The Hunter
7 Capítulo 07 - Guilhermo Lorenzo
Notas iniciais
Capítulo 07
Guilhermo Lorenzo
As paredes estavam repletas de castiçais antigos e velas meio consumidas que não forneciam uma boa iluminação para o local. Haviam livros antigos, objetos desconhecidos de vários tipos, colares, anéis, símbolos religiosos. E tudo isto na mais perfeita desordem.
Gilhermo já passava de seus sessenta anos e seus cabelos eram totalmente inexistentes. A barba, entretanto, era prodigiosa e totalmente branca. Suas vestimentas eram compostas de um terno simples e um sobretudo marrom, além de algumas joias que eu bem sabia que lhe serviam de proteção.
– Muito bem, Edward, sente-se para que possamos conversar.
– Fico grato em ter me recebido, Guilhermo.
– Sou eu quem fico grato por ter vindo até mim. É muito raro, vê-lo por aqui. Não sei como consegue caçar essas criaturas sem a devida proteção.
Para minha sorte, Guilhermo estava localizado na Irlanda, então bastou poucas horas para que eu pudesse encontra-lo. Ele vivia mudando-se e a cada alguns pares de meses ele se encontrava em um local diferente da Europa.
Sua loja de artefatos místicos não era nada fácil de encontrar e apenas com os contatos certos era possível conversar com aquele homem. Era claro que muitos caçadores do Hunting Nights procuravam por seus serviços.
– Aquela sua amiga ruiva, a Natenska, veio até mim ainda há menos de duas semanas.
– Eu também a vi há poucos dias atrás. O que ela comprou?
– Duas adagas de prata alquímica e um anel com um encantamento que detecta a aproximação de lycans do tipo alfa.
– Espero que ela não esteja tentando caçar nenhum lycan do tipo alfa. Estes podem ser bem perigosos.
– Creio que ela os queria apenas para proteção. Ela tinha comprado alguns selos de proteção alguns meses atrás também.
– Essa Natenska, sempre prevenida.
Eu não gostava muito de perder tempo, mas sabia o quanto Guilhermo gostava de conversar e agradá-lo era a melhor maneira de se conseguir o que se deseja.
Uma moça de cabelos escuros entrou na sala vindo dos aposentos do fundo. Ela vestia-se de maneira provocante, com um vestido vermelho muito justo ao seu corpo. Trazia-nos chá e durante o tempo que ela estava ali Guilhermo não desviou os olhos de suas nádegas. Eu tinha certeza de que ele não a mantinha ali apenas para fazer chá. Se o velho ainda tinha fôlego para o "esporte" eu não sabia e nem desejava saber.
– Excelente chá – comentei após sorver um pouco da bebida
– Garanto-lhe que o sabor de quem o fez é ainda melhor.
E o que eu tinha pensado sobre não querer saber?
– Mas diga-me, jovem Edward, o que deseja?
– Você conhece um vampiro chamado James Windran?
Sua expressão tornou-se um pouco mais séria, mas ele não negou-me a resposta.
– Sim. Nós temos mantido contado nos últimos meses. Ele está interessado em um artefato muito antigo e que eu nem mesmo tenho certeza de que realmente exista.
Então Guilhermo realmente sabia algo sobre o vampiro que eu desejava encontrar. Agora eu precisava descobrir se estaria disposto a revelar-me a informação que eu queria.
– E como eu posso encontrá-lo?
– Então ele é o próximo alvo da Hunting Nights?
– Na verdade, não. Quero encontrá-lo por motivos pessoais. Sequer pretendo caça-lo.
O velho, então, recostou-se na cadeira e um pouco da tensão que se formou no ar se dissolveu enquanto ele sorvia seu chá de maneira lenta antes de voltar a falar.
– Fico feliz em ouvir isto. James é um vampiro mestre. Sei que você é habilidoso, mas não sei se poderia matar um vampiro antigo e poderoso como este. James tem mais de mil anos, provavelmente um dos vampiros mais antigos criado pelos originais.
Aquela mitologia sobre vampiros não me interessava. Na verdade eu sequer acreditava que algum dia realmente existiram vampiros originais que estão extintos nos dias de hoje. Para mim tudo sempre foi mais simples como vampiro mestre e vampiro transformado.
– Apenas quero negociar algumas informações com James Windran. Você sabe como encontrá-lo?
– Talvez – disse-me em um tom de alguém que deseja algo em troca de seu conhecimento.
