Depois do ocorrido com Taís a vigilância foi redobrada. Dumbledore fez um pronunciamento dando uma explicação bem vaga sobre o ocorrido, o que para Valerie estava mais do que claro que ele não sabia quem era o responsável pelo ocorrido. Se perguntou como a vaca da Black conseguiu encobrir seus rastros e decidiu não ficar parada sendo apenas uma espectadora passiva nessa história.

Na manhã seguinte Valerie procurou o diretor de sua casa, Horário Slughorn que também era seu professor de poções, e lhe falou que quem machucou Taís foi Bellatrix Black. Por um momento o velho professor somente a olhou, mas depois de um momento de silêncio constrangedor, lhe deu um sermão sobre fazer acusações desse porte contra seus colegas de casa.

Valerie não sabia se o velho professor de poções estava mais preocupado em manchar o nome da Sonserina ou na possibilidade de acusar um sangue-puro de um crime tão grave. É claro que Bellatrix não era uma sangue-puro qualquer ela fazia parte de uma das maiores, mais antigas e mais ricas famílias puro-sangue na Grã-Bretanha. Só o nome Black já deixaria qualquer um apreensivo e ela sabia disso.

Valerie era tudo menos uma pessoa que desistia fácil por isso ela se dirigiu até Dumbledore, ela precisava pelo menos avisar a ele, já que Slughorn não lhe deu ouvidos.

Entrando no enorme escritório, Valerie foi incapaz de bloquear as lembranças da última vez que esteve ali e teve a desagradável conversa com seu pai. Se forçou a se concentrar no presente pois o que ela tinha ido fazer ali era muito mais importante do que seu drama com seu pai.

− A que devo a honra de sua visita, senhorita Graves?

− Vim denunciar um crime.

Dumbledore a olhou com curiosidade antes de falar.

− Prossiga senhorita.

− Sei quem foi o responsável pelo estado de Taís Abbott.

Foi uma sutil diferença mais Valerie notou quando o olhar do diretor passou de curioso para duro. Ela não esperou que Dumbledore falasse simplesmente continuou.

− A culpa é de Bellatrix Black.

− É uma acusação muito seria senhorita Graves, teria alguma prova?

− Não.

− Posso lhe perguntar como ficou sabendo de tal informação?

Valerie não podia dizer como sabia que a culpada era Bellatrix, sem revelar que era a bastarda dos Black. Por um momento temeu que essa informação fizesse o diretor achar que ela estava tentando se vingar da pichação no banheiro o preferiu não falar nada.

− Eu apenas sei. Mas não estou mentindo diretor, eu jamais faria uma acusação falsa contra quem quer que seja, o senhor tem que acreditar em mim.

Dumbledore ouvia as palavras da jovem e sabia que ela acreditava verdadeiramente no que estava falando, e isso mais do que qualquer outra coisa o deixou alerta. Se estava havendo alguma guerra interna entre os alunos ele precisava agir antes que mais alguém saísse ferido.

− Vou averiguar sua informação.

− O senhor tem que tomar alguma providência. O que ela fez foi hediondo.

− Senhorita Graves, sem provas a única coisa que posso fazer e verificar sua informação. A não ser que tenha alguma coisa que queira acrescentar ao seu relato?

Valerie suspirou vencida antes de responder.

− Não, nada a acrescentar.

Dumbledore esperou que a jovem se retirasse antes de enviar um patrono para a pessoa que ele achou poder lhe ajudar com aquela situação. Não demorou muito e sua porta estava sendo aberta e Alfardo Black passava por ela.

− Algum problema Alvo? Seu recado só pedia para eu vir a sua sala com urgência.

− Sente-se meu amigo temos um problema em mãos.

Dumbledore relatou todo o seu encontro com Valerie para Alfardo, enfatizando que ela parecia preocupada.

Alfardo se recostou contra a poltrona enquanto ponderava sobre tudo o que acabou de ouvir. Sua filha havia acusado sua sobrinha de tortura. Sabia que Bella tinha um gênio forte, mas nunca pensou que ela poderia fazer algo do tipo, não sem apoio, apoio esse que ele já estava imaginando de onde estava vindo. Sua irmã Walburga, isso com certeza era obra dela.

− Vejo que chegou a uma conclusão, meu amigo. – Alvo falou já imaginando o que poderia ser.

− Sim Alvo. Acho que terei que visitar a minha querida irmã.

(...)

Valerie já não sabia mais o que fazer, o desespero estava lhe desequilibrando e ela sabia disso. Voltou a falar com o diretor e o mesmo lhe falou que verificou sua informação e Bellatrix Black tinha um álibi forte e incontestável o que só a deixou ainda mais desesperada. A vontade de quebrar algo contra a parede só aumentava.

Bellatrix estava zombando dela, mostrando que era mais forte. Que ela não conseguiria vencer e com esse pensamento em mente ela se obrigou a fazer o que jamais pensou em fazer. Ela iria afastar Severo e Lilian de si. Ou era isso ou ser obrigada a presenciar o que Bellatrix estava reservando para eles.

Sabia o que precisava fazer, teria apenas que simular uma briga e usar isso como motivo para terminar o seu namoro. Teria que ser firme, olhar nos olhos de Severo e apenas afasta-lo. Sentiu uma mão sobre a sua, estava tão distraída que tomou um pequeno susto. O toque suave de Severo envolveu a sua mão e ela sentiu ser erguida e guiada até os lábios do sonserino. O leve beijo que ele depositou em sua palma aqueceu o seu coração.

