Notas iniciais
FAAAALA GALERINHA. Desculpem-me por não ter corrigido os últimos capítulos, estava ocupada demais com a escola. Mas... Estou de férias! Recomendo que releiam, e espero que gostem

POV Isa

Honestamente, eu já não sabia o que esperar. Eu queria animação, mas não esse tipo de animação. A desgraça abortada chamada Gabriel não morreu. E agora ele deve ter mais amiguinhos do que da última vez. Porra. Minhas desculpas por falar palavrões sem mais nem menos, mas eu ainda não estou me conformando com esse fato. Pra melhorar, quanto mais eu penso, pior fica a situação.

Quíron havia nos autorizado para seguimos viagem. Reyna iria conosco. Basicamente serviríamos de escolta e/ou companhia. Pararíamos no Acampamento Júpiter. A pretora explicaria a situação. Sairíamos de novo, rondando o mundo e coisa e tal.

A profecia dizia algo como “Cinco agora restaram/ Outrora seis batalharam/ O céu derrotado/ Agora alimenta a vingança, agoniado/ Inimigos aguardam o inverno/ Que consigo traz o sangue do inferno/ Por um fio a vida ficará/ Se por um momento a cautela baixar/ União sempre e compaixão sigilosa/ Lua ilumina com bondade generosa/ Benção que os deuses irão conceber/ O universo de vez irá perecer” Essa parte de Por um fio a vida ficará, não me agrada nem um pouco. Aparentemente, os outros estão sonhando com esse trecho. Os meus sonhos, os sonhos do Luigi, se bobear, até os de Cora. Não duvido de nada, mas aposto que alguém vai se lascar.

Com base no verso “Inimigos aguardam o inverno/ Que consigo traz o sangue do inferno”, Gabriel deve estar em algum lugar que neva — que cara frio — e que tem alguma relação com Hades (“sangue do inferno”) como da última vez — se lembram das ruínas? Bem, pelo menos foi isso que Quíron, Reyna, eu e o pessoal conseguimos concluir.

– Talvez... Em alguma parte da Península Itálica, já que foi ali que o território Grego existiu originalmente, provavelmente vai ter alguma área em que deve ter relação com Hades. – Sugeriu Mi. – E bem, se não me engano, na Grécia, neva, certo?

– Sim, durante o inverno, o monte Parnasso fica coberto de neve e serve de atração para esquiadores. – Todos olharam pra mim. – O que? Eu só sou curiosa.

Cora deu de ombros.

– Certo, então... Grécia de novo? Não acho que ele vai estar no mesmo lugar duas vezes. Seria burrice.

– Não vai estar. – Respondeu Samu. Ficamos em silêncio. Ele também não disse mais nada.

– Será que a gente consegue encontrar aquela velhinha de novo? – Disse Luigi, quebrando o gelo. – A que nos deu aqueles bolinhos de mirtilo? – Rendeu algumas risadas, nada mais.

Combinamos de nos encontrarmos na colina da árvore de Thalia dali a dois dias. No dia anterior a partida, uma coisa belíssima aconteceu comigo. Levei uma surra. Merda. Por que sempre que vamos viajar eu levo porrada?

Não amores, não foi a santa da Michele que me bateu. Parecia ela, falava como ela, mas não agia como ela. Por algum motivo que ainda esta oculto pra mim, uma garota morena (cabelo tingido, deu pra perceber) começou a me espancar do nada. Não sei como ela deu conta de entrar no chalé sem ter sido incinerada pela estátua de papai. Não, não deixei em branco.

Rendi uns bons pontapés nas coxas, barriga, puxões de cabelo e tapas na cara. Acertou principalmente minha cintura e meu rosto, me deixando com alguns hematomas perfeitamente visíveis. Acabamos saindo do chalé. No meio da briga, a garota tremulou e virou a Mi. Sabia que não era ela. Michele não viria pra cima de mim nem que pagassem trinta bilhões de dólares pra ela. A garota agarrou meu pescoço, me sufocando. Abri vantagem quando tive tempo o suficiente pra dar um arranhão no olho dela. Afrouxou os dedos o suficiente pra eu puxá-la pra frente e dar uma joelhada perfeita no estômago, digna de um Fatality no Mortal Kombat X. Meu irmão ficaria orgulhoso. A garota tremulou, sumiu e me deixou ali, parada. A verdadeira Mi veio correndo na minha direção, com um olhar de apreensão só dela. Me fez sentar na escadaria.

