The Hunter

6 Capítulo 06 - Presas e Garras


Notas iniciais
Um conflito com vários lados tem seu início. E novas informações dão um novo rumo às investigações de Edward.

Capítulo 06

Presas e Garras

A noite nublada de Londres assistia uma perseguição tripla. O vampiro em roupas sociais era perseguido por Evellyn, que era perseguida pelos quatro lycans, que, por sua vez, eram perseguidos por mim.

Por algum motivo eles mantinham suas formas humanas. Eu acho que a vampira não tinha percebido o que estava atrás dela, mas posso deduzir que o outro vampiro sabia que ela o seguia, pois quando os alcancei ele apontava uma arma para ela.

– Não sei o que você quer de mim, mas é melhor se afastar se não quiser que sua existência seja encerrada aqui ­– ameaçou.

Ele apontava a arma, mas era outra criatura que se sentia mais confiante

– Eu acho que está na hora de brincar com os vampiros.

Pude ouvir o maior dos lycans falando quando todos nós encontrávamos naquela rua sem saída.

– E o que são vocês? –disse Evellyn em tom ameaçador.

– Lycans, minha bela e desatenta vampira – revelei-lhe enquanto me unia à festa.

– Edward? O que faz aqui?

– Digamos que decidi salvar sua pele desses cachorros imundos.

Foi naquele ponto que a situação se transformou em uma grande confusão. O vampiro em trajes sociais disparou alguns tiros contra Evellyn, que demonstrou possuir uma velocidade grande até mesmo para uma vampira – ela era apenas uma transformada, afinal de contas – e se esquivar de todos os disparos.

Ao mesmo tempo que aquilo acontecia, todos os lycans abandonavam suas formas humanas enquanto rasgavam suas roupas no processo.

Apenas um deles avançou contra mim enquanto os outros três avançaram contra Evellyn. Aquilo se mostrou ser um erro rapidamente. Eu estava sendo subestimado e era o mais fraco deles que vinha em minha direção.

As garras avançaram contra mim, que apenas tive que me esquivar para que elas não cortassem minha carne. Ele sequer percebeu quando eu apanhei minha kusarigama que estava escondida sob o sobretudo e lhe fatiei o abdômen. Ele uivou por causa da dor e tentou morder-me. Outro erro.

Quando avançou com sua grande boca contra meu pescoço, interpus uma das foices contra sua mandíbula e finquei a ponta afiada ali pouco antes de me esquivar. Após isso, puxei a corrente com força para lança-lo ao chão. Feito isto, bastou um corte firme em sua nuca para encerar-lhe a vida.

Quando olhei para ver o que mais estava acontecendo ao meu redor, percebi que o vampiro em trajes sociais havia fugido enquanto a luta se desenrolava. Evellyn, por sua vez, segurava duas adagas em suas mãos, mas seu vestido já havia sido rasgado na lateral do corpo e na coxa esquerda, locais de onde seu sangue escorria.

Avancei contra o maior dos três remanescentes e saltei para ficar ambas as foices da kusarigama em suas costas. Feito isto, impulsionei meu corpo para cima e saltei sobre ele enquanto torcia minhas correntes, que pressionaram seu pescoço.

Ele tentou me pegar com suas garras e quase conseguiu, mas fui mais rápido que ele e deslizei entre suas pernas enquanto puxava as correntes com toda a força que eu possuía. As foices se soltaram e, devido ao fato das correntes terem sido cruzadas sob seu pescoço elas passaram por ele cortando e dilacerando-o. Ele caiu logo em seguida.

Quando me levantei percebi que um dos lycans saltava sobre mim repleto de agressividade. Daquela vez acabei recebendo o ataque sem chances de me defender. Suas garras abriram meu tórax, chegando ao meio de meu abdômen. Aquilo doeu e doeu muito, mas já havia sofrido ferimentos piores.

Ele tentou atingir-me novamente, mas daquela vez eu estava melhor preparado e consegui me esquivar efetivamente. O próximo passo foi retribuir-lhe o favor e golpeá-lo com minhas foices. Golpeei diversas vezes antes que ele finalmente sucumbisse e morresse.

Enquanto me divertia com minha presa percebi que Evellyn dominava a sua com maestria. Aquela vampira era muito boa em combate e conseguiu fincar ambas as adagas nas laterais do pescoço do último dos lycans.

– Você está bem? – perguntei-lhe.

– Sim, meus ferimentos irão se curar em breve. Então isto são lycans? Meu mestre dizia que eles eram bem inconvenientes às vezes.

– Estes são do tipo beta, só causam problemas sérios se estiverem em alcateia.

