The Hollow

2 The Hollow - Descobertas


The Hollow

Descobertas

- Não – Não, não, não... – Oras Carambolas! Definitivamente eu estou a imaginar coisas.

Aquele ser continua a olhar-me fixamente com os aqueles olhos negros e profundos. Apenas olhar chegava a ser um pouco sufocante. (ele vai mudar de cor de olhos dependendo dos sentimentos)

A criatura era branca, na verdade, sua cor era mais para uma cinza claro. Era um pouco brilhante, lembrava a lua. Ele, ou ela, parece-me ter vários cortes, arranhões no corpo.

“Ele” lembrava um pouco um lagarto, sua pele parecem ser escamas.

Suas feições são difíceis de dizer o que expressam. É estranho, um misto de pavor e... Não sei, talvez pena...

A criatura começa a arranhar fracamente o vidro, movimentando levemente a pata, como se estivesse fazendo um desenho imaginário, querendo dizer alguma coisa... Ou sou eu que estou imaginando isso e pensando demais, mas parece-me que ele está “desenhando” uma árvore, como naqueles de desenhos infantis. Não sei...

Eu continuei a olha-lo sem demonstrar nenhum medo. Ele não me dá medo, não é como se aquele vidro que nos separa de repente fosse despencar e ceder ao chão.

É estranho, na verdade “aqui” tudo parece ser estranho, eu me sinto bem em olha-lo, minha dor na perna parece diminuir só de olhar para “ele”. Acho que me traz uma sensação de paz, talvez...

Bem, não posso ficar aqui olhando para sempre a criatura. Eu preciso sair daqui e ir direto a um hospital, senão é bem capaz que me dê algo na cabeça que não se cure fácil. A pancada já parece fazer efeito já que eu já voltei a fumar.

Dirijo-me até o elevador de serviço. Apesar da placa de “Out of Order”, ele parece estar funcionando.

Na parede vermelha acima de cada elevador há um dispositivo eletrônico holográfico. Cada um possui uma linha com vinte bolinhas com luzes pretas. A do elevador de hospedes tem a terceira bolinha com uma luz verde, o que, para mim, indica que ele está parado no terceiro andar.

Então, elementar, é bem melhor usar o outro elevador, pois a placa “Out of Order” parece ter sido colocada a frente do elevador de serviço de modo proposital, ainda mas que foi um trabalho mal escrito e mal feito com tinta.

Há três botões ao lado direito de cada elevador. Um azul, um preto e um vermelho. Dentro do primeiro botão, o azul, há uma seta para baixo. Logo abaixo do botão azul há o botão preto que tem uma reta branca, um sinal de subtração. E por ultimo o botã vermelho com a seta apontada para cima.

O estranho é que o prédio, se é que é um condomínio, prédio ou hotel, não parece ter andares além desse. Afinal, o vidro no teto mostra o espaço, ou pensando bem, talvez seja só uma ilusão de ótica, um holograma que tramite perfeitamente uma realidade alternativa. Parece que finalmente meu cérebro voltou a raciocinar bem.

Então, se for como eu estou pensando, a criatura de olhos negros que continua a me olhar não é real, e sim, apenas, a criação de um programa.

Levo o cigarro à boca e aprecio a nicotina, logo soltando a fumaça no ar.

Guardo o maço de cigarros no bolso da jaqueta mais próximo.

- É, acho que depois daqui vou ter que me retirar para um tempo budista – Para me liberar do cigarro e melhorar a cabeça.

Bem, eu sei que se eu quisesse sair daqui deveria ir até o primeiro andar, obviamente, era só apertar o botão azul. Mas uma força tentadora fez com que meu dedo apertasse o botão preto. Nunca fui curiosa, não sei o porquê.

Ouvi um barulho como de algo destrancando mecanicamente e o elevador de serviço começou a subir.

Fiquei a tragar o cigarro nervosamente, minhas tremiam, não sei o por que, mas algo está me irritando, me deixando nervosa, não sei explicar, é estranho... Parece que desde que eu acordei aqui não estou conseguindo explicar direito o que está acontecendo. Não estou conseguindo me expressar bem ou entender meus sentimentos.

As luzes pretas no holograma acima dos elevadores foram ficando verdes conforme o elevador foi subindo, parece que esta subindo. Quando a sexta bolinha preta mudou para a cor verde o holograma do outro elevador, o de hospedes, começou a mudar também.

