The Horror of Our Love

7 I wish I had an angel for a moment of love


Notas iniciais
Oi, pessoal. Sobre a altura do Naraku mencionada no texto: na verdade, ele tem 1,68m com o corpo "humano" do Hitomi Kagewaki, passando a ter os 1,81m depois do episódio do Mt. Hakurei, segundo a Wikia. De qualquer forma, nessa fic ele é mais "homão" mesmo. Licença literária. ;-) Link nas notas finais. Boa leitura!

Kagome foi a última do grupo a acordar naquela manhã.

A mocinha se espreguiçou, desorientada e com dores por todo o corpo, além de uma fadiga extrema, como se houvesse passado a noite em claro, além de uma tristeza aparentemente sem fundamento. Demorou alguns segundos para entender onde estava; Sango estava ao seu lado, olhando-a cheia de preocupação.

— Kagome-chan? — disse a outra jovem. — Kagome-chan, você está bem?

— Ah... Eu... Sango-chan... Estou cansada — murmurou ela, esfregando o olho.

— Mas você dormiu tão pesado essa noite. Você está se sentindo mal?

— Mais ou menos...

— Kagome! — chamou o pequeno Shippou, vendo-a desperta, correu e se lançou em seus braços. A colegial o abraçou, mas não conseguiu segurá-lo por dez segundos, colocando-o no chão.

— Aii... — ofegou ela, exausta.

— Kagome, por que não quer me pegar no seu colo? — indagou ele, amuadinho.

— Shippou-chan... Me desculpe, é que eu estou com um cansaço tão grande...

Miroku se aproximava dali, com mangas maduras nas mãos.

— Bom dia, Kagome-sama. Estas mangas estão deliciosas... Mas... — o monge franziu o cenho, enquanto distribuía as frutas para os companheiros. — Você está pálida... Vamos. Coma.

— Estou? — volveu Kagome. — Eu... Não sinto fome...

— Oh, não. Será que você vai ficar doente? — interveio Sango.

— Sango, eu acredito que ficar aqui não tem feito muito bem para ela — comentou Miroku. — Kagome-sama, você está sobrecarregada ultimamente, não está? Refiro-me aos seus sentimentos...

A jovem havia se colocado de pé e pegado sua mochila. De fato, o aspecto de Kagome não era dos melhores.

— Eu quero ir para casa — murmurou ela, dando pequenos passos para a esquerda. — Quero a minha mãe...

— Eu vou ao Poço com você... — disse a exterminadora, colocando a mão em seu ombro. A colegial estava com os olhos marejados, para surpresa de Sango.

— Não, Sango-chan... Eu vou ficar bem, só preciso... Só preciso ir para minha casa... — fungou.

Miroku e Shippou se entreolharam, aproximando-se de Kagome.

— Coitada — disse o kitsune, encostando a cabeça à perna dela, à guisa de conforto. — Melhor ir mesmo para sua casa, Kagome. Se eu fosse você, passaria o dia com a sua mãe. Você é a única de nós que tem uma mãe — concluiu ele, triste.

— Pode ir, Kagome-sama. Você não é de ferro — concordou Miroku. — Descanse, se divirta um pouco com a sua família. Vamos sentir sua falta, mas nos sentiremos melhor ao saber que você está bem. Não fique se gastando aqui com coisas que não valem a pena.

— Nós amamos você, Kagome-chan — afirmou Sango, abraçando a amiga. — Amamos muito. Te ver sofrendo nos incomoda.

Kagome deu um sorriso fraco e engoliu o choro.

— Obrigada... Amo vocês também. Prometo voltar assim que puder. Além do mais, tenho prova essa semana.

Assim, a colegial se despediu dos amigos e andou por uns vinte minutos, devagar, até chegar ao poço Come-Ossos. Ficou totalmente surpresa e desconcertada ao ver Inuyasha sentado ali. O hanyou a olhou de um jeito estranho, indefinido. Ele parecia abatido e mais mal humorado do que nunca.

— Onde pensa que vai? — indagou ele, grosseiramente.

— Para onde mais? Para minha casa.

— Keh! E vai levar os fragmentos?

Kagome fechou os olhos com força. Aquilo doía, doía, doía. Por que Inuyasha tinha que ser tão mau? Por que aquela necessidade dele de ser bruto e estraçalhar seu coração?

— Vou, sim — retrucou ela, irritada. — Vou levar os fragmentos. Não me demoro por lá, só preciso descansar um pouco.

— Descansar? Você é a que mais dorme de todos nós!

Já não suportando aquele diálogo fracassado, a jovem o ignorou e preparou-se para saltar dentro do poço.

— Kagome, maldita, você não pode simplesmente ir assim. Quem vai encontrar os fragmentos?

Lágrimas quentes desceram pelo rosto da jovem, enquanto ela olhava para o hanyou totalmente furiosa. Ele chegou a se encolher esperando um “Osuwari”, que não veio.

— Kikyou — sibilou ela. — A sacerdotisa Kikyou pode encontrar todos os fragmentos, e até uma segunda Joia de Quatro Almas.

Kagome não percebera que Inuyasha estava se sentindo mal exatamente pelas aproximações mais ousadas com a outra sacerdotisa. Contudo, ele era inábil no trato com ela, o que a magoava deveras.

Assim, ela saltou para dentro do Poço. O hanyou permaneceu olhando fixamente para o local, triste e envergonhado. Sim, ele sabia que estava errado, mas o que fazer? Kikyou era tão importante para ele quanto Kagome. A mais velha, entretanto, havia sido brutalmente assassinada cinquenta anos atrás, o que fazia Inuyasha se sentir ainda mais preso a ela. E, agora que ele sabia que o maldito Naraku havia violado a moça, seus sentimentos de culpa recrudesceram.

— Kagome... — murmurou Inuyasha, deprimido, para o Poço. — Entenda, eu... Preciso proteger Kikyou. É ela o alvo do maldito Naraku. Ele nunca iria intentar algo contra você...

***

Em sua casa, Kagome era alegremente recebida por sua família. Evidentemente, sua aparência abatida levou sua mãe, seu avô e Souta a lhe crivarem de perguntas sobre sua saúde. A senhora Higurashi, então, sugeriu à filha que fosse tomar um banho enquanto ela lhe prepararia uma refeição deliciosa.

Sem mais delongas, a colegial subiu correndo para seu quarto, trancando-o e se livrando de suas roupas. Entrou no banheiro e fechou os olhos, ao sentir a água fria batendo em suas costas.

Lembrou-se do sonho absurdo da noite passada.

— Naraku... E eu... Urgh, que nojo...!

Contudo, Kagome reconsiderou — sentia estranheza, não nojo. Talvez todas aquelas conversas sobre ele ter desvirginado a outra sacerdotisa, mais aqueles contatos diretos que ambos tiveram, pudessem tê-la deixado suscetível àquele tipo de sonho erótico. Suas amigas lhe relatavam de sonhos do gênero com seus interesses românticos. Mas à colegial isso nunca havia ocorrido antes.

— Foi tudo tão real... E ele... Parecia até um ser humano comum — sussurrava ela para si mesma, se ensaboando. — Ele parecia me entender...

As lembranças do sonho iam e vinham de sua memória; apesar do cansaço imenso, ela se permitiu relaxar. Foi só um sonho. Ela jamais se entregaria para um homem daquela maneira, sem amor, sem o mínimo sentimento de empatia. E Naraku jamais teria a permissão para tocá-la. A não ser que ele fizesse como fez a Kikyou e...