– Quanto?
Ele riu quando eu disse aquilo e eu não gostei nem um pouco de sua atitude.
– Dinheiro não será suficiente para mim desta vez. James Windran é poderoso demais e desagrada-lo pode não ser bom para a minha saúde. Sou um mago poderoso, Edward, mas temo que nem minhas proteções e artifícios poderiam para-lo. Mas existe algo que eu desejo há algum tempo e se você puder me arranjar este item talvez ele possa valer o risco.
Era difícil ver Guillermo intimidado, mas ele parecia realmente temer aquele vampiro. E isso não era tudo, ele pretendia me usar para adquirir algo que ele próprio não era capaz de conseguir sozinho. Fiquei curioso para saber o que poderia ser.
– Então me diga o que seria este artefato e onde encontrá-lo que eu o trarei.
Vi um sorriso malicioso transparecer naquele velho rosto. Eu sabia que não haveria outra maneira de obriga-lo a falar, então resolvi aceitar aquela troca, que me parecia muito mais vantajosa para Guilhermo que para mim.
– Esta relíquia encontra-se no Novo México. Os antigos e extintos magos astecas a forjaram, encantaram e protegeram. Farei um mapa para você, mas o maior problema é que você irá necessitar da presença de um vampiro, um humano e um lycan no local para destravar os encantamentos que protegem o artefato que eu desejo.
Aquilo era um problema real. Os dois primeiros era muito fácil de encontrar. Eu tinha Evellyn e Natenska para me ajudar, mas um lycan precisaria ser capturado com vida, de preferência lá no Novo México e transportado até o local que o mago me indicava em seu mapa. Talvez fosse mais fácil encontrar e interrogar Scott Adiers, o vampiro transformado por James.
– Isto será bem trabalhoso, Guilhermo, espero que a informação faça valer todo meu esforço.
Saí da loja oculta do mago sem dizer qualquer outra palavra. Teria de voltar para Londres e entrar em contato com Evellyn novamente.
* * *
A viagem da Irlanda para Londres foi mais rápida que a de ida e eu cheguei antes do anoitecer. Por conta disto, decidi descansar um pouco antes de entrar em contato com Evellyn. Eu tinha um plano para capturar Scott e para isso precisaria da ajuda de Natenska.
– Alô, Natenska – disse assim que ela atendeu o celular.
– Oi, Edward, que prazer ouvir sua voz – respondeu-me manhosa.
– Preciso saber se você está caçando algo neste momento ou está livre para vir me ver aqui em Londres.
– Londres? Pensei que você nunca mais voltaria para Londres.
– Aconteceram algumas coisas. Explicarei melhor quando você chegar aqui – nunca gostei muito de falar ao telefone. Na verdade, nunca gostei muito de falar.
– Estarei aí amanhã à noite, mas vou querer uma recompensa por todo este transtorno.
– Será um prazer recompensá-la.
Desliguei o telefone e pensei um pouco no que fazer a seguir. Decidi verificar meus e-mails novamente e tudo o que eu encontrei foi uma repreensão e uma ordem para caçar a mesma vampira da noite anterior. Respondi ao e-mail de maneira grosseira dizendo-lhes que estava em Londres e se eles quisessem que eu caçasse algo que fosse algo nas proximidades. Não pretendia desviar de meu caminho, mas talvez caçar algo por aqui me rendesse alguma pista que eu não conseguia visualizar naquele momento.
As próximas horas passei dormindo e aquele mesmo pesadelo me assolou novamente. Daquela vez havia sido uma variação diferente do que acontecera na verdade, onde um homem de cabelos longos e tão brancos como os meus assassinava meus pais e Jully em minha frente enquanto eu nada podia fazer para impedi-lo. Ele ria e me provocava enquanto matava cada um deles de maneira lenta e agonizante.
Era incrível como minha mente podia me torturar de maneira ainda mais cruel do que a própria realidade havia sido. Acordei daquele sonho um tanto quanto irritado e resolvi tomar um banho para me acalmar um pouco.
Já limpo e relaxado, resolvi ligar para Evellyn e convida-la para me encontrar em um quarto de motel um tanto quanto distante do que eu me hospedava. Não queria ter que me mudar novamente e não confiava totalmente naquela vampira.
– Edward, o que significa este convite para vir neste lugar? Por acaso acredita mesmo que irá me ter de novo? – fui o que eu ouvi vindo dela assim que ela passou pela porta do quarto.
