The Heart Never Lies
7 Coisas estranhas.
Notas iniciais
Ryan socou novamente a porta fazendo com que eu acordasse do meu “transe”. Me encarei no espelho e tentei pensar em uma forma de escapar dali. O banheiro tem uma janela minuscula, se brincar não passa nem uma mosca ali. Eu não iria vestir minha roupa suja e eu não podia sair dali desse jeito. Eu queria ser invisível nesse momento. Porque eu não peguei aquela merda de roupa? Socorro. Acho melhor eu me jogar nessa privada e dar descarga mesmo. É o meu fim. Só tem um jeito de sair dali...
– Ryan, por favor cara, espera lá fora enquanto eu me visto. Eu não trouxe roupa nenhuma e não quero sair pelado ai – Tentei ser o mais convincente possível. Fiz careta.
– Mas o quê? Garoto, o que tu tem no meio das pernas não chega nem na metade do que eu tenho. Anda, sai logo daí. — Ele socou mais a porta. Eu não acredito que ele falou isso. Realmente é verdade, o que eu tenho não chega a NADA do que ele tem.
– Se você não sair dai eu não saio daqui. Então você vai acabar tendo que mijar com essa sua mangueira por ai mesmo — Dei de ombros e me encostei na porta, sorrindo do meu próprio comentário.
– Mangueira? De onde tu tirou isso mano?
– Não foi tu que acabou de dizer que o meu não chega nem na metade do que você tem? Então, provavelmente você tenha uma mangueira no meio das pernas – O ouvi rindo
– Eu não vou comentar isso... Não vai sair mesmo bichona? Porque não sai enrolado na toalha? — Bichona é a sua vó
– Não, eu já falei. E eu não quero sair só de toalha, vai que você se apaixona e me estupra? Prefiro evitar – De onde eu tirei isso? Ele gargalhou do outro lado da porta.
– Ok – Bufou – Não demora, vou explodir – Não podia usar o banheiro da escola? Eu ein.
Ouvi seus passos se afastando e destranquei a porta. Esperei até que a porta do quarto fosse fechada para sair. Fui correndo, peguei as roupas necessárias e voltei para o banheiro, trancando a porta em seguida. Vai que ele entra e me estupra? Socorro. Me vesti o mais rápido possível juntando tudo que era meu que estava por ali e saindo do banheiro, dando de cara com Ryan me fuzilando com o olhar. Dei meu melhor sorriso amarelo.
– Eu quase soltei minha “mangueira” e mijei aqui mesmo – Ele fez aspas com os dedos
– E porque não fez? Queria que eu abaixasse tuas calças também? — Ergui a sobrancelha o encarando
– Eu vou logo antes que eu realmente peça para você fazer isso – Ri do seu comentário e me joguei na cama
– Nem morto eu faria isso – Sussurrei.
Suspirei aliviada. Por pouco eu não entrego tudo. Da próxima eu me lembro de levar roupa para o banheiro. Não quero passar por isso novamente.
Ouço batidas na porta e me levanto para abri-la. Ao abrir dou de cara com o diretor me encarando. Estreito ao olhos e faço cara de indiferença. Eu não fiz nada de errado aqui, tio.
– Não foi eu – Levanto as mãos em sinal de rendição. O mesmo ri de leve e concorda com a cabeça
– Não vim aqui para isso – Ele olha dentro do quarto como se estivesse procurando por alguém – Preciso que vá a minha sala depois do jantar. Quero falar com você – Vou ser expulsa, eu sinto isso. Adeus vida de homem. Adeus Ryan e todo mundo. Um beijo na bunda.
– Lá vem bomba – Sussurrei e encarei o chão, desanimada.
– Te espero lá – Ele se vira e sai. Fecho a porta e encosto minha testa na mesma bufando. Me viro e encontro Ryan atrás de mim, com cara de poucos amigos.
– O que o diretor queria aqui? — Ele franze o cenho
– Quer que eu vá a sala dele depois do jantar – Dou de ombros e caminho até minha cama – Isso é um adeus, vou ser expulso – Fingi chorar. Ryan riu e revirou os olhos
– Pelo o quê? Que eu saiba você não fez nada aqui – É pela minha feiura que ele vai me mandar embora
– É... — Deixei a fala morrer. Aproveitei e morri junto com ela. Só que não.
Eu espero que o diretor não tenha me chamado pra chamar minha atenção, não que isso seja um problema, mas acontece que meus pais não vão gostar nada disso, principalmente o Jonathan. Me joguei na cama sentindo uma enorme vontade de dormir, esses dias eu só tenho pensado em dormir, tem coisa melhor? É, não tem. Mentira! Tem sim. Comer. Não há nada melhor que isso, comer é vida. Acordei do meu pequeno transe com Ryan me berrando pra ir comer. Eu poderia dar um beijo nele agora, só por ter me chamado para comer. Mas, eu não vou fazer isso. Estou consciente ainda. Seguimos para o paraíso e bom, aquela mesma coisa de sempre. Pegamos a comida, sentamos todos juntos, comemos, rimos de coisas fúteis e assim acabou. Pessoal seguiu para seus aposentos reais e eu para a prisão, vida de escrava não é fácil.