— Mas ele disse no sonho que não a estuprou... Ora — a mocinha sacudiu a cabeça, incomodada, a água levando de si o sabão da pele. — Estou ficando louca. Aquele cara é um monstro psicopata. Um demônio como ele é capaz de tudo, prova disso foi a maneira horrível que ele usou para matar o clã dos exterminadores.

Por fim, Kagome terminou seu banho e começou a enxugar o corpo. Parou para se olhar diante do espelho, levemente desanimada. Seus seios eram arrebitados e pequenos; ela tinha um pouco de vergonha deles, principalmente quando os comparava aos de Kikyou. Seu olhar se entristeceu, imaginando que Inuyasha nunca se sentiria atraído por uma garota com os seios daquele tamanho.

— Será que, quando eu tiver a idade dela... — murmurou a menina, aproveitando a ocasião para fazer um autoexame nas mamas. — Uns dezoito, dezenove anos... Será que eles vão ficar maiores?

Um toque mais específico no mamilo, contudo, despertou algo em Kagome que lembrava uma corrente elétrica. O clitóris pulsou fracamente, correspondendo àquele estímulo, e a colegial enrubesceu. Aquilo era bizarro — a garota sacudiu a cabeça, intuindo que estava perturbada por causa do maldito sonho erótico. Ela então se vestiu e foi comer.

O cansaço não a deixou; ela estava louca para dormir. Após almoçar e ouvir sermões e mais sermões do avô, Kagome enfim pôde voltar ao quarto e se atirar em sua cama fofa, dormindo quase que instantaneamente depois.

***

No castelo onde Naraku se escondia com as crias, ele estava exatamente na mesma posição de antes, imóvel, pálido, fragilizado. Compartir a alma com Kagome minou as energias de ambos, mas ainda assim ele não tinha forças para se desvincular dela. Sentiu que ela dormia e, então, chamou a pequena Kanna telepaticamente.

A criança se materializou perante o hanyou, não chegando a se surpreender com a aparência doente dele. Meio rouco, Naraku ordenou a ela que o protegesse enquanto ele faria mais uma incursão dentro da alma da jovem aprendiz de sacerdotisa. De imediato, Kanna criou uma barreira.

— Melhor se sentar — resmungou ele, antes de mergulhar no silêncio mais uma vez. As escleras dos olhos escurecidos de Naraku estavam róseas.

— Melhor fechar os olhos — sugeriu a pequena, timidamente. Ele os fechou, e Kanna soube que ele estava indefeso naquele momento. Mas não seria exatamente um problema: ela o defenderia a qualquer custo. Era para isso que ela tinha nascido, para zelar por seu mestre.

E Kanna esperou pacientemente pelo despertar de Naraku, que, no momento, se via andando dentro de uma edificação barulhenta e estranha, cheias de rapazes e mocinhas com roupas estranhas. Olhando para si mesmo, ele também estava estranho: seus braços e pernas estavam expostos e as roupas curtas que ele vestia eram finas; havia uma bolsa pendurada em seu ombro. Seus cabelos estavam presos num rabo-de-cavalo apertado no alto da cabeça e ele suava. Parecia procurar alguém.

Oh, claro. Naraku estava procurando por Kagome. Não sabia o motivo, apenas andava pelos corredores, recebendo um ou outro cumprimento dos jovenzinhos que por ele passavam, chamando de Kagewaki-sensei. Na realidade, o hanyou ficara tantos meses sendo chamado pelo nome do jovem Hitomi que já havia acostumado. Poucas eram as pessoas que sabiam que seu nome era Naraku.

Estranho, pareço ser conhecido de todo mundo aqui.

Algo ficou martelando na mente do moreno.

Sensei? Um mestre, eu? Que bizarro esse sonho de Kagome.

Naraku então saiu do prédio e se foi em direção a uma área aberta, possivelmente a saída daquele lugar. Dois homens mais velhos do que ele o cumprimentaram, dizendo:

— “Ei, Kagewaki-san, pode ir no carro conosco. Quer carona para casa?”

Casa?

— “Ah... Não, obrigado. Gosto de voltar para casa com os alunos.”

— “Só você mesmo para gostar de andar com essa molecada barulhenta, Kagewaki-san. Mas tudo bem, nos vemos amanhã” — respondeu o outro indivíduo, parecendo apressado. — “Com quem você volta?”

— “Com os alunos da 3ª série¹. Ah, estão ali.”

Naraku não entendia o porquê de responder aquelas coisas; afinal, ele nem sabia onde estava! Contudo, seu corpo parecia guiá-lo. Havia um grupo de jovens esperando por ele no portão do local que, agora, ele sabia que se tratava de uma escola. Mais precisamente, quatro meninas. Kagome estava entre elas e o olhava ligeiramente intrigada, mas feliz. Seu sorriso franco trouxe alegria ao coração do perverso.

— “Pensei que não viesse mais” — disse ela, fazendo uma reverência respeitosa para ele e sendo seguida por suas amigas Ayumi, Eiri e Yuka. — “Estou morrendo de fome!”

— “Eu também!” — exclamavam as outras garotas, começando a conversar ainda mais animadamente.

Sem ainda compreender que tipo de realidade era aquela em que Kagome o estava inserindo, Naraku se viu falando sem parar sobre mil e um assuntos aleatórios que não conhecia.

— “Por que não entra para a Liga Japonesa de Basquetebol, Kagewaki-sensei? O senhor é o melhor jogador que conheço” — indagava Ayumi, olhando fascinada para o belo homem.

— “Alto” — acrescentou Eiri.

— “E forte” — pontuou Yuka.

— “Para que esse teatrinho todo só para dizer que ele é bonito, hein?” — volveu Kagome, fazendo as outras meninas rirem e Naraku enrubescer, mais confuso do que nunca. Ela ria também e o olhava de uma maneira esquisita, como se fossem amigos de longa data. Por fim, ele riu também. O aparte de Kagome estava longe de ser malicioso. Ela tinha um humor ainda ingênuo.

— “Oh, não, eu não quero ser jogador. Prefiro dar aulas, assim posso conviver com moças maravilhosas como vocês” — chasqueou ele. Elas riram de novo.

— “E ele já come tanto sendo somente professor” — alfinetou Kagome. — “Se fosse um atleta, comeria o triplo.”

— “Ora, Higurashi... Como acha que sustento meus 1,81m de beleza? Com torradinhas e suquinhos de legumes?” — devolveu Naraku, sem conseguir se manter sério. As garotas ficaram levemente boquiabertas.

— “Puxa, o senhor é alto mesmo...”

— “Sim, Yuka” — respondeu o moreno, insinuante. — “1,81m de beleza e oitenta e quatro quilos de sedução.”

— “Humpf. Não vejo sedução nenhuma quando o senhor vai almoçar, Kagewaki-sensei” — objetou Kagome, rindo. — “Come como um youkai.”

— “Ora, youkais são horríveis, Higurashi. Talvez eu seja um hanyou, pois possuo toda a beleza de um ser humano, porém a minha fome, definitivamente, é de uma criatura sobrenatural!”

