The Heart And Darkness
3 A porta por detrás da cortina.
Notas iniciais
- Ah... A minha cabeça ta girando...- Dizia Nina, enquanto sentava em uma cama confortável.
- Lee, ela acordou. – E assim a voz de Eros ecoou por um local amplo e branco, fazendo o garoto com cara oriental se aproximar sorrindo.
- Garota, nunca mais faça isso. Quase matou a rainha de preocupação! – Disse Lee, enquanto colocava no colo da garota um prato de bolinhos de arroz.
- Onde é que... Eu to? — A voz saia em um tom rouco e fraco.
- Na enfermaria do Castelo Disney, onde mais poderia estar? – Disse Eros sorrindo.
- Castelo...? Enfermaria...? – Nina finalmente começava a ver os amigos nitidamente. – Cadê...? Onde ele está? Cadê o vulto... Que me salvou...? – Disse Nina, que ao levantar da cama caiu no chão bruscamente.
- OW, CALMA! – Lee correu para segurar Nina, antes que caísse de vez. – Calma aí, garota, você torceu o tornozelo!
- Ah! – Foi a reação da garota ao ver o pé até a canela enfaixados. – Droga! – Era notável que ela já estava completamente em si. – Cadê as minhas roupas, não quero ficar de pijamas! – Disse em um tom mandão.
- Calma Nina, a Rainha quer vir aqui falar com você, mais tarde! E sem a Professora Daisy! – Disse Eros, que ajudou Lee a sossegar Nina na cama.
- Mas...
- Mas nada! A Rainha vem daqui a pouco, pois você apagou legal na entrada da floresta. E ela disse que já vem falar com você.
-Ei, espera!
- Boa noite! – Disseram ambos os garotos fechando a porta do local.
- Que ótimo. OBRIGADA! – Disse a garota gritando e se virando para um lado e cobrindo o corpo com o lençol do local.
- Daisy, rápido, chame a enfermeira! Agora! – A rainha gritava desesperada.
- Claro Majestade! – Disse a patinha, que logo saiu correndo porta a fora.
- Calma garoto, você vai melhorar, Own, respire fundo, calma! – A rainha estava extremamente preocupada com o rapaz que se encontrava no chão de seu gabinete particular. Os cabelos prateados sobre a face branca tingida de uma cor escarlate forte estavam molhados devido ao suor. Freneticamente o garoto apertava a roupa na altura do peito, demonstrando dor. Seu corpo tremia e às vezes tossia, demonstrando que a sua saúde não estava nas melhores condições. Então uma luz se envolveu nas mãos da Rainha e assim tocou no peito do garoto, fazendo com que ele fechasse os olhos e assim parasse de se mexer.
- Trevas... Esse garoto está infestado de trevas. – A Rainha suspirou. – Chega a dar angustia, mas... O peito dele, a dor só pode ser...
- Majestade! – E assim Daisy irrompeu pela porta junto a uma enfermeira. – Aqui está, vamos levá-lo a enfermaria. Lá ele será melhor cuidado.
- Certo. – E então dois ajudantes apareceram e colocaram o garoto na maca e saíram correndo em direção a enfermaria.
- Quer saber, aqui eu não fico! – E assim Nina pegou um casaco e pôs por cima do pijama. Levantou-se calmamente e pulou com seu pé esquerdo até a parede, aonde começou a se esgueirar. Após vários saltos, ela alcançou a porta e abriu a mesma, deixando a enfermaria para trás. Estava no corredor de pedra. No mesmo havia milhares de armaduras, muitas com machados, alabardas, escudos e afins em mãos. Pareciam prontas para batalha. Então, ainda pulando a garota ouviu sussurros e se jogou atrás de uma armadura, a qual quase desmontou, mas a garota conseguiu segurar em tempo.
- Rápido, precisamos melhorar o estado de saúde dele. – Dizia a enfermeira.
- Sim! – Dizia um dos ajudantes empurrando a maca com força e rapidez.
