Notas iniciais
Melody esqueceu que o pov da Cora é dela.

POV Cora

– Semideuses tem uma vida curta, então devemos aproveitar ao máximo antes que seja tarde. É o que eu sempre digo a mim mesma, por isso não deveríamos ficar se lamentando por aí como um bebê chorão querendo doces ou o colo da mamãe. Também perdi minha mãe, e é uma dor que nem você nem ninguém vai entender. — Tento controlar minha raiva. Respiro fundo e continuo. — Ela morreu. Eu sofri nas mãos de um tio idiota, e você fica aí chorando e se lamentando por uma meia-irmã que morreu? Sério mesmo Samuel? — Disse, em um tom irônico. — Se você pensou que eu vim aqui te consolar... "Ah coitadinho, vem cá Samuel" — Digo com voz doce. — Eu to pouco me lixando pro seu luto. — Fiz aspas com os dedos pra enfatizar. — Nada que você fizer ou falar vai trazer ela de volta. É a lei da vida.
– Você ainda não entendeu? Ela morreu por mim. — A voz de Samuel estava embargada. Pelo cheiro estava bebendo. — É uma coisa que eu nunca vou me perdoar. — Ele começa a chorar novamente. Sem me conter, dou um tapa na cara dele. Samu me encarou, surpreso.
– Controle suas emoções e discipline sua mente. — Respiro fundo mais uma vez, me controlando também. — Minha mãe morreu pra me proteger. Olha pra mim, acha mesmo que eu não compreendo? Eu não choro por aí, por algo que já aconteceu! Se eu ver você chorando por aí de novo, eu faço você chorar mais. — Dei um sorrisinho psicótico. — Mas de dor de tormento. — Voltei pra um sorriso comum. — Entendeu?
Apanhei a garrafa de Vodka de sua mão e joguei longe. Consegui ouvir o barulho do vidro se quebrando.
– MAS O QUE? — Bradou ele, incrédulo. — Você quer que eu fale pro Quíron o que você tem?
– Quer saber? Vai lá. Fala. Fala tuuudo pro Quíron. Como se eu tivesse medo, Samuel. — Dei mais um dos meus sorrisos irônicos. — Não tenho medo de você, nem das suas ameaças, bebê chorão. Se quiser mais garrafas, são 50 dracmas. Procure o chalé de Dionísio... Converse com o Stefan... — Me viro como se fosse sair. — Ah! Quando tiver parado de chorar, vamos falar sobre as últimas palavras dela. — Entrei em uma sombra e o deixei ali, indo direto pro meu chalé.
Sou Coraline Castellmare, e já se passaram três anos desde a derrota do Gabriel. Não, eu não vou ficar dizendo "Isabella morreu, blá blá blá". Não. Morreu, morreu, que saco. Tudo estava mais calmo, bem mais tedioso também. A mais ou menos um ano e meio, eu meio que encontrei Stefan, meu namorado filho de Dionísio.
Todos dizem que ele não é uma boa influência. Bom, eu acho que eu sou uma influência pior que ele.
Nós dois costumamos fazer negócios "clandestinos". Os filhos de Hermes roubam, e nós "revendemos". Simples assim.
Stefan também é responsável pelas raves do acampamento. As festas dele são as melhores: sempre tem música boa, jogos de luzes impecáveis. Mas essa não é a melhor parte. Tem também bebidas, sexo e drogas.
Ei. Não olhe pra mim dizendo que eu sou uma drogradinha de merda. Não, eu só uso as vezes nas festas.
Abri a porta do chalé de Hades. Tudo estava como sempre. Thaís comendo uma romã, Nico lendo um livro e os dois João's fazendo uma competição de quem ficava mais tempo sem respirar, sendo que ambos estavam roxos. Assim que entrei, todos olharam pra mim.
– Cara, vocês sabem o quanto eu odeio isso. — Me joguei no sofá. — Não... Eu não estava com o Stefan. Estava ensaiando com a "banda", teve uma treta maligna aí o clima ficou tenso.
– Samuel, lamentando de novo? — Nico perguntou, sempre perspicaz.
– Sim. "Ah, que saudades da minha irmã..." — Imitei a voz dele. Todos riram, menos Nico.
– Você deveria ajudá-lo. Buscar o espírito da irmã dele, você sabe, pra ele conversar. — Nico fechou o livro e me fitou. “Vish, a coisa ficou séria.” — Não riam dele. — As risadinhas morreram.
– Ninguém me ajudou quando minha mãe morreu, Nico. Eu só sofri. Não me venha me dar lição de moral, que hoje não estou de bom humor.
Num pulo, me levantei do sofá, abri a porta, saí e a bati com força. Caminhei durante alguns minutos, até que me deparei com alguns filhos de Hermes treinando. Cheguei por trás e pulei nas costas de uma das minhas melhores amigas no acampamento, Izandra.
– Fala Corinha! — Trocamos o nosso cumprimento. — Veio treinar?
– Bom, essa é a arena de treinamento, não? Pegue a sua espada. — Sorri, e a puxei a minha. Black Star. — E Corinha, não. Sabe que eu não gosto de diminutivos. — Ela riu.
