The Girl Who Murdered Love
2 Aquela mancha escarlate que não sai mais
Notas iniciais
"E eu quero que essas palavras consertem as coisas
Mas são os erros que fazem as palavras viverem
Quem ele pensa que é?
Se isso é o pior que você conseguiu
Melhor colocar seus dedos de volta nas chaves"
–Thnks fr th Mmrs -Fall Out Boys
Inverno. Os delicados flocos de neve valsavam com o vento gélido, e minha respiração embaçava o vidro do colégio, enquanto eu me contorcia de frio em minha desconfortável cadeira."Por que é que eu tenho que vir para este inferno quando está tão frio?", um horrível inferno de gelo, pensava. Podia simplesmente pular janela á fora e correr para o conforto de minha casinha, mas isso levantaria suspeitas.
–Aaaaaah... -Suspirei miseravelmente, de novo. Ignorei os olhares curiosos ou incomodados lançados em minha direção. Eu já havia desviado de balas! Nunca iria me importar com aquele tipo de coisa.
Sequer estava prestando atenção ao que a professora dizia. Não estava com cabeça para isso, em fato, nunca estava, não saberia dizer como ainda estava no colégio. Relembrava a noite passada, e minha visita ao túmulo de Mizu. Mesmo depois de 5 anos, minhas pernas doíam, meu coração disparava e eu era soterrada pelas preocupações e arrependimentos toda vez que pisava naquele cemitério. Esquecer, superar. Tinha que ficar mais forte para isso.
–Julia? Julia? -Nathan sacudia meu ombro veemente, trazendo-me de meus pensamentos. O fuzilei com o olhar, odiava quando me tiravam de minhas meditações preciosas. -Ah, d-desculpe... Eu só... Só estava preocupado com o seu desaparecimento ontem depois do intervalo... Sabe, se continuar assim ele te expulsam.
Podia ver em seus olhos, por detrás da lente de seus óculos, medo. O medo da solidão, do esquecimento. É, todos esse medos idiotas que pessoas normais tem. Suspirei novamente, e sorri do modo mais generoso que podia.
–Ei, ei. Eu sei, não acha que eu seria idiota o bastante pra ele me mandarem longe daqui certo? Eu tenho que te proteger. Essa é a missão da minha vida, eu já não te disse?
Ele assentiu com seu sorriso triste, os olhos cravados nos meus, como que para se assegurar de que minhas palavras eram verdadeiras. Eu ri, Nathan e sua insegurança sempre me foram hilárias. Eu me lembro de quando nós bolamos um plano para ele reformular seu visual e conquistar a menina que gostava. Realmente, Nathan nunca ficara tão bonito, mas a garota se mostrou somente interesseira depois de alguns meses de namoro. Eu sempre achei que se você deve mudar tanto para alguém te notar, não vale a pena.
–Sim, você já me disse isso várias vezes. -Ele retribuiu meu sorriso, mas do seu modo sincero e quase angelical. Logo ficou novamente preocupado comigo. -Obrigado, mas... As consequências do que está fazendo (seja lá o que for) não são pesadas?
–Pesadas? Algo envolvido com as escola nunca seriam pesado para mim. -E aquele malfadado olhar curioso pousou em mim. Ah! Como eu odiava aquilo! -Mas minha vida não é da sua conta. Quando puder se sustentar sobre as próprias pernas, venha me perguntar sobre os meus problemas.
Ele ficou plantado ao lado de minha mesa. Normalmente Nathan viria correndo atrás de mim e pediria desculpas, eu diria que tudo bem se ele não perguntasse mais. E no dia seguinte tudo ocorreria novamente e novamente, como se eu precisasse de mais um ciclo vicioso para me dominar. Eu acho que ele finalmente havia se cansado também. Assim ele se afastaria e ficaria a salvo.
Deixei-me cair no sujo e gelado frio chão do telhado. Ao meu suspirar vi a baforada se confundir ao ar daquela manhã. As lágrimas foram brotando, dolorosamente escorrendo, coisa que nem tentei impedir. Estava cansada de viver batalhando contra meus sentimentos e lembranças. Eles nunca me deixariam, não importava meu sofrimento, mas... Fitei minhas mãos tremendo.
E elas ainda estavam manchadas de sangue.
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