The Hunter
3 Capítulo 03 - Muitas Informações
Notas iniciais
Capítulo 03
Muitas Informações
Permaneci por alguns segundos olhando diretamente nos olhos daquele sanguessuga caído em minha frente. Minhas mãos apertavam firmemente o cabo das duas foices e um sorriso sádico escapou pelos meus lábios.
Ele era um vampiro bem forte e tentou escapar, porém meu pé estava bem posicionado em cima de seu braço e ele nada pode fazer além de se remexer. Tentou até chutar minhas costas, mas isso acabou sendo bom para mim, pois simplesmente soltei a foice da mão esquerda, puxando-a pela corrente para que não caísse ao chão. A seguir, segurei firme a perna, me defendendo do golpe, e o arremessei com força contra a parede de um prédio.
A parede estremeceu um pouco e chegou a rachar. As costas do vampiro se chocaram com força contra ela. Depois disso, puxei com força a foice segura na mão direita e, com ela, a corrente. A outra foice foi arremessada contra o vampiro e fincou-se na parede, fazendo um corte profundo no ombro direito. Isso deve ter prejudicado muito a mobilidade do último braço bom que ele tinha.
Mesmo assim, o vampiro fez menção de fugir; tentou correr, mas movimentei minha kusarigama fazendo com que a corrente envolvesse seu pescoço. Feito isso, puxei-o para junto de mim e soquei seu estomago com a maior força de meu punho esquerdo.
Ele arfou e cambaleou, um borrifo de sangue voou em meu rosto e eu tive que limpá-lo. Isso não me irritou, mas tive o prazer de pegá-lo pelos cabelos e atingir seu rosto com meu joelho esquerdo. Minha calça ficou suja de sangue e alguns de seus dentes saltaram para fora da boca. Acho que ele já estava amaciado para dizer o que eu queria saber.
Puxei-o pelos cabelos novamente, desta vez fazendo com que me encarasse.
– Quem é o seu mestre? – perguntei calmamente.
Mas ele não respondeu, tentou cuspir em mim. Cuspiu mais sangue do que saliva, mas não me atingiu, pois tirei o rosto de lado. Aquilo me irritou um pouco, mas apenas um pouco porque se me irritasse demais eu não teria mais um vampiro para torturar e, sim, um cadáver.
Calmamente juntei as duas foices da kusarigama em minha mão direita e golpeei rapidamente o braço saudável de meu interrogado, fazendo com que dois cortes profundos atravessassem todo o seu comprimento. Ele gritou de dor e eu lancei uma risada sádica, isso fez com que uma pontada de pavor transparecesse no rosto de minha vitima. Isso era bom. Isso era muito bom.
Para finalizar, ergui minha camisa e revelei um parte inchada e disforme de meu torço, onde as costelas estavam quebradas. Mas elas estavam voltando para seu lugar lentamente e, em alguns poucos minutos eu estaria curado.
Apenas mostrei aquilo para que ele compreendesse com o que estava lidando. Agora ele sabia que eu não era um humano comum. E também não era um vampiro. Certamente que aquilo o deixou confuso e um pouco mais aterrorizado.
Feito isto, forcei a corrente com ainda mais força contra o pescoço dele, o que o fez arfar e ficar sem ar por alguns instantes.
– Vou perguntar mais uma vez, quem é seu mestre?
– Vai pro inferno! – ele gritou. Esperava por isso; sorri mais uma vez, pois poderia continuar com a tortura.
Puxei novamente a corrente com força, mas, desta vez, fiz com que ele se virasse de costas para mim. Segurei seu braço direito com força e quebrei todos os seus dedos um a um. Tenho certeza de que ele gritaria muito por causa da dor se conseguisse respirar.
Soltei-o da corrente e ele caiu de joelhos, deixando a mão completamente desfigurada caída no chão. Pisei em seu ombro direito, que já tinha um corte profundo. Isso fez com que ele uivasse de dor. O som realmente me agradou e eu pude ouvir alguma movimentação em uma das casas. A polícia não demoraria a chegar.
– Vou mudar a pergunta: por que seu mestre me quer morto?
– Não é obvio? – respondeu entre gemidos. – Você é o melhor caçador dentro da Hunting Nights.
– Então ele se sente ameaçado com isso?
Ele ficou em silêncio e eu não hesitei em lhe causar um pouco mais de dor forçando o ferimento.
– Sim! Ele quer te eliminar antes que se torne um problema.
– Agora as duas últimas perguntas: quem é ele e onde está?
Ele levou mais que cinco segundos para responder, sendo assim, pisei com ainda mais força em seu ferimento no ombro.
– Argh! Por... por que eu iria falar? Vo... você vai acabar com minha existência de qualquer maneira.
– Você fala a verdade, a diferença é que posso continuar com isso e me divertindo por horas ou acabar com seu sofrimento agora.
Era um blefe, pois sabia que a polícia chegaria em breve e isso me atrapalharia muito. No entanto, para reforçar o blefe, desferi dois longos e profundos cortes em suas costas. Ele urrou por causa da dor novamente e pude perceber que algumas pessoas me observavam pela janela de suas casas, embora nenhuma tivesse coragem de fazer algo.
