Quimera

A madrugada me acorda com um sorriso...

Um sonho gostoso, repleto de sensualidade e malícia.

Ajeito-me no travesseiro, enquanto escuto ao som do proibido,

Instigando suavemente minha calma, cabeça e libido.

Posso sentir sua fumaça entrando pela porta,

E seus dentinhos mordiscando meu ouvido.

Isso é apenas devaneio,

Ou está aqui nesse quarto de algum jeito?

Eu gostaria de reformular o que pensei antes...

E te aferir como um erro.

Vai ainda continuar a me deixar te seguir,

Ou vai calar seus gemidos no meu travesseiro?

Tolo eu sou, eu sei que sou, estou sedento pelo seu beijo...

Se materialize na minha frente, fruto puro do meu desejo.

Parece ilusão, mas sinto seus joelhos tocando o colchão,

Tu subindo à cama, exalando seu famigerado cheiro.

Subindo enquanto distribui beijos pela minha perna,

Minha coxa, minha barriga.

Teus olhos castanhos são como poças,

Que eu me perco e me afogo sorrindo.

Tua mão contorna minha cintura,

Você está agora, aqui, comigo.

Me diz se esse é só um sonho de pecado;

Ou se é verdade tudo o que vejo.

Você não me perguntou de novo, garota...

Mas se inclinou para me dar um beijo.

Tua sina é construída de cigarros e bebida,

Felina, menina, flor selvagem de jardim.

Deita em mim, sussurra no meu peito...

Diz que gosta assim.

Dos meus erros, é um dos melhores,

Erremos mais uma vez aqui.

É mais uma miragem, quimera, uma doce visão...

Você evapora, assim como os cigarros que agora estão em minhas mãos.

Dos desejos de fato, dos meus sonhos,

Desse secreto pecado.

A madrugada me deu um gosto cinzento nesse quarto.

Lembro-me daquele dia, daquela noite,

Em nós, à rua, jogados...

Pensando em você como um erro,

Que, por todas as minhas malditas escolhas,

eu adorei ter praticado.

~Gabriel.