Só então ela olhou para mim e percebeu que eu também sangrava. Aproximou-se de mim atraída pelo sangue. Deslizou seu dedo sobre meu peito coletando um pouco do líquido vital que se esvaia e lambeu-o.

– Eu sabia que você não era realmente um humano. Mas gostaria de saber o que você realmente é, Edward.

– Um caçador da Hunting Nights.

– E você pretende me caçar? – agora ela estava tentando me seduzir.

– Não. Você não é minha presa está noite.

– Então por que veio atrás de mim?

– Você me prometeu que reservaria o fim da noite para mim, lembra-se?

Não pensava apenas no prazer naquele momento, embora tivesse curiosidade de saber como seria ter sexo com uma vampira. Além disso eu queria conversar mais com ela. Descobrir quem era o mestre que a havia criado. Talvez ele tivesse alguma ligação com James Windran.

– Acho que terei que cumprir minha palavra então. Para onde vamos?

– Para o hotel onde estou hospedado. Pegaremos um taxi.

Chegamos no hotel dizendo que estávamos em uma festa temática e que o sangue e os rasgos em nossas roupas eram falsos. Entramos no hotel sem sermos interrompidos e fomos direto para o quarto.

Ela não perdeu tempo e livrou-se do vestido. Pude observar seu corpo semi nu e perceber como era belo. Apenas aquela visão fora suficiente para me "animar". Deixei minhas armas sobre uma mesa e também me despi.

– Acho que podemos tomar um banho depois de tudo o que fizemos hoje.

Ela concordou e a conduzi para debaixo do chuveiro. A água quente foi reconfortante e assim que lavei o sangue em meu corpo percebi que já estava completamente curado, tal como Evellyn.

Daquela vez minha kusarigama não estava no banheiro. Não queria que a vampira se sentisse ameaçada. De uma maneira ou de outra, acredito que eu seria capaz de derruba-la mesmo desarmado caso fosse preciso.

Mas não seria preciso naquela noite. Evellyn era a pura volúpia. Eu sabia que os vampiros tinham seus sentidos, sentimentos e desejos alterados e ampliados quando eram transformados e acho que ela estava sem sexo há um bom tempo pela maneira que agiu naquela noite. Eu, por minha parte, encontrei muito prazer com minha parceira, pois não precisaria medir minha força com medo de machuca-la.

Seu toque era bem frio, para falar a verdade, como um vampiro geralmente é, mas a água quente do chuveiro neutralizava qualquer sensação ruim que aquilo poderia trazer.

Depois que terminamos, nos secamos e vestimos o que havia restado de nossas roupas e voltamos a nos concentrar em outros assuntos. Eu queria algumas informações naquela cidade e achei que aquela vampira poderia ser uma boa fonte delas.

– Evellyn, você reside em Londres? – perguntei-lhe inicialmente.

– Não. Cheguei à esta cidade há apenas alguns dias.

Aquela resposta não era o que gostaria de ouvir, mas continuei assim mesmo.

– Você já ouviu falar de um vampiro chamado James Windran?

Apenas a menção do nome fez com que seu semblante se alterasse. Aquele belo rosto tornou-se uma face cheia de ira e rancor. Suas presas salientaram-se e suas unhas tornaram-se afiadas como garras. Um segundo mais tarde ela controlou-se e voltou ao normal.

– Tenho caçado-o há mais de seis meses. Aquele vampiro que persegui e conseguiu fugir graças aos lycans chama-se Scott Adiers e é uma cria de James.

– Você o tem caçado – eu ri, o que a deixou ainda mais brava. – E como uma vampira transformada pretende destruir um vampiro mestre como James?

Sua irritação era visível e eu até mesmo supus que ela podia tentar me atacar por ter desdenhado de suas capacidades. Mas o que eu dizia era sério. Uma única vez eu havia caçado um vampiro do tipo mestre, que possuíam a capacidade de transformar pessoas em vampiros. Eles são muito mais poderosos que os vampiros transformados. Sua força, velocidade, resistência e até mesmo percepção eram muito superiores.

– Ainda não sei – admitiu. Mas encontrarei uma maneira de destruí-lo. Uma emboscada, talvez. Mas antes preciso encontra-lo.

Sentei-me na cama e peguei uma folha de papel de um pequeno bloco de notas sobre o criado mudo. Nele escrevi um número e entreguei à vampira.

– Aqui está meu número de celular. Acredito que possamos fazer uma parceria, você e eu. Tudo o que quero de James são algumas informações, depois disso ele será todo seu.

– Parece-me uma ideia interessante Edward.

Ela recebeu o número que a ofereci e anotou o próprio no pequeno bloco de notas. Mais tarde eu o passaria para minha agenda em meu celular.

