The Hiker
1 Sonho
Sonho
Tive um daqueles sonhos...
Que são efêmeros como uma brisa fraca em fim de tarde,
Mas deixam um gosto estranho no ar.
Não sei se de nostalgia, de apocalipse ou de princípio,
Algo quieto que vai embora e me escapa quase que por um fio.
Quando meus olhos voltam a se abrir,
Eu já não conheço as peripécias de uma noite,
Os frígidos momentos que dediquei a amores,
As conversas que eu gostaria de ter proseado,
Em versos não tão ritmados,
Porém, animados e diluídos em alguns drinks ao acaso.
Acho que meu esquecimento talvez seja proposital...
E eu queira categoricamente deixá-los de lado.
Relembrar é doloroso quanto enxotar,
Um enxame de raivosas abelhas.
É como cutucar uma ferida aberta,
Ainda não cicatrizada ou sedada.
Pequenos estímulos pinicando em minha cabeça...
Instigando-me a pensar “No que sonhei ontem? ”.
Às vezes, em meu quarto parcialmente escuro,
Coloco músicas tristes e olho para o teto, mudo.
Ouço bem lá dentro um som soturno.
Não sou um ser noturno...
Mas notívago em pensamentos profundos.
Por um minuto eu me esqueci de tudo,
E estava só ouvindo os sons do absurdo.
Imerso em sombras e escuridão,
Eu me senti acolhido por uma voz de...
Negação.
Estava continuamente me dizendo não...
Não lembrar, não procurar,
Não escutar, não divagar.
Quando parei pra pensar, simplesmente acordei...
Com os olhos remelados e cansados, olhei para o relógio,
Há ponteiros indicando o fático horário mórbido,
E uma frase, às 3:33 da manhã, ressoa em meu crânio,
Acho que tive um daqueles sonhos...
~Gabriel.
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