Certificou-se que eu não tinha chance de desmaiar ou cair a pressão. Me fez apoiar nela e me levar pra enfermaria. Enquanto passávamos, ouvi conversas. Meus amigos apareceram. Dispensei-os com um gesto.

A caminho da enfermaria, contei minha versão pra Mi, que concordou quando cheguei na parte em que a garota assumira a forma dela. “Névoa. Algumas pessoas conseguem manipula-la, mostrando coisas que não existem. Alguns monstros usam esse truque. Os mort...” Disse ela. “Mortais não enxergam através da Névoa. É, eu sei.” Cortei-a.

Will queria me deixar internada ali por no mínimo três dias, mas depois que ameacei torrar os cabelos dele com um raio, ele me deixou sair dali. Me deu alguns remédios, uma loção e alguns esparadrapos. Algumas instruções, e pronto, estava livre. Voltei direto pro chalé. Não interrompi a caminhada nem pra responder o que havia acontecido. “Pergunta pra Michele, a verdadeira, que a biscate da falsa já deve ter vazado.” Dizia. Não saí nem pra jantar. Fiquei trancada no chalé ouvindo música, desenhando e cuidando dos machucados. Naquela noite, um sonho me deixou desconfortável como nenhum outro.

Estava no meio do nada. Corpos de semideuses, romanos e gregos, estavam imóveis, tingindo a neve branca de vermelho escuro. A neve caia inocentemente, se prendendo no meu cabelo. Os cadáveres não haviam lutado entre si, e sim contra algo, algo que fora capaz de cortar corações e arrancar entranhas, sem compaixão.

Fui seguindo a chacina, e a medida que continuava, a neve passava a fustigar-se contra minha pele. Cobri os olhos com o braço. Quando a trilha acabou, pegadas semi-cobertas tomaram seu lugar. Contei os pares. No mínimo cinco pessoas.

Forcei minhas pernas contra o vento que ameaçava me empurrar pra fora ali, e continuei. De súbito, a neve parou de cair e o vento de soprar. Acabei caindo de bruços na neve. Estava prestes a me levantar, quando um par de botas de neve surgiu na minha frente. Ergui a cabeça. A pessoa usava um traje de neve completo, e trazia um facão na mão. O sol a pico e o capuz me impedia de ver seu rosto.

O/A desconhecido(a) ergueu a faca e cravou-a direto no meu coração, atravessando as costas, costelas, veias e pulmões. Gritei de dor, horror e tudo mais.

Acordei gritando. Tentei me mover, mas não conseguia. Meu coração estava doendo, a mesma dor do sonho. “Paralisia do sono” Foram as únicas palavras que me vieram a mente. Tentei me acalmar, mas me sentia sufocada demais. A sensação é absolutamente horrível. É como se você não tivesse mais controle de nada. E realmente, não tem.

Quando consegui me libertar do nada que me prendia, me sentei na cama. Minha cabeça fazia força pra se concentrar em algo. Fiz várias linhas de raciocínio, pensando em qualquer coisa, mas logo elas se desfaziam e voltavam pra dor do sonho. “Que lindo, cérebro. Vou adorar me lembrar disso durante toda a viagem.” Desabei na cama e fitei o teto até dormir.

Na manhã seguinte, quando o sol havia acabado de raiar, já estamos na colina, prontos. Assim que todos chegaram, Quíron nos deu algumas instruções e com uma pequena benção, partimos.

Alguns semideuses que nos eram mais próximos, vieram e nos cumprimentaram. Com a mente longe dali, aceitei cada um deles. Nos despedimos e passamos pelo portão. Quando atravessei a barreira, era como se a realidade me desse um tapa na cara. Odiava aquilo. Depois de mais ou menos uma hora em silêncio, Cora se aproximou e veio falar comigo.

– Isa. – Só dei um olhar de relance. – Tive um sonho com você ontem a noite.

– Hum. – Não estava desinteressada e nem fazendo pouco caso, só abatida.

– Você estava ferida. Risadas ecoavam e eu não podia fazer nada. – Alá. Não disse? NÃO DISSE? – Só quero que você saiba que você me ajudou a superar a minha mãe, então vou te ajudar se você precisar de alguma coisa, ok?

– Estou comovida com seu sentimentalismo, Little Shadow. – Disse, brincando. – Só não deixe seu pai saber disso.

