Notas iniciais
Oie galerinha :3 Primeiramente gostaria de desculpar por ter atrasado a postagem, a nossa vida tá bem corrida. Espero que gostem, até lá em baixo. -Corujinha

Pov Myh

Algo me dizia que as coisas não ficariam tranquilas por muito tempo.
E eu estava certa.
Fui andar pelo acampamento, era um dia normal, até tedioso. Estava cansada da rotina: ler, treinar, ensaiar, andar.
Estava em pensamentos quando me dei conta havia adentrado na floresta. Estava tudo em silêncio. Os únicos sons proviam dos meus passos, do vento e do farfalhar das árvores. Estaria escuro, se não fosse o pouco de luz que conseguia atravessar a copa das árvores. Depois de alguns passos, vi um pentagrama roxo no chão. Aquilo me era familiar, mas não conseguia me lembrar de onde o tinha visto. Deixei pra lá. Devia ser algum ritual de um filho de Hecáte. Estava faminta.
Aproveitei os últimos instantes que faltavam e fui ao refeitório. Tinha algumas poucas pessoas. Encontrei Gabriela, minha amiga filha de Afrodite. Seus olhos eram esverdeados, seu cabelo preto longo e brilhante, e estava sempre com um sorriso impecável.
–Mih! — Ela exclamou ao me ver — A apresentação da sua banda é hoje, certo?
–Sim, daqui a pouco pra falar a verdade. Você vai. Não é?
–Eu tenho cara de perder uma festa, gata?
–Não mesmo. – Disse, rindo.
–Tenho que me arrumar. Até mais tarde Mih. Hoje será épico. – Ela fez uma dancinha, e saiu.
–Bye bye. – Sussurrei.
Na mesa, em segundos apareceu um sanduíche e limonada. Me fez lembrar da minha infância, dos piqueniques que eu fazia com meu pai e minha madrasta.

Quando terminei fui para o palco. Faltava alguns minutos para a apresentação da nossa banda. Em uma última tentativa fui até Isa para tentar encaixar Shots na apresentação, em vão. Algo me dizia que ela escondia algo, mas deixei pra lá. Os últimos dias tinham sido bem pesados. A ajudei a afinar os instrumentos. Cantamos e tocamos um pouco. Logo depois Luigi e Samuel chegaram. Em seguida, chegou Cora.
Começamos. Cada um foi para seu lugar. Fiquei ao lado da bateria. Luigi e Cora em pontos opostos do palco. Isa no centro. Ela disse algumas palavras e depois começou:
–1,2,1,2,3, 4!
Os semideuses se divertiam cada um ao seu modo.
Filhos de Afrodite (principalmente as filhas) chamavam a atenção de todos. Filhos de Apolo eram os que ficavam mais perto do palco. Filhos de Hades quebraram o tabu e se jogaram na pista de dança. Até os tímidos, mesmo que não dançassem, pulavam ou cantavam.
Estava tudo perfeito e harmonioso. Nossa playlist era grande. Foi lindo ver que nas músicas mais conhecidas, um coral se formava. Meus dedos doíam. Precisava alonga-los em cada intervalo curto. Até que tive um descanso, já que em algumas músicas eu não precisei. Não queria nem imaginar como Samu estava. Eu estava cansada. Queria estar viva, por que estava morta.

