The Half-blood Prince - Severo Snape
20 Contaminada
Alfardo por várias vezes pensou em se aproximar novamente de sua filha, deis que ela recebeu alta da enfermaria a jovem vem o evitando. Ele já estava pensando em lhe dar uma detenção somente para poder ter um tempo a sós com ela, mas optou por uma saída menos dramática e simplesmente mandou seu elfo avisar a jovem que ela era esperada na sala do diretor. Imaginou qual seria sua reação quando percebesse que Dumbledore não a havia chamado.
Não demorou muito e sua filha entrou a sala e ao vê-lo a expressão em seu rosto lhe disse tudo o que ele precisava saber, ela sabia, sabia da ligação dos dois.
Valerie respirou fundo para se recompor do choque que foi encontrar seu pai diante de si. Já tinham se falado, é claro, mas naquele momento ela não sabia quem ele era e agora achava no mínimo desconfortável estar em sua presença.
− Boa tarde professor. O diretor está me esperando.
− O diretor não se encontra. Na verdade, nunca marcou nada com você.
Valerie olhou para todos os lados menos para o homem a sua frente, nunca na vida se sentiu tão sem chão como naquele momento. Compreendeu na hora o que estava acontecendo ali. Seu pai tinha armado aquele encontro para se aproximar dela e isso a estava incomodando. Outro Black para se intrometer em sua vida.
− Bom... como foi apenas um mal-entendido...
− Não. Eu chamei você aqui. Mas imaginei que se você soubesse que era eu solicitando esse encontro daria um jeito de não vir.
Valerie não respondeu, mas pensou que era exatamente o que ela teria feito. Alfardo viu nela os trejeitos de Beatrice, a maneira como olhava para o chão quando se sentia desconcertada, era exatamente como a mãe dela fazia e isso fez seu coração apertar com a lembrança, que era tudo o que lhe restava daquele amor.
− Valerie... você sabe quem eu sou?
Ela havia entendido a pergunta, Valerie não era tola. Ele estava lhe perguntando sobre o laço de sangue que os unia como pai e filha. Mas algo dentro dela, uma centelha de impertinência a fez dar uma resposta diferente.
− Claro que sim. O senhor é o professor Alfardo Black, lesiona leis aqui em Hogwarts.
Alfardo disfarçou o sorriso que se formava em seu rosto, pois não queria irrita-la. Mas a resposta dela mais uma vez a fez parecer com a mãe.
− Imagino que saiba porque a chamei aqui?
− Não faço a mínima ideia. Não temos nada para conversar.
− Você deve concordar que pelo menos temos um ponto em comum a qual deveríamos conversar. Afinal eu sou seu...
− NÃO!!! Não termine essa frase. Não ouse terminar.
Alfardo suspirou cansado antes de prosseguir com voz compassada como se explicasse algo a uma criança.
− Não podemos mudar os fatos Valerie, você querendo ou não eu sou o seu pai.
Valerie não gostou de ouvir as palavras sendo ditas em voz alta. Só faziam seu coração sentir falta de algo que nunca teve, sempre quis um pai, mas naquele momento se recusava a admitir tal fraqueza.
− O que o senhor quer, senhor Black? Quer que eu admita? Então sim, o senhor é o meu pai, se é que pode dizer isso de uma pessoa que nunca vi antes em toda a minha vida. Nunca lhe passou pela cabeça que nesses 16 anos você poderia ter ido se apresentar a mim? Ou só lhe ocorreu isso quando eu vim até aqui e incomodei a sua preciosa família?
− Minha filha, me deixe lhe explicar...
− PARE AGORA!!! Você perdeu o direito de me chamar de filha quando abandonou a minha mãe grávida. Perdeu esse direito quando me deixou enterra-la sozinha, quando me deixou ser enviada de casa em casa, me sentindo desamparada e sozinha. Não quero ouvir nada que venha de você. Na realidade não me importo com as suas explicações. Vivi até hoje sem um pai, posso muito bem continuar vivendo o resto de minha vida sem.
Alfardo simplesmente ficou ali parado e ouviu as palavras de sua filha. Pensou em tentar se explicar mais uma vez, mas ela estava visivelmente abalada. Via em seu rosto que ela tentava segurar as lágrimas e seu coração doeu pela menina perdida que sofreu com a perda da mãe. Queria poder abraça-la e consola-la, mas sabia que ela não permitiria. Por isso ficou ali parada enquanto a via partir.
(...)
