Notas iniciais
Só acho que vocês deveriam ler, comentar... Boa leitura.

Já tínhamos arrumado todas minhas coisas dentro do carro e agora estava terminando de me vestir. Sério, eu não faço a mínima ideia de como me portar como um garoto, roupas é o de menos no momento, o que me preocupa são as pessoas, será que vão acreditar nisso tudo? Ah, dane-se todas elas.

Sempre fui uma boa aluna, quer dizer em partes. Minhas notas sempre foram boas, nunca tive problemas com isso. Já o meu comportamento não é dos melhores, estou sempre pagando detenção depois das aulas e sempre trago bilhetes para meus pais assinarem. Eles sempre brigam, o que é inútil porque eu nunca mudo. De um tempo pra cá eles param um pouco de reclamar, acho que perceberam que eu sou um caso perdido. Nessa nova escola isso não vai mudar, vou continuar a fazer o que eu sempre fiz, e ainda com mais gosto, já que quem vai levar a culpa é o Jonathan.

– Ei pirralha, vê se não estraga com meu nome lá hein – John me abraça forte. Estávamos nos despedindo. Hora de partir.

– Tu sabe que é inútil falar isso, não obedeço regras, sempre fui contra elas. — Ele me soltou.

– É, eu sei. — Suspirou – Outra coisa... — Pra que falar tanto? Sabe que eu não vou cumpri nada que ele disser aqui. — Não me deixe com fama de gay lá, ok? — Gargalhei. — E vê se engrossa essa voz. — Aham, claro.

– Mano, mano... — Dei tapinhas em seu ombro – Assim que eu chegar lá vou agarrar todos os machos que aparecer na minha frente – Sorri. — E afinar a voz no máximo que eu conseguir – pisquei para ele.

– Você não é nem louca de fazer isso – Ele sabe que eu sou...

– Tu sabe que eu sou – Encarei-o – Qual é? Acha que vou aumentar tua reputação lá e sair pegando as garotas?

– É o mínimo que pode fazer por mim... — Vai sonhando garoto!

– Aham, vai sonhando com isso. Que tipo de irmão é você? Meu Deus. Acho melhor eu ir logo! — Nós rimos. Nos abraçamos mais uma vez e entrei no carro onde minha mãe e meu pai já me esperava.

A escola é em uma cidade vizinha, então, iria demorar um pouco para chegar. Aproveitei para dormir um pouco. Desejo fracassado, meus pais começaram a falar aquele velho discurso de sempre...

– Querida, não vá entregar seu disfarce lá, muito menos arrumar confusão, você tem q honrar o nome da família... — Meu pai começa... Eu ainda não tô conseguindo acreditar que aceitei entrar numa dessas, realmente não estou no meu estado normal.

– Pai, meu querido pai, eu vou me comportar, quem vai fazer besteiras é o John – E eu não estou mentindo.

– Comporte-se os dois! — Ele fala como se o John estivesse aqui. Não, pera, eu sou o John também...

– Okay papai, vou cuidar bem dos dois! — Encostei minha cabeça na janela do carro e fechei os olhos, por um momento eu preciso votar a pensar como Elizabeth, antes que o inferno comece.

–.-

Depois de horas e horas dentro daquele carro, naquele maldito silêncio, -que pra mim foi a melhor coisa até agora- chegamos ao tal colégio. Uma péssima aparência ele tem, parece mais um hospital, ainda não acredito que um dos meus sonhos era vim estudar nessa escola. Desci do carro e encarei meus pais com cara de quem estava arrependida.

– Nada disso – Começa minha mãe – Você sempre quis estudar aqui, agora que conseguiu não vai voltar atrás

– Mas eu queria vim pela minha vontade, não como vocês estão fazendo, me matriculando como menino, estão me colocando aqui contra minha vontade. — Cruzei os braços.

– Deixa de birra e vamos mocinha – Minha mãe agarrou meus braços e foi me puxando para dentro do hospital, digo, escola.

Logo ao entrar naquele lugar vejo que, pelo menos na cantina tudo é normal, não há macas com doentes deitados ou médicos andando pra lá e pra cá com pacientes prestes a morrer. É tudo muito calma e quieto, mesas grandes com umas seis cadeiras em cada, logo a frente, a janela onde creio eu que deve ser ali que a gororoba é servida. Ao meu lado direito, um pouco a frente, tem um corredor, onde deve levar aos quartos e salas, ou sei lá o que. Bem grande o local. Eu poderia descrever mais, porém tem um moço aqui atrapalhando...

– Vocês devem ser os Backer. — Falou para meus pais. — Muito prazer, sou Joseph Jonson. Diretor do colégio, sejam bem vindos.

– Prazer Sr. Jonson – Meu pai estendeu a mão e fez aquele aperto de mão que todos os velhos fazem. — Essa é minha esposa, Aline – Apontou para minha mãe. — E esse é o Jonathan, ou melhor, Elizabeth – Encarei o velho. O bom é que pelo menos na frente dele eu posso ser eu mesma. Dei de ombros.

– Como que o Sr. concorda com uma maluquice dessas?

– Seus pais me disseram que você já tentou outras vezes vaga aqui e não conseguiu. Digamos que dessa vez deu tudo certo. — Ah, claro.

– Não pra mim. Mas ok, eu consigo – Eu acho. Ele sorriu.

– Bom, podem deixar ela comigo, eu cuido daqui. — É uma bela maneira de dizer 'podem ir embora, tão esperando o que?' Revirei os olhos.

– Tchau pequena, se cuida. Não faça besteiras – Meu pai me esmagando

– Filha, ligue sempre que puder, mande notícias. Viremos te buscar nos feriados. Amo você. — Mamãe já tá chorando.

– Amo vocês também – Os abracei forte. Odeio despedidas.

Vi eles se afastando e suspirei pausadamente. É hora de começar o inferno.

Notas finais
Eu sei que tá pequeno, mas é apenas o começo, não será todos assim... Beijos no core ♥