The Heiress Of Hades
1 Prólogo
Notas iniciais
“Era uma noite fria e chuvosa, os fortes ventos batiam na janela fazendo um barulho estarrecedor do lado de dentro da velha casa. Dentro havia uma pequena garota, de longos cabelos alaranjados e olhos azuis como o mar, porém, assustados, ela se escondia por dentro das cobertas, e olhava para a porta ansiosa, esperando que alguém entrar a qualquer momento.
Depois de algum tempo, ouviu um enorme estrondo do lado de fora, e logo após leves batidas na porta, então ela arregalou os olhos, e se levantou da cama, andando lentamente até a porta logo a abrindo, mas não era bem o que ela esperava.
— Minha menina... – disse um homem alto e magro, ele usava vestes negras como seus cabelos, e segurava uma longa espada. – Enfim a encontrei.
A garota olhava para o homem sem saber o que fazer, ficou parada por um bom tempo, até se afastar da porta. O homem entrou na casa e olhou ao redor, como se estivesse procurando por algo ou alguém. Voltando o olhar para a menina, deu um sorriso, e se abaixou na frente dela.
— Está com medo? – ele perguntou estendendo a mão em direção ao seu rosto, mas ela se afastou.
— Quem é você? – disse ela, se enrolando mais ainda no cobertor, como se fosse uma proteção.
— Isso não é importante agora – ele disse sorrindo gentilmente – Tenho algo pra você – ele pôs a espada de lado, e colocou a mão no bolso, tirando um fino cordão, nele pendurado uma pequena pedra vermelha. – Pegue.
— O que é isso? – ela disse pegando o cordão, admirando a pedra.
— É um presente – ele se levantou e pegou a espada novamente, indo em direção à porta – Não pode contar para ninguém, que vim aqui, tudo bem?
— Tudo bem! – ela sorriu, assentindo.
Quando o homem saiu, ela correu até a porta para vê-lo ir embora, mas não havia mais ninguém do lado de fora. As pessoas por quem ela esperava, estavam do lado de fora, parecia que estavam deitadas no gramado, mas quando se aproximou viu que estavam mortas, ela se sentou ao lado da mulher e segurou sua mão.
— Elise – ela disse a observando – O que fizeram com você?
Quando olhou para o lado viu um homem desconhecido, caído no chão, também estava morto, mas segurava uma faca com desenhos estranhos no cabo, ele era diferente, seu tom de pele era bem bronzeado, e tinha um enorme cabelo preto e sujo. Ficou algum tempo observando ele, até que seu corpo se desintegrou. A garota foi tomada por uma forte sensação, a pedra em sua mão começou a brilhar, e ela caiu no chão adormecendo.”
*
— Que droga... – suspirei me levantando. – Mais um sonho estúpido.
Andei agoniada pela enorme sala branca, não havia janelas, somente uma cama, uma mesa, e uma enorme vidraça, onde podia ver os oficiais, e agentes passando a cada minuto, e por onde recebia suas visitas. Estava usando um macacão da mesma cor da cela, eu tinha os mesmos cabelos longos e ruivos, o olhar azulado, e a pele alva como a neve, como a garotinha do sonho, só que crescida e amadurecida, talvez eu não tenha mudado muito. De longe um oficial se aproximava da vidraça com uma bandeja nas mãos, ele olhou para mim e pôs a bandeja em um compartimento que se abriu quando ele apertou um botão.
— Hora do almoço! – gritou, logo em seguida saindo.
Eu me aproximei, e peguei a bandeja a colocando em cima da mesa e me sentei, dentro da bandeja havia uma mistura verde, e ao lado dela uma porção pequena de arroz. Que nojo, afastei a bandeja de perto, e suspirei chateada.
No peito uma forte luz vermelha começou a brilhar, ao suspender o cordão, a pedra vermelha que eu carregava, brilhou mais forte, como se algo estivesse se aproximando, mas então ela parou de brilhar, e começou a pulsar, como se fosse um coração, "que droga é essa?". Fechei a cara, e começei a sentir uma estranha sensação em meu corpo, ele queimava por dentro como se estivesse deitada sobre uma brasa, ou mergulhado em um vulcão, a dor era insuportável, quando cai no chão, e comecei a me contorcer. Os outros prisioneiros que me viram começaram a gritar pelos oficiais, que logo chegaram, e entraram na sela, o que era proibido. Um dos agentes que passava por lá, ao ver a cena correu para perto da cela.
Não! – gritou o agente para os oficiais – Não entrem!
Mas já era tarde, uma enorme fumaça vermelha havia se formado dentro da cela, e quando cessou os oficiais estavam mortos no chão. Uma enorme áurea vermelha me cercava e eram como chicotes, meus olhos haviam mudado de cor, o azul do mar havia se tornado vermelho como sangue. Eu estava descontrolada, não conseguia ver nada a minha frente, somente destruições eram como cenas que passavam sem parar, como visões. O agente que estava do lado de fora, rapidamente chamou outros agentes, que logo chegaram. Um deles se aproximou de mim e atirou algo, que neutralizou meus poderes, e então eu cai no chão apagada.
— Vocês não sabem ler? É proibido entrar nesta cela – disse o agente irritado, ele se retirou de lá, e se virou pros demais – repassem as ordens, não vamos querer que isso aconteça novamente.
E então todos saíram, as portas foram trancadas, e cela foi marcada com o código preto, onde ninguém mais poderia entrar somente aqueles com ordens para isso ou os responsáveis pelo lugar.
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