- Rainha Minnie, Professora Daisy, eu peço as duas que fiquem aqui. Vamos colocá-lo em uma ala separada. Já, já voltamos com notícias. – E assim a enfermeira e mais os dois ajudantes entraram na porta branca na área de enfermagem e esta se fechou sozinha. A Rainha e a Dama de Companhia se sentaram em um banco de pedra no corredor e por lá esperaram notícias do garoto desconhecido. O corredor mal-iluminado do castelo apenas tinha luz dentre os altos, onde a lua conseguia transpassar em algumas brechas. Uma hora se passou. E Nina se mantinha escondida no corredor com medo de encarar A Rainha e Daisy. Duas horas, e alas continuavam ali, porém ambas quase cochilando. Nina podia jurar que já havia passado da meia-noite, quando a enfermeira saiu.
- A situação está sob controle, porém... Não sabemos por quanto tempo vai ficar assim. – Disse a mulher vestida de branco que se abanava com uma prancheta. Era notável o suor dela e que parecia ter tido um trabalho duro lá dentro. – Devemos deixá-lo descansar. E só pra constar, ao tirarmos a blusa dele pra fazer um trabalho melhor, em um bolso interno achamos isto. – E então, desprendendo da prancheta, a enfermeira entregou nas mãos da rainha uma carta amassada. Desamassando a mesma, a Rainha Minnie rapidamente reconheceu a letra. Era a caligrafia do Rei! Então ela e Daisy começaram a ler e ambas ficaram impressionadas. Nina não conseguia ter idéia do que poderia ter naquela carta, mas a enfermeira cortou a situação.
- Deixem para fazer perguntas ao garoto amanhã. Ele está realmente precisando descansar.
- Sim. Vamos Daisy? – E assim A Rainha e sua Dama se afastaram do local, caminhando pelo imenso corredor de pedra polida. A enfermeira logo depois foi seguira um caminho parecido com o delas, e assim o corredor parecia calmo e vazio.
- Minhas pernas! Mais um pouco e eu não agüentaria assim. – Disse Nina, que esticava as pernas após um longo tempo sentada no chão frio. – Está fazendo frio... Muito frio. – E assim a garota resolveu voltar para a enfermaria. Ela continuava a pular numa perna só até que alcançou a maçaneta e entrou. O ambiente onde ela normalmente estaria estava cheio de camas e aparelhos médicos, para o socorro dos alunos. Foi então que, seguindo um fio de luz através da janela, a garota reparou em um canto com uma cortina branca, que balançava junto com a leve brisa. Ela se aproximou aos saltos e quase caiu, mas conseguiu se segurar em tempo em um criado mudo, em tempo de quase deixar ao mesmo tempo um vaso com flores. “AIE! Desastre, desastre, desastre. Controle-se garota respira fundo!” E então Nina empurrou a cortina, revelando uma porta branca (assim como o resto do ambiente) e então, tentando não fazer mais nenhum barulho, ela girou a maçaneta com cuidado e então entrou. A principio parecia um ambiente normal, exceto pela cama no centro daquela ala particular. Diante daquilo, todo o resto do ambiente não chamava a atenção diante da criatura que se encontrava deitada na maca.
- Cabelos... Prateados... –Disse Nina em um sussurro. Ela se aproximou lentamente da maca e então vira o rosto do garoto. Bom, ou quase todo o rosto, devido a um pano branco que cobria os olhos. A respiração do garoto era notavelmente incontrolada e parecia não estar bem. Nina esticou o braço em direção ao rosto dele para tirar a venda sobre os olhos, mas ao se aproximar demais sentiu medo e um mau pressentimento. “Não faça isso. Para o seu próprio bem, não faça isso.” E então encolheu o braço. A pele dele era extremamente branca e ficava bem iluminada com a luz da lua. Seus cabelos pareciam brilhar naquela situação e os finos lábios pareciam estar em um constante sorriso, apesar do ar de sofrimento do rapaz. Nina sabia que já não fazia mais sentido ficar ali, então se levantou e estava pronta para saltar, mas o tombo a fez chegar ao chão com um som desastroso.
- Você está bem? – Era a mesma voz. Ela não se esqueceria fácil da voz que ouviu na floresta. A voz suave e masculina após tê-la salvado dos Heartless naquele momento de desespero. O coração de Nina parecia ter parado de bater por um segundo, mas ela logo tentou se levantar.
