… Mas estava pronto para partir. Há dias atrás, não apenas quando Sarah ligou, você… disse que estava na hora de ir. — Então, decidiu frear e parar o carro antes que chegassem à cabana sem terminar aquele assunto. Ele abriu a boca para contestá-la, mas Wanda não deixou que a interrompesse ainda que seus olhos parecessem opacos demais. — Eu te disse, você parece sempre estar prestes a pegar o primeiro trem e… Está tudo bem, estou bem com isso, não sou sua obrigação.

Bucky piscou um tanto incrédulo, abaixando os próprios olhos para os dedos ansiosos dela. Repletos de anéis, eles pareciam refletir o que passava dentro de sua cabeça, por trás das feições determinadas.

- Sabe… Estou ouvindo, mas não… Consigo acreditar que essa é toda a verdade. Espero que saiba que sei disso.

Wanda levantou os olhos, impaciente dessa vez, mas não se importou. Tinha a sensação de que, se permitisse, ela se fecharia em si mesma por um tempo e não gostaria que voltassem a este ponto novamente. Notou como ainda relutou por um instante, o perfil altivo e orgulhoso preenchendo toda a semiescuridão do carro enquanto ela fitava algo completamente abstrato na estrada à frente.

Naquele segundo, gostaria de poder explorar a possibilidade de entrar na mente dela, como havia deixado que fizesse quando se tratava das crianças; ou mesmo, como sabia que ela poderia fazer com ele, se quisesse. Queria conhecê-la, enxergá-la de dentro para fora e desvendá-la, sem que precisasse pisar em ovos para tanto.

Sentia que, com ela, estava sempre à beira da escuridão, pronto para ser engolfado, ao mesmo tempo em que parecia a ponto de jogá-lo para fora, afastando-o por completo. E, apesar de ser enervante, como naquele momento, também era proporcionalmente instigante e sabia que ela não fazia de propósito para deixá-lo naquele estado. Então, ela virou o rosto e o encarou firmemente sob o boné, embora os dedos estivessem bem presos no próprio cruzar de braços, refletindo seu posicionamento defensivo.

- Eles são importantes para você.

- Você é importante para mim.

Retrucou no mesmo instante, antes que pudesse pensar duas vezes, o que a fez recuar um pouco contra o banco, prendendo a respiração ao encará-lo, um tanto chocada, antes de se virar e abrir a porta para sair do carro, como se precisasse de tempo para respirar.

Por um instante, apenas a acompanhou respirar fundo e olhar ao redor, parecendo um pouco perdida enquanto voltava a brincar com os próprios dedos ao lado do corpo. Era uma característica tão marcante dela que sempre lhe chamava a atenção. Com um suspiro pesado, simplesmente deixou o carro e deu a volta, encostando na lateral do capô enquanto, pacientemente, esperava que ela processasse o momento e os próprios pensamentos.

Então, a voz de Sam voltou aos seus ouvidos. O questionamento que, enquanto a encarava, lidando com a verdade daquilo sobre eles, da impulsividade certeira em seu tom, não soava mais como um. Já tinha feito sua escolha há muito tempo, mesmo que não tivesse admitido a si mesmo, a Sam ou a ela, estava em tudo o que fazia.

Ao mesmo tempo em que sabia que havia algo ali, sob a desculpa do que dissera a manhã toda para afastá-lo, também não queria pressioná-la. Entre eles, sempre havia existido um entendimento mútuo e quase místico, não queria que as coisas fossem diferentes, por isso apenas esperou até quese voltou à ele, os lábios remoendo um ao outro ao ponderar o que tinha a dizer.

- Eu… Gosto da ideia de… Estar lá por você como você está sempre por mim. Nas últimas semanas, nós… Meio que cuidamos um do outro, não é? — A voz dela se encontrava surpreendentemente suave, o que o desarmou por um instante, fazendo com que apenas concordasse com um aceno lento. Observou como ela piscou e desviou o olhar para a escuridão por entre as árvores para tentar disfarçar as lágrimas que se acumulavam ali. — Mas não é justo, Bucky. Sempre que Sam liga, eu me lembro que existe todo um mundo de possibilidades para você, lá fora, com a família dele ou não, enquanto eu tenho… Isso.