– Certo. Agora precisamos nos informar mutuamente. Infelizmente ainda não tenho muitas informações para compartilhar, mas se você puder revelar o que você tem...

Ela sorriu com um certo ar de superioridade, mas começou a falar o que sabia da mesma maneira.

– Eu tenho um contato dentro do circulo social dos vampiros mestres que me passou a informação de que três pessoas andaram em contato com James Windran recentemente. É possível que sejam mais, mas isto é o que ele sabe.

Ela fez uma pausa enquanto sentava-se ao meu lado na cama e se reclinava em uma posição confortável.

– Dois deles são vampiros transformados, mas até onde eu sei um deles foi destruído há algum tempo atrás e parece que nem na Inglaterra foi, e sim mais ao leste da Europa.

Eu acho que sei bem de qual vampiro ela estava falando e acho que tive uma boa participação no fim de sua existência. Mas deixei que ela continuasse contando o que sabia.

– O outro é o Scott Adiers, que persegui esta noite mas conseguiu escapar graças àqueles malditos lycans. Alias, eu nunca tinha visto estas criaturas antes. Existem mais deles em Londres?

– Acredito que não. Geralmente lycans evitam a cidade. Eles gostam de ficar em florestas e campos abertos. Eles sequer se alimentam de humanos, mas por algum motivo os vampiros não gostam deles e gostam de matá-los. Acho que apenas os vampiros mestres sabem direito o por que disto.

– Realmente, porque eu mesma sou indiferente à existência deles ou não. Continuando, existe uma terceira pessoa. Desta vez é um humano e não um vampiro. Seu nome é Guilhermo Lorenzo, um italiano.

Apesar de meu rosto permanecer inalterado, eu sabia exatamente de quem ela estava falando. Eu conhecia Guilhermo e sabia que ele não era um simples humano. Apesar disso, queria entrar em contato com ele antes de dizer qualquer coisa.

– Então faremos o seguinte: você irá atrás desse Scott. Tente captura-lo e se não conseguir as respostas dele pode me ligar que darei um jeito de arrancá-las.

Um sorriso sádico transpareceu em meu rosto e Evellyn pareceu gostar de ver aquilo. Acho que isto dava à ela mais credibilidade para nossa aliança.

– Eu irei investigar quem é este Guilhermo Lorenzo e ligarei para você assim que tiver alguma informação concreta.

– Muito bem, Edward. Acho que nossa união nos renderá bons frutos e algum prazer também – afirmou em meio a um sorriso malicioso. – Agora, se me der licença, irei me retirar.

Ela saiu do quarto do hotel onde eu estava me hospedando. Minutos depois, troquei minha camiseta por uma nova – desta vez eu tinha deixado algumas roupas sobressalentes em uma pequena mala. Em seguida, saí do hotel e procurei por outro. Era bem possível que James Windran já soubesse que eu estava em Londres, já que ele tinha sido capaz de me encontrar lá na Polônia. Sendo assim, eu pretendia mudar minha estadia todas as noites e até mesmo no meio da noite caso fosse necessário.

Eu havia me instalado em um hotel menor e mais simples que o anterior e preparei-me para dormir. Aquela altura já era quase de manhã e eu tinha sorte de Londres ser uma cidade grande o suficiente para possuir hotéis e pousadas que aceitassem novos hospedes até mesmo no meio da noite.

Acordei já no meio da tarde depois de dormir algumas horas sem qualquer sonho ou pesadelo. Alimentei-me com um lanche rápido e peguei meu celular para resolver os assuntos pendentes. Procurei o nome Guilhermo Lorenzo em meus contatos e tive que tentar três vezes para que ele me atendesse.

– Alô, Edward, há quanto tempo.

– Alô, Guilhermo, faz pelo menos um ano, não?

Eu até falava um pouco de italiano, mas o inglês de Guilhermo era melhor e era este o idioma que utilizávamos para nos comunicarmos.

– E então, o que lhe atrás até mim, Edward – ele continuou com seu sotaque italiano. – Procura algum artefato místico?

– Não desta vez, mas acho que apenas poderei explicar-te se nos encontrarmos pessoalmente.

Para minha sorte ele concordou em nos encontrarmos, pois não seria nada fácil acha-lo caso ele não quisesse ser encontrado.

Parece que eu teria que viajar mais uma vez.

Notas finais
E aí, o que acharam do combate? Espero continuar agradando. E alguém aí esperaria o Edward dando uns pegas na Evellyn? Última pergunta: alguma teoria de quem poderia ser Guillhermo? Espero suas opiniões, meus caros leitores.