– Se você não desejar um pouco de prazer antes de tratarmos de negócios posso mudar meus planos.
Eu estava sentado em uma poltrona ao lado da grande cama. Usava apenas minhas calças e dispensava-lhe um sorriso repleto de malicia. Não demorou muito tempo para que ela fechasse a porta atrás de si e se livrasse de suas roupas.
Pude assistir enquanto ela desfila completamente nua em minha frente. Reparava em cada curva de seu corpo e devo admitir que a desejava. Ela veio até mim e me puxou com sua força prodigiosa, se enlaçando em meu corpo em meio a um beijo cheio de lascívia.
Não muito tempo depois estávamos deitados na cama, seu corpo sobre o meu, após completarmos tudo o que desejávamos fazer. Aquilo, eu descobrirá há anos, era uma boa maneira de aliviar o estresse de um dia improdutivo ou de pesadelos indesejados e eu havia vivenciado os dois nas últimas horas.
– Aposto que não me chamou aqui apenas para isto – afirmou ela enquanto deslizava o indicador sobre meu peito. – Descobriu algo sobre Guilhermo?
– Na verdade, eu já conhecia Guilhermo.
Ela levantou-se de súbito, mantendo-se sentada sobre mim enquanto seus braços imobilizavam os meus e suas pernas impediam que eu me levantasse.
– O que quer dizer com isso?
Meu sorriso despreocupado a deixou ainda mais irritada comigo. Certamente ela devia estar pensando que pretendia traí-la ou algo assim. Pensamento sensato da parte dela, pois no submundo ninguém podia se dar ao luxo de confiar cegamente em ninguém.
– Guilhermo é um mago. Conheço-o há muitos anos e fui até ele hoje.
Resolvi testar minha força contra a dela e descobri que eu podia vencer. Dificilmente um vampiro transformado podia me derrotar naquele quesito. Soltei meus braços e segurei seus ombros com minhas mãos para torcer seu corpo e joga-la do outro lado da cama, que protestou em meio a rangidos indicando que a madeira havia rachado. Suas pernas ainda envolviam minha cintura, mas agora era eu quem a imobilizava.
– Ele conhece James Windran – continuei a falar assim que invertemos nossas posições. – Disse que ele o procurou atrás de um artefato antigo que o próprio Guilhermo não possuía, mas não posso garantir que o velho mago não estava mentindo.
– Mago... então esse tipo de coisas realmente existe?
Ela parecia estar mais confusa do que furiosa naquele momento, o que indicava que teria que explica-la algumas coisas.
– Sim, existe. Magos estudam os objetos místicos que existem no mundo. Estudam, também, os seres como nós e algumas maneiras de se protegerem desta ameaça. Eles também são capazes de encantar alguns artefatos utilizando energias cósmicas, ervas, elementos químicos e um monte de outras coisas que eu desconheço. Ah, e eles não são capazes de lançar feitiços como em Harry Potter ou em O Aprendiz de Feiticeiro, apenas encantar objetos, transformando-os no que chamamos de artefatos ou relíquias.
– Acho que entendi – respondeu-me ríspida. – Diga-me, então, que informações conseguiu sobre James.
– Infelizmente nada. Ele esteve, sim, em contato com este vampiro, que procurava por algum tipo de relíquia antiga. Mas para revelar tal informação, Guilhermo deseja que eu consiga para ele uma coisa muito difícil de se conseguir.
– Então voltamos da estaca zero – concluiu ela, desanimada.
– Não exatamente. Vamos nos concentrar em capturar e interrogar esse tal de Scott. Tenho algo em mente.
– E o que seria?
Não a respondi imediatamente, antes disso, porém, provoquei-a tocando sua intimidade com a minha própria. Seu corpo estava quente, pois ela havia se alimentado há pouco e utilizava o sangue para isto. Por algum motivo ela desejava me agradar e o fazia de maneira satisfatória.
Pouco mais tarde naquela noite conversávamos enquanto nos vestíamos. Eu com meus jeans, coturnos, camisa e sobretudo e ela com calças, botas e uma blusa de manga longa que revelava muito bem suas curvas.
– O plano é muito simples, Evellyn, mas devemos utilizar esta noite para recolhermos algumas informações. Na verdade, complementar as que você já possui.
Em seguida, detalhei minha ideia e expliquei tudo o que seria necessário para botá-la em prática.
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