Kagome, Naraku e as meninas gargalharam. Estavam chegando ao WacDonald’s; o combinado da tarde era sorvete para todas, por conta dele, que descobriu que tinha coisas como uma plaquinha rija chamada cartão de crédito e papéis coloridos chamados ienes. Logo todos entravam no local, faziam seus pedidos em meio a uma baita galhardia, sundaes e milk-shakes. O hanyou adorou experimentar aquela coisa que lembrava flocos de neve ultradoces e com os mais variados sabores.

Não lhe passou despercebido que, mesmo naquele sonho e apesar da alegria nos olhos azuis, Kagome parecia cansada. Não era para menos: ele queria tanto permanecer no mundo afetuoso da menina que estava contaminando-a com suas mazelas e amarguras. Naraku acabou se entristecendo: teve compaixão real pela jovem. Estranhamente, no universo de Kagome não havia muito espaço para seu ódio.

Ela é tão meiga, tão doce, tão agradável quanto a Kikyou que salvou Onigumo... Creio que é por isso que me sinto tão acolhido possuindo esta alma. Não queria ter que matá-la no fim de tudo.

Por fim, todos se despediram e o moreno sentiu que a jovem aprendiz de sacerdotisa passava o braço pelo dele.

— “Vamos para casa, Naraku” — disse ela, sorridente. — “Gente, que loucura. Desde quando você virou professor de educação física da minha escola?”

— “Virei o quê? Professor de quê?” — replicou ele, confuso. Ela apenas riu com gosto.

— “Kami-sama, que sonho engraçado!” — revidou Kagome, subitamente já dentro de sua casa com ele. — “Vem, vamos para o meu quarto!”

A Naraku restou coçar a cabeça, ainda desorientado com a avalanche de informações daquele sonho. Entretanto, ficou alerta: ela estava totalmente sugestionável, puxando-o pela mão e subindo as escadas do casarão deserto. Logo estavam dentro do quarto rosa, ela se lançando na cama e o puxando para perto de si com olhos pidões. O hanyou sabia bem o que significava: ela queria desabafar. Sem se fazer de rogado, então, Naraku a enlaçou com seus braços enquanto sussurrava docemente:

— “Conte-me como foi o seu dia.”

— “O Houjo me chamou para sair com ele...”

— “Sério? Aquele garoto dos mil e um remédios?”

— “Sim, ele mesmo. Mas eu não quis” — disse ela, se aninhando no peito do moreno. — “Sabe, Naraku, eu não consigo esquecer Inuyasha por mais que tente.”

— “Inuyasha é um moleque. Ele não merece você, querida. Talvez Houjo mereça mais.”

— “Mas... Mas eu o amo. Amo muito.”

— “Você não nasceu amando Inuyasha...”

A jovem encarou Naraku com um olhar obscuro e, então, o hanyou se deu conta de que tinha dito um disparate. Kagome era a reencarnação de Kikyou; sem querer, ela amava Inuyasha desde antes de sequer conhecê-lo.

— “Já que, para você, é tão fácil, por que não esquece Kikyou?”

— “Não disse que era fácil, só disse que ele não te merece. Veja só, você é tão doce, tão linda... Aquele híbrido imbecil só sabe magoá-la.”

— “Pelo que entendi, Kikyou também só sabe magoá-lo.”

O homem suspirou, aborrecido. A menina rapidamente tentou consertar sua afirmativa:

— “Desculpe, eu... Não queria te chatear.”

— “Nada pode me chatear mais do que o fato de ela não corresponder ao meu sentimento, querida.”

— “Naraku, você acha que...” — Kagome titubeou. Um toque sutil em seu rosto a estimulou a continuar falando. — “Que Inuyasha não gosta nem um pouquinho de mim?”

Ele puxou a jovem para cima de seu peito, afagando seus cabelos. Era a sua chance de fazê-la odiar seu inimigo...

— “Quer saber mesmo?”

— “Quero.”

Naraku intentou afirmar que Inuyasha só a estava usando como um detector de fragmentos, mas sem que pudesse evitar disse o seguinte:

— “Ele ama você, mas é imaturo e inseguro até para aceitar esse amor. Inuyasha passou tantos anos sendo desprezado por ser um híbrido que não consegue agir com naturalidade ao se relacionar com alguém.”

MERDA! NÃO ERA ISSO EU DEVERIA TER DITO! ESTRAGUEI TUDO!

— “Sério, Naraku?!”

— “Sim, é sério.”

Interiormente, o hanyou se recriminou, irritado. Havia perdido a grande oportunidade de induzi-la a odiar o hanyou cão ao dizer a sua deturpada opinião. Mas era difícil para ele se manter imune à meiguice e à pureza da alma de Kagome. Até para engendrar seus planos ardilosos ele estava tendo graves dificuldades. Naraku se viu falando mais coisas que sabotavam por completo seus intentos pérfidos e maus.

— “Amar não é fácil, Kagome. Permitir um sentimento de tal magnitude em seu coração significa ter coragem para ousar, coragem para sofrer, coragem para enfrentar toda e qualquer barreira em prol daquilo que você sente. Quem ama suporta qualquer coisa pelo bem da pessoa amada. Quem ama não teme nada.”

— “Seu discurso é bonito, mas como você pode falar tão bem assim do amor? Você é um psicopata!”

— “Psicopato...?” — ecoou ele, franzindo o cenho. Nem tudo daquele universo era fácil de se compreender e aquela palavra em particular não lhe dizia nada.

— “Psicopata, Naraku! Significa que você é um cara frio e impiedoso que nunca sente a dor dos outros! Veja só quantas pessoas você já matou, sem contar as que você induziu a matar outras... Você é um manipulador, perverso, que não sente remorso de nenhum de seus crimes! Nunca faz o trabalho sujo com as próprias mãos.”

Ele piscou duas vezes.

— “Certo, mas qual é o problema?” — replicou o hanyou. A jovem revirou os olhos.

— “Ora, qual é o problema?! Naraku, a sua natureza não lhe permite AMAR!”

— “Sim, minha natureza não me permite amar. Nasci para ser isso tudo que você disse. Fui gerado em meio a uma malignidade sem tamanho. Meus instintos me levam a perverter, manipular, mentir, enganar... Amar alguém nunca esteve em meus planos.”

Kagome olhou para Naraku profundamente, buscando entender aquela declaração. Ele, depois de um instante em silêncio, murmurou:

— “Acho que nasci errado, como uma aranha com uma pata a menos.”

— “A mais” — retificou a colegial. Ante a expressão de dúvida do hanyou, ela sorriu levemente. — “O amor não tira nada de ninguém. E duvido que amar alguém irá diminuir seu valor.”

— “Oh.”

Os dois se calaram, olhando-se com certa curiosidade, ele ainda refletindo no que ela dissera. Acabaram se beijando. Pouco depois, a jovem se viu sentada no colo do hanyou, enlaçando a cintura dele com suas coxas. Ela franziu o cenho de leve.

— “Por que estamos nos beijando e nos tocando com essa intimidade toda? Eu não amo você.”

— “Eu também não amo você, Kagome. Isto que acontece conosco é produto de nossas carências. Você quer alguém para ouvi-la sem julgamentos, sem lhe dizer ‘certo’ ou ‘errado’. E eu não suportava mais aquela solidão. Por isso me escondo em seus sonhos.”

