— Oh! — Wanda exclamou do quarto, com um olhar espantado em direção à outra. — Você voltou.

Diferente dele, contudo, que a encarava diretamente, ela não podia ver como os olhos tinham resquícios de reflexos vermelhos, bem como, a aura pesada que carregava desde que chegara ali. Apesar de tudo, podia notar que era mais mulher do que Feiticeira naquele momento, o que o aliviou.

— O que estava fazendo?

Havia emoção de verdade em seu tom, mas ainda era inquisitiva e cheia de sotaque, o que o fez encarar o Livro, que agora havia deixado de emanar qualquer energia, de forma confusa antes de olhá-la novamente.

— Eu… Não tenho ideia. — Respondeu sinceramente, a observando absorver sua resposta por um instante, em que soltou seu pulso com cuidado e passou a examinar o lugar onde estava e seu próprio corpo.

— Como se sente? Está bem? Precisa de algo?

A outra Wanda adentrou de vez o quarto segurando uma bandeja para repor algumas soluções que eles haviam usado para curar alguns dos ferimentos da outra enquanto dormia, se aproximando da cama para deixar sobre a mesinha de cabeceira.

Com os olhos em Wanda, notou que ela apenas observou sua outra versão, parecendo atordoada, pelas perguntas, pelo cuidado, pela pressa. Sabia que a ruiva tinha seu próprio tempo para processar as coisas e podia ser bastante protetiva consigo mesma. Imaginou que, mesmo depois de todos aqueles dias frequentando aquela realidade, ainda se sentia não pertencente dali.

— Talvez… Um banho vai ajudá-la a se sentir melhor. — Sugeriu incerto, encarando a mulher ainda no uniforme escarlate em que atravessara o portal. Ela parecia incerta de tudo, inclusive de como se sentia. Um banho deveria ajudá-la a se recuperar, assim como daria tempo para processar tudo o que havia acontecido. Tinha certeza de que qualquer embate com os seguidores de Chthon não teria sido nada fácil, especialmente pela forma como soava deslocada e até… Vulnerável. Havia outra Wanda naquela realidade e, para além da costumeira introspecção, Wanda não se sentia nada compelida a se manter em alerta. A encarou rapidamente. — Se estiver se sentindo bem o suficiente…

— Eu vou preparar a banheira.

A versão castanha de Wanda se deslocou até o banheiro, que havia no quarto de hóspedes, e Wanda piscou pesadamente, se voltando para encará-lo antes de estender a mão enluvada em couro escuro.

Meneou a cabeça e segurou as duas mãos dela, a ajudando a se sentar com cuidado. Os cabelos estavam em uma bagunça caótica, anormalmente cacheados, mas fora do rosto por conta da tiara, que sempre usava quando a Feiticeira Escarlate tomava conta. A forma como mantinha os olhos baixos e pensativos o recordava de quando chegara à cabana, quando Wanda se mantinha fechada em seu próprio mundo sem permitir que entrasse até que estivesse convencida sobre ele, o que levara tempo. Era como se estivesse — ou se sentisse — derrotada, o que o preocupou.

— Posso?

Gesticulou em direção à tiara, no que ela confirmou com um gesto e um suspiro, fechando os olhos quando ele alcançou o objeto, cheio de energia indescritível e poderosa, um reflexo de Wanda e seus poderes, ao mesmo tempo pesada e gentil com Bucky. Os dedos dela brincavam com a costura das próprias luvas e Bucky se ocupou em retirá-las com calma, colocando tudo junto ao Darkhold, na mesinha de cabeceira, enquanto refletia que aquela era a parte que mais gostava do traje dela.

Mantendo-se sentada na cama, com os ombros encurvados, Wanda apenas permitiu que ele a ajudasse, passando a soltar, também, as fivelas que seguravam o corset em torno de suas pernas para dar segurança e confiança na mobilidade — quatro ao todo. Apenas agora percebia que podiam estar incomodando enquanto ela dormia, mas esse era o menor de seus problemas.

— Eu coloquei alguns sais de banho medicinais que mantenho aqui para… Ocasiões desse tipo. — A outra Wanda saiu do banheiro e examinou a situação por um instante, chegando à conclusão de que estava tudo sob controle ali, apesar de tudo. Ela soava um tanto quanto ansiosa, mas isso não ocupou sua mente por muito tempo. — Bem… James irá ajudá-la com o necessário. Vocês podem me chamar se precisarem de algo.

— Obrigado, Wanda.