– Papai gosta de mim. – Disse ela, franzindo a testa.

– Como sabe? Que eu saiba você nunca o viu.

– Então você sabe de muito pouco. Já vi ele umas duas vezes.

– Olha... Nada mal. – Ergui as sobrancelhas.

– Cora! – Samu chamou. Instintivamente, olhei pra trás. Fez sinal para que ela se aproximasse, bufando. Aproveitando a deixa, Michele tomou o seu lugar.

– Isa...

– Que legal, vocês vão fazer revezamento pra falar comigo? – Respondi. Não estava brava com ela. Só com ela. Não com a Michele. A outra Michele. Dane-se, vocês entenderam. Ela fitou o chão, desconfortável. – Eu to zoando. Desculpe. Eu sei que não foi você. – Estendi o braço e o coloquei no ombro esquerdo dela, dando um leve aperto. Meu músculo contorceu, e tive que abaixá-lo. – Bosta. Porque só eu que apanho?

– Cora também apanhou da outra vez, lembra?

– É... Mas sou eu que sempre me ferro. Gente, que isso. Não sou saco de pancadas. – Ela riu. – Não, é sério! – Só serviu pra dar mais risadas. Acabei rindo também.

– Enfim, eu queria falar com você sobre ontem. Um monte de gente foi no meu chalé perguntar sobre você. Alguns perguntaram porque eu tinha causado aquela briga e tal.

– Ah é. Eu mandei eles irem falar com você.

– Que? – Disse ela, indignada.

– Woh, eu tava estressada. Tinha acabado de apanhar e tu acha que eu ia ter paciência pra contar tudo?

– Você não tem paciência pra nada. – Assenti. – Mas você sabe quem era a menina? Cora comentou algo sobre uma tal de Jane... Mas eu não a conheço.

– Que ótimo. Também não. – Olhei pelo ombro. – E pelo visto, a Little Shadow está ocupada discutindo com o Seaweed. Certo. Quem é o próximo? Luigi?

– Próximo? – Mi franziu a testa.

– É. Vocês não estão revezando pra falar comigo? — Ela riu. Seguimos lado a lado depois de um tempo, até que ela começou a murmurar uma melodia.

Segundos depois, comecei a cantar baixinho, enquanto ela fazia os sons da batida. Minutos depois, cantávamos juntas, meio andando e meio dançando, sempre olhando pra trás rindo quando a outra fazia algum passo de dança sem noção.

Acampamos em uma planície. As três barracas (uma de Reyna, uma minha e das meninas e outra dos garotos) estavam armadas e prontas pra serem usadas. Uma fogueira crepitava calmamente. O céu estava forrado de nuvens. Preferia assim. Gostava de imaginar os deuses nos observando. Fiz até um “paz e amor” pra eles.

– Você o que?! – Bradou uma voz que me fez gelar a espinha.

– Credo, só dei alguns tapas na garota, o que isso tem de mais? – Disse uma voz feminina.

– Quando Eric veio correndo dizendo pra cairmos fora dali, não imaginei que fosse por uma burrice dessas! Você quase colocou tudo a perder! O centauro estava quase chegando! Se ele não tivesse te puxado pra cá, você teria que dar ótimas explicações. – Continuou a primeira voz. Olhei ao redor. Tudo escuro.

– Pffft. Você fala como se eles fossem capazes de adivinhar onde estamos. – Continuou a segunda.

– Acredite, eles são. – Disse uma terceira voz. Eric? “Sério? De novo não.” Ouvi alguns gritos femininos, mas eram distantes. Não pareciam ser da garota que estava conversando.

– Rodrigo. – Disse a primeira voz. – Cale essa oráculo grega de uma vez, pelo amor de Urano! Ela já está me irritando!

Faíscas ligaram na minha mente. Aquele tom ao dizer Urano... Era inconfundível. Gabriel. Então a menina que havia me espancado, provavelmente era a Jane e trabalha com ele. E Eric também estava junto de novo, assim como esse tal de Rodrigo.

– Bem... – Disse Jane. – E o que fazemos agora?

O rosto de Gabriel surgiu no meio da escuridão, me pegando de súbito. Ele provavelmente não sabia que eu estava ali, mas virou a cabeça na minha direção, como se sentisse.

– Esperamos. Pela filha de Zeus.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e até sexta que vem /o/ - Little Thunder