The Heart Never Lies
25 Só mais um sonho
Notas iniciais
“Acordei um pouco zonza, olhei pela janela e vi chuva. Ainda estava no carro, então não chegamos. O céu estava todo preto, cheio de nuvens carregadas, chovia bastante. Enquanto olhava para o nada, comecei a pensar em Ryan, totalmente contra a minha vontade. Pensar nele tem sido inevitável desde que tudo aconteceu. Até imagino a raiva que ele deve estar sentindo agora, mas eu acho que mereço perdão, todo mundo erra, somos humanos, acho que Ryan não entende isso. Quem sabe um dia nos encontramos por aí, casados e com nossos filhos.
Não, pera.
Acho que já estou sonhando demais. Queria encontrar ele agora, mas...
– Pai, porque estamos parados? — Perguntei, já que estamos aqui no mesmo lugar há uns 10 minutos.
– A pista está muito cheia, temos que andar devagar para evitar acidentes – Concordei com a cabeça e voltei a olhar a minha linda vista de nada.
Sabe aquelas cenas de filmes que a mocinha está indo embora, olhando a chuva e as montanhas e de repente começa a ver o rosto do cara que ela nunca queria ter deixado? Pois é, eu também não. Isso é clichê demais pra mim. Mas eu sou um clichê em pessoa e é exatamente isso que está me assustando. Por um breve instante eu vi Ryan em uma moto aqui ao lado, me gritando feito um louco, pedindo para pararem o carro. Cara, to possuída, só pode.
Tratei logo de balançar a cabeça na tentativa de tirar os demônios de mim, mas eles não saíram não. Olhei novamente para a janela e vejo Ryan de novo.
– Sai capeta – Dei um berro e todos no carro me olharam assustados.
– O que foi troço? — John estava com os olhos arregalados, maiores que os meus.
– Eu... eu... — Gaguejei – Eu estou vendo o Ryan ali – Apontei e por uns segundos ele some. É Eliza, você precisa ser internada urgente.
– Garota... — John disse apenas isso. Bufei e me joguei no banco.
O carro voltou a andar e eu fiquei apenas quieta de olhos fechados contando os segundos para que chegasse logo. Mas como nada na minha vida pode ser perfeito, meu pai resolve frear o carro com tudo, fazendo com que eu caia entre o banco da frente e o de trás.
– Ai pai – Reclamo de dor.
– Desculpa querida, mas um louco parou uma moto aqui na frente do nada – Louco? Moto? Ai meu Deus me acode.
– Passa em cima pai, é o demônio – Levantei desesperada. Não pode ser o que eu to pensando.
– Tá louca? Não quero matar esse moço – Olhei pelo vidro e era a mesma moto. Não, não, não.
– E porque ele está vindo em nossa direção? — Apontei e meu irmão resolveu olhar também. O cara estava com o capacete em uma das mãos e andava em nossa direção. A chuva continuava a todo vapor e o cara não estava nem aí pra ela.
– Quem é ele? — Meu pai perguntou. Suspirei e confirmei tudo. Ryan. Era Ryan ali na nossa frente. Mas o que esse bicha quer?
– Ryan... — Sussurrei. Tudo que eu mais queria era descer desse carro correndo e pular em seus braços.
– O garoto que passou aí do lado? — John perguntou. Apenas balancei a cabeça. — Vai lá estrume – Quanto amor.
– Não, ela não vai sair nessa chuva pra falar com esse ser aí – Minha mãe resolveu se pronunciar.
– Mãe... Pode ser minha última chance de consertar tudo – Olhei para minhas mãos.
– Ok... — Não deixei ela terminar, abri a porta as pressas e sai correndo do carro.
– Ryan! — Gritei.
Corri e pulei em seus braços. Sentir os braços de Ryan em volta de mim novamente foi como comer chocolate na TPM. Melhor sensação, eu senti aquela paz que não sentia há dias, senti uma felicidade incontrolável. Sem perceber minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto e se misturavam com as gotas da chuva, fazendo com que eu quase me afogue.
– Ryan... — Sussurrei em seu ouvindo. Não conseguia dizer uma só palavra.
– Liz... — Ryan disse com a voz rouca e embaçada pelo choro.
– Me... — Ryan não me deixou terminar, colou nossos lábios num beijo intenso e desesperado. Me apertou ainda mais entre seu corpo, como se quisesse matar toda aquela saudade de uma só vez. Nosso beijo continuou, criando em mim uma sensação melhor que comer chocolate em TPM, sentir seus lábios macios nos meus foi como deitar em nuvens.
– Eu precisava disso, mas você tá pesada – Ryan separou nossos lábios e me colocou no chão.
– Me desculpa Ryan, me desculpa por ser pesada e por não ter contado tudo a você, eu errei – Ryan pegou meu rosto em suas mãos e me deu um selinho.
– Não peça desculpas Liz – Sorriu – Eu só quero entender porque fez aquilo – Acariciou meu rosto.
– Eu não podia contar Ryan, não era pra ninguém saber. Mas aí eu te conheci e você foi tão incrível comigo desde o início que eu me senti um lixo por não contar, quis contar, mas Joe não deixou – O olhei com medo. Ryan estava com uma expressão triste no rosto.
– Tudo bem... Eu acho que acabei me apaixonando por John – Deu um meio sorriso e colou sua testa na minha – Me deixei levar pelos sentimentos e acabei não aceitando quem você realmente é – Fechou os olhos – Mas, Eliza, eu não consigo ficar longe de você, sendo John ou não, eu quero você ao meu lado... para sempre – Selou novamente nossos lábios. Um beijo calmo e cheio de perdão.
Eu acho que agora eu posso morrer. Morro feliz
– Vem comigo, quero aproveitar cada segundo ao seu lado – Sorri e o abracei forte.
Entramos no carro e meu pai seguiu viagem, sem dizer uma palavra. Achei estranho, mas deixei pra lá. Ryan está aqui comigo e é isso que importa.”
– Ryan... — Disse firmemente.
– Morreu – Ouvi uma voz ao fundo e levantei desesperando colocando a mão no rosto de John.
– O quê? Meu Deus, não – Subi no colo de John e fiquei olhando pela janela. Não estava chovendo e não estávamos mais na estrada.
– Sai estrume, você pesa – Me empurrou para o lado.
– Onde estamos? — Estava totalmente confusa, há segundos atrás eu estava com Ryan e agora não estou, o que aconteceu? Alguém me acode.
– Em casa querida, estamos chegando – Minha mãe responde. Casa? E a moto? Socorro.
– Mas e Ryan? O que aconteceu? — Abracei os joelhos.
– Você tava babando aí, sonhando com esse Ryan. Chamou o nome dele umas três vezes – John deu de ombros.
– Sonho... — Sussurrei e afundei meu rosto nos meus joelhos. Foi tudo um sonho, um sonho que eu daria tudo para se tornar real agora.
Meu pai para o carro e abre a porta pra mim, olhei em volta e ele tinha razão, estamos em casa. Bem longe de Ryan.
– Bem vinda de volta querida – Minha mãe abre a porta de casa e a primeira coisa que passa pela minha cabeça é o dia em que eu estava saindo daqui, implorando para ficar e agora estou aqui, implorando para voltar – Vá para seu quarto, precisa descansar. Depois conversamos sobre tudo, ok? — Concordei e subi para meu quarto.
É Eliza, boa sorte. Agora é só você e você.
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