The Heart Never Lies
8 De volta Eliza.
Notas iniciais
A noite passou rápida e aqui estou eu, na sala do diretor esperando meus pais chegarem.
– Eles falaram que iriam vir que horas? — Eu estava impaciente, andando de um lado pro outro
– Calma, dou uns 10min para eles chegarem aqui. Isso tudo é saudade? — Joe me encorou e estreitou os olhos.
– É claro – Balancei a cabeça – E é que eu tô com vontade de mijar também – Cruzei as pernas e dei meu melhor sorriso. Joe gargalhou.
– Vá no banheiro – Ele apontou para uma porta a direita da sala e eu segui correndo pra lá, antes que eu mije nas calças.
Após fazer minhas necessidades voltei a sala. Ao chegar na mesma dou de cara com Ryan sentado no sofá que eu estava ontem. Para minha sorte eu estava com meu precioso boné. Estreitei os olhos e o encarei, ele fez o mesmo.
– O que você tá fazendo aqui? — Perguntei logo
– Eu vim falar com o diretor, não posso? — Aham, sei...
– Pode... — Me sentei ao seu lado. Encarei o chão – Você veio se despedir de mim, não é? — Soltei uma leve risada
– Não, porque eu faria isso? — Ele ergueu a sobrancelha
– Porque ontem você disse que seria desagradável um final de semana sem minha pessoa – O encarei e podia jurar que se ele não tivesse na sala do diretor ele me daria um soco.
– Não viaja John – Ele revirou os olhos. Nesse momento olhei para Joe e o mesmo estava bem atento em nossa conversa. Claro, quem não estaria?
– Não vou viajar, apenas passar o final de semana com meus pais – Dei de ombros. Joe soltou uma risada, fazendo com que eu e Ryan o encarasse.
– Ok, não estou rindo... — O diretor se endireitou no seu trono e se virou de costas para nós. Me encostei no sofá e bufei. Meus pais estão demorando demais. Olho para Ryan e o mesmo está encarando o chão, pensativo. Parando para analisar a cena de ontem, por mais hilaria que tenha sido, é bem... estranha. Ryan é gay? Ou ele sabe que eu na verdade não sou John? Gay ele não pode ser, ele é o galinha da escola. Se bem que desde que cheguei aqui não o vi com ninguém, porém, segundo a galera que estuda aqui ele sempre foi o pegador. O tipo que não se apaixona por ninguém. O galã. O quebrador de corações.
Afastei esses pensamentos assim que encaro a porta e vejo meus pais entrando por ela. Corri até mamãe e a abracei. Como eu senti falta dela. Fiz o mesmo com papai sussurrando um leve “senti sua falta”. Os dois me encararam e sorriram.
– Pai, mãe... Como eu senti falta de vocês – Sorri e olhei para o diretor que estava do nosso lado agora.
– Podem levar o garotinho – Escutei Ryan rir do comentário besta do diretor.
– Garotinho? — O encarei – Não tinha coisa pior? — Olá ironia.
– Não – Riu – Bom final de semana para vocês – Apertou a mão do meu pai. Peguei minha mochila que estava no sofá. Encarei Ryan.
– Até segunda Ryan – Dei um leve aceno com a cabeça
– Até – Ryan acenou também.
Deixei Ryan e o diretor na sala e segui com meus pais para a saída. No caminho avistei Dylan e sorri para ele. Continuei meu caminho até estar completamente fora da escola. Tratei logo de entrar no carro e tirar o boné me encostando no banco. Senti falta de alguém...
– Cadê John, mãe? — Encarei o teto
– Está em casa te esperando – Minha mãe sorriu pra mim
– Estou com saudades do meu magrelo – Suspirei.
– Ele também está com saudades suas – Meu pai falava enquanto dirigia. Sorri.
