The Great Historia

11 Conselho dos Poderosos


…

Quando acordei, estava encharcado. Meus ouvidos pareciam estar cheios de água. A força que o ataque teve foi tanta que não vi sinal de androide quando abri os olhos. Em um morro, Marluna disse, quando tinha terminado de tirar a água dos meus ouvidos:

—Fadas e combatentes, eu peço que se retirem da batalha. Apenas os mais poderosos podem ir a partir de agora.

As fadas, que por mais que estejam exaustas queriam lutar, começaram a reclamar. Marluna, então, respondeu as reclamações:

—Me desculpem, mas essa é a situação atual. Assim que verem o que aconteceu, os chefões pessoalmente podem vir para cá, o terreiro de batalha. E ninguém vai passar ileso do trator que eles terão.

As fadas ainda queriam reclamar, mas obedeceram a ela. Eles entraram na Fundação pela escotilha que saíram.

—Fundadores – Marluna chamou -, venham aqui.

Eles logo se aproximaram.

—Wreckers, Inkaylor, Nemo, Lynn – ela também chama -, vocês também.

Num pulo (mais poderes para a lista) cheguei no topo da Grande Árvore – que, aliás, retornou ao seu lugar -, e nos reunimos para discutir sobre o próximo ataque.

—Isso é para daqui a uma hora – ela não parecia lá muito bem, pela voz que estava –, por isso, devemos nos apressar. Precisamos… — Ela desmaia de exaustão. Fyon, que logo vê que ela vai cair, segura ela pelos ombros.

—Inkaylor – disse ele, já ofegando, evidentemente sem muita força para segurar ela -, crie uma cadeira para ela.

Eu fiz isso. Na verdade, todos ali estavam cansados, inclusive eu. Só não estava tão cansado quanto eles.

—Posso fazer uma mesa para nós 16?

Todos assentiram. E fiz a mesa juntando ela com a cadeira da Marluna, que aos poucos recuperava seus sentidos. Era uma távola, com 16 cadeiras, apenas com os poderosos da Fundação. A Mesa dos Poderosos.

Quando nos sentamos, algo acontece com a mesa e as cadeiras. Todas as cadeiras ganharam uma tonalidade diferente para cada um dos Poderosos. E as partes da mesa onde sentavam ganharam uma imagem que eu gostava e fazia referência com seu elemento representado.

“Marluna ganhou uma cadeira com diferentes tonalidades de azul. Sua imagem era um mar tranquilo em movimento, com uma lua cheia no fundo.

“Fyon ganhou uma cadeira vermelha no centro do encosto, alaranjando nas extremidades. Sua imagem eram as terras de seu pai, no fogo.

“Keopart ganhou uma cadeira amarela canário, com lascas de raio nas extremidades. Sua imagem eram nuvens carregadas em movimento.

“Agina teve uma peculiaridade. As raízes de árvores eram sua cadeira. Sua imagem era uma floresta que, com certeza, não era a Amazônica.

“Deena também ganhou uma peculiaridade. Folhas rosadas agora eram sua cadeira. Sua imagem era um literal mar de rosas.

“Wrawyon… só escureceu a cadeira e a parte da mesa dele. Só isso.

“Lito Geo ganhou uma cadeira marrom-terra, com detalhe de montanha no topo do encosto. Na imagem, o Everest.

“Tenstareot ganhou um trono cinza-lavanda com detalhes vermelhos. Na imagem, um gavião vermelho.

“Jezi ganhou uma cadeira vermelha no centro do encosto, ficando azul nas extremidades. Sua imagem era a de um dragão ocidental.

“Pedrini ganhou uma cadeira laranja e marrom. Na imagem, uma cratera, possivelmente formada pelo soco dele.

“Fisto ganhou uma cadeira recém-talhada na pedra. Na imagem, um pedregulho.

“Daiss ganhou uma cadeira azul-celeste na tarja central, cinza nas outras duas menores. Na imagem, um céu com nuvens.

“Silver ganhou uma cadeira de aço com almofadas vermelhas, para não se sentar no ferro duro.

“Nemo ganhou uma cadeira violeta. Na imagem, o Mundo das Almas.

“Lynn tinha uma cadeira salpicada de cinza. Na imagem, a floresta onde Nemo estava no dia em que se conheceram.”

E fiquei inalterado em relação aos outros. Clássico.

Fisto foi o primeiro a se pronunciar, tão animado quanto uma criança de 10 anos:

—A gente só precisa cair para cima deles e ponto final.

—Calma, Fisto. – Fyon intervém. – Está certo em cair para cima deles, mas não sem alguma estratégia. Devemos ter alguém com poderes similares a eles, ou que compita com eles de igual para igual.

Todos olharam para mim e para Wrawyon.

—O que foi? — Wrawyon diz, com rancor na voz. — Se acha que usarei meu despertar, está enganado.

—Por que, cara? — Fyon pergunta. — O seu despertar é o mais poderoso dentre o de todos nós. Se há alguém que consegue bater de frente com forças do vazio, além do Inkaylor, é você!