- Au...! – A exclamação de dor teve como efeito um barulho que veio da maca. O garoto havia se sentado. A venda sobre seus olhos havia caído, porém era notável que ele ainda mantinha os olhos fechados. “Nossa, até os cílios dele são prateados.” Constatou mentalmente.
- Ei, você se machucou? Por favor, me responde... – Dizia o garoto sentado na maca com o rosto virado para frente e de cabeça baixa. – Se não quer falar, tudo bem... – Disse enfim, suspirando.
- Eu to bem sim... – Disse Nina, que não havia gostado do leve tom de súplica na voz do garoto. – E... Eu queria lhe agradecer por ter me salvado na floresta... Hoje mais cedo...
- Ah! Você é a garota da floresta! – Disse ele que enfim sorriu. Os lábios do garoto se contorcendo em um sorriso bondoso tranqüilizaram Nina de algum modo que a fez se levantar e se apoiar na cama do rapaz. – Qual o seu nome? – Disse ele com interesse, mas ainda mantendo os olhos fechados.
- Nina, Nina Monfort... – Disse a garota que sentiu as bochechas esquentarem e o rosto ruborizar. – Heh... E o seu nome?
- Hm, você acha que eu tenho nome de que? – Disse o garoto, alargando ainda mais o sorriso.
- Ahn...? – Nina não parecia compreender. Ele estava brincando?
- Vamos, diga, que nome você acha que eu pareço ter? – Dizia, enquanto tentava tirar algumas mechas de cabelos que lhe espetavam as pálpebras dos olhos. Ele se ajeitou na cama, dando espaço para a garota poder sentar e fez um leve movimento com a cabeça, como se falasse para se aproximar. E Nina o fez. Sentou na cama e permaneceu pensativa.
- Desculpe... Mas não consigo chutar nenhum nome para você... – Disse a garota em tom tristonho.
- Hahaha, relaxa. Dizem que quando os olhos estão fechados, esconde a maior parte da alma de uma pessoa. Pena que eu não posso abri-los...
- Você... É cego...?
- Não, não. É apenas... Um probleminha meu. Não esquente com isso. – Disse o garoto em um tom bondoso e ainda mantendo o sorriso. – Mas... Já que você não conseguiu chutar o meu nome, vou me apresentar.
- Hm. – Nina colocou uma das mãos no próprio rosto e apoiou o cotovelo com a sua outra mão livre.
- Prazer, o meu nome é Riku. Haha. – Disse o garoto dando uma gargalhada gostosa, que fez a coluna da garota se arrepiar. – Sabe, eu não te conheço direito... Mas eu espero que a gente possa se tornar bons amigos... Nina! – Nina estava extremamente agradecida por naquele momento Riku estar de olhos fechados. O rosto da garota estava totalmente estarrecido e vermelho, fazendo ela por ambas as mãos sobre a face, demonstrando estar sem graça.
- Sim, Riku... Espero que nos tornemos bons amigos. Hi. – E então ela riu. Mas levou um sustou ao desviar a atenção por um instante e reparar em um relógio na parede. Eram quase três da manhã! Sabendo que era muito tarde a garota repentinamente se pôs de pé (em um único pé, no caso. Devido ao outro estar machucado.) e se apoiou na parede.
- Nina?! Onde vai? – Disse o garoto em tom de preocupação.
- Está muito tarde, eu preciso ir para a cama... Amanhã eu tenho aula elas começam as oito da manhã. Se eu perder mais uma aula, estarei em apuros graças a Professora Daisy.
- Compreendo... – Disse em tom sério.
- ... Eu volto amanhã! – Disse Nina assim que conseguiu juntar ar e coragem. – Eu prometo! Na primeira oportunidade, eu volto para falar com você!
- Então... Certo, eu vou lhe esperar aqui. – E assim que garoto sorriu, Nina abriu a porta e saiu saltitando pela mesma. Seu coração pulava e só fazia a mesma querer que a próxima noite chegasse o mais rápido possível.
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