– Então querida, o que andou aprontando na escola? — Minha mãe perguntou
– Nada mamãe... — Ri de leve – Eu quase estraguei o disfarce umas três vezes, ou mais – Minha mãe e meu pai riram
– E quem era aquele garoto que estava lá com você? — Meu pai ergueu a sobrancelha
– Não me diga que ele sabe de toda a verdade – Mamãe me encarou
– É o Ryan. E não, ele não sabe de nada. Ninguém sabe. Não perceberam que eu tive que agir como menino perto dele? — Dei de ombros
– E tá apaixonada por ele, filha? — Mas o quê? De onde minha mãe tira essas coisas?
– É lógico que não mãe. De onde a senhora tirou isso? Isso não pode acontecer – Arregalei os olhos.
– E porque não? Vocês formariam um lindo casal – Socorro. Minha mãe fumou uma maconha antes de vim me buscar.
– Um lindo casal mãe? Ele não é gay! Não tem como a gente se envolver. Pai, me ajuda ai... — O encarei. O mesmo só estava rindo
– Gay? E o que isso tem a ver? — Tudo.
– Esqueceu que eu estou lá como Jonathan? — Estreitei os olhos
– Eu sei querida... Mas porque não conta a verdade pra ele? — Minha mãe surtou.
– Pai, o senhor deu maconha pra minha mãe? — O encarei – Se eu contar é bem capaz dele nunca mais olhar na minha cara, então deixa isso pra lá. Pare de tentar arrumar namorado pra mim – A fuzilei com os olhos
– Ok, não falo mais... — Ela riu. Mas que assunto estranho foi esse? Ryan? Eu? Hã?
Me joguei no banco e tentei dormir. Não consegui, como sempre.
–.-
Depois de um tempo chegamos em casa. Como eu senti falta disso. Joguei minha mochila no chão da sala e corri para o sofá, pulando no mesmo e gritando. Meus pais riram e foram para a cozinha. Logo vejo meu irmão descendo as escadas, saio correndo em sua direção e pulo em seu colo. John dá alguns passos para trás rindo e me coloca no chão.
– Mas que recepção pirralha – Ri e me da um tapa na cabeça. Rio e o abraço novamente.
– Eu senti sua falta, seu gay – Gargalhei e o puxei até a sala
– Senti a sua também, pequena – John sorriu. Nos jogamos no sofá e já ligamos a TV para fazermos o que sempre fazíamos. Assistir desenhos. — Como está na escola? — John perguntou sem desgrudar os olhos da TV.
– Tá legal. Você virou gay lá – Dei de ombros.
– O quê? — John arregalou os olhos me encarando
– Para meus amigos, calma. É que as vezes eu deixo alguma coisa escapar sabe? Mas eles sabe que eu, ou o John, é macho – Ri
– Acho bom. Não me estrague lá – Riu também.
– Vou pensar nisso. Vou subir, preciso de um banho – corri até meu quarto e quase chorei ao ver meu lindo e gostoso quarto. Tá, eu exagerei. Eu não chorei nem nada. Fui seguindo para o banheiro, já ficando peladona pelo caminho. Agora sim não preciso me preocupar com roupas. Não tem Ryan aqui. Ryan... Será como que ele está? O que? Porque diabos eu estou pensando nisso? Sai daqui garoto, me deixa.
Tomei meu banho demorando mais que o normal, precisava hidratar os cabelos, lá eu não tenho tempo pra isso. Ao sair do banheiro, enrolada na toalha meu pensamento seguiu logo a cena do Ryan esmurrando a porta do banheiro. Sem perceber eu já estava sorrindo. Mas que droga, esse garoto me atormenta até a quilômetros de distância. Fiz careta e peguei meu pijama de bolinhas. Tão meigo, que delicia. Após me vestir, sento em minha cama e começo a pentear os cabelos. Ouço meu celular tocando e vou até minha mochila, pegando-o. Ao olhar quem era arregalo os olhos.
Não pode ser.
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