The Heiress II ─ The Rising
14 Lindsay Slytherin
Notas iniciais
Ao contrário do que eu pensei, Parkinson e Greengrass eram muito legais. Claro que elas eram como todos os outros, preconceituosas iguais aos pais, mas eram legais. Com alguns incentivos aqui e ali eu até que poderia transformá-las em sonserinas dignas. Conversei um pouco com elas e com Hermione, até que todas nós ficamos cansadas e fomos dormir.
Quando acordei, no primeiro dia de aula em Hogwarts, ainda era cedo, bem cedo. Então como não conseguia mais dormir, me arrumei e fui até o salão comunal, sentando em uma das poltronas confortáveis que havia lá.
Segundos depois, ouvi passos e então olhei para cima e vi que era o garoto monitor de ontem que vinham com alguns amigos dele. Eles estavam todos com as varinhas apontadas para mim, então rapidamente levantei e peguei a minha, apontando para eles e estreitando os olhos.
─ Olha só quem está aqui... O que foi que ela disse mesmo? Ah, lembrei, ela disse que ia mudar muitas coisas por aqui! ─ debochou o garoto e seus cinco amigos ─ mais conhecidos por babacas que o seguem por todo quanto é canto ─ riram.
─ O que vocês querem? ─ perguntei friamente.
─ Ora, não seja assim tão defensiva. Só queremos ensinar uma lição para você. ─ disse ele malicioso.
─ Ah, mais não mesmo ─ minha boca se abriu e respondeu ─ quem vai ensinar uma lição aqui, vai ser eu e vocês vão adorar aprendê-la.
Acho que você não entendeu o que aconteceu. Não fui eu que falei, foi uma voz totalmente diferente que saiu da minha boca, uma voz de adulta e não de uma criança de 11 anos, que era minha condição atualmente.
Os garotos me olharam chocados, ou tão chocados quanto eu. Desde quando uma garota de 11 anos fala com voz de adulta?
─ O que disse? ─ perguntou o monitor hesitando, tentando parecer corajoso.
─ Eu disse que iria lhes ensinar uma lição ─ saiu novamente àquela voz da minha boca e meu rosto se contorceu em um sorriso malicioso. Já não era mais eu que controlava meu corpo.
Uma sensação estranha me envolveu, como se fosse uma energia que saia do meu corpo, uma energia escura e fria, um poder alucinante... E uma sombra foi envolvendo os garotos que gritavam, mas não dava para ouvir eles. Eles pareciam estar sendo torturados terrivelmente e eu, dentro de mim mesma, sem poder me expressar, olhava tudo horrorizada enquanto meu próprio corpo estava sendo controlado por algo desconhecido que controlava as sombras com as mãos e torturava os garotos.
─ Vocês não estão no controle de nada aqui, entenderam? ─ disse quem me controlava, erguendo os seis garotos pelo pescoço, com ajuda das sombras.
Eles balançaram a cabeça, horrorizados e ela sorriu debochada.
─ O que disseram? Não ouvi... Eu perguntei se vocês entenderam! ─ disse ela friamente.
─ S-sim, enten-tendemos... ─ disse os garotos gaguejando.
─ Sim, o que...? ─ perguntou ela.
─ Sim senhora ─ eles responderam, e ela os soltou no chão com tudo, porém eles caíram silenciosamente no chão, sem barulho algum.
─ Que bom que entenderam. Vocês não contarão nada a ninguém, se não isso não passará de uma brincadeira de criança comparado ao que farei com vocês, porém, dirão a todos para não mexerem comigo e não me interromperem em nada do que eu fizer, entendem?
─ Sim, nós entendemos senhora.
─ Muito bem, agora saiam todos da minha frente ─ ela sibilou irritada e eles levantaram fracos, e correram para o dormitório dos meninos.
E então aquele poder que me envolvia se dissipou e eu fui capaz de controlar meu corpo novamente. Corri, horrorizada, para meu dormitório e sentei no chão.