—Eu prometi a mim mesmo que nunca mais eu iria utilizar aquele modo.

—Só por causa da memória que ele causou, junto com…

—NÃO FALE O NOME DELE AQUI! — Todos, inclusive eu, ficaram surpresos com a reação dele. — Desculpe. Perdi o controle das minhas emoções.

—Como sempre.

—CALA A BOCA!

—Enfim – disse Marluna, num tom impaciente, já consciente -, podemos retomar nossa reunião?

—Tá – responderam os dois em sincronia.

—Eu tenho um plano – Daiss disse, levantando a mão. — Nós devemos jogar as armas pesadas na última cartada. Isso é uma manobra de sobrevivência.

—Sim, Daiss – eu disse -, mas isso não é “battle royale” ou embate x1. Isso é uma batalha de guerra. Ou jogue no início, ou nunca jogue.

Todos assentiram. Pedrini, porém, disse:

—Sim, concordo com Inkaylor e seu ponto de vista. Mas o Daiss também está correto sobre uma cartada final. Temos de ter uma ação em conjunto, ou o plano não irá para frente de verdade. Será o que nós conhecemos em um tiro só.

—Gostei da ideia.

Alguém disse isso, e logo descobrimos que era Landrew se manifestando de novo.

—Landrew, avisa, por favor, quando você chega. Não queremos que isso seja a voz de um Voidern na furtiva.

—Desculpa, mas quem está falando? — Foi Fisto quem perguntou.

—Longa história – eu respondi. — Explico depois. Continue, Landrew.

—Eu gostaria que houvesse um assalto total. Todos aqui, trabalhando juntos, seguram eles, não?

—Parece que sim – eu disse –, mas aonde quer chegar?

—Se acontecer um assalto total, os líderes precisam ser os mais fortes do bando, no caso, Inkaylor e Wrawyon. Nós devemos ter o cuidado de não deixar ponta solta nessa estratégia. Não há posições. Apenas uma linha de defesa de ferro. Este conselho está encerrado.

E todos se levantaram das cadeiras, incluindo Marluna, que já estava consciente de novo, após a briga dos filhos de Hades.

…

LADO DA LYNN

Após a reunião, estava sentada ainda no topo da Grande Árvore. Fiquei pensando: será que foi a coisa certa ter mandado aquilo para o Nemo, ainda mais pelo melhor amigo dele?

Minha resposta foi quase imediata. Nemo se aproximou e me pergunta isso:

—O que era aquilo que mandou para mim?

Corei na hora. O que havia comigo ali?

—Errmm… Foi algo? — Eu disse, um sorriso de quem quer se afastar do assunto na cara. Ele só me deu aquela cara de “arrã, sei...”. Fui dizer a verdade agora:

—Eu só queria dizer que gostava de você, e que conhecer o Sílin era esquecer algo impossível de ser esquecido: uma amizade.

“Eu só queria distância naqueles tempos por causa de minha vontade de querer te namorar, esquecendo que isso não é idade. Mas o Sílin foi uma prova de que não te esqueço, nem que peçam, implorando, de joelhos.

“Foi você quem me levantou na sua cabana na floresta. Foi quem enfrentou a ameaça de espada na mão, enquanto fraquejei e caí. Foi você quem continuava a me seguir, apesar de rejeitar sua atenção, tantas e tantas vezes, por tempos. Eu lhe peço desculpas se coloquei a nossa amizade morro abaixo.”

Nemo, apesar de estar surpreso com aquilo, disse:

—Nós somos amigos. E isso não muda. Eu lhe agradeço pela confissão, e eu aceito suas desculpas, com certeza.

Estava de cabeça baixa, mas eu logo a levanto quando percebo que estava segurando minha mão, e olhando para o meu rosto.

—Mas saiba que, mesmo que tenha me visto beijando a Sofia, eu nunca, jamais, gostei dela o quanto gostei de você. Você é bondosa, legal, e nunca vi pessoa mais poderosa na minha vida.

Ele começa a aproximar, lentamente, sua cabeça, e eu faço o mesmo. Mas antes de acontecer o beijo:

—Estou interrompendo algo?

Nós pulamos para trás quando Inkaylor nos assusta no meio daquela cena.

—Não – eu respondo sarcasticamente -, nada em especial.

—Ah, que é isso? Continuem, vai.

—Saia daqui primeiro, Inkaylor.

—Tá. Estou sendo chamado mesmo.

E ele sai de cena.

—Aonde estávamos? — Eu pergunto para o Nemo.

Mas ele olha para o horizonte. Lá estava a grande nave. Em 10 minutos, a batalha começaria. E todos já se preparavam para ela, sem olhar para trás, apesar de pensar no que poderia ter acontecido.

RETORNAMOS A INKAYLOR.

Estando do lado de Wrawyon, me preparei. Punhos cerrados, determinação a flor da pele, tudo pronto para uma batalha.