Ela gesticulou abstratamente, se referindo a todas as questões envolvendo sua paternidade, sua maternidade, seus poderes, seus objetivos, seus próprios atos do passado, aquele lugar. Não havia sido leviano com Sam, Wanda tinha problemas. A questão é que, com o tempo, enquanto passava a conhecê-la, mais e mais, não tinha receios de se aprofundar em todas essas nuances. Pelo contrário, só fazia com que quisesse olhá-la mais de perto, mergulhar de verdade em tanto poder e beleza, só o deixava mais e mais fascinado.

- Wanda… Pode olhar para mim? — Ela negou, engolindo em seco e balançando a cabeça, um pouco inconformada.

- Eu não tenho nada para você.

Seu tom foi murmurado e dolorido, como se só então tivesse se dado conta daquilo, o que fez com que se afastasse do carro e se aproximasse dela, realmente, sem hesitações. Ela não o encarou, mas também não se moveu, por isso levou os dedos para alcançar as pontas dos fios que se esparramam pelos ombros dela, gradualmente subindo até chegar ao pescoço, onde jogou a massa de cabelos escuros para trás para, suavemente, encontrar a pele alva.

Notou como Wanda prendeu a respiração e fechou os olhos, ainda se recusando a olhar nos olhos dele, por isso, se inclinou sem pressa até que seu nariz encontrou aquele espaço inexplicavelmente perfumado próximo à nuca. O soro o tornava mais sensível e, por isso, era capaz de sentir a magia emanando dela no mesmo ritmo em que a tocava, assim como no ritmo que a pressionava com os dedos entrelaçados em sua nuca, sincronizados. Soava como algo tácito e inofensivo, mas, ainda assim tão poderoso que o arrepiava de cima a baixo, fazendo-o desejar, alegremente, poder desvendá-la cada vez mais.

O silêncio que crescia agora, se estendendo para a floresta ao redor, era mais de expectativa do que de tensão, preenchendo o ar entre eles como se pesasse mais. A sentiu ofegar e engolir em seco quando decidiu contrastar o toque suave com um beijo mais pesado e arrastado próximo à garganta. Ali ficaria uma marca, mas pela forma como os dedos anelados se fecharam na gola de seu casaco, isso não importava muito. Sua barba roçou a pele clara sem piedade enquanto a beijava e mal podia acreditar que, em um piscar de olhos, quando Bucky se afastou, estava ruiva novamente.

Evitou o próprio ofego, internamente se perguntando se Wanda, simplesmente, tinha se distraído o bastante para não conseguir segurar a magia que a deixava morena ou se, simplesmente, sabia que ele era fascinado por seus cabelos ruivos. Ela levantou os olhos molhados, ainda parecendo relutante, apesar de um pouco fora de lugar pelo toque inesperado, e suspirou, finalmente concedendo algo a ele nas íris esverdeadas.

Mais do que resignação, havia muita relutância e uma certa condescendência por conta do que acreditava, pela crença de que ele estava se submetendo a algo que não compreendia, mas também um tipo de insistência e confiança enquanto percorria todo o rosto dele com os olhos.

- Isso nunca será verdade sobre você. E se acha que eu a deixaria sozinha aqui… — Seu dedo traçou lentamente o lábio inferior, fascinado. — Tem que me conhecer melhor.

Murmurou levando a mão para tirar o boné que Wanda usava antes de fechar todo o caminho até a boca dela, que o recebeu imediatamente.

Notas finais
Olá! Gente, acho que com este capítulo declaro aberto a fase "The Loving" do título da fic! kkkkk Espero que tenham gostado deste capítulo, pois amei escrever essa última tentativa de altruísmo de Wanda antes de se deixar levar de verdade por ele, apesar do peso que sente em relação ao seu passado e etc... Enquanto revisava só pude pensar em breakin' dishes da Rihanna para descrever esse Bucky, mas posso dizer que este é só o começo DELES! ♥ Me contem o que acharam e o que esperam do próximo! Até breve ♥