Agradeceu ao perceber que Wanda não iria dizer nada, no que ela apenas sorriu e saiu, fechando a porta com cuidado. Sem pressa, a ruiva se colocou de pé e se virou, colocando o cabelo de lado e esperando que abaixasse o zíper do traje escarlate. Por algum motivo, sentiu que seus dedos e todo o seu interior tremeram. Já a havia visto nua, já havia a tocado, sentido a textura de sua pele macia e não havia nada de erótico naquele momento, apenas a vulnerabilidade dela.

Notou que ela também pareceu estremecer ante o contato de seus dedos com sua coluna, mas não trocaram qualquer palavra e o momento se foi mais rápido do que pensou. Assim que o zíper estava completamente aberto, ela agradeceu e seguiu para o banheiro, onde ficou por tempo o suficiente para que se preocupasse enquanto observava as crianças brincando do lado de fora até que ouviu a voz dela novamente, parecendo mais sem forças do que qualquer outra coisa. Se aproximou da porta do banheiro e inclinou a cabeça, segurando a maçaneta.

— Wanda, precisa de algo?

— Eu… — Houve silêncio e, depois de um segundo, ela pareceu mudar de ideia, permitindo que entrasse.

Bucky o fez sem hesitação apenas para encará-la na banheira, não muito muito diferente de como havia entrado. Apesar de estar molhada e nua, com os cabelos ruivos escorrendo pelas costas, se mantinha encolhida em si mesma e apresentava aquele semblante cansado de quem havia absorvido até demais o que vivera.

— Você pode… Me ajudar com o cabelo? — Ela gesticulou com os dedos fazendo com que a guarda também circundasse um pouco ao seu redor. — Eu não… Tenho forças para…

— Claro.

Concordou sem precisar pensar muito, como vinha sendo nas últimas semanas. Wanda precisava dele e Bucky anuía, como se fosse seu primeiro instinto, embora antes — dela, de Wundagore, magia e todo o resto — sempre tivesse se preocupado mais com seu entorno do que qualquer outra coisa. Engoliu em seco e retirou a jaqueta, sem pressa, encontrando o shampoo no suporte ao lado do chuveiro, que caía direto na banheira, acima dela, e se sentando na borda de concreto.

A outra Wanda havia feito um bom trabalho com os sais e o aroma que inundava o banheiro. E, apesar de não ser o cheiro que relacionaria à ruiva, era feminino e de bom gosto, suave, mas presente na medida certa para não estressá-la. Além disso, por mais que adorasse o corpo coberto somente pela água e algumas gotas, que escorriam em um caminho conhecido na direção do colo, não era um garoto: nudez não era algo novo e, naquele momento, com Wanda quebrada e mal conseguindo se manter em pé, não tinha o apelo que havia tido antes.

Em voz baixa, a avisou para fechar os olhos e manuseou o shampoo apenas com a mão humana, sem pressa e sem fazer pressão no couro enquanto Wanda apenas inclinou a cabeça para frente e deixou que fizesse o necessário. Quando pareceu ter espuma suficiente, alcançou o registro do chuveiro e ligou, fazendo com que a água caísse diretamente sobre Wanda, o ajudando a realmente limpar os fios ruivos.

Em silêncio, repetiu o processo com o shampoo e o condicionador, sem qualquer oposição de Wanda, que também não parecia se importar com o corpo à mostra ou algo do tipo. Supôs que o que vivera havia sido muito mais impactante do que qualquer contato que pudessem ter tido durante toda uma vida. Quando constatou que terminou, depois de se certificar que não havia mais qualquer indício de condicionador nos cabelos dela, perguntou se ela queria sair, ganhando uma concordância discreta.

Pegou uma das toalhas brancas embaixo do armário e a abriu, se aproximando da banheira, no que Wanda se levantou e se enrolou sem cerimônias, aceitando uma toalha menor para usar nos cabelos depois que se apoiou em sua mão para deixar a banheira e água opaca, que havia se formado no local. Ela se dirigiu ao espelho sobre a pia, de onde vinha a única fonte de iluminação e Bucky só notou que encarava demais quando os olhos dela se prenderam nos dele através do reflexo.

— O que foi?

Bucky sorriu, totalmente sem jeito e, antes que não pudesse se conter, desviou o olhar e se inclinou para soltar a água da banheira, pensando se diria a verdade ou a fantasia sobre o que Wanda gostaria de ouvir. Meneou a cabeça e se aproximou, pegando a toalha menor das mãos dela para calmamente secar os ombros, as costas e a nuca molhados.