Olhei para a criatura que continuava lá, a me olhar fixamente, só não mais com os olhos pretos. Seus olhos tinham mudado para um tom muito claro de azul claro, um pouco esverdeado, muito bonito.

As feições dele também, não mostravam mais algo como pavor, terror. É esquisito dizer isso, mas ela parecia estar... Feliz...

Traguei novamente o cigarro, mas agora estava mais calma. Olhar para aqueles olhos de tão estranha cor de azul acabou por me deixar calma.

Ouvi um barulho de uma maçaneta girando e uma das portas do corredor foi aberta abruptamente. Uma mulher e um homem sairão pela porta. Eles vestiam vestes antigas, da época vitoriana, mas carregavam armamentos modernos. A mulher apontou uma shotgun para mim. No mesmo instante a porta do elevador de serviço abriu ao mesmo tempo em que a do de hospedes. Corri para o elevador de serviço quando a mulher atirou com a shotgun em mim. A bala parecia ser de acido. A parede onde eu estava perto milésimos de segundos antes derreteu onde os projetis atirados pela Shotgun pegaram.

Já dentro do elevador de serviço quando ia apertar os botões para mudar de andar percebi que os botões não tinham numero, e sim símbolos estranhos. Tinha o do sinal de menos, como o do botão preto de antes, apertei logo esse e seja o que for.

As portas fecharam na hora que a mulher e o homem da época vitoriana apareceram em frente ao elevador. Infelizmente, para mim, e infelizmente para “ele”, uma criaturinha de baixa estatura passou bem a tempo de a porta fechar. O elevador começou a descer.

“Ele” parecia uma espécie estranha de coelho. Vestia roupas como os duendes. Era um terno verde com gravata e um chapéu de mesma cor com um grande trevo de quatro folhas como desenho, em seus pés, digo, patas, ele calçava dois sapatinhos marrons.

Os olhos dele também eram verdes, só que um verde muito mais claro do escuro da roupa. O nariz era rosado.

Ele me olhava de um jeito sério e eu o olhava um pouco assustada.

Ele se aproximou de mim e tentou pegar o cigarro da minha mão. Conseguiu facilmente e o levou até a boa, tragando-o.

- Obrigado, minha senhorita, acho que precisava de um pouco disso... – Ele jogou o cigarro no chão e pisou em cima. Levou a mão até a manga do casaco verde, puxou-o para cima, revelando um relógio de pulso antigo – Oras, Oras, Carambolas! Parece que cheguei a exato tempo. – Ele sorriu, mostrando todos os perfeitos dentes branco.

- Isso tudo é real? – Perguntei de forma um pouco desesperadora.

- Oras, Cacilda! Achas que sou um mero holograma interativo?! Pois lhe digo que sou muito do real, minha senhorita. – Ele me pareceu falsamente ofendido.

- Não pode ser. Eu acordei aqui sem saber onde estava. Não sei como vim parar aqui... Como pode ser real...?

- Pois já sei de toda sua história, Cacilda! Saibas que já aconteceram casos assim antes. Aliás, chames-me de Melchior.

- Skip, Lyan Haskel Skipp. Pode me explicar o que está acontecendo, Melchior?

- Não tudo, apenas algumas coisas, senhorita Skipp. Mas temo lhe dizer que não é possível agora, pois como vê a situação não está mui boa.

- Aquela mulher e o homem?

- Elementar, minha cara. No momento tudo que posso lhe dizer é que eles são significativos problemas.

- E a criatura no vidro, no teto de vidro daquele corredor?

- Esse não poderei lhe informar muito a respeito. Digamos que é apenas uma alma perdida na escuro do espaço...

O elevador finalmente parou e porta mecanicamente se abriu relevando um novo corredor. Bem eu acho que é um corredor. Está tudo escuro. A única coisa visível é uma luz ao fundo. A saída, talvez.

Melchior colocou uma das patas para fora do elevador e logo uma mão, uma caveira de uma mão, na verdade, apareceu a seu lado segurando um lampião, é o que parecia ser.

Ele sorriu para mim, antes de adentrar a escuridão – Acompanhe-me senhorita, se quiseres saber mais da história...

Notas finais
Algum comentário é bem vindo.
Escrito ao som de Joy Division.
O titulo vêm de uma musica da banda Pantera "The Hollow".
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.