Em frente a sala do diretor, eu encarava aquela placa “diretoria” como se aquilo fosse algo interessante, algo de comer. Como se o diretor sentisse minha presença ali a porta foi aberta e lá estava ele, todo sorridente. Esse cara me assusta. Sai coisa.
– Porque não bateu na porta? — Como na frente dele eu posso ser eu mesma, não hesitei em afinar bastante a voz.
– Eu estava tentando me trasportar através dela, mas o senhor atrapalhou meus planos – Abaixei a cabeça com uma olhar triste.
– Deixa de maluquice manina, entra – Ele deu espaço para que eu entrasse. Assim que entrei tratei logo de tirar o boné e libertar meus lindo cabelos fazendo um oferecimento da l'oréal paris. Ignorem essa última parte, por favor.
– Ao menos aqui eu posso ser livre – Dei três pulinhos e me joguei no sofá que estava por ali.
– Você não é nada normal – O diretor riu e se sentou no seu “trono”
– Qual é o seu nome mesmo? Eu não me lembro – Me endireitei no sofá e o encarei.
– Joseph, Elizabeth – Qual é, não precisa falar meu nome todo, Joe. Olha que apelido carinhoso.
– Não me chame de Elizabeth, parece que o senhor vai me bater – Fiz careta
– E quer que eu te chame de quê? John?
– Não, chega disso. Que tal Eliza? Eu ficaria agradecida – Quanta ousadia com o Joe não é?
– Ok Eliza. Vamos ao que interessa – Assenti – Te chamei aqui porque seu pais me ligaram essa semana... — Ai meu Deus. Nem preciso dizer que meu coração saiu pela porta e me abandonou né?
– Meus pais? — Quase gritei – Mas o que eles queriam? — Arregalei os olhos.
– Calma, não precisa de todo esse nervosismo – Joe ria da minha cara. Mas que... Joe!
– Fala logo ou eu vou urinar aqui no seu sofá – Joe parou de rir e me encarou sério
– Disseram para avisar que amanhã passam aqui para te buscar as 8h – Mas já? Eu mal cheguei aqui. Estão com saudades, só pode.
– Mas eu já vou embora? Não pode – Fingi choro
– Deixa de drama, garota. É para passar o final de semana com seus pais, mas pelo que vejo você não quer, eu ligo e aviso que você não quer ir – Levantei do sofá num pulo. O que? Final de semana em casa? Comendo comida da mamãe? E depois voltar? Mas é claro que eu quero.
– Não faça isso! Diga que estarei pronta! — Sorri de orelha a orelha
– Farei isso – Ele sorriu de volta – Pode voltar para seu quarto. Tenha um bom descano Elizabeth – Ele faz de proposito, eu sinto isso
– O mesmo Joseph – Lancei um olhar desafiador.
Coloquei o boné e corri até o quarto, preciso dormir logo. Quero que passe logo essa noite. Só de pensar em ver minha família fico com vontade de sair peladona. Isso de novo. Ao chegar no quarto vejo Ryan sentado em sua cama, com a cara em um livro. Estranhei. Ele lendo? Acho que é por isso que meus pais estão vindo me buscar. Ele levantou o olhar e me encarou.
– O que ele queria? — Não sei se conto... Mas é claro!
– Falar que meus pais vem me buscar amanhã para um final de semana em família – Falei entusiasmada
– Poxa, um final de semana sem você? Que desagradável – Arregalei os olhos. O que? Pera ai que eu acho que fiquei surda neste momento. Ele falou mesmo que é desagradável um final de semana sem mim? Ele... vai sentir minha falta? Eu preciso de ar, porque o que existia nesse quarto foi embora.
– O que você disse? — O mesmo estava com os olhos arregalados, como se nem ele entendesse o que acabou de dizer
– N- na-da – Gaguejou. Estreitei os olhos e caminhei devagar até sua cama, sentando ao seu lado em seguida
– Eu escutei algo... — Insisti
– Não falei nada, mas que droga John! — Gargalhei da cara dele e dei de ombros.
– Ok bicha má – Fui até minha cama
– Bicha não – Ele me fuzilou com os olhos
– Eu poderia jurar que você me mataria só com esses teus olhos...
– Prefiro com as mãos mesmo – Deu de ombros
Virei para o canto e tratei logo de fechar os olhos. O quanto antes eu dormir melhor, não vejo a hora de ver meus pais. Eu espero que minha mãe faça lasanha, eu sinto uma falta disso. Ok, eu só falo em comida, sou uma gorda mesmo. Senti o sono começar a se apossar do meu corpo, porém antes de dormir ainda consegui ouvir Ryan sussurrando:
– John... — Dormi sem saber o que esse ser queria.
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