Treinamos até nos fatigar. Caímos no chão e começamos as contar as histórias que rolavam nos nossos chalés. Izandra tinha roubado um par de brincos de uma filha de Afrodite, e colocou no bolso da outra. Contei sobre ter jogado as garrafas de Vodka do Samuel, e ela riu. Depois, nos levantamos e cada uma foi pro seu próprio chalé.
Enquanto caminhava, vi Isadora e Michelle juntas. Não me aproximei, pois pareciam que estavam cantando. Então fiz cosplay de Michelle, esbarrei em uma menina.
– Olha por onde você anda! — A garota tinha cabelos pretos e olhos cor de mel. Não a conhecia.
– Foi você que esbarrou em mim, olha você por onde anda! — Ela me empurrou com o ombro e saiu andando, irritada. Ia sair arrastando ela no chão pelos cabelos, se uma mão não tivesse me segurado pela cintura.
– Ei! — Me viro pra ver quem é. Stefan. Era alguns centímetros mais alto do que eu. Tinha cabelos loiros meio encaracolados e olhos violetas. — Onde você estava? — Empurrei-o.
– Senti sua falta também. — Ele tenta me beijar, mas virei a cara. — O que foi?
– Onde esteve o dia todo? — Levantei uma sobrancelha.
– Vendendo minha mercadoria, gata. — Ele me roubou um beijo. — Agora tenho que ir, jantar. — Stefan deu um tapa na minha bunda.
Antes que ele saísse, o chamei de novo.
– Stefan, sabe quem é aquela menina que esbarrou em mim?
– Ahn... — Ele olha na direção em que a menina tinha ido. — Não.
– Então descubra pra mim. É uma ordem. — Dou uma piscadela, mergulho nas sombras e apareço novamente na porta do chalé.
Tomei um banho e saí com os meus irmãos pra jantarmos. Me sentei em um lugar diferente do habitual, pra poder ter plena visão da mesa do chalé de Poseidon.
Samuel mal tocava na comida. Ao sentir meu olhar, virou a cara, como se eu me importasse. Continuo a encará-lo. Depois de alguns minutos, olhei de soslaio para meus irmãos e parei pra pensar em como seria se perdesse algum deles.
Tecnicamente, eu perdi dois a três anos atrás e... Ah, não vou ter mesmo pena dele, porque eles morreram no mesmo ano e eu não estou lamentando. Maria Alice e Gabriel.
Quando todos terminaram de comer, fomos aos nossos chalé correndo para pegar o necessário para o luau, marshmellows e meu lindo violão de caveira.
Nos sentamos. O filhos de Apolo começaram. Teve toda aquela apresentação dos filhos de Apolo e depois daquele tal Ângelo. Os semideuses ficaram conversando por um tempo, até que ninguém mais tocou.
Um clima tenso se instalou no ar, pois todos se calaram no mesmo instante sem motivo algum. Cortei o clima tocando um pouco de violão. Isa passou por entre o pessoal até chegar até mim. Comecei com os acordes iniciais. Isa cantou comigo, ficando com um coro de duas vozes.
– Seize the day or die regretting the time you lost. — Aproveite o dia ou morra lamentando o tempo perdido. —It's empty and cold without you here, — Está vazio e frio sem você aqui, — Too many people to ache over... — tantas pessoas sofrendo... Quem sabia o coro, o fez. — I see my vision burns, — Eu vejo minha visão queimando, — I feel my memories fade with time — eu sinto minhas memórias desaparecendo com o tempo. — But I'm too young to worry — Mas sou tão jovem para me preocupar. — These streets we travel on Will undergo our same lost past — Essas ruas em que viajamos sofrerão do mesmo passado perdido...
Tocamos lindamente toda a Seize the Day. Samuel deve ter notado que era um recado pra ele. Ergueu as sobrancelhas e deu um meio sorriso.
Ah, comentando sobre o Ângelo. Tinha cabelos azuis e olhos meio azuis e negros. Não sabia bem o porque, mas aquele garoto tinha alguma energia negativa.
Quando ele errou os primeiros acordes, me fez até pensar "Hunf, amador.", mas depois ele foi bem. Quando o luau acabou, todos se recolheram pros seus respectivos chalés.
Deitei em minha cama, e sonhei.
Estava tudo escuro. Olhei ao meu redor e não vi ninguém. Chamei por Nico. Chamei pelos meus irmãos. Não tive resposta.
Até que um nome formou em minha boca, antes que percebesse.
Isadora.
Uma luz tênue surgiu. Isa estava largada no chão, acidentada, sangrando, suada e cheia de hematomas.
– Meu santo Hades... — Sussurrei, cobrindo a boca de tanto horror. Uma corrente estava amarrada ao tornozelo. Ouvi passos de um salto de bota. — Hades, Hades, Hades! Vou buscar ajuda!
Os passos pararam. Olhei para trás. Uma silhueta que eu conhecia bem estava quase totalmente oculta em meio a sombras. Isa chorava.
– Voltei querida. Sentiu minha falta? — Disse ela, produzindo um estalo sonoro com o chicote.
– J-Jane...?

Notas finais
Espero que tenham gostado :3 para que todos os povs sejam postados no mês de Junho, vamos postar toda segunda -Little T.