Seus olhos se encontraram e então Valerie hesitou.

Não, ela não faria. Não tinha força suficiente. O teria pelo menos por aquela noite e depois nunca mais. Seria egoísta e pensaria somente no que queria, ela o queria tanto. O amava tanto, que achou não ser possível continuar sem ele.

Com a ponta dos dedos traçou a linha dos lábios do moreno, percorreu a face chegando ao nariz e a delineou lentamente. Valerie tomou o rosto afilado entre suas mãos como se o estivesse memorizando. Severo fechou os olhos sentindo o prazer que as pequenas mãos lhe davam ao tocar sua face.

Valerie uniu seus lábios o beijando lentamente, saboreando cada momento que ainda lhes restava juntos. O abraçou e sentiu os braços de Severo circular sua cintura colando ainda mais seus corpos e quando o moreno aprofundou o beijo ela se entregou sem reservas.

Sabia que seria o último beijo dos dois e por isso relutava em afastar os lábios dos dele. Ter ciência daquele fato só fazia a experiencia ainda mais intensa e marcante. Sentiu que seu pobre coração não aguentaria mais os fortes sentimentos e mesmo contra todos os seus instintos mais ferozes se forçou a afastar-se dele.

Olhou uma última vez para o olhar apaixonado que Severo lhe lançava e sabia que a partir do dia seguinte ele lhe olharia de outra forma. Relembrou a si mesma mais uma vez que faria tudo aquilo para mantê-lo seguro. E lhe desejando boa noite deu-lhe as costas e partiu deixando seu coração no lugar onde ele pertencia, nas mãos de Severo.

No dia seguinte...

Severo acabava de dar os toques finais em sua poção, como sempre ele era o primeiro a terminar de misturar. Aproveitou esse tempo livre para observar Valerie, ela não parecia ela mesma esses dias, depois do que houve com sua amiga ela parecia sempre um pouco triste, ele entendia é claro, mas sua intuição lhe dizia que tinha algo mais.

As vezes a pegava o encarando, ela tentava disfarçar, mas ele sempre via preocupação em sua fisionomia.

Precisava falar com ela sobre o que a estava incomodando. Por um momento o pensamento de que ela poderia ter se arrependido do que aconteceu entre eles a algumas noites o assolou. Não queria pensar isso, saber que Valerie poderia ter se arrependido ou ter se sentido obrigada a algo chegava a deixá-lo doente.

Enquanto divagava olhava a garota a frente que estava tendo dificuldade com a sua poção. Viu quando Lílian lhe orientou com o processo correto e quando Valerie a olhou a expressão em seu rosto o fez ficar ainda mais preocupado, o olhar que ela direcionou a ruiva foi um misto de tristeza e determinação.

Valerie tentava não se acovardar para fazer o que tinha planejado, tinha que deixar de ser a dupla de Lilian em poções e mesmo sabendo que estava prestes a se comportar como uma completa babaca mesmo assim não parou. Fingiu ter dificuldade com a poção e como sempre, ela sabia que Lilian a ajudaria.

− Não Val, você tem que baixar o fogo e mexer em sentido anti-horário ou sua poção vai virara lama ou pior explodir em nossos rostos – Lilian deu uma baixa risada indicando que seu comentário foi uma brincadeira entre amigas.

− Nem todas nós podemos ser a materialização da perfeição na terra Evans, algumas pessoas são apenas normais.

Lilian se assustou pelo tom de voz cortante que Valerie usou, não era de seu feitio fazer comentários tão desagradáveis.

− Só estava tentando ajudar.

− Quem disse que eu precisava da sua ajuda? Não me lembro de ter lhe pedido nada. Você não cansa de ser tão intrometida?

− Desculpa Valerie, mas foi apenas uma brincadeira. E você sabe que não sou obrigada a te ajudar, mas faço isso pois somos amigas.

− A santa Evans sempre querendo mostrar que é melhor do que os outros. E não me faça rir. Amigas? Acha mesmo que não sabia que só se aproximou de mim por despeita, sabia que o Severo estava interessado em mim e a dor de cotovelo foi grande. Se jogou encima dele feito a vadia que você é.

Valeria viu os sinais, ela já sabia o que iria acontecer. Primeiro ela registrou a fúria encher os olhos verdes e a mão da jovem fechar e abrir como se estivesse tentando se refrear. Mas as últimas palavras que saíram de sua boca a sentenciou. Lilian ergueu a mão e com toda a força que possuía deu um tapa no rosto de Valerie. O som se propagou pela sala de aula e parecendo algo ensaiado todos olharam para as duas jovens que ainda se encaravam com animosidade. Ainda com a mão no local onde ardia pela bofetada Valerie feriu Lilian onde sabia que mais doeria.

− A verdade dói não é sangue-ruim?

O silêncio ensurdecedor reinava ao seu redor enquanto Valerie via as lágrimas descerem pelo rosto da amiga. Uma tristeza esmagadora invadiu o seu peito pelo que tinha acabado de fazer, magoou uma boa pessoa. Sabia que Lilian não merecia ouvir nada daquilo, mas era preferível magoa-la do que deixar a ruiva na mira de Bellatrix.

Agora era irreversível, ela tinha mesmo se tornado um monstro. Valerie finalmente se tornou uma Black.

Notas finais
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