The Hollow

1 The Hollow - Prólogo


Notas iniciais
Olá pessoa que está lendo ^^
Primeira história que eu posto aqui no Nyah, espero que goste desse prólogo;
Tenha uma boa leitura(espero que sim) ^^

The Hollow

"Oco do mundo; lugar distante, afastado, escondido, fim do mundo.

Cair no oco do mundo; fugir."

Acordei com uma forte dor na parte esquerda da cabeça, perto da nuca. Chegava a ser quase insuportável.

Abri as pálpebras pesadamente, meus movimentos estavam lentos.

O lugar onde eu aparentemente estava era escuro, iluminado apenas por uma lâmpada velha que emitia uma luz amarelada. Estranhamente, a lâmpada parecia um pendulo pendurado no teto, se movimentada constantemente e no mesmo ritmo seguido para a esquerda e para a direita. No mesmo ritmo de barulhos, passos, talvez no que me parecia ser um andar acima de onde eu estava. Ainda bem que perdi a claustrofobia e o medo do escuro um tempo atrás.

Hm... Não me lembro de ter ido a algum hotel, se é que estou em um hotel. Bem, talvez tenha ocorrido algum terremoto, onda gigante ou algo parecido, que acabou por atingir o ponto principal de energia daqui. Aliás, “aqui”, onde é?

Minha cabeça continua com uma forte dor perto da nuca. Não consigo me lembrar de muita coisa. Acho que antes eu estava em casa conversando com uma prima e brincando com um filhote de gato. Como é mesmo seu nome? Jared, Jony? Acho que é Jovi.

Mas por que forçar a cabeça pra lembrar o nome de um gato. O importante é sair daqui.

Tateou lentamente o chão a procura de algum apoio para me levantar, não há nada, só o chão, que acho que é de madeira. Parece estar sujo e posso sentir a poeira agora em minha mão.

Me apoio como posso nos cotovelos e tento levantar. Com minha grande força de vontade consigo, mas meu corpo dói muito. Acabo por cair para frente, felizmente, num grande estofado, parece uma poltrona. Sempre soube que tinha uma boa sorte.

Levo às mãos a cabeça, no lugar onde mais dói e percebo um liquido quente. Ah, não me diga que minha cabeça está sangrando...? Melhor achar um médico, e rápido.

Encosto as costas confortavelmente na poltrona. É macia. Coloco as mãos atrás da nuca e relaxo um pouco. Tento, tento e novamente tento pensar como vim parar aqui. E novamente, nada.

Fico ali, com as pálpebras fechadas, descansando por alguns segundos, talvez minutos. Não estou conseguindo ter uma boa noção do tempo. Minha cabeça dói demais.

Preciso sair daqui e ir direto a um hospital, ou a um psiquiatra, se eu estiver imaginando tudo isso, ou não conseguir lembrar como cheguei aqui...

Levanto-me e começo a andar. Eu devo ter batido a perna esquerda em algum lugar, ele dói muito na região do joelho. Acabo tendo de ir mancando vem direção... Bem, devido ao quarto não estar muito claro, não sei bem para onde, acredito que seja para uma porta que irá me tirar daqui.

Ando alguns passos e tateou o ar, finalmente achando uma maçaneta. Tateio a porta até achar a parede ao lado e procuro pelo interruptor de luz, geralmente ficam na parede oo lado da porta, não é...?

Bem, acabo por não achar nada. Ou o design que projetou o lugar é um imbecil, ou isso foi proposital... Mas isso não é de importante nenhuma agora.

Giro a maçaneta lentamente e abro a porta, que emite um estridente rangido.

O corredor está claro, há várias lâmpadas pelas paredes em tom vermelho rubro, algumas acendem e apagam em intervalo de segundos. O chão é de madeira clara e há um comprido carpete preto pelo chão. O carpete é bonito, tem vários detalhes de flores de cerejeira e linha dourada em contorno da borda.

É irônico, mesmo com minha cabeça latejante, eu acabo vendo me se esforçar para não perder nenhum detalhe artístico.

É por adorar detalhes e arte sei muito bem que nunca estive aqui antes.

O lugar realmente parece ser um hotel. Há várias portas com plaquinhas que indicam o numero dos quartos.

Esforço-me para continuar andando, ficar mancando por aí sem nenhum apoio não é muito fácil. Chego perto de porta que está mais próxima para ver o numero na frente.

- 63... – Parece-me ser um hotel grande de quartos grandes, então... — Quarto, quinto andar? Não sei. – Talvez menos. Geralmente, não frequento muito lugares como esse.

Giro para trás e olho a porta do quarto onde estava a minutos atrás.

- Estranho – Sem numeros na porta...

Bem, continuo a andar. A dor na minha cabeça parece ter diminuído um pouco, mas a dor na perna piorou.

Continuo a esforçar meus passos e finalmente chego ao final do corredor. Há dois elevadores aqui. Um, aparentemente é o de serviços gerais, o outro, de hospedes. Na frente de um deles, o de serviço, há uma plaquinha amarela com os dizeres em letra de tinta, escrito a mão:

“Out of Order”

“Fora de serviço”

Encosto-me a parede em frente aos elevadores, preciso descansar a perna um pouco.