— “Mas... Poderíamos agir como apenas amigos...” — interveio a jovem, gemendo ao sentir mordidas leves ao longo do pescoço, ao passo que seu púbis era totalmente pressionado contra o sexo duro de Naraku, que de fato ficava bem atraente com aquelas roupas esportivas.

— “Amigos também trocam ‘favores’, Kagome... Você quer um confidente, eu quero sentir prazer... Não fique se incomodando ao imaginar os porquês de tudo que lhe acontece.”

Então, Kagome se viu sendo levada até sua escrivaninha pelo aracnídeo, que a fez inclinar-se com os cotovelos no móvel, enquanto ele erguia sua saia devagar, aproveitando para deslizar seus dedos longos pelos grandes lábios dela. As nádegas da jovem ficaram expostas, semicobertas pela calcinha de renda que começara a umedecer. Seu pênis latejou de imediato; ele o sentiu apertado demais e resolveu abrir aquela peça de roupa tão curta — uma bermuda preta de tactel — e viu que havia mais uma espécie de tecido bem justo envolvendo seus quadris. Meneou a cabeça, imaginando se todos os homens daquela era usavam aquela coisa. Por um momento, algo como a voz de Kagura, sua serva, soou em seus ouvidos apurados, mas estava tão distante que ele não discerniu o que era nem lhe deu importância.

***

No castelo, perto do seu corpo em transe, Kanna e Kagura discutiam. Ou melhor, Kagura vociferava contra a pequena youkai, que permanecia calada e serena, porém aumentando a força de sua barreira.

— Como ousa, Kanna? Sabe que Naraku nos manipula, nos força a fazer todas as suas patifarias... — a youkai dos ventos apontava, revoltada, com seu leque para o hanyou morbidamente imóvel atrás de Kanna. — Eu não imaginava que ele um dia ficaria assim tão fraco, essa é a oportunidade que temos de ficarmos livres!

— ...

A pequena a fitava apaticamente, sem desfazer a proteção sobre seu mestre.

— KANNA! Desfaça essa barreira, eu vou matar Naraku!

— ...

— Você acha justo?! Ele não te deu uma alma, não me deu meu coração... Somos meras marionetes nas mãos desse crápula...! Desfaça já essa barreira!

— Não, Kagura — respondeu Kanna, baixinho. — Não posso. São ordens dele.

— Mas, Kanna...! Você não deseja ser livre?! Ter uma vida própria, onde possa ser você mesma?!

— Não desejo nada.

— Você prefere sofrer?!

— Não estou sofrendo. Não sinto nada.

As lâminas do vento de Kagura foram projetadas impiedosamente contra a barreira de Kanna, que permanecia abraçada ao seu espelho, ao passo que Naraku jazia imóvel como um cadáver recostado à parede. Houve grande destruição nas paredes e janelas do quarto, mas nada atingiu aos dois. Vendo-se frustrada, a mestra dos ventos se afastou dali, trêmula de revolta, lágrimas que cintilaram em seus olhos e que ela não as deixou cair.

— Como pode não sofrer, Kanna?! EU SOFRO! Por mim mesma... E por você!

Kanna fitou a porta por onde sua companheira saiu. Estava confusa, não entendia o motivo daquela revolta toda. O fato de não ter alma a privava de compreender sentimentos e emoções.

***

No sonho, Naraku, então, deu uns passos para trás, e entendeu que agora era a imaginação de Kagome que, inconscientemente, o manipulava. Seus olhos se detiveram na silhueta esguia da colegial, que permaneceu reclinada sobre a escrivaninha com a saia levantada, apenas aquele pedaço de pano cobrindo suas partes pudendas. O hanyou achou estranho descobrir que o uniforme de Kagome, visto inúmeras vezes por ele, agora muito o excitava.

— “Higurashi...” — sibilou ele, sensualmente, enquanto se aproximava dela de novo. — “Você queria aulas particulares?”

— “Ohh...” — ofegou a jovem, sentindo Naraku lhe puxar a calcinha para o lado com os dedos e lhe lamber o pequenino ponto nervoso entre suas pernas. Aflita e excitadíssima, a jovem rebolou contra a língua dele.

Ambos abriram os olhos e se viram dentro de uma sala de aula fechada. Naraku ficou mais confuso ainda; já havia baixado parte da bermuda e seu membro espesso apontava diretamente para a entrada vaginal de Kagome, parcialmente oculta pela calcinha.

— “Kagome, onde estamos”? – indagou o moreno, atordoado, ao ouvir passos e vozes que ecoavam do lado de fora.

— “Na escola...”

— “Mas podemos ser flagrados aqui!”

A mocinha o olhou ansiosa, empinando o bumbum. Ela não o excitava como Kikyou, mas todas aquelas descobertas bizarras deixavam o moreno tonto de desejo. Ele estreitou os olhos e tocou o sexo de Kagome com seu pênis escorregadio, observando com avidez a calcinha que ele puxava para o lado.

— “O que diriam se soubessem que o professor de educação física, seja lá o que for que isso signifique, está dando uma lição em uma aluna que não se comporta?” — ronronou ele, invadindo a jovem de uma vez.

— “Mmmmg... AAAAH!” — gritou ela, louca e desesperada de tanto tesão misturado a uma sensação de desnorteamento. — “Eu... Naraku... Acho que enlouqueci...”

— “De prazer, não é, safada?”

— “Não é n-nada disso, é que... Ainda essa semana, e-eu li num blog que a maioria dos homens japoneses tem fetiches p-por colegiais e agora... Que horror, está acontecendo comigo!”

Como é?! Ela lê coisas malucas e me projeta para dentro delas?!

— “Ohhh!” — ofegou ele, penetrando-a e olhando alucinado para a calcinha ali, tapando parte do quadril dela. — “Imagine, K-Kagome, as pessoas ouvindo nossos gemidos e...”

— “Ahh! Kami-sama! Estão nos ouvindo?!” — exclamou Kagome, enquanto sentia um prazer absurdo e psicodélico com aquele coito. — “Que vergonha, e-eu nunca pensei numa situação tão... Tão...”

— “É porque quem está manipulando seu sonho agora sou eu... Você é muito purinha, eu sou muito safado...” — e Naraku acelerou o ritmo das investidas, não se preocupando com os ruídos que produzia. Ambos tinham a nítida impressão que a porta seria aberta a cada instante. Kagome estremeceu e gemeu alto, gozando e comprimindo fortemente o membro do hanyou. Não mais suportando, ele fechou com força os olhos ao sentir a pressão crescente em seu baixo-ventre, que culminou num orgasmo poderoso.

Naraku ficou tonto, sem nada enxergar, até que percebeu que estava sentindo frio. Ao abrir os olhos, estava dentro de seu próprio quarto, no castelo — de alguma maneira, Kagome despertara e o expulsara de sua mente. Ele tremia e ofegava, como se tivesse corrido colina acima. Kanna estava de costas para si, sentada sobre os calcanhares, concentrada em formar uma kekkai branca em volta dos dois. O quarto estava destruído. A pequena youkai o interpelou:

— Naraku — murmurou ela. — Conseguiu possuir Kagome?

— Possuí... M-mas não do jeito que queria. Vou ter que ser mais incisivo da próxima vez. O q-que aconteceu aqui?

— Fomos atacados — disse ela, simplesmente. — Mas eu o defendi.

— Certo. Pode ir.