O grande salão se encontrava lotado como era de costume na hora do jantar. Sírius se encontrava de péssimo humor, tentava não ser tão óbvio, mas era impossível não olhar para a mesa da Sonserina e ver os dois pombinhos apaixonados que de tão felizes dava até ânsia de vômito.
Sabia que deveria deixar a garota de lado e seguir em frente. Deixou que aquela aposta estúpida lhe levasse longe demais, não deveria tê-la beijada a força. Não soube porque fez aquilo, nunca precisou, as garotas se jogavam nele. Mas Valerie parecia não o notar.
Pela primeira vez ele sentia o gosto amargo de ser rejeitado. Nunca antes pensou em como as meninas que corriam atrás dele, se dizendo apaixonadas, se sentiam quando eram rechaçadas. Agora ele sabia, sabia o que era gostar de alguém e não receber o mesmo em troca. Tinha que admitir ter aprendido uma lição valiosa, nunca mais seria um insensível ao dispensar uma garota, ele não faria ninguém sentir o que ele estava sentindo agora.
Olhando mais uma vez para a mesa da Sonserina viu quando Snape beijou Valerie nos lábios, e naquele momento Sírius decidiu deixar Valerie em paz, notoriamente os dois se amavam e nada que ele fizesse mudaria isso.
Valerie não conseguia olhar para Severo e não se lembrar da noite que passaram juntos e isso a fazia sentir como se milhares de borboletas batessem suas asas em seu estômago. Os olhos dos dois se cruzaram e como se Severo soubesse exatamente o que ela estava pensando um meio sorriso apareceu em seu rosto, então ele aproximou seus lábios dos dela e lhe deu um beijo. Não era costume do sonserino demonstrar afeto em público, mas ele não conseguia se segurar. Nunca pensou que era possível ser tão feliz como ele era naquele momento, ele a amava e sabia que Valerie o amava também.
Estavam tão envolvidos que demorou alguns segundos para notarem o alvoroço que se formou entre os membros da Lufa-lufa. Alguns alunos corriam em direção a mesa dos professores, algumas garotas estavam visivelmente descontroladas.
− Todos os alunos para as suas comunais. Monitores por favor retirem todos imediatamente e com calma. − Dumbledore falou com voz firme e calma.
Viram quando a professora Sprout junto a Dumbledore saíram praticamente correndo do salão. Algo muito ruim deve ter acontecido e deve estar ligado a um Lufano.
− O que será que aconteceu − sussurrou Valerie para Severo.
− Não faço a mínima ideia.
Enquanto ouvia a resposta de Severo, Valerie viu Bellatrix andar despreocupadamente a sua frente. O sorriso no rosto da jovem deixou Valerie imediatamente preocupada. Ela lhe sorria como se algo a estivesse dando enorme prazer. Deliberadamente a jovem Black olhou para a mesa dos lufanos e logo em seguida diretamente para Valerie e mexendo a boca sem deixar sair nenhum som ela pronunciou a palavra que fez o coração de Valerie gelar de medo, os lábios de Bella formavam a palavra "CONTAMINADA".
Imediatamente Valerie começou a procurar por Taís, olhou para as meninas que sempre estavam junto dela na mesa e notou que Taís não estava entre elas. Naquele momento Valerie soube que seja lá o que tenha acontecido a vítima tinha sido sua amiga e com certeza foi obra de Bellatrix Black.
− Tenho que saber o que aconteceu
Falou Valerie enquanto se levantava sem esperar a resposta do namorado e marchou em direção contrária aos alunos, tinha uma forte premonição de que encontraria a resposta para seus medos na enfermaria.
Severo seguiu Valerie assim que ela levantou, seja lá o que tenha acontecido deixou sua namorada preocupada.
− Valerie, espere.
Severo conseguiu segura-la por um momento.
− É a Taís Sev, algo aconteceu com ela. Eu preciso ir vê-la.
− Se um dos professores te ver você receberá detenção.
− Não me importo. Isso não vai me deter. – A voz de Valerie beirava ao desespero.
− É por isso que eu colocarei um feitiço de desilusão sobre nós.
Quando Valerie compreendeu que ele iria lhe ajudar a chegar até a enfermaria foi impossível a castanha se conter, abraçou o namorado.
− Obrigada Sev.
Com alguns movimentos de varinha, Severo enfeitiçou os dois e seguiram juntos para a ala hospitalar.
Antes mesmo de ver os dois ouviram as vozes preocupadas dos professores.
− Alvo o que vamos fazer? − A voz da professora McGonagall era firme ao fazer a pergunta, mas antes do diretor responder o professor Flitwick lançou uma nova pergunta.
