The Greek Norse Girl I - O Enigma dos Sete Mares
1 O Nascimento
Notas iniciais
Valerie Murray não podia correr, mas ao mesmo tempo queria fazer isso. Essa porcaria de montanha íngreme!, ela pensava. O céu era riscado por raios e ela sabia bem o porquê disso. Ela tinha sido a causa de uma transgressão. Uma transgressão de um deus! A barriga de nove meses pesava muito e, como se já não tivesse mais problemas, começava a sentir um líquido escorrer por suas pernas cobertas pelo vestido longo. A bolsa tinha estourado.
Já amava aquela criança de todo o coração, mas já brigava com ela. Não dava pra querer nascer depois não? Estava quase lá no topo, pelo menos nenhum monstro a mais a havia perseguido. Os céus ainda tinham piedade, talvez. Depois de todas as outras criaturas enviadas na difícil viagem. Assim que chegou, soube que estava protegida e se deixou desmaiar. Teve sorte de haver três curandeiros disponíveis bem ali para levá-la à enfermaria.
Parto complicado e demorado. Valerie perdia muito sangue, mas a criança ainda estava bem. O tempo passava, anestesias, cortes cuidadosos, o cordão umbilical envolto no pescoço do bebê. Tudo parecia conspirar contra aquele nascimento, contra aquela mãe. Os sinais vitais da mulher foram caindo, caindo, estavam perdendo Valerie ao mesmo tempo que traziam a pequena menina ao mundo. Não puderam salvar as duas.
O choro da pequena era misturado ao som uniforme da máquina que indicava a morte da pobre mulher, que apenas cometera o erro de amar a pessoa errada. Quem era o pai dela? Ninguém ali sabia. Poderiam descobrir? Talvez. Levaram-na ao diretor do local, que disse que cuidaria dela. Lamentavam a morte da jovem de mulher, que tinha seus 23, 24 anos. Nova, com toda uma vida pela frente, mas a vida lhe fora interrompida por seres contra os quais ela jamais poderia lutar.
Os trovões cessaram ao longe, como se dissessem “Não há mais nada a ser feito”. O diretor levou a menina para a enorme casa e ajeitou-a num bercinho improvisado em seu quarto, estava coberta apenas com um manto verde-água e segurava o anel de prata da mãe em sua mãozinha. O outro diretor, estressado e vermelho como sempre, apenas rolou os olhos para a criança, sabendo que ela não deveria existir, mas ali estava. Mais um problema à vista... “O” problema à vista.
Os curandeiros limpavam o corpo inerte de Valerie quando encontraram um pequeno pedaço de papel preso em seu sutiã. Levaram imediatamente ao diretor, espantados.
“Caro guardião,
se está lendo esse bilhete é porque a pobre Valerie não sobreviveu. A menina que acabou de nascer será uma grande guerreira, apesar das circunstâncias. Devido à sua personalidade selvagem, chamem-na Silvia e dêem-lhe o sobrenome da mãe. O pai dela fará contato e lhes dará as instruções devidas para a criação da pequena. Beijem-na por mim, pois já gosto desta princesa. Até.”
Não havia remetente, mas o diretor sabia quem havia escrito pela letra e pelo tipo do papel.
– Silvia Murray, então. Seja bem-vinda, pequenina. Vamos aguardar por seu pai.
Logo, naquela mesma noite de ventos fortes, tempestades torrenciais e ondas revoltosas, ele apareceu, tenso e aparentemente temeroso, logo a menina passou a ser criada conforme as orientações dele, ainda que o diretor não gostasse tanto no início, mas jamais teria coragem de ir contra aquele homem. E, assim, a garota foi crescendo, rodeada por pessoas que eram como ela, exceto pelo fato de serem felizes.
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