SALAZAR, SALAZAR, POR FAVOR, OUÇA-ME! EU PRECISO DE AJUDA! SALAZAR! SEAN! QUALQUER UM... ALGUÉM POR FAVOR... ─ gritei mentalmente, desesperada, com as lagrimas correndo pelo rosto. Eu estava assustada, aterrorizada... Alguém tinha controlado meu corpo...
Lya? ─ ouvi a voz de Sean em minha mente e suspirei aliviada. ─ O que houve?
Sean! Algo terrível aconteceu... ─ falei desesperada. ─ Fui selecionada para a Sonserina, junto com Harry e Hermione, isso é bom, mas... Bem, no jantar eu disse a alguns sonserinos que me irritaram que eu iria mudar muitas coisas ali, mas eles não acreditaram. Eu sei que sonserinos não aceitam que ninguém os ameace, e acho que eles entenderam aquilo como uma ameaça e...
Espera! ─ Sean interrompeu. ─ Eles fizeram alguma coisa para você? Lya, eu...
NÃO! Deixe-me falar! ─ berrei. ─ Eles não fizeram nada, não conseguiram... Hoje cedo, acordei antes de todo mundo, acho... E fui para o salão comunal, mas eles chegaram lá e disseram que ia me ensinar uma lição. Porém, algo, ou melhor, alguém controlou meu corpo, uma mulher e disse-lhes que ela é que iria ensinar uma lição a eles. E uma energia estranha saiu de meu corpo, e ela os torturou silenciosamente e com as sombras e depois os instruiu a não contar para ninguém o que ela fez. Ameaçou-os se contassem, disse para fazerem com que ninguém interferisse em nada do que ela fizesse. Sean, o que aconteceu? Quem é essa mulher? Ela só os torturou, mas e se ela me controlar novamente e matar alguém? Eu preciso de ajuda... ─ contei e fechei os olhos, chorando silenciosamente. O que estava acontecendo comigo?
Essa não ─ disse Sean, suspirando. ─ Ela voltou.
Ela quem? ─ perguntei engolindo em seco.
Lya, assim como eu sou a reencarnação de Salazar Slytherin, você não é só Lya Bellator, a filha de Hades e minha herdeira. Você é a reencarnação de minha irmã gêmea, a irmã gêmea de Salazar Slytherin, Lindsay Slytherin. ─ contou Sean e eu paralisei, sem reação.
Porque ela, ou eu, sei lá, está me controlando? ─ perguntei.
Isso aconteceu comigo também, meu antigo eu me controlou por um tempo, até que a alma de Sean Skyford se uniu a de Salazar Slytherin, me tornando os dois ao mesmo tempo, com ambas a memórias em um só corpo. Ela vai continuar te controlando até que você se torne ela e ela se torne você. ─ explicou.
Mas eu não quero ser ela! Sean, ela torturou seis garotos. Eu podia apenas desarmá-los e dar uma ameaça falsa... Não precisava torturar eles, ameaçá-los de verdade e forçarem eles a me chamarem de senhora, a chamarem de senhora... É como se ela fosse uma...
Bruxa das trevas? ─ perguntou Sean. ─ E ela é. Ela aprendeu com nosso pai, Hades, todas as magias das trevas possíveis. Ela não se tornou uma lady das trevas, mas ela foi quem gerou a fama de que os sonserinos são maus.
Isso não pode estar acontecendo comigo! O que eu faço agora? ─ perguntei desesperada. Agora eu iria ser controlada por uma louca psicótica que era minha versão do passado e sabe se lá o que ela faria com o meu corpo.
Ela não vai te controlar sempre, apenas quando suas emoções estiverem fora de controle. Muita tristeza, muita alegria, muita raiva, muita emoção exagerada vai fazer você perder o controle e ela vai te controlar por poucos minutos. Isso vai durar alguns meses, até o final do ano você vai ser Lyara Bellator e Lindsay Slytherin ao mesmo tempo. ─ disse ele e eu bati com a cabeça na cama. Então era isso, antes que esse ano terminasse, eu já não seria mais eu...