Durante os agradecimentos, as caixas de som de forma geraram uma estática ensurdecedora. Um pouco atrás comentávamos.
– Que porra é essa? -Cora indagou. Graças aos deuses não deram um microfone pra ela. Isa comentava com algumas pessoas. Os semideuses que cuidavam da aparelhagem corriam de um lado para o outro.
–Pelo menos não foi durante o show. -Respondi
–Alguém faz isso parar, pelo amor de Poseidon. -Samu levou a mão as orelhas. Tivemos que fazer o mesmo, já que ficara alto demais para aguentar. A estática diminuiu.
Foi quando o jogo de luzes começam a piscar, os circuitos de eletricidade faziam alguns zumbidos estranhos enquanto soltavam faíscas e a tomada do teclado entrou em curto. Não aguentei e gritei. Samu rapidamente puxou a água do oceano pra apagar o fogo, por Zeus ninguém levou um choque nisso. Só ouvi gritos e vi correria.
Fomos para um canto, Isa, Luigi, Cora, Samu, eu e Quíron. Ficamos discutindo até que alguém começou a cantar. Eu conhecia de algum lugar... Coming Home de Avegend Sevenfold! A Cora cantava as vezes. A voz era até legal, mas Isa e Cora estavam perplexas. Quase com medo. Trocavam olhares significativos uma para a outra. A platéia pensava que era parte do show, e alguns até cantavam. Algumas pessoas que estavam ali ainda pararam, só se ouvia algumas poucas vozes sussurrando.
Mesmo estando em uma noite repleta de estrelas, o céu foi tomado por um clarão, como se estivesse de dia. Um brilho tão forte surgiu, que parecia que era como olhar para a própria Carruagem de Apolo. Algo caiu do lado direito do palco. A luz diminuiu. A grama estava carbonizada.
Silêncio. Que foi cortado por Isa falando no microfone. Pareceu olhar para a floresta e depois começou a andar. Quíron a seguiu. Isa planou, pousou na areia e correu. Eu, Cora, Samu e os outros semideuses começamos a correr na direção em que Isa havia ido.
Cora estava receosa. Andava a passos largos. Era um pouco mais baixa que ela, mas consegui acompanhar a corrida.
–Coraline, pode contar tudo. — Tentei soar o mais sério possível. Como se não houvesse seriedade o bastante.
–Tudo o que?
–Cora, eu sei que você sabe de alguma coisa.
Ela tentou enrolar. Quíron passou por nós a galope. Pouco depois, voltou com Isa.
– Todos vocês, pra Casa Grande. Agora. – Seguimos Quíron. Minutos depois, chegamos. Nos sentamos na mesa e ele suspirou. – Aquele que nunca deveria ter partido, retornou.
Não entendi nada. Era muita informação para processar em pouco tempo. Só consegui me lembrar do que aconteceu há três anos. Um pensamento passou pela minha mente. “De novo não.”
Isa, ainda em choque, colocou um papel sobre a mesa, na frente de Quíron.
– O que é isso? – Perguntou ele. Ela deu de ombros, como se o papel explicasse tudo.
– Leia, em voz alta. – Disse ela.
Quíron pigarreou, desconfortável, e começou:
– Há três anos eu fugi. Há três anos eu me rebelei. Há três anos eu reuni um exército. Há três anos eu uni meu corpo ao de um titã. Há três anos eu me tornei imortal. Há três anos eu iniciei uma guerra. Há três anos eu tinha a crença de que nada me impediria. Há três anos eu fracassei. Há três anos eu jurei me vingar. Durante três anos eu jurei vingança. Daqui a dias, eu irei voltar. Lembrai-se disso, filha de Zeus. Vosso pai será o primeiro a perecer diante de mim."
– Isa... Quando foi que você recebeu isso...? – Perguntei, cerrando os punhos.
– Alguns dias... – Ela respondeu gaguejando. Prendeu os cabelos por entre os dedos e os puxou.
– E POR QUE RAIOS VOCÊ SÓ MOSTROU ISSO AGORA?
– E teria como impedi-lo?! – Bradou ela. – Eu tentei sim, desgraça, mas eu não consegui! Por que acha que eu tava tentando marcar ensaios com vocês que nem uma doida?!
– O recado...
Ela desviou o olhar, mas assentiu.