— Nada, eu só… — A encarou novamente, um pouco aliviado que parecesse Wanda novamente, com exaustão mental, física e todo o resto. Havia se preocupado de verdade com as probabilidades de seu retorno. Fechou os dedos sobre os ombros dela, sentindo a maciez da pele alva, e desceu pelo braço até chegar aos dedos dela, onde apertou em um cumprimento esquisito, mesmo para eles. — Nada.

Ela apertou os dedos dele um pouco mais, o semblante se tornando um pouco mais suave quando fez o braço dele contornar sua cintura para que a abraçasse por trás e pudesse descansar o corpo contra o dele, ainda que sustentasse o contato visual através do reflexo.

Era uma situação, de fato, estranha; a calmaria que os envolvia não era comum, pois, no mundo deles, Wanda estava sempre preocupada com os seguidores de Chthon e em conquistar seu objetivo, enquanto ali tudo parecia envolto por uma atmosfera de paz, pela impressão de que nada iria atingi-los e poderiam ter esse momento de tranquilidade, ainda que artificial. A apertou um pouco mais, notando como sua mão e a dela se mantinham juntas na altura de sua barriga, o que o chamou a atenção imediatamente.

— Quando chegou aqui… — Começou em tom baixo, o assunto que não saía de sua cabeça o estava rodeando desde então. — Você tinha as mãos na barriga, como se tivesse sido ferida durante a batalha. Mas nós verificamos e não havia nenhum hematoma nesta região. Ou, ao menos, nada que fosse aparente.

Percebeu a tensão tomar conta do corpo dela, imediatamente.

— É apenas algo que o Alto Revolucionário disse enquanto… — Ela desviou os olhos dos dele no reflexo do espelho e se afastou sutilmente, apoiando-se na pia enquanto parecia encarar as próprias mãos. — Sabe, às vezes, as mulheres têm sonhos muito vívidos em que são mães ou… Em que perdem os filhos e, quando acordam, é como se a falta dessa vida fosse fisicamente devastadora, a ponto de chorarmos de verdade ou sentirmos dores reais por uma perda… Tecnicamente inexistente. Acho que o que senti foi algo parecido com isso. Ele falou que… Billy e Tommy nunca serão meus. Não naturalmente, porque… Eles não fazem parte daquela realidade.

— Talvez… Estava tentando te distrair.

Sugeriu baixo, sentindo o estômago afundar no que seria a confirmação do que vinha imaginando desde que descobrira aquela realidade, com Wanda e os meninos. Ela sorriu de maneira triste e meneou a cabeça em uma negativa, que parecia dizer muito gritar, mesmo no silêncio do banheiro; os cabelos molhados agora caindo ao redor do rosto muito expressivo como em um molde para seus olhos esverdeados.

— Se não for por algum truque mental ou pela magia, eles existirão apenas a partir do Caos e… Eu… — Ela piscou os olhos marejados. — Eu não quero ser resumida a isso pra sempre. Não posso ser, porque… É tão exaustivo que dói. E não acho que consiga suportar por muito mais tempo. Todo esse poder… É como se estivesse me consumindo ou apenas esperando uma brecha para isso.

Ela estava cansada de tudo o que a rodeava, do que a representava, do que a limitava, inclusive de si mesma e sabia que essa não seria a receita que a faria melhorar, se enxergar sob uma luz melhor. Por um momento, enquanto observava a postura desanimada e até insegura, ponderou, não pela primeira vez, que gostaria que ela pudesse ver a si mesma pelos olhos dele, pela forma como parecia mais grandiosa, poderosa e fascinante do que qualquer outra pessoa que já conhecera em todos os seus longos anos de vida.

— Então, era algo que já tinha conhecimento. — Concluiu lentamente, observando a concordância. — Por isso encontrou esse lugar, essas crianças… Toda essa vida que você sempre desejou.

Wanda foi silenciosa nas lágrimas que se seguiram, jorrando de seus olhos brilhantes, mantendo-se fechada em si mesma. Ela parecia não ter coragem de encará-lo, mas poderia ser assim em relação a tudo o que a cercava naquele instante em que a verdade recaía sobre eles e aquela realidade.

