The Hiker
13 Fogo Fátuo
Fogo Fátuo
Começo suavemente a adormecer...
Qual dos medos irá me acompanhar hoje,
Em meus sonhos, logo ao escurecer?
Tomei duas doses de melancolia,
E sabia... era no passado que pensaria.
Correndo agora em minhas veias está...
Melatonina.
Seguirei a uma ideia frígida, enquanto,
Meu coração bombeia antigas feridas.
Guardei em meu bolso, um comprimido de aspirina,
Para conter eventuais desesperos que assolem minha sina.
Observo penas desvanecendo com o tempo...
Sinto um cheiro de nostalgia.
Há pouco, quando adormecia,
Lembrei-me de um par de amigos,
Entre meninos e meninas.
Estive próximo de balbucia-los sobre minha doença
Cancerígena, que pouco os conhecia.
Isso teria sepultado todas essas lembranças?
Ou tornar-se-ia mártir de meus prantos?
Quando minha visão finalmente titubeou,
Tudo que eu sentia eram lágrimas pelos cantos...
De meus olhos,
Castanhos-noz.
Cor de meus cabelos encaracolados,
Que enrolo com meus dedos, sonolento.
Ressoa-me singelo um desejo afável,
Em estar apático,
Em restar consumido,
Por um espectro luminoso do meu passado.
Ei!
Eu acho que conheço essa luz...
É fogo fátuo!
A última recordação me vem,
Instantes antes do completo adormecer.
Há um lago,
Cintilando em azul.
Tenho medo de mergulha-lo,
E reencontrar-me com antigos aliados.
Sou um tolo por achar,
Que iria me afogar,
E que essa água não iria me afagar.
Afoito, eu me pus a pensar...
Que sonho é esse?
As paredes da minha visão tornam,
Serenamente a escurecer.
Já estou nele? O que há a restar?
Tão tarde agora...
Meus olhos castanhos irão finalmente se fechar.
~Gabriel.
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