– Muito bem meninas, acalmem-se. – Quíron disse. Me ajeitei na cadeira, tentando me acalmar. – Isadora poderia ter mostrado a carta mais cedo, sim. – Ela assentiu. Havia deitado na mesa e enterrado o rosto entre os braços. Cora parecia desconfortável. Samuel e Luigi, o mesmo. – Porém, temos uma preocupação maior agora.
–Isadora! Quando foi que você recebeu isso? Gabriel não morreu, isso significa que Urano também está entre nós e que o plano dos dois poderá ser executado. Temos que encontra-los e detê-los antes que seja tarde demais.
– Quíron? – Olhamos para Luigi. — Eu tive um sonho. Acho que pode ter relação com isso. — O centauro assentiu para que ele continuasse — Bem, é assim: Meu sonho começou com uma escuridão total. Uma voz grave, monstruosa e metálica disse o nome da Isa. Uma luz branca se acendeu em um canto, revelando ela caída no chão, com o cabelo no rosto. – Isa deu uma risada irônica. — Outra luz ao lado de Isa, surgiu, mostrando outra silhueta, mas dessa vez masculina, também feita de sombras e escuridão. Dessa vez a de Samu. A luz que continha a silhueta de Mih se encontrava no centro de tudo o que eu via até agora. Depois a de Cora. Todos estavam estendidos no ar, como se crucificados. Eram quatro. Sobrava espaço para mais uma. – Ele tomou fôlego, como se não quisesse se lembrar daquilo. — A última luz se acendeu, ao soar da voz, que sorria sonoramente. Vi minha silhueta deitada no chão inexistente. Todos nós éramos escuridão, mas eu sentia que meus amigos estavam vivos menos... Eu. As luzes se apagaram, voltando para a escuridão inicial de antes. Aí a voz disse “E por fim... Eu.” -Uma luz maior que as outras se acendeu no centro. Uma silhueta, acompanhada de outras quatro, três masculinas e uma feminina, prostrou-se a frente. Eles pairavam sobre um chão invisível, de frente para mim. Pude sentir seu olhar, mesmo sem ver. “Que comece... O show.” E então eu acordei.
Estávamos todos de debruçados na mesa, quase em cima de Luigi. Pouco a pouco, nos sentamos normalmente de novo. Quíron refletiu durante um tempo e disse:
– Aparentemente tem mais haver com o show de vocês, mas é bom manter em nossas hipóteses. – Ele gesticulou no ar. — Vocês estão cansados. Vão para os vossos chalés e depois conversamos. Amanhã, as nove horas, quero vocês aqui. Conversaremos com Reyna.
Devagar, saímos da Casa Grande. Cora mergulhou nas sombras. Provavelmente foi pro chalé. Samu foi na direção da Árvore de Thalia. Luigi foi pro chalé de Apolo. Isa ficou parada, olhando por nada, abraçando a si mesma.
Se ajoelhou no chão, sentou e ali ficou.
– Hey, Isa? – Ela olhou pra mim de soslaio. – Desculpa eu ter gritado com você.
Recebi apenas um O.k. e nada mais. Acho que ela precisava ficar sozinha. Fiz um carinho no ombro dela quando passei e fui para o meu chalé. No caminho, repassei tudo na minha cabeça.
Entrei no chalé. Meus irmãos me esperavam. Me fizeram perguntas, mas eu não me dei o trabalho de responder. Disse que nada havia sido concluído e fui pra cama. Repousei a cabeça no travesseiro, puxei a coberta e fingi dormir. Pouco a pouco, eles também foram se recolhendo.
Precisava de uma boa noite de sono, mas nem isso eu consegui. Rolei pela cama durante toda a madrugada, e quando finalmente dormi, me vi a beira de um precipício. Atrás de mim, monstros e as silhuetas que Luigi descrevera. No fundo do precipício, espinhos, totalmente afiados. Do outro lado, meus amigos, que procuravam achar um jeito de me fazer atravessar. Eu estava sozinha. Não tinha medo de lutar. As silhuetas faziam gestos para que eu os seguissem. Meus amigos gritavam que não, que iriam me buscar. Neguei com a cabeça. Me inclinei para trás e caí. E como no conto dos Três Irmãos, “... acolheu a morte como uma velha amiga”

Notas finais
/o/ Espero que tenham gostado. Se tiver algum erro que passou despercebido, me perdoem. Comentem, favoritem e acompanhem. Até meu próximo capítulo. -Corujinha