— Eu pensei que poderia levá-los. — Ela murmurou, pensativa, desenhando um caminho invisível na pedra da pia do banheiro, levando uma gota de água de um lado a outro enquanto os ombros chacoalhavam levemente. — Imaginei… Fantasiei, por dias, que poderia substituir a mãe deles e eles nem perceberiam, afinal… Ainda que não sejamos a mesma pessoa, eu poderia ser quem precisasse para tê-los comigo, no mundo que eu construiria só para nós…

— Você os tomaria. — A ruiva confirmou novamente com um aceno de cabeça, no que Bucky respirou fundo e a trouxe para perto de si novamente, a puxando com cuidado para um abraço meio desajeitado onde ela não o abraçava de volta, mas parecia aceitar e ouvir o toque conhecido. Ela precisava de algo que não a isolasse em seu próprio mundo e ele estava ali para isso, por isso rodeou o rosto dela com uma das mãos, os dedos acariciando a pele por trás de seu ouvido sem pressa, e Wanda deitou a cabeça na curva de seu pescoço, mantendo-se assim até que ele resolveu quebrar o silêncio, em tom baixo. — Wanda, seu Billy e seu Tommy serão para sempre apenas seus. Nenhuma outra versão sua espalhada pelo multiverso poderia dar origem a eles, não da forma como você se lembra. Mesmo que as versões desta realidade se pareçam fisicamente com eles, não há como serem seus em sua essência. No fim das contas, você será a única a conhecer a exata textura do cabelo ou o perfume deles ou mesmo suas manias infantis.

— Agora eu sei disso. Sinto muito, Bucky… — Ela disse de maneira abafada contra ele, apertando-o mais contra si.

— Wanda. — Se afastou brevemente para encará-la, segurando seu rosto para fazer com que o olhasse com os olhos lacrimosos e as faces coradas, a expressão mais cansada e torturada que ele já havia visto. — Você não precisa se preocupar com minha percepção. Eu já tenho uma opinião bem formada de quem você é, ok?

Então, Bucky declarou que ela deveria descansar e deixou que ela se trocasse sozinha, novamente sem pressa, enquanto ajeitava a cama novamente, trocando os lençóis e fronhas por peças limpas que a versão dela daquela realidade havia deixado no quarto. Então, Wanda voltou ao quarto arrastando os pés de meia pelo carpete acinzentado e, lentamente, se sentou passando a examinar os pequenos vidrinhos que foram administrados em sua recuperação enquanto estava dormindo.

Bucky foi ao banheiro e voltou rapidamente, imaginando que, talvez, retornariam antes do previsto, assim que Wanda estivesse melhor. Não sabia se o tempo ali era contado da mesma forma que em sua própria realidade, se um dia em uma equivaleria um dia em outra — talvez, fosse algo estranho a se pensar, considerando tudo o que acontecera -, mas a diferença de tempo e espaço era uma possibilidade real e nem tão aterradora assim, considerando tudo o que já tinha vivido com a H.Y.D.R.A., Thanos e todo o resto.

Além disso, sabia o que Wanda faria com aquelas crianças assim que colocara os olhos nelas e em sua outra versão daquela Terra. Era um plano, para alguém não muito ligada às amarras sociais, como ela era, e depois de Westview simplesmente sabia que ela faria qualquer coisa para tê-los. Portanto, o ato em si não era capaz de decepcioná-lo realmente. Além do fato de Wanda não deveria passar a vida vivendo sob as expectativas de outras pessoas, este era o movimento mais esperado para qualquer um que a estivesse acompanhando de perto nos últimos tempos. Bucky apenas… Passara a compreendê-la o bastante para não se surpreender.

Quando voltou ao quarto, a encontrou deitada e encolhida contra si mesma, sob o edredom grosso, mas ainda não havia voltado a dormir novamente. Parecia cansada, embora ainda assim mantivesse um ar pensativo e reflexivo nos olhos pesados. Então, se aproximou com cautela, gesticulando para o outro lado da cama.

— Se importa?

A ruiva somente anuiu com a cabeça e levantou a ponta do edredom, permitindo que também se deitasse. Era a primeira vez que, realmente, dormiria desde que chegara e, principalmente, desde que Wanda voltara completamente machucada do claro embate que enfrentou na outra realidade. Não se sentia cansado, por conta dos genes modificados do Soldado Invernal, apenas estafado.

Se virou para ela, percebendo a quietude intrínseca, que havia tomado todo o quarto desde que acordara. Não sabia se tinha algo a ver com a Feiticeira Escarlate, que parecia ir e vir conforme um arbítrio próprio, ou se se tratava somente da percepção a que Wanda chegara sobre si mesma e seu objetivo ali, mas logo seus pensamentos foram interrompidos quando ela se arrastou pelo colchão e se acomodou ao seu lado, totalmente colada em seu corpo sem realmente abraçá-lo, então, porque ela parecia à vontade e relaxada assim, permitiu que continuasse até que quebrasse o silêncio inesperadamente.