A barreira se desfez e Kanna se levantou, saindo do quarto. Naraku enfim tombou deitado, buscando estabilizar seu youki, já que ele se gastara muito naquela empreitada um tanto infrutífera de dominar a alma de Kagome.

Eu ainda vou fazê-la se irar contra Inuyasha para tentar matá-lo...

***

Alheia a tudo isso, Kikyou realizava assepsia no ferimento de um dos diversos homens feridos por um grupo de mercenários que saquearam um vilarejo distante. O olhar sereno e a expressão impassível de sua bela face ocultavam um vulcão em erupção dentro de sua alma.

Que saudade... Que saudade dele...

Saudade de Naraku era a coisa mais louca e absurda que Kikyou poderia vivenciar — e, para sua consternação, era isso que ela sentia. Pensamentos sobre o bem estar dele, lembranças dos momentos que passaram juntos... Das inúmeras vezes em que aquela voz sensual e rouca a chamara de “meu amor”...

Miko-dono — rouquejou o aldeão, curioso com a paralisia total da jovem que sustinha seu braço nas mãos. — Miko-dono, a senhora está bem?

— Oh... — Kikyou pareceu meio sem graça por ter ficado imóvel diante do homenzinho. — Perdoe-me, senhor, falta pouco para eu terminar de limpar esse corte.

De fato, ela terminou rapidamente o serviço, murmurando uma prece para acalmar o coração do pobre aldeão e se afastou. Mais adiante, havia outro homem, este com queimaduras feias em uma das pernas, que gemia com a forte dor.

— Vai ficar tudo bem, eu vou cuidar do senhor — murmurou a sacerdotisa, abaixando-se para cuidar do homem que tremia. Precavida como sempre, ela havia macerado grande quantidade de agrião com azeite para a preparação de um emplastro curativo.

Pedindo licença, Kikyou tomou a panturrilha do aldeão e a analisou rapidamente. A pele estava destruída, ele ficaria com a cicatriz daquela lesão para sempre. Não se intimidando com as exclamações de agonia do homem, a jovem se pôs a limpar cuidadosamente o ferimento.

Foi impossível não se lembrar de quando descobrira o bandido Onigumo vivo e dilacerado em um pedregal perto do abismo de Naraku², numa manhã de sol. Ele estava bastante queimado, sangrando em algumas partes do corpo, o olho esquerdo irreversivelmente danificado, inchado e escurecido, boa parte do couro cabeludo havia sido perdida, o rosto sujo de terra e grama, rouco e arquejante. Kikyou chegara a dar um gritinho de susto ao vê-lo. Surpreendentemente, ele não lhe pediu ajuda, limitando-se a murmurar uma blasfêmia contra os deuses enquanto a olhava de soslaio. Tentando não transparecer seu incômodo, a moça se aproximou dele, ajoelhando-se ao seu lado.

— O que aconteceu com você? — indagou ela. — Foi atacado por bandidos?

— Que diferença faz, miko desgraçada?

— Temos que sair daqui, senão o sol vai piorar suas queimaduras.

— Dê o fora, sua puta. Vai me dizer que vai tentar me tirar daqui... — troçou ele, agora olhando com mais interesse para Kikyou, que o estudava, analisando como erguê-lo do chão.

— Vou — disse ela, séria, tocando um dos ombros dele que parecia são. — Pode levantar o braço? Coloque-o sobre meu ombro... — com alguma dificuldade, o bandido o ergueu e seu único olho se arregalou quando entendeu o que aquela jovem estava tentando fazer.

— Ficou maluca? Vai me levar nas costas?

— Vou.

— Você não aguenta o meu peso, vadia!

Um calor diferente e nada incômodo pareceu encher o lugar onde se encontravam; Onigumo ficou assombrado ao ver que Kikyou o colocou devagar sobre suas costas, o rosto juvenil ligeiramente tenso, mas nada que parecesse que ela estava com um homem adulto sobre si.

— Nnng... Aaag... C-como me levantou do chão?!

Shhh. Procure ficar quieto, para não se cansar ainda mais.

— Que... Que miko poderosa é você... — sussurrou ele, sentindo o corpo protestar ao ser erguido. Logo começou a desferir uma série de xingamentos e lamentos pela dor de seus membros formigantes e ardidos. Kikyou buscou não se deixar incomodar pela grosseria do homem; era notório o quanto ele sofria. Mesmo usando seu houriki, a caminhada dela com um indivíduo grande e pesado nas costas foi bastante difícil. Foi quando ela resolveu colocá-lo dentro de uma caverna fria; o clima diferente do local trouxe certo conforto para Onigumo.

Ali, ela realizou a penosa tarefa de despir e limpar o bandido para cuidar de seus ferimentos, ouvindo seus gritos de agonia, blasfêmias e palavras impudicas, principalmente quando ele percebeu que, por mais que se esforçasse, não conseguia mover suas pernas. Onigumo amaldiçoou aos deuses, ao bandido Rasetsu e até a própria Kikyou, que se esforçava ao máximo por minimizar-lhe o sofrimento. Mesmo assim, a jovem era compassiva demais para abandonar aquele blasfemador à própria sorte.

Aos poucos, o corpo do bandido reagiu aos bálsamos, óleos e emplastros que Kikyou lhe aplicava diariamente e sua dor começou a amainar, permitindo a ele que voltasse a raciocinar com mais clareza. E com malignidade também, já que ele era, de fato, um homem perverso. Não demorou para que ele descobrisse que aquela sua bela salvadora era, por ironia do destino, a poderosa guardiã da Joia de Quatro Almas. Mais: passou a ansiar pelos momentos em que ela vinha tratá-lo, sentindo-se desolado quando a moça mandava a pequena Kaede com sua refeição. O bandido sentia algo poderoso palpitar em seu peito quando ouvia a voz da sacerdotisa, quando o olhar dela se encontrava com o seu, quando a fitava nos breves momentos em que ela olhava fascinada para as estrelas depois de lhe oferecer comida e água à noite.

Onigumo se apaixonou por Kikyou, mas ela não correspondeu aos seus sentimentos. Ele também não se esforçava por isso — dizia aos quatro ventos que o brilho da Joia deveria ser ainda mais belo se estivesse manchado de ódio. Para piorar, “elogiava” os dotes físicos da sacerdotisa com os piores palavrões, sem contar as desagradáveis “gentilezas” que ele dizia desejar fazer com aquele corpo sinuoso e virginal. A jovem se sentia extremamente aviltada, mas não o abandonou: sabia que Onigumo jamais poderia ter de volta sua saúde e, mesmo que sarasse das queimaduras, ficaria paralítico para sempre.

Ademais, ao fim do dia ela tinha Inuyasha para acolhê-la e fazê-la se sentir querida. Então, em uma tarde, alguém que era idêntico ao seu querido lhe roubou a Joia, cuidando antes de rasgar-lhe a jugular e fazê-la sangrar até a morte, plantando em sua alma a semente do ódio.

O curativo na perna queimada do aldeão havia acabado. Com sua expressão impassível, a moça se despedia do pobre homem e, silenciosamente, se afastava. A jovem cuidara devidamente de todos os vitimados pelos criminosos; poderia sair dali em paz, tendo consigo a sensação de missão cumprida. Logo seus shinidama a envolveram e ‘alimentaram-na’ com almas. Então, sem que as pessoas notassem, Kikyou flutuou com seus youkais e se foi em direção ao vilarejo onde nascera.

