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Vou me acordando aos poucos.Esfreguei meus olhos.Eu...Desmaiei? Fui me sentando em minha cama, quero dizer, não era meu quarto, e sim, o quarto de Ian. A porta é aberta. Nícolas entra no quarto.

—Opa, não sabia que já tinha acordado. — Ele fecha a porta com o pé.

—Eu...Dormi por quanto tempo? — Toco minha cabeça.

—Só um diazinho. — Ele deu de ombros.

Nícolas colocou a bandeja em meu colo.Sorrir de lado para ele.Nic sentou na ponta da cama e suspirou.

—O que você tem? — Pergunto.

Pego a xícara de café e tomo um gole.Se isso tudo foi feito pelo Nícolas, eu lhe devo um belo de um parabéns.

—Geral tá na força total, tentando acabar com esse bagulho de te matar. — Ele passou a mão no rosto. — Seu pai já ficou logo sabendo.

—Como!? — Eu não gostaria de preocupar meus pais, ainda mais meu pai.

—Cloe? Por favor né.Seu pai é o dono de VÁRIAS facções, seria impossível esconder isso.

Dei uma pequena risada.Nic tem razão, meu pai é tudo isso e mais um pouco.

—E o Ian foi atrás do seu pai, pedir ajuda.Eu pensei que ele nunca ia fazer tal coisa. — E olhei surpresa. — Sabe, ele deixa o orgulho de lado contigo, eu fico feliz que meu amigo esteja mudando.

—Eu gosto dele do jeito que ele é. — Sorrir sem graça.

—Isso é visível. — Ele me dá um sorriso irônico, como se eu tivesse falado o óbvio. — Também espero encontrar alguém assim.

—Eu achava que os gângsters não tinham corações. — Pego o pão e dou uma bela de uma mordida. — Nossa Nic, isso está uma delícia. — Reviro os olhos, com a boca cheia.

No momento que engoli, sentir uma pontada em minha barriga.Passo a mão e olho para baixo, a região da minha barriga estava toda enfaixada.

—A gente não tem coração, mas sei lá, devo ser o único dos caras que pensa assim. — Ele se joga na cama. — A pessoa que me apaixonei, já está apaixonada.

—Sério? Sinto muito Nic. — Tomo um gole de café, o olhando tristemente. — Tenta superar e partir para outra.

—Não é fácil, quando se mora com essa pessoa. — Ele virá seu rosto e me olhou, deu um sorriso de lado fraco.

Coloco minha bandeja de lado e me aproximo dele.

—Espera! Quem é? — Sim, eu estava curiosa.

—Se eu contar, promete dizer pra ninguém? — Ele volta a se sentar.

—Sim, claro. — Levanto meu dedo mindinho.

Ele levanta seu dedo mindinho e fizemos essa promessa.Me aproximei mais dele, estávamos muito próximos.

—É o Thomas, Cloe. — Ele sorrio desanimado, vi seus olhos brilhando.

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—É O QUE? — Quase piro ali mesmo

—Xiiiu! — Ele tampou minha boca rapidamente. — Eu sei, um gângster gay? Já basta o Thomas, quero dizer, ele é bi. — Ele tirou a mão da minha boca lentamente.

—Não era isso com o que eu estava surtando. — Por que eles acham tão ruim um gângster ser gay? — Era o fato de você está apaixonado pelo THOMAS, o Thomas, eu sempre o achei ele meio... — Tentava encontrar as palavras certas para Nic não se sentir ofendido ou qualquer coisa assim.

—Babaca? Ignorante? — Eu assentir meio sem graça. — É, ele é tudo isso mesmo, não era só com você ele agia daquela forma.Enfim, ele tá com o Jhonathan e foda-se, vida que segue né.

—Não queria que você ficasse desse jeito, eu sei como dói. — Passo a mão em seu rosto.

Ele me olhou profundamente.Eu nunca pensei que ficaria próximas de todos eles, mas acabei ficando, no fundo eu sei que são boas pessoas.Eu amo essa minha família.

—Se eu não fosse viado, eu te comia Cloe. — Sentir minhas bochechas corarem e ele riu. — Não sou talarico, é brincadeira.

Empurrei seu ombro.Ouvir a porta abrindo e me afastei um pouco do Nícolas rapidamente.Sebastian entrou a correndo no quarto.

—Mãe!

Eu adorava quando ele me chamava disso, eu me sentia realmente uma mãe.Ele pulou em meu colo, chorando.

—Eu...eu vi sangue em baixo de você, eu pensei que você ia morrer. — Ele choramingou.

—Está tudo bem agora, Sebas. — Passo a mão em seus cabelos escuros.

Nícolas se levantou, pegou Nícolas e ficou o jogando no ar.Sebas já podia ser "grandinho", mas o tratavamos como uma criança, e ele nunca reclamou.Sebastian começou a rir, substituindo suas lágrimas por risadas.

—Vamos garotão, deixa a sua mãe descansar. — Nic o colocou no chão.