— Lembra quando perguntou se eu não tinha medo de me corromper pelo Livro? — Ela começou, em tom baixo, como se fosse um segredo. Confirmou, imaginando aonde aquele assunto os levaria. — Acho que… Já estava intoxicada com toda a ideia de vida perfeita que experienciei em Westview. E… Na minha mente, eu sempre soube como seria fácil levá-los comigo, porque… Ela não é uma Feiticeira Escarlate. Só há uma de mim. Mas… Depois que os encontrei de verdade, que consegui vir para essa realidade… É como se sentisse a insanidade tentando se infiltrar em minha mente, sob minha pele e em cada poro meu a todo o instante, como um sussurro tentador. Foi algo parecido com o que senti ao enfrentar o Alto Revolucionário. Mas… Eu não sentia isso aqui e… Quando estava com as crianças, só conseguia pensar que isso a mataria por dentro, porque… Esta Wanda jamais conseguiria acesso à nossa Terra e… Era assim que eu me sentiria se eles fossem meus e alguém os tirasse de mim.

— Você acha… — Bucky se ajeitou para olhá-la, seu cérebro trabalhando rapidamente para compreender onde ela queria chegar. — Acha que o culto a Chthon, o Alto Revolucionário, estava conseguindo, efetivamente, te manipular? Desde que chegou à cabana?

Wanda apenas meneou a cabeça em confirmação, parecendo um pouco sem jeito, os cabelos espalhados molhados espalhados pelo travesseiro.

— No fim das contas, eu não estava tão no controle assim e os servos de Chthon, com… Toda essa trama de tentar usar meus poderes para reviver o Mestre deles meio que me tiraram da inércia.

Ela não podia ter medo do que não conhecia, concluiu. Ainda que fosse mais poderosa do que a maioria, não conhecia os caminhos que a levariam ao total controle de seu potencial mágico. Então, firmou os olhos nos esverdeados dela, brilhantes pela iluminação amarelada do abajur na mesinha de cabeceira logo atrás dele, consciente de que o que acontecera na Montanha de Wundagore a havia definido para sempre — como Westview.

— Então, o que você fez?

Observou como a postura dela mudou para algo mais frio e pouco mundano por um instante, ainda que estivessem sozinhos, então, Wanda respirou fundo, fechando os dedos para conter a leve energia escarlate, que emanava dele e do fundo de seus olhos claros. Bucky já sabia, antes de ser verbalizado, porque conhecia aquele sentimento, o peso que viera junto dela na outra realidade, mas, ainda assim, quando falou, tudo pareceu ganhar a devida proporção.

— Eu os matei.

Então, porque conhecia a morte e conhecia o sentimento que se seguia, Bucky apenas assentiu e a trouxe para mais perto, sem nada a dizer. Ela não estava arrependida, ele nunca esteve em posição de julgar alguém sobre isso, ela jamais se deixaria ser subjugada novamente e, por fim, ele faria o mesmo.


Notas finais
Hello!!! Podemos tirar um momento para apreciar Bucky cuidando de Wanda? Eu sei que nessa fic é o que ele mais faz, mas amo quando faz DE VERDADE! A linguagem de amor deles é conversar na cama e no banheiro, já notaram? rs Enfim, esse capítulo explica basicamente tudo o que o que os trouxe até aqui, desde as intenções de Wanda, seus questionamentos internos e até o que aconteceu na outra realidade, com os seguidores inconvenientes de Chthon. Sinto como se tivéssemos fechado um ciclo com ele, pois Wanda já vinha dando sinais de que estava conseguindo se recuperar de seu luto e, agora, passa a enfrentar o fato de que ~não pode~ raptar crianças para se sentir melhor. E, tenho que dizer, muito disso por causa de Bucky! Basicamente, temos parte do plot de Doutor Estranho, mas em outro contexto, onde ela não é a vilã. Eu vivo por explorar esse entendimento de Bucky e ela sobre si mesmos, por isso amo esse amo esse capítulo e espero que tenham amado também, porque é Wanda, finalmente, se encarando no espelho, com defeitos, escolhas erradas e acertos. Ainda temos alguns bons capítulos pela frente, mas começamos a reta final aqui. Espero que tenham gostado e me contem o que têm achado da história! Quem sabe assim eu consiga voltar antes do Natal! Até breve! ♥