A sacerdotisa não aguentava mais pensar em Naraku. Ela precisava ver Inuyasha. Aí, sim, seus problemas seriam resolvidos — ela seduziria seu querido, faria amor com ele e apagaria da memória as lembranças íntimas que tivera com o maldito hanyou aracnídeo, além de levar o inuyoukai híbrido a não se importar mais com a menina Kagome.

Tem que ser hoje. Só Inuyasha pode me fazer esquecer Naraku.

***

— Kagome-chan! Kagome-chan! — chamava Ayumi, preocupada. Kagome havia desmaiado durante a aula de Matemática e agora estava na enfermaria do colégio.

— O que... — balbuciou ela, pálida e com olheiras. A colegial parecia bastante debilitada nos últimos três dias. — Que foi...

— Você passou mal... Não está se alimentando? — indagou o seu colega Houjo, sempre prestativo.

— Kagome-chan, por que não fica internada? Você tem andado muito doente ultimamente. Não deveria se esforçar tanto — afirmou Yuka.

Ela estava desorientada. Segundos atrás estava de mãos dadas com Naraku em um local inusitado — um parque de diversões — e rindo dele, que dizia estar meio nauseado após andar na montanha-russa. O hanyou estava vestido como um jovem da era moderna, calças jeans, uma camiseta do Star Wars e um pacote gigante de pipoca nas mãos. Aqueles sonhos estranhos com a presença de Naraku estavam ocorrendo com uma frequência exagerada e a jovem se sentia cada vez mais frágil.

Em todos os sonhos, o moreno e ela conversavam como se fossem amigos de longa data, trocavam carícias, na maioria das vezes chegavam aos ‘finalmente’ do sexo e, indefectivelmente, falavam sobre seus sentimentos. Ele a aconchegava nos braços e lhe perguntava como tinha sido o dia — era o suficiente para descortinar aquele coração.

Naraku tinha o dom de persuadir Kagome a dizer qualquer segredo, dela mesma ou de outras pessoas. Ele se mostrou uma criatura amorosa e companheira, em nada semelhante ao homicida cruel que ela conhecia. E, complicando as coisas, aqueles instantes eróticos entre os dois a deixava consternada. Pois, até então, o único dono de seus desejos (ainda muito infantis e castos, diga-se de passagem) era o hanyou cão. Mas nada poderia embasbacar tanto a jovem quanto os sonhos com o hanyou aracnídeo. Era como participar de uma pornografia involuntária.

— E-eu vou ficar bem — tartamudeou a mocinha, olhando para cada um de seus amigos, sentindo vontade de chorar. — Mas acho que preciso de um psicólogo...

***

Numa fonte relativamente distante do vilarejo, Inuyasha se lavava devagar, com a cabeça cheia de pensamentos conflitantes. Aquela sensação de culpa por não estar ‘à altura’ das duas sacerdotisas o deixava sorumbático e ainda mais mal humorado, isolado dos amigos. No momento, porém, o hanyou lembrava de um comentário feito por Miroku meses atrás: “não é pecado conhecer o próprio corpo, Inuyasha. Se você não se conhece, não pode esperar que sua parceira (quando você tiver uma) o faça”.

— Como me sinto estranho fazendo isso — murmurou ele, olhando curioso para o sexo ereto. — Ele sempre fica assim quando me lembro de Kikyou ou quando Kagome está muito próxima...

A mão grande e calosa tocou de leve a ponta do órgão inchado e duro, que pulsou ao receber aquele afago. Inuyasha morria de vergonha de si mesmo quando se excitava. Além do mais, era perturbador desejar duas garotas. Contudo, os segundos em que sua mente ficava ‘em branco’ enquanto ele se masturbava valiam a pena — ali o jovem híbrido expurgava parte de suas ansiedades e nervosismos. Agora ele comprimia com força os lábios para conter os gemidos; não queria parecer pervertido como o amigo Miroku, que aproveitava quase todas as ocasiões em que eles iam se banhar para fazer aquela prática indecente.

O hanyou fechou os olhos, deslizando a palma de uma das mãos pela glande úmida de fluidos e afagando o saco escrotal com a outra. Ele não sabia ao certo o que fazer com uma mulher, então sua imaginação se detinha ao vislumbrar corpos, rememorar aromas e vozes. Pensava em como seriam os quadris de Kikyou sem roupas, lembrava da única vez em que acidentalmente vira Kagome tomando banho e de como ele ficara encantado por suas mamas pequenas. As imagens das duas pairavam em sua mente febril, que agora evocava o cheiro delas. Mordendo o lábio, Inuyasha acelerou os movimentos que fazia, ao lembrar do cheiro agora diferente de Kikyou, cuja pele exalava um odor humano misturado a terra úmida. Diferente, sim, mas não desagradável. Inclusive, parecia até que ele estava sentindo mesmo aquele aroma no momento.

Os jatos de sêmen inundaram a mão de Inuyasha, que era envolvido pela forte euforia do prazer orgasmático. Ainda com os lábios contraídos, o jovem hanyou levou um susto ao apurar a audição e notar um silvo sutil perto de si, o ruído dos shinidamachuu, bem como o cheiro de sua sacerdotisa do coração. De chofre, Inuyasha olhou para todos os lados, atento.

— Kikyou...? — indagou ele, pressuroso. Do meio das sombras, a voz da jovem ecoou aos ouvidos dele como música.

— Sou eu, Inuyasha... — logo Kikyou aparecia dentre as árvores. Ela estivera observando-o há alguns minutos, oculta por sua barreira, e vira toda a sua atividade sensual. Segura de que seu querido pensava nela ao se masturbar, a jovem agora estava à beira da fonte, olhando-o com volúpia. — Ficou feliz em me ver?

— N-Não se aproxime ainda, e-eu preciso me vestir.

— Não quero que se vista — retrucou Kikyou para o híbrido que estava rubro como seu quimono, devastado de vergonha e também de deslumbramento.

O cheiro que o corpo de Kikyou emanava era diferente naquele instante: mais acentuado, mais entorpecente. Os sentidos de Inuyasha ficaram ainda mais sensíveis e ele ficou duro mais uma vez. Nervoso, cobriu o sexo com as mãos, ao que ela objetou:

— Não adianta esconder, eu já o vi... Ele é grosso e grande mesmo quando está mole... Maravilhoso. Vou adorar sentir ele todo dentro de mim.

— K-Kikyou, que... O que v-você está dizendo?! — volveu Inuyasha, totalmente constrangido e escandalizado ao ouvir tal afirmação. Ela apenas riu, desatando a obi e retirando as próprias roupas, para desespero do outro. — Keh! Sua louca, o que deu em você?! Por que está agindo assim...?

Inuyasha emudeceu quando a sacerdotisa expôs as mamas redondas e, em seguida, baixou as calças e retirou a túnica, revelando sua nudez total. O hanyou sequer conseguia dizer algo mais; sua cabeça ficou zonza e a proximidade com Kikyou acendeu dentro de si um fogo inédito e intenso, que ele ainda não havia sentido naquelas proporções. Meio hipnotizado, ele saiu de dentro da fonte, expondo-se também a ela, que achou-o belíssimo, mas sem a sedução natural que Naraku possuía. A expressão pueril e um tanto receosa dele demonstravam sua inexperiência e timidez, diferente do aracnídeo que sabia despertá-la para o prazer com um mero olhar.