Acho que preciso de um cigarro. Eu parei a dois anos, mas minha cabeça parece ter batido muito forte e desregulado alguma coisa, pois eu realmente sinto falta da nicotina.

Olho para as minhas roupas, acho que só tive tempo de reparar nelas agora.

Estou vestindo uma camiseta branca com diversas estampas coloridas, desenhos como os das tradicionais tatuagens japonesas. Uma calça jeans um pouco largada de cor escura, tem uma combinação de lavagens bem interessante. Novamente estou me apegando aos detalhes. E tênis que mais parecem botas, tem estampa imitando um estilo militar e veem até um pouco abaixo do joelho. São bonitos, me lembro de te-los comprado numa feira Em Paris ou no Reino Unido. Bem, não vem ao caso. O importante agora é essa jaqueta de couro escuro. É cheias de tarraxas, alguns desenhos de grafite e algumas pequenas bandeiras de pano. É igual uma que a minha prima do gato Jovi vive vestindo por aí. Acho que não vem ao caso agora.

Procuro por algum celular ou qualquer outro tele comunicador portátil que esteja nos bolsos da jaqueta ou nos da calça. Acabei não encontrando celulares, mas algo que meu cérebro abatido necessita. Eu poderia resistir sem problemas ao maço de cigarros que acabei de encontrar em um dos bolsos da jaqueta de couro, mas sabe, por que não?

Ah, de fato eu levei uma pancada muito forte na cabeça para estar raciocinando assim.

Retiro um cigarro do maço e coloco-o na boca.

É, e foi uma pancada muito forte para eu esquecer que cigarro preciso de fogo para acender. Volto a procurar os bolsos da jaqueta. Felizmente acho um bolso que estava meio escondido e encontro um adorável isqueiro daqueles que fazem boas coleções, aqueles Zippos. Felizmente funciona.

- É, devo ser uma pessoa de sorte. – Digo e levo o isqueiro à boca, acendendo o cigarro. – Apesar de ser irônico. – Afinal, olhe minha situação. Eu não sei onde eu estou. Não sei como vim parar aqui. Minha perna dói e minha cabeça lateja – Grande sorte essa, hein? – Trago tranquilamente o cigarro, sentindo o doce gosto da nicotina e logo liberando uma fumaça que se dissipa no ar. Estranhamente, tem gosto de menta. – Obrigado por fumar, dono desta bela jaqueta.

Encosto a cabeça na parede. A cada tragada a dor perto da nunca melhora.

Acabo por levantar um pouco o olhar e vejo o teto.

Minha feição serena e tranquila se modifica para uma de alerta. Mas não saio da posição onde estou.

Eu não sei como não percebi antes. Mas não há teto no corredor. Bem, não um teto normal como o do quarto onde eu acordei minutos atrás. Este é feito de vidro e é transparente.

Até aí tudo bem, apenas um design não muito comum. Só que o estranho é que não há nuvens e não há nenhum céu do outro lado do vidro. Há estrelas distante, um planeta distante e o escuro. Exatamente, só posso pensar uma coisa: o espaço.

Bem, há algumas alternativas, então:

Primeira: Eu bati a cabeça muito forte ou tomei tantos chás de cogumelo e vi tantas plantas verdes que ao invés de ver gnomos andando por aí eu estou alucinando sobre o espaço.

Segunda: Eu tomei capsulas e mais capsulas de remédios faixa preta, perdi a noção da realidade e criei um mundo fictício. Bem, essa até que pode ser possível, afinal, quando eu era mais nova eu imaginava ser uma comandante de um navio pirata que viaja em um barco voador pelo espaço atrás de recompensas e tesouros. Talvez nem sempre seja bom ter uma imaginação fértil.

Terceira: Eu estou sonhando e daqui a pouco eu irei acordar e nem me lembrar disso tudo.

Mas há um problema mais urgente. Há certa criatura do outro lado do teto de vidro que não me olha de um jeito nada simpático e com um sorriso, se é que é sorriso, nada amigável. Até parece que saiu de um daqueles jogos de Survival Horror cheio de zumbis mutantes.

E o pior, o olhar da criatura não parece ser nada irreal. Muito pelo contrário, o brilho em seus olhos negros me faz ver e crer que isso não é nenhum tipo de sonho.

O que, infelizmente, me sobra duas alternativas para que o que estou presenciando não seja a realidade.

Eu espero que eu realmente tenha me enchido de remédios e que daqui a pouco me apareça um simpático e baixinho gnomo correndo atrás de um trevo de quatro folhas e me desejando um olá sorridente.

- Eu recuso-me a acreditar que isto é real...



Notas finais
Olá! ^^
Por favor, se ler e puder deixar um review/comentário eu fico feliz.
É a primeira história que eu posto aqui no Nyah, então eu gostaria de saber a opinião de quem leu :D
O título vêm da música The Hollow da banda Pantera