É claro que você vai ser você, só vai ser eu também... ─ disse a mesma voz que me controlou.
SEAN! ELA ESTÁ FALANDO COMIGO! ─ gritei. Isso é loucura, eu estou ficando louca. Isso não aconteceu! Nada disso aconteceu... Eu ainda sou eu, ninguém me controlou.
Pare com isso, não é tão ruim assim. Eu sei que você acha que eu sou um monstro, mas você está entre pessoas que no futuro, quando Voldemort voltar, vão ser seguidores dele e não vão ter piedade alguma de ninguém. ─ disse ela, Lindsay.
Lindsay ─ disse Sean ─ apesar de você ter razão, isso é tudo muito novo para ela...
Salazar, Sean ou seja lá qual for o nome que você usa agora... Ela tem que entender que eu, Lindsay Slytherin, vou desaparecer. Não vai ser como se eu fosse controlar ela para sempre... Quando ela se tornar eu e eu se tornar ela, nossas memórias vão se unir e ela vai se lembrar de quando ela já foi eu e então eu vou sumir, porque ela vai ser eu. Lya, eu sei que é complicado, mas você pelo menos entendeu um pouco do que eu disse? ─ disse Lindsay.
Suspirei. Sim, eu entendi, mas não era fácil saber que alguém poderia controlar meu corpo e sair torturando quem ela quisesse.
Verdade, isso não foi certo Lindsay ─ disse Sean.
Tudo bem, eu sei que não foi, mas se eu não os assustasse eles jamais a deixariam em paz. Eles se tornariam um pesadelo, e às vezes é melhor assustar as pessoas e os humilhar com o medo, do que os humilhar com a bondade e deixá-los ainda mais irritados. Eles não vão mais te incomodar, Lya. Porém, eu prometo que não vou torturar mais ninguém quando eu te controlar, a não ser que você esteja em perigo. ─ ela disse e eu assenti.
Tudo bem, isso é melhor. Sinto-me melhor sabendo que ainda vou ser eu, mas mesmo assim, não tenho uma imagem boa de você Lindsay e duvido que vou concordar com alguns de seus pontos de vista. ─ falei.
Você vai perceber que é mais parecida comigo do que pensa, mas caso não concordar com algo, é só fazer diferente para não cometer os mesmos erros de antes. Eu me sinto melhor em saber que vou ter de certa forma, uma nova chance de mudar tudo. Mas você tem que entender, que mesmo que nossas almas ainda não se conectaram eu sou você e você é eu. Agora estou fraca, tomar o controle não é tão simples. Até breve, Lya. ─ despediu-se ela.
Quando as pessoas dizem até breve, geralmente você se sente feliz em saber que vai vê-las novamente, mas nesse caso eu não senti felicidade alguma, apenas quis que esse até breve se tornasse longo, muito longo.
Vai ficar tudo bem, Lya. Você vai ver! Boa sorte no primeiro dia de aula... ─ disse Sean e despediu-se também, me deixando sozinha em minha própria mente. Mais do que nunca eu soube que minha vida em Hogwarts não seria nada fácil.
─ Lya! ─ exclamou Hermione abrindo minha porta. ─ O que faz sentada no chão? Oh, bem, você já está arrumada. Só desamasse a roupa e vamos, temos que sair mais cedo para não nos perdermos no castelo.
─ Estava pensando ─ disse a ela. ─ De noite, eu tenho que contar algo a você e Harry. Algo sério. Mas agora vamos, não vai ser legal perder as primeiras aulas.
─ Não mesmo ─ concordou Hermione, escondendo a curiosidade.
Saímos de meu quarto e encontramos Harry no salão comunal. Não vi os garotos lá, provavelmente não os veria tão cedo.
─ Nossos horários são todos iguais, já verifiquei ─ disse Hermione e então sorriu para Harry. ─ Bom dia, Harry.
─ Bom dia, maninho ─ eu o cumprimentei também. ─ De noite, precisamos conversar, nos três ─ sussurrei para ele e ele assentiu.
Então saímos e fomos para a primeira aula em Hogwarts.
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