Não, não, eu não devo pensar em Naraku e NÃO vou pensar nele!

— Inuyasha — chamou-o a jovem, ansiosa. — Venha me fazer mulher.

— ... — os lábios carnudos do híbrido tremiam; ele a custo conseguiu gaguejar que nunca havia tocado mulher alguma e que não sabia o que deveria fazer.

A resposta de Kikyou foi lançar-se nos braços de seu querido e beijar-lhe loucamente a boca, colando o corpo ao dele e se arrepiando de tesão ao sentir o toque do falo duro, que era um pouco maior do que o de Naraku, contra seu ventre. A língua da jovem rodeava a de Inuyasha, logo sendo sugada por ela, que alternava as carícias com mordidas nos lábios do hanyou que mal conseguia correspondê-la. A sacerdotisa, sedenta como estava, não se importava em demonstrar pudor ou recato, o que assombrava Inuyasha. Ele não a reconhecia. Mas, desta vez, ele não quis dizer nada para não desagradar Kikyou, que agora apartava o beijo, ofegante. E, bem, ela o desejava. Isso era algo bom... Não era?

— Adoro rseu beijo... — comentou ela, já puxando seu querido para o chão e fazendo-o se deitar sobre a grama.

— Eu... Eu também, Kikyou — sussurrou o hanyou, cheio de desejo. — Seu beijo tem um gosto bom...

— Não é só o meu beijo que tem gosto bom, querido.

— N-não entendi...

Inuyasha arregalou os olhos ao ver Kikyou se colocar de joelhos sobre si, se posicionando sobre a cintura dele. Meio inseguro, ele estendeu a mão e tocou a clavícula da jovem, observando com fascínio o quanto os seios dela eram perfeitos, arredondados e firmes; estava louco para sentir a textura deles em suas mãos.

— Pode tocá-los — disse ela, divertida, vendo a hesitação do hanyou. — Gosta deles?

— G-g-gosto, mas... Estou c-com verg-

A mão de Kikyou pegou a de Inuyasha e a colocou sobre seu seio direito. A sensação de correntes elétricas percorrendo todo o corpo levaram o hanyou a gemer incontido de tesão, com o mamilo duro de sua querida entre seus dedos. Logo a outra mão foi até o seio esquerdo e Inuyasha fechou os olhos, arfante, sentindo o pênis palpitar e expelir fluidos. Mal podia acreditar que estava acarinhando aquela bela e quase inatingível garota daquele jeito tão íntimo. Foi surpreendido quando ela retirou suas mãos de sobre o corpo e, inclinando-se em cima dele, posicionou-se com os seios sobre seu rosto. Inuyasha trazia na face uma fisionomia tão embasbacada que chegava a ser cômica para a sacerdotisa; afinal, algo irresistível em seu interior lhe dizia que deveria sugar aqueles bicos rosados com urgência, senão não conseguiria sobreviver.

— K-K-Kikyou... Eu... Eu... — sem esperar o hanyou terminar de falar, a jovem levou um dos mamilos à boca dele, que gemeu de tesão apenas com o vislumbre do movimento da moça. Enlouquecido, ele abocanhou o seio, rosnando de desejo e estremecendo ao ouvir os suspiros lânguidos dela.

— Isso... Ahh, que delícia... Vem mamar em mim...

— Ohh...! — fez ele. — É tão... Tão gostoso! — e, num tom de confissão, Inuyasha afirmou: — Desde que você c-chegou aqui com esse cheiro, eu... Digo... Meu pau não parou mais de doer, m-mas é uma dor boa, sabe?! — e Kikyou acabou rindo levemente ao ouvir isso.

Agora Inuyasha compreendia o porquê de Miroku não conseguir ficar muito tempo sem sexo. Aqueles prazeres eram terrivelmente viciantes e o hanyou se sentiu como que escravizado, querendo ainda mais. Suas mãos agarravam com firmeza as mamas da sacerdotisa, enquanto ele lambia faminto a pele da aréola do mamilo esquerdo. De repente, a imaginação de Inuyasha voou e ele se flagrou pensando na reação de Kagome se ele fizesse o mesmo em seus seios pequenos adolescentes.

O jovem hanyou teve outro estremeção, agora não mais de prazer, levando-o a ficar por alguns segundos com o olhar perdido e consternado.

Eu quero, mas não posso fazer isso com Kikyou... Kagome tem sofrido tanto por minha causa... Ela ficaria magoada comigo pelo resto da vida e...

Kikyou não entendeu bem o que havia acontecido e, como não aguentava mais esperar, endireitou o corpo, sentando-se sobre a extensão do membro de Inuyasha e permitindo-se escorregar a vulva encharcada pelo órgão vultuoso.

— Está tudo bem, querido? — sussurrou ela, atenta aos olhos âmbares agora cheios de culpa.

— E-está... Sim, está, eu... Só n-não estou acostumado... Com isso. Nunca fiz... V-você me entende?

Ela se abaixou para beijá-lo, murmurando em seguida:

— Vai ser maravilhoso para nós dois, eu prometo.

Procurando se ater somente ao que estava fazendo com sua querida, Inuyasha impediu-a de se levantar e manteve-a reclinada sobre si, beijando-a e lutando para não ser dominado pela culpa. Por sua vez, Kikyou se sentia totalmente excitada, mas... Algo estava faltando. Inuyasha era lindo, ela o amava, tinha certeza de que o amava... Contudo, ela esperava algo maior, mais arrebatador, mais envolvente. Aguardava pelo momento de euforia, de corações batendo juntos, de segredos trocados ao pé do ouvido, dos olhos que fitariam as estrelas juntos... A jovem esperava, com desespero, que Inuyasha lhe alcançasse a alma durante a intimidade do sexo. Mas nada estava acontecendo de acordo com suas expectativas.

Ao que tudo indicava, seria apenas sexo. Ele a faria sentir muito prazer, mas não preencheria a lacuna do seu coração. Respirando fundo, Kikyou apartou o beijo e tentou não pensar em certo demônio de cabelos negros, que não hesitava em declarar-lhe seu amor, ao passo que o hanyou abaixo de si NUNCA lhe dissera nada. Nem há cinquenta anos atrás, nem agora.

A sacerdotisa rebolou sobre a extensão do membro de Inuyasha, olhando-o de uma maneira indiscernível, ao passo que ele compreendeu que ela gostaria de começar o coito. Pelo que ele intuiu, tinha a ver com introduzir o pênis naquela cavidade quente do corpo dela, mas não imaginava o que viria depois; deveria ser doloroso para ela, e ele não queria feri-la. Suando de nervosismo, ele fez um pequeno movimento impulsionando o quadril para cima.

— K-Kikyou, o que... O que eu faço? — indagou ele, humildemente, totalmente enrubescido. Mesmo angustiada com todos os seus sentimentos conflitantes, Kikyou não pôde deixar de achar bonitinho o jeito tímido e inocente do hanyou.

— Vou te mostrar... Coloque-o para cima... — explicou a jovem, vendo Inuyasha manipular o pênis como ela pediu. Sem demora, ela baixou devagar o quadril, mordendo os lábios, sentindo a glande grossa invadindo seu orifício apertado. Doeu um pouco, mas o prazer foi mais forte. — Ahh, que gostoso...!