Ele tentou reagir e avançar contra mim, mesmo com os dedos quebrados. O resultado foi a perda de sua mão e muito mais sangue jorrando para a rua. Mais um pouco daquele sangue imundo respingou em mim, precisaria trocar minhas roupas depois daquela noite.
– A... amaldiçoado... amaldiçoado sejam todos os caçadores.
– O que foi? Está fraquejando? Mas já? A diversão mal começou.
Ele estava começando a ficar abalado, pude sentir isso apenas pelo cheiro do medo e do terror que ele emanava. O sanguessuga ainda tentou fugir de mim mais uma vez; novamente minha kusarigama fez o trabalho. Desferi mais alguns pequenos cortes em seu corpo e o envolvi em minha corrente mais uma vez.
– James! James Windran! L... Londres! – finalmente cuspiu o que eu queria saber, embora muito sangue tenha descido junto.
Senti um frio na espinha. Só de ouvir o nome daquela cidade, daquela maldita cidade, já me fazia passar por um mal estar. Realmente não queria ter de voltar para lá. Onde... onde eu a perdi.
Saí de meu transe apenas quando ouvi as primeiras sirenes se aproximando. Agi rápido e desferi um golpe fatal no vampiro, decapitando-o. Rumei para outro que eu havia baleado na cabeça e estava inconsciente para decapita-lo também. Aquela era uma das únicas maneiras de se matar um vampiro.
Em seguida, peguei a Ducatti caída no chão e dei a partida. Senti o motor roncar forte em baixo de mim e saí em disparada, cantando pneu e deixando os policias para trás.
Decidi sair da cidade antes de dormir. Assim que coloquei alguma distância entre mim e os policiais liguei para Natenska. Precisava avisa-la para sair do motel, talvez ela também fosse alvo dos vampiros. Rodei durante uns quinze minutos com a minha moto antes de encontrar uma pousada de beira de estrada. Ela era meio pequena e com aparência rústica.
Entrei no recinto na esperança de que o dono compreendesse pelo menos um pouco de inglês. Nisso pelo menos tive sorte, ele falava um inglês muito fraco, mas foi o suficiente para eu entender que deveria pagar a noite antes de subir ao quarto. Tirei alguns Euros do bolso e entreguei ao homem de meia idade, cujos cabelos iniciavam o abandono de sua cabeça.
Subi para o segundo andar e entrei no quarto número 23, qual foi me indicado para fazer. Olhei bem o espaço interno e achei o preço superfaturado demais. As paredes tinham manchas e sinais de umidade. Os lençóis da cama eram velhos e pareciam que se rasgariam a qualquer momento.
Resolvi deixar pra lá o estado do quarto e descansar um pouco. Depositei as duas desert em cima do criado mudo e a kusarigama em cima da cama. Olhei para minhas roupas; eu tinha limpado um pouco do sangue, mas, mesmo assim ainda havia uma boa quantidade dele. Achei incrível que o homem da recepção não tivesse percebido.
Despi-me rapidamente, jogando as roupas também em cima da cama. A seguir, peguei minha kusarigama e entrei no banheiro. Sempre tomava banho com ela por perto.
Liguei o chuveiro e agradeci pela água estar bem quente. Assim que entrei sob ela verifiquei que todos os meus ferimentos haviam se regenerado. Aquela habilidade já havia salvado minha vida várias vezes.
Deixei que a água quente lavasse as recordações que eu tinha de Londres. Era perturbador saber que teria de voltar para lá. Pior do que confrontar o vampiro James, seria encarar as minhas próprias lembranças da cidade.
Desliguei o chuveiro e me sequei com uma toalha quase tão velha quanto os lençóis da cama. A seguir, sai do banheiro e joguei as roupas no chão, me deitando na cama logo após. Estava realmente exausto e uma boa noite de sono era o que eu precisava.
* * *
Na manhã seguinte, fui direto à uma loja de roupas. Era difícil encontrar alguma que vendessem roupas que eu gostasse de usar, mas encontrei. Comprei uma calça jeans nova, uma blusa na cor preta e um novo modelo de sobretudo na mesma cor. Paguei com o cartão de crédito da Hunting Nights.
As pessoas me olhavam com desconfiança, porém eu ignorava. Estava acostumado com isso, pois sempre acontecia. Este era um dos motivos de eu preferir as noites, assim como minha caça preferia. Era neste horário em que as pessoas não temiam se mostrar verdadeiramente. Sob a escuridão da noite, não havia olhares estranhos sobre mim, eu podia ser livre.
Após isso, rumei para o aeroporto. Iria gastar mais algumas horas de meu tempo em um voo direto para a Itália. Depois disso, bem, depois eu decidiria o que fazer.
Cheguei à Itália na hora do almoço, e foi justamente isso o que eu fiz: almocei. Qualquer pessoa sentiria diferenças em seu metabolismo por mudar tanto de fuso horário. Mas eu não; após viajar tanto, meu corpo tinha se acostumado com isso.