Fui me levantando aos poucos.Eu posso ter levado um tiro no estômago, mas eu não iria ficar no quarto vegetando.Me desequilibrei e voltei a me sentar na cama.Nic veio até mim e me segurou pela cintura, o sorrir para ele.
Ele me ajudou a sair do quarto e descer até lá em baixo.Parecia que todos estavam fazendo uma reunião.

—O que está acontecendo? — Digo, me aproximar da sala de estar.

—Cloe, você acordou! — Diz Sarah.

Sarah e Karla vieram até mim e me abraçaram.Karla colocou a mão na boca e correu para o banheiro perto daqui.

—Já faz semanas que ela está assim, acho que ela anda comendo alguma coisa estragada. — Sarah comenta.

Um estalo em minha mente me acordou.Corri até minha bolsa, que estava perto da porta, não me importando com a dor em minha barriga ou dos pontos de abrirem.Peguei minha bolsa e tirei o teste de gravidez de lá.Corri de volta até a sala e todos me olharam.

—VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!? — Andrew levantou um pouco a voz, surpreso.

—Não, não é meu. — Todos se entre olharam, parecendo aliviados?

—Ufa, Ian é muito burro para ser pai. — Thomas brinca.

Uma almofada é jogada no rosto de Thomas, Ian lhe mostrou o dedo do meio.

—Sarah, saberia me responder quanto tempo ela está "passando mal"? — Andei de um lado para o outro.

—Não sei responder exatamente, um mês ou dois? — Ela olhou pro nada pensativa.

—Ah sim. — Coloquei a mão no queixo.

—Não está querendo dizer que esse teste de gravidez é da... — Andrew não termina.

Karla voltou com uma cara não muito boa.Todos nós olhamos para ela.

—Tem algo na minha cara? — Karla passou a mão no rosto.

—Karlinha, qual foi a última vez que você dormiu com alguém? — Decido perguntar.

—Com todo respeito, Cloe, não vou dizer na frente de todos, né. — Ela olhou para minha mão. — Achou aonde isso?

—No lixo da cozinha, ele é seu, não?

Um silêncio se formou.Eu não queria expor logo a bomba dessa forma, mas a cada mês que passa, mais a barriga dela irá aparecer, é melhor falar agora do que depois.

—Já faz três meses. — Ela olhou para o chão.

Todos ficaram tensos.Fui me aproximando dela.

—Aqui vai virar creche agora. — Ouço Ian murmurar.

—Eu vou ser titio! — Jhonathan sorrio.

—Não se aproxime de mim, Cloe! — Karla me empurrou. — Você não tinha o direito de expor para todos assim!

—Eu só queria te ajudar! — Digo.

Ela me olhou friamente e saiu correndo.

—Eu vou atrás dela. — Diz Dylan.

Ele parecia o mais tenso de todos.Eu apenas concordei com ele, Dylan foi atrás de Karla correndo.Talvez eu tenha errado...Acho que eu não devia ter feito isso.Joguei o teste no lixo e me sentei na poltrona, tensa.

—Está melhor? — Ian se aproxima de mim.

—Em relação a que assunto?

Ele me levantou e se sentou na poltrona e me fez sentar em seu colo.

—Em relação dos dois assunto. — Ele beijou meu ombro.

—Em relação a bala, eu estou me recuperando aos poucos.E em relação a Karla? Estou me sentindo a pior pessoa do mundo. — Passo a mão em minha testa, tensa.

—Era agora ou nunca, né. — Ele passou a mão na minha coxa.

—Acho que ela preferia nunca, não? — Sorrir sem humor.

Ian olhou para minha frente e revirou os olhos.

—Dá pra parar os dois viados aí. — Ele olhou para Thomas e o Jhon.

—Ela tá sentada no teu colo, e ninguém tá reclamando. — Thomas disse e mostrou o dedo do meio.

—Vamos. — Jhon puxou Thomas.

Jhonathan e Thomas saíram.Voltei a olhar Ian, ele parecia tenso.

—O que foi? — Decido perguntar.

—Tem muita coisa pra pensar e resolver. — Ele me segurou mais nele. — Ainda tem esses dois viados. — O olhei feio. — Fico receoso com esse relacionamento deles, e se alguma gangue quiser tacar porrada neles? Tá foda, Cloe.

—Que fofo, tá preocupado com o amigo. — Beijo seu rosto.

—To nada, só não quero que uns dos meus caras fique conhecido como fracote, que levou porrada. — Reviro os olhos. — Ainda tive que pedir à ajuda do teu pai, não tem dia pior que esse?

—Você reclama demais, Ian. — Sorrio.

Envolvi meus braços em seu pescoço.Eu estava amando novamente, e esse amor me fazia me sentir feliz, muito feliz.Ian me pegou no colo e se levantou.

—Quer me animar de outro jeito, não? — Sua barba raspou em meu pescoço.

Dei umas risadas, sentindo cócegas.Ele me levou lá para cima até seu quarto.Eu espero que a noite dure para sempre.

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Notas finais
Até o próximo capitulo :)!