O corpo inteiro de Inuyasha reagiu com tesão descontrolado quando Kikyou o engoliu, lenta e completamente, e se pôs a comprimi-lo com a vagina. Ele mordeu os lábios e fechou os olhos, abandonado em seu prazer, quando suas memórias o traíram.

Ei, pare de me chamar de Kikyou, já te disse meu nome é Kagome! Ka-go-me!

Aquela jovem aprendiz de sacerdotisa, tão meiga... Tão altruísta e inocente, que não escondia que o amava... Kagome tinha algo que aquecia seu coração quando os olhares se encontraram.

“Inuyasha, sinto a presença de fragmentos da Joia!”

Kikyou continuava a se mover sobre seu membro.

“Ah, a lua cheia com o arco-íris... Só aparece para quem consegue ver...”

Agora, ele olhava para Kikyou, a Kikyou por quem ele ficou selado por cinquenta anos, por quem ele escapulia do grupo para ir vê-la na calada da noite, a Kikyou que ele jurou proteger do maldito Naraku.

O meu coração já não fica daquele jeito quando estamos juntos... Ela é a Kikyou, eu... Eu sempre gostei de tê-la comigo, estamos fazendo essa coisa tão íntima agora... Por que está acontecendo isso? Por que não consigo simplesmente ficar feliz como antes?

Foi quando Kikyou, incrédula, ficou estática.

— O que... O que foi, Kikyou...?

— Inuyasha... Você não me quer mais?! — indagou ela, olhos enormes na face suada que era a imagem viva da decepção e da amargura.

Só então Inuyasha percebeu que seu membro jazia adormecido sobre sua barriga, apesar de continuar excitado. Assustado, ele se sentou de supetão, olhando do pênis para a companheira boquiaberta.

— Por que ele ficou assim? — perguntou ele, mais para si mesmo, sem entender o porquê daquele vacilo de seu corpo. Kikyou agora pegava as próprias roupas e as vestia apressadamente. — Ei... Kikyou, eu não sei o que aconteceu... Você está zangada?

— Não, eu não estou zangada... Inuyasha — retrucou ela, os olhos demonstrando o contrário.

Kikyou não era tão experiente quanto pensava e concluiu erroneamente que o súbito “desânimo” de seu querido era proposital — na verdade o hanyou estava apenas nervoso demais. Um bolo se formou em sua garganta enquanto ela atava a obi à cintura.

Aquilo era terrível. Inuyasha não a desejava? Não a amava? Então ela vinha se consumindo sentimentalmente por ele à toa?

Então... Sua única arma para esquecer os sentimentos novos e indesejados por Naraku não surtira efeito.

Com os olhos rasos de lágrimas, a moça procurou se afastar rapidamente do hanyou, que, mais confuso do que nunca, terminou de vestir-se também e, constrangidíssimo, correu para alcançá-la.

— Kikyou...! Volta aqui, porra! Não pode suportar uma falha minha? É assim que diz gostar de mim? — gritou ele, devastado. Ver sua querida lhe dando as costas daquela forma o feria como navalhadas; Inuyasha tinha pavor à rejeição e, de repente, seu pior pesadelo se tornara realidade, como quando fora selado por ela há meio século. Estava sendo rejeitado por alguém que ele amava...

Amava... Amo... Nem sei mais o que estou sentindo por ela...

— Me solte! — gritou ela, ao ter o braço agarrado.

— NÃO! Não depois de tudo o que você fez... Tentou me matar diversas vezes, dizendo ser por amor... Tentou matar Kagome, tomou os fragmentos dela depois de todo o sacrifício que fizemos para recolhê-los e, aí, o que você fez? Entregou tudo nas mãos do nosso pior inimigo, que acabou abusando de você! Faz ideia de quantas vidas Naraku arruinou nos últimos cinquenta anos? — e, exaltando-se, Inuyasha começou a gritar. — Foi por causa DELE que eu tive o imenso desgosto de ver a garota que eu amava disparando uma flecha contra mim e... Ele MATOU VOCÊ! E, por causa DELE, hoje você está desse jeito... Rancorosa, vingativa, amarga... Não é a Kikyou que eu conheci!

— NÃO SOU MESMO! — bradou a jovem, chorando. — Aquela Kikyou perfeitinha que fazia de tudo para agradar os outros morreu, acabou! Eu sou a Kikyou que só deseja ser uma mulher comum, só quero ser eu mesma... Um ser humano! Errei? Sim, errei muitas vezes, das piores maneiras que alguém pode errar... — soluçou. — Por que os outros erram e são perdoados, e eu não posso errar? Por que todos podem ficar magoados e EU não posso?! Não quero entender você, não quero aceitar que existe uma menina com a minha alma perambulando atrás de você... Aposto que, se fosse ela prestes a dar para você minutos atrás, você não teria falhado!

— Não coloque Kagome no meio disso! — urrou o hanyou, possesso. — Ela não é culpada de nada! Quem destruiu nossa vida foi aquele filho da puta do Naraku!

— Naraku, Naraku... Pare de acusar Naraku por tudo! — retrucou a moça, trêmula de ira.

— VOCÊ ESTÁ DEFENDENDO ELE?! — volveu Inuyasha, boquiaberto. — DEPOIS DE TUDO, VOCÊ AINDA QUER QUE EU IGNORE O QUANTO ELE NOS PREJUDICOU?!

A jovem calou-se, arrepiada e assustada consigo mesma. Tentar defender Naraku era a coisa mais inimaginável que alguém poderia fazer e, de repente, ela o havia feito. A situação estava pior do que Kikyou pensava.

— N-não, eu não o estou defendendo — afirmou a sacerdotisa, respirando pesadamente. — Melhor pararmos por aqui, Inuyasha, eu... Quero muito ficar sozinha. Prometo que, quando estiver mais calma, irei te procurar para conversarmos...

— Keh... Tudo bem — resmungou ele, evitando encará-la. — Vou esperar.

E foi assim que Kikyou evadiu do local, deixando Inuyasha desolado e com ainda mais saudades de Kagome. Sem perda de tempo, o hanyou saltou em direção ao Poço Come-Ossos.

Precisava muito da colegial, nem que fosse apenas para vê-la de longe. A simples proximidade com Kagome o faria respirar mais livremente, esquecer suas contrariedades.

***

¹ — No Japão, a 3ª série do Chūgakkō, a Escola Média, equivale ao 9º Ano do Ensino Fundamental do Brasil.

² — O abismo de Naraku é o nome do local onde Onigumo foi jogado por Rasetsu e seu bando, depois de ser queimado (vide episódio 91).

Notas finais
Wikia sobre o Naraku: http://inuyasha.wikia.com/wiki/Naraku Eeeeeeeeeeeeeeeeita, quanta treeeeeeeeeeeeeta! Naraku e suas safadezas 'narakuterísticas' dentro da cabeça da coitada da Kagome, mds! Quais serão as consequências para ela? Reiterando: O HENTAI NARAKUxKAGOME NÃO ACONTECEU! Acho que AGORA o Inu e a Kikyou entenderam que o amor acabou, porque né? hihi XD Espero que tenham gostado de como Kikyou salvou Onigumo, no passado. :) Grupo no Facebook "Fics da Okaasan": https://www.facebook.com/groups/254208075030050/ Seja bem-vindo(a)! Abraços, boa semana! @Okaasan