Se

Rasgue meus poemas e, corte-me das nossas fotos...

Para mim, será melhor, querida.

Cada linha e rima fora construída para ser eterna,

E a sinfonia entre nós ser certa.

Agora que o fim chegou, não tem sentido,

Porque as palavras se encontram em vazio,

Nesse finito infinito.

O último beijo que te dei...

Se se lembras dele, não sei,

Mas se lembrar, esqueça-o.

Queime as minhas roupas e, desarrume nossos lençóis...

Assim, dissipará o meu cheiro, querida.

Todo o detalhe que desenhei, e cada fronha que impregnei,

Se torna amargo uma vez que o meu cheiro,

Não é mais bem-vindo.

Não há mais o perfume de ipês,

Mas sim o cheiro de uma coroa de grinaldas, talvez.

O último beijo que te dei...

Se gostasse dele, não sei,

Mas se gostou, desgoste-o.

Destrua todos os presentes e, apague-os da sua mente...

Pois, não irá querer lembrar deles, querida.

O esmero que eu botei, e cada traço que ornamentei,

Se torna mais desagradável,

E pode transformar seu humor volátil.

O que resta são vestígios de um ex amor concubinato,

E restos de ex coisas com significado, destruídas nesse quarto.

O último beijo que te dei...

Se choraste nele, não sei,

Mas se chorou, não chore mais...

Não chore mais.

Não chore,

Se não serão dois a chorar.

~Gabriel.