− Você acha que é algum tipo de aviso Dumbledore?
− Quem faria uma coisa dessas? − professora Sprout falou em lágrimas enquanto era consolada por Mcgonagall.
− Não imagino ninguém dentro desse castelo capaz de tamanha atrocidade. − Murmurou Slougorn.
Severo e Valerie passaram sorrateiramente pelos professores e entraram na ala hospitalar onde uma enérgica madame Pomfrey soltava imprecações dignas de um marinheiro enquanto tratava da jovem deitada no leito.
Valerie arfou ao olhar o estado de Taís, tapou a boca para deter um soluço que teimava em sair junto as lágrimas que molhavam seu rosto. Sentiu as mãos de Severo a impedir de ir ao chão enquanto ele próprio xingava em voz baixa.
Deitada na cama estava alguém que lembrava vagamente sua doce amiga, somente lembrava pois o rosto estava praticamente irreconhecível. Os olhos estavam inchados e totalmente roxos, seu lábio inferior havia se partido e o nariz estava torto e sangrava muito. As vestes antes amarelas e cinza agora estavam vermelhas de sangue. Se não fosse o gemido de dor que saía de sua boca a cada poção que lhe era administrada Valerie acharia que a jovem estava morta, pois não havia cor em seu rosto.
Se forçou a continuar a inspeção pelo corpo inerte da jovem, no antebraço esquerdo viu uma ferida em carne viva que ocupava todo o antebraço. Em meio a carne dilacerada e ao sangue que escorria havia uma palavra escrita, e aquela palavra despedaçou o coração de Valerie. Escrito em letras garrafais a palavra "CONTAMINADA" marcava Taís de uma forma brutal, uma marca que ferroou a alma de Valerie.
Severo olhava horrorizado o estado de jovem deitada na cama e em seus braços o corpo imóvel de Valerie começou a tremer. Severo a virou para si a impedindo de continuar a olhar a cena grotesca a frente. Puxou Valerie em direção a saída antes que fossem descobertos.
Ao chegarem a um corredor vazio Severo desfez o feitiço sobre os dois e abraçou Valerie o mais apertado possível, ela ainda chorava copiosamente. Esperou até ela se acalmar antes de falar.
− Você está mais calma agora?
Valerie apenas balançou a cabeça afirmativamente, não confiava em si mesma para falar naquele momento.
− Eu preferiria que você passasse a noite ao meu lado. — Severo falou preocupado.
− Acho que não é uma boa ideia. Alguém pode me pegar lá. Hoje com certeza a vigilância será redobrada.
− Eu posso jogar feitiços…
− Não Sev. Melhor não arriscar.
Valerie viu que seu namorado estava pronto para argumentar por isso não esperou que ele continuasse simplesmente lhe deu um beijo e partiu.
Entrou em seu quarto e nunca na vida sentiu tamanho alívio por estar completamente sozinha.
Se apoiou contra a parede ao lembrar o estado que se encontrava sua amiga, ela era uma garota tão doce e tinha sido torturada quase até a morte.
Imagens em que Taís era torturada e marcada repassavam em sua mente, sentiu suas pernas cederem e o chão frio a amparou. Era isso que ela merecia, nada além do chão frio. Por isso dispensou Severo. Ela tinha causado aquele sofrimento a sua amiga, Bellatrix lhe avisou e ela simplesmente não deu ouvidos, agora teria que viver com a culpa de saber que foi a responsável pelo estado lastimável de Taís. Enquanto a culpa a corroía ela ouvia os gritos de dor que com certeza Taís soltou ao ser torturada, os gritos eram tão sofridos que sangravam o seu próprio coração.
Um segundo grito se juntou ao primeiro e só então Valerie notou que os gritos vinham dela mesma. Sentiu a dor da culpa transpassar seu corpo. Se levantou a caminhou até sua cama onde desabou sobre a mesma, não sabia o que fazer. Naquele momento percebeu que todos a sua volta corriam perigo, todos os que ela amava seriam alvos de Bellatrix.
Se curvou abraçando as próprias pernas enquanto chorava ao pensar que teria que se afastar de todos eles.
O rosto de Severo lhe veio a mente e soube que seria extremamente difícil deixa-lo, mas nunca poderia viver em um mundo onde seu amor faria Severo sofrer, não poderia suportar que um dia ele soubesse que todo a perseguição e sofrimento sobre ele tinha sido por meio indireto dela. E com esse pensamento ela decidiu que o deixaria ir para que ele pudesse ser feliz e naquela noite seu coração se quebrou.
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