Peguei um táxi para o convento que me foi indicado. Certamente que senti falta da Ducatti, mas não pude trazê-la no avião. O lugar ficava a uns 100 km do Vaticano e descobri que os taxistas da Itália eram verdadeiros mercenários. Aquele me cobrou uma pequena fortuna pela viagem.
Pensei nas possibilidades; poderia pedir para falar com a garota, mas certamente que isso não me seria permitido. Sendo assim, optei pelo método mais rápido e pulei o muro do convento.
Tive que subir e descer do muro várias vezes até encontrar um local onde não tivesse ninguém. Quando consegui, tive que me esconder nas sombras para não ser visto.
Andei durante algum tempo pelo local usando meus sentidos apurados para evitar ser visto. Não levei muito tempo para encontrar quem eu procurava. Como eu imaginei, ela estava praticamente presa em isolamento no alto de uma das torres do local.
O convento parecia-se muito com um castelo antigo, e subir até a torre foi a parte mais difícil. Como havia apenas uma passagem, não seria possível ir pelas escadas, pois encontraria alguém descendo, com certeza. Sendo assim, tive que subir pelo lado obscuro da torre e entrar por uma janela pequena.
A garota se assustou quando me viu entrando pela janela, mas não foi nem perto do que eu esperava.
– Não se assuste, não vou lhe fazer mal.
– Eu sei, seu cabelo... seu cabelo é igual ao dele.
Desta vez fui eu quem ficou surpreso. Não esperava esse tipo de comentário nem muito menos essa calma por parte dela. Sorri involuntariamente, imaginei que estivesse na pista certa desta vez.
– Seu nome é Giuliana? – perguntei para ter certeza.
– Sim.
Ela retirou o véu que lhe cobria a cabeça e pude reparar melhor em sua aparência. Era de uma garota entre 18 e 20 anos. Pude notar seu belo corpo apesar do vestido largo e de tecido grosso que usava. Seus cabelos eram muito longos chegando a metade das costas, num tom de castanho escuro. Seus olhos tinham o mesmo tom dos cabelos e emanavam seus sentimentos.
– O meu cabelo é igual ao de quem?
A garota corou assim que eu lhe perguntei.
– Do pai desta criança – respondeu enquanto acariciava o próprio ventre.
– Você sabe que ele nunca mais ira voltar, não sabe?
Não tinha a intenção de acabar com as esperanças daquela jovem, mas amar um incubus não era algo saudável. Sendo assim, resolvi entregar-lhe logo a realidade.
– Eu sei... – respondeu com certo pesar. – Mas os momentos que tivemos juntos foram mágicos e eu quero muito o fruto que ele me deixou.
Espero que daqui a 20 anos não surja uma outra pessoa igual a mim, que teve tudo tirado por causa desse ser. Uma pessoa sedenta de vingança. Não! Isso não vai acontecer porque eu estou perto de meu objetivo. E quando alcança-lo...
– Você tem alguma coisa a ver com ele?
– Talvez, se for o mesmo que eu estou pensando, ele é meu pai.
Dessa vez a garota ficou surpresa. Provavelmente ela não esperava que alguém com a aparência tão jovem tivesse um filho aparentando a mesma idade que ele. Eu mesmo devo aparentar ser mais jovem do que realmente sou.
– Ele falou seu nome para você? – perguntei ao me aproximar-me mais um pouco dela, isso a fez corar novamente.
– Na... não.
– Entendo. Ele não falou para onde iria? Vocês conversavam ou ele apenas chegava e...
– Lógico que conversávamos! – parece que eu a ofendi com minha insinuação, mas não me importava com isso, só queria saber onde aquele desgraçado teria se metido.
– Certo. Não quis ofendê-la – falei apenas para facilitar as coisas entre nós dois.
– É que... todas acham que eu fiz o que fiz apenas por prazer... mas não foi assim.
– Há quanto tempo ele não vem mais te ver?
– Faz uns dez dias. Ele disse que teria alguns assuntos a resolver com uma pessoa.
– Assuntos a resolver? Que tipo de assuntos?
– Ele não me falou, disse que eram negócios. Mas falou o nome da pessoa uma vez.
Nem acreditei no que meus ouvidos captaram. Tanto que pedi para que ela repetisse.
– Ele falou o nome da pessoa?
– Sim.
Dessa vez era certeza, teria finalmente uma pista mais concreta. Se ele tinha negócios a resolver, certamente essa pessoa teria alguma informação sobre ele. Sorri e fiz a principal das perguntas.
– E qual era o nome desse sujeito? Você se lembra não é?
– Sim, me lembro. Minha memória é muito boa. O nome dele é...
Não acreditei novamente no que meus ouvidos tinham capitado. Devia ter algo errado, não poderia ser aquilo. Se fosse, significaria que eu teria de... Não! Deveria ser algum engano! Foi o que pensei e tornei a perguntar.
– Como disse?
– Windran. James Windran.
Agora tinha certeza. Eu não teria mais como fugir. O último lugar no mundo em que gostaria de estar, e seria exatamente para lá que teria de seguir